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terça-feira, 22 de novembro de 2016 Filmes, Notícias | 17:39

“Jackie”, estrelado por Natalie Portman, ganha novas imagens e data de estreia

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Vencedora do Oscar em 2011 pelo filme “Cisne Negro”, atriz israelense volta à corrida pela estatueta dourada ao interpretar a mais icônica das primeira-damas dos Estados Unidos

Natalie Portman em cena de Jackie

Natalie Portman em cena de Jackie

Filme que promete ser um dos hits da temporada de premiações no cinema, que se avizinha, “Jackie” ganhou novas imagens nesta terça-feira (22) que são divulgadas com exclusividade pelo Cineclube. Assim como a confirmação de que o filme, que será distribuído no Brasil pela Diamond Films, estreia nas salas do País em 9 de fevereiro, em plena expectativa pela entrega dos prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

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Imagem do filme Jackie

Imagem do filme Jackie

Nesta terça-feira (22), o filme recebeu quatro indicações ao Independent Spirit Awards, prêmio que reconhece o que de melhor é produzido na cena independente do cinema norte-americano. “Jackie” foi lembrado nas categorias de filme, direção, atriz e edição.

Trata-se de uma cinebiografia de Jacqueline Kennedy Onassis, mas o recorte proposto pelo filme do chileno Pablo Larrain é muito específico. Acompanha Jackie, como era carinhosamente chamada por público e mídia, após o assassinato de John Kennedy Jr. A atriz falou a respeito da composição da histórica personagem na premiere do filme, realizada em Los Angeles na última semana, e na mesa redonda promovida pela publicação The Hollywood Reporter com algumas das atrizes cotadas a prêmios nessa safra 2016/2017. “Foi um imenso desafio”, admitiu Portman. “Os aspectos mais superficiais – como o jeito que ela se movimenta, o gestual e o jeito de falar –  eram questões de prática e habilidade, mas como ela se sentia era algo que demandava imaginação”.

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A atriz, que pesquisou intensamente para o papel, confessou ter se surpreendido com o engajamento de Jacquie nos assuntos da Casa Branca. “eu sempre a percebi como inteligente e esperta, mas quando você ouve as transcrições de suas entrevistas após o assassinato, quando ela tentava definir o legado de seu marido e tentando criar uma história oral de sua presidência, você percebe o quanto ela estava inteirada daquela rotina”.

Vencedor do prêmio de melhor roteiro no último festival de Veneza, “Jackie” não é o único filme de Larrain no ano. O cineasta ainda conta com “Neruda”, que integrou a seleção de Cannes em maio, como representante do Chile na corrida pelo Oscar. A história do passado pode render muitos louros à história que está por vir tanto para Larrain como para Portman.

 

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segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016 Análises, Filmes | 16:04

Com vitória de DiCaprio e triunfo de “Spotlight”, Oscar reafirma suas apaixonantes contradições

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Foto: Getty Images

Foto: Getty Images

Era o ano de Leonardo DiCaprio. Era, também, o ano de Ennio Morricone. Tudo mundo meio que já sabia disso. O Oscar tem seus caprichos e Leonardo DiCaprio, tantas vezes esnobados, teve o privilégio de fazer um relativamente longo discurso de agradecimento sem o inconveniente incômodo da música lhe lembrando da finitude daquele momento de glória.

Morricone, grande compositor que já ganhara um Oscar honorário em 2006, venceu pela robusta e oponente trilha de “Os Oito Odiados”. A bem da verdade, o Oscar da mea-culpa estava armado bem antes disso. Na esteira de toda a polêmica envolvendo a falta de diversidade entre os indicados, o Oscar abraçou a crítica e o mestre de cerimônias Chris Rock foi o arauto do apocalipse ao apontar o quão elitista e segregacionista Hollywood pode ser. Foram muitos os momentos inspirados do apresentador, a começar por seu monólogo de abertura, passando por quadros satíricos envolvendo Jack Black e a falta de representatividade entre os principais filmes concorrentes junto a comunidade negra americana.

Mas caprichosa que é, a academia preferiu o britânico Mark Rylance, egresso do teatro, a Sylvester Stallone, o brucutu que ganhou o coração do povo, entre os atores coadjuvantes. O que dizer da cara de desapontamento de Patricia Arquette quando não anunciou a vitória de Sly? Ou da emoção mais do que platônica de Kate Winslet quando viu o seu eterno Jack voltar a ser o rei do mundo? E o punho cerrado de Michael Keaton para celebrar a vitória de seu filme na principal categoria da noite?

Porque o Oscar, afinal, tem tudo a ver com ciclos, justiças históricas, injustiças perenes, preferências, prioridades e autoindulgência.

Mas foi, também, o ano de “Spotlight”. Filme redondo, bem fundamento dramática e narrativamente, que tinha tudo para prevalecer em um ano de tantas hesitações na categoria principal. Ah, mais é menos cinema do que “Mad Max” e “O Regresso”! Talvez por isso tenha ficado com menos Oscars do que seus dois rivais. Mas é um filme que valoriza a prospecção da verdade. A perseverança dos justos. Que pisca os olhos para um mundo melhor. É, portanto, uma escolha mais emocional do que racional. Algo bem comum em termos de Oscar.

O que não é comum é um diretor ganhar o Oscar por dois anos seguidos. Alejandro González Iñárritu fez, sim, história e ele merece. É um artesão do cinema. Um pensador inquieto de seu ofício e ainda que não fosse o melhor realizador entre os indicados ostentava um trabalho digno do Oscar. Seu colaborador Emmanuel Lubezki venceu pelo terceiro ano consecutivo a estatueta de melhor fotografia por “O Regresso”. Ele havia vencido por “Birdman” em 2015 e “Gravidade” em 2014. Mais um feito histórico alcançado no Oscar deste ano.

Assim, ali entre a história que foi feita e a que por um suspiro deixou de acontecer, a edição de 2016 do Oscar se subscreveu como o sonho dourado que todos os mortais, sejam eles estrelas de cinema, cinéfilos ou meros espectadores, sonham uma vez por ano todos os anos.

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domingo, 7 de fevereiro de 2016 Análises, Diretores, Filmes | 17:59

Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar?

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Foto (divulgação)

Foto (divulgação)

O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu venceu na noite deste sábado (6) o prêmio do sindicato dos diretores pela direção do filme “O Regresso”. Ele já havia vencido ano passado pela direção de “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”.  O feito do mexicano é notável porque é a primeira vez em mais de 60 anos de existência da premiação que um cineasta vence o DGA de maneira consecutiva. Iñárritu se iguala a cineastas como Clint Eastwood, Robert Wise, David Lean, Ang Lee, Francis Ford CoppolaMilos Forman e Oliver Stone com dois triunfos. Apenas Steven Spielberg tem três.

Mas qual é o efeito prático do triunfo de Iñárritu no DGA no Oscar? A princípio, significativo. O DGA é o sindicato com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores de melhor filme. É, também, o sindicato mais eficiente em casar seus resultados com o da categoria no Oscar. Em uma corrida como a de 2016, porém, em que os sindicatos não estão se fechando em torno de um único filme – “Spotlight” foi o preferido dos atores e “A Grande Aposta”, dos produtores – o impacto da vitória de Iñárritu precisa ser relativizado.

O DGA, historicamente é mais progressivo do que a academia. Indicou Christopher Nolan pela direção de “O Cavaleiro das Trevas”, algo que a academia não fez. E premiou Ben Affleck pela direção de “Argo”, mesmo sabendo que ele não estava no rol de nomeados ao Oscar e que o fazendo revisaria suas estatísticas de equivalência com o Oscar para baixo.

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de "O Regresso". Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de "Spotlight" e Ryan Gosling apenas ouve em cena de "A Grande Aposta" (Fotos: divulgação)

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de “O Regresso”. Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de “Spotlight” e Ryan Gosling apenas ouve em cena de “A Grande Aposta”
(Fotos: divulgação)

O trabalho de Iñárriu em “O Regresso” é vistoso. Assombroso de bom, mas apenas John Ford – um dos maiores ícones da Hollywood da era de ouro, ganhou dois Oscars de maneira consecutiva. A academia estaria pronta para repetir feito tão notável. Muito provável que não. “Birdman” era um filme esteticamente mais arrojado e criativo do que “O Regresso” e, no limiar, o mexicano não tem o melhor trabalho de direção entre os indicados. Esses são de George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Adam McKay (“A Grande Aposta”).

É fatídico que o Oscar de direção fica entre esses três e a vitória de Iñárritu no DGA não é tão ruim para as chances de Miller. O australiano , pela carreira e pelo vigor empregado na confecção de “Mad Max”, pode se beneficiar da resistência de muitos membros de equiparar Iñárritu a John Ford.

Já a corrida pelo Oscar de melhor filme parece concentrada em “Spotlight”, que venceu diversos prêmios da crítica, o SAG e o Critic´s Choice Awards, “A Grande Aposta”, que venceu alguns prêmios da crítica e o PGA, e “O Regresso”, a melhor bilheteria entre os três – um blockbuster de arte -, líder na corrida e vencedor do Globo de Ouro e do DGA. Até mesmo “Mad Max”, com menos chances, está bem cotado. Mas Miller tem mais chances de vencer do que o filme.

Parece oportuno lembrar da corrida em 2007 quando “Babel” venceu o Globo de Ouro de filme dramático, “Pequena Miss Sunshine” levou os prêmios do SAG e do PGA e Martin Scorsese, por ‘Os Infiltrados”, ficou com o DGA. Deu “Os Infiltrados” no Oscar. Este ano parece ainda mais aberto do que aquele ano, mas “O Regresso” acaba de ganhar mais força rumo à glória no Oscar e no momento mais acertado possível.

 

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sábado, 23 de janeiro de 2016 Análises | 20:42

Polêmica em torno de racismo no Oscar pode segmentar ainda mais indústria do cinema

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O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

A semana esquentou um debate para lá de controverso que vira e mexe volta à tona em tempos de Oscar. O fato de em 2016 todos os atores e atrizes nomeados serem brancos, bem como roteiristas, diretores e demais contemplados em categorias nobres pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood gerou algum mal-estar entre a comunidade negra. De imediato surgiram protestos nas redes sociais e estes deram vez a declarações pesadas de artistas negros como Spike Lee, Ice Cube e Will Smith.

Há, sim, pouca diversidade na academia. Esse é um problema crônico e derivado da indústria do cinema como um todo, mas não implica no fato da academia ser racista. Não é.  O que a ausência de artistas negros em 2016 reflete é o gargalo de uma indústria que ainda engatinha na promoção de diversidade. Há poucas mulheres no comando de estúdios, dirigindo filmes, escrevendo-os, fotografando-os e há poucos negros como protagonistas de superproduções de estúdio. Não há, porém, em termos proporcionais, pouco reconhecimento do Oscar a esses artistas. Há, apenas, um indesejado reflexo que ganha lente de aumento com todo o barulho provocado pelo Oscar.

Apesar da virulência cada vez mais flagrante nas declarações de atores como Michael Caine, Jeffrey Wright e Jada Pinkett-Smith, o debate é bom, mas precisa ser ajustado ao contexto para produzir efeitos positivos e perenes.

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs anunciou que a Academia considera promover uma série de mudanças para aumentar o espaço das minorias entre seu quadro de votantes. Se em espírito é uma atitude bem-vinda, à reboque do mal-estar experimentado no âmago da opinião pública, é uma decisão desastrada. Isaacs, que disse que a Academia não ficará à espera da indústria na questão, quer alterar a regulamentação que dá direito aos votos, mas sem mexer nos demais benefícios de um membro da Academia, o que deve aferir mais transitoriedade e (espera-se) diversidade no corpo votante.

"12 Anos de Escravidão" foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

“12 Anos de Escravidão” foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

Pode dar muito certo e pode dar muito errado – principalmente pelo fato de gerar desequilíbrio e ruídos na qualidade dos indicados. Há de se observar, ainda, que ela não garante que negros estejam entre os indicados em 2017. É, contudo, uma resposta ao clamor generalizado. Nesse sentido, como medida paliativa, muito bem-vinda.

É preciso ter atenção, no entanto, à forma de manter o debate vivo sem o Oscar como alvo. Afinal, o Oscar está sendo crucificado por um pecado que, na verdade, não é seu. Que ele apenas ilumina. De todo modo, a Academia pode sim exercer um papel pedagógico na questão. Esse caminho já estava sendo trilhado, mas de forma muito morosa. O que Isaacs sinaliza é a aceleração de um desenvolvimento que já era natural. Os efeitos disso, não na Academia, mas na indústria como um todo, podem ser ironicamente perniciosos. Hollywood já se viu dividida antes – o Macarthismo está aí para provar isso – e a maneira descontextualizada que o debate está sendo gerido na opinião pública inflige receios aos mais conscientizados.

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

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sábado, 16 de janeiro de 2016 Análises | 12:20

Escolhas de 2016 ratificam Oscar mais criterioso do que no passado

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Em um primeiro momento, parece compulsório reconhecer que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acolhe seus favoritos habituais por qualquer trabalho. Estão lá “Ponte dos Espiões”, novo Spielberg – o cineasta emplacou entre os melhores filmes com suas últimas três produções – , Jennifer Lawrence, Alejandro González Iñárritu, Mark Ruffalo, John Williams, entre outros.

Mas essa seria uma constatação apressada. Não estão lá “Labirinto de Mentiras”, filme alemão sobre os ruídos do nazismo (entre outros tempos uma aposta certeira), Aaron Sorkin, Quentin Tarantino e Meryl Streep (sim, ela esteve em dois filmes neste ano).

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Há, ainda, a costumeira queixa de que há pouca diversidade entre os indicados. Um parâmetro enviesado. Já que as escolhas da Academia refletem o cenário do cinema americano, em particular, e internacional, como um todo. É fato que a Academia podia reforçar sua preocupação com a abertura do cinema por meio de certas nomeações em certas categorias, mas responsabilizar a instituição por não fazê-lo é não compreender o real problema e ignorar as válvulas do funcionamento da Academia.

Há de se observar, também, que o Oscar segue um movimento de internacionalização e rejuvenescimento iniciado lá atrás. Passa por esse movimento outro muito mais importante e reverberante. O Oscar está mais ousado a cada ano. Sim, em 2016 há predominância de filmes de estúdio entre os indicados a melhor filme e é muito provável que uma produção de estúdio vença o Oscar -–algo que não ocorre desde 2013 quando “Argo” triunfou. Mas são filmes de estúdio com franca pretensão artística. “O Regresso”, líder na competição com 12 indicações, teve um orçamento de US$ 120 milhões, mas teve sucessivos atrasos e diversos problemas na execução. Iñárritu fez um filme de arte com orçamento de blockbuster. Não é todo mundo que tira esse coelho da cartola. “Mad Max: Estrada da Fúria”, com 10 nomeações, levou anos para ser realizado e a Warner praticamente escondeu o filme em seu lançamento. Não cria no apelo de uma franquia que não dava as caras desde os anos 80 com o público jovem. A bilheteria do filme foi respeitável e “Estrada da Fúria” é a Warner no Oscar. Trata-se de um filme de ação incomum, caótico e com uma mensagem feminista para lá de polivalente.

O fato da Academia reconhecer, no nível que reconhece, essas duas produções, merece aplausos. Isso, no ano seguinte à consagração de filmes como “Birdman”, “Whiplash”, O Grande Hotel Budapeste” e “Boyhood” .

É um Oscar muito mais atento ao que acontece no cinema e capaz de filtrar o que de mais qualificado surge. É um Oscar mais inclusivo e reflexivo. É, afinal, um Oscar bem melhor na assunção de sua vocação do que o que se verificava há dez anos atrás.

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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 Curiosidades | 17:47

Apostas da coluna para os indicados ao Oscar 2016 nas principais categorias

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Na manhã desta quinta-feira (14), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulga a lista dos indicados ao Oscar 2016. Trata-se de um dos anos com a disputa mais aberta e indefinida. Mesmo assim, há filmes e artistas que podem ser dados como certos entre os contemplados pelo Oscar. Esses e os outros estão na breve lista de apostas que o Cineclube elaborou. Será que a gente emplaca a maioria?

"Carol" deve receber indicações a melhor filme, atriz e roteiro adaptado, mas seu diretor, Todd Haynes, deve ficar de fora...

“Carol” deve receber indicações a melhor filme, atriz e roteiro adaptado, mas seu diretor, Todd Haynes, deve ficar de fora…

 

 Melhor Filme

“Mad Max: Estrada da Fúria”

“Spotlight – Segredos Revelados”

“A Grande Aposta”

“Ponte dos Espiões”

“Perdido em Marte”

“Carol”

“O Regresso”

“Divertida Mente”

“O Quarto de Jack”

“Star Wars: O Despertar da Força”

Direção

Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”)

Tom McCarthy (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Adam McKay (“A Grande Aposta”)

George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”)

Steven Spielberg (“Ponte dos Espiões”)

Roteiro original

“Spotlight – Segredos Revelados”

“Divertida Mente”

“Ponte dos Espiões”

“Os Oito Odiados”

“Ex-Machina: Instinto Artificial”

Roteiro adaptado

“A Grande Aposta”

“Perdido em Marte”

“O Quarto de Jack”

“Carol”

“Steve Jobs”

Ator

Leonardo DiCaprio (“O Regresso”)

Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”)

Johnny Depp (“Aliança do Crime”)

Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”)

Matt Damon (“Perdido em Marte”)

Atriz

Brie Larson (“O Quarto de Jack”)

Saoirse Ronan (“Brooklyn)

Cate Blanchett (“Carol”)

Charlotte Rampling (“45 Anos”)

Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”)

Ator coadjuvante

Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”)

Sylvester Stallone (“Creed: Nascido para Lutar”)

Christian Bale (“A Grande Aposta”)

Mark Ruffalo (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Michael Keaton (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Atriz coadjuvante

Rooney Mara (“Carol”)

Kate Winslet (“Steve Jobs”)

Helen Mirren (“Trumbo: Lista Negra”)

Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”)

Alicia Vikander (“Ex-Machina”: Instinto Artificial”)

Filme estrangeiro

“Filho de Saul” (Hungria”)

“Cinco Graças” (França”)

“O Novíssimo Testamento” (Bélgica”)

“Theeb” (Jordânia”)

“Labirinto de Mentiras” (Alemanha”)

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quinta-feira, 10 de setembro de 2015 Análises, Filmes | 21:22

“Que horas ela volta?” é escolha estratégica do Brasil para chegar ao Oscar

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Não se espantem se virem Regina Casé seguindo os passos de Fernanda Montenegro e sendo indicada ao Oscar de melhor atriz no dia 14 de janeiro de 2016. A apresentadora e atriz, afinal, é a alma de “Que horas ela volta?”, filme brasileiro destacado pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar. O anúncio, feito nesta quinta-feira (10), indubitavelmente reforça as chances de Casé, uma vez que o filme já recebe atenção da mídia especializada americana e deve receber um boom promocional nos próximos meses.

Crítica: “Que horas ela volta?” congrega muitos Brasis e filmes em narrativa sutil e cheia de belezas 

A obra de Anna Muylaert é, sob muitos aspectos, o filme mais bem preparado do Brasil a concorrer a uma vaga entre as produções finalistas na categoria de filme estrangeiro em muitos anos. Cheio de sutilezas, não é mais um registro cultural do que um olhar tenro à maternidade. O roteiro é um triunfo da lapidação. Em entrevista à rádio BandNews FM nesta quinta, Muylaert destacou a burilamento pelo qual o texto passou. “Esse projeto tem 27 anos. A primeira versão dele trazia apenas a visão da empregada. Até seis meses antes, a Jéssica não vinha estudar na faculdade, mas trabalhar como cabeleireira e depois se tornava babá. Acabei mudando com os laboratórios que eu fiz”, revelou.

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá  (Foto: divulgação)

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá
(Foto: divulgação)

Diferentemente de candidatos brasileiros de outros anos, “Que horas ela volta?”, reúne potencial comercial – é coproduzido pela Globo Filmes e estrelado pela popular Regina Casé, com pujança artística. Uma combinação que somente esteve presente em “Cidade de Deus” (2002). O candidato do ano passado, “Hoje eu quero voltar sozinho”, era muito bom e a exemplo do escolhido deste ano, experimentado em festivais internacionais. Com mais filmes brasileiros em festivais mundo afora, aclamação crítica nesses eventos pode ser um critério bem-vindo para substituir aquele intermitente e duvidoso jogo de adivinhação do que a academia gosta ou de que tendência seguir.

Competição

Muitos países já definiram seus representantes e tem candidatos que, assim como “Que horas ela volta?”, gozam de prestígio junto à crítica internacional. São os casos de “Son of Saul”, da Hungria, prêmio do júri em Cannes, “The assassin” (Taiwan), “Um pombo pousou no galho refletindo sobre a existência” (Suécia), “Xênia” (Grécia), “Goodnight Mommy” (Áustria), entre outros. Não há, porém, a presença de nenhum autor consagrado entre os concorrentes confirmados de momento. O que reforça as chances da produção brasileira repetir o feito de “Central do Brasil” (1998), “O que é isso companheiro?” (1997), “O quatrilho” (1994) e “O pagador de promessas” (1963) e ingressar no rol de filmes brasileiros indicados ao Oscar de melhor produção estrangeira.

Não é a primeira vez que Regina Casé estrela uma produção nacional que tenta chegar ao Oscar. “Eu, tu, eles”, de Andrucha Waddington, foi o selecionado do país em 2001. Dessa vez, porém, a atuação extraordinária de Casé, premiada no festival de Sundance, pode impulsionar o filme além da categoria de produções estrangeiras em uma época de internacionalização do colegiado que compõem a academia. Neste ano, vale lembrar, que embora a produção belga “Dois dias, uma noite” não tenha ficado entre os finalistas da categoria, a atriz Marion Cotillard foi lembrada entre as atrizes.

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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Análises, Bastidores | 06:21

Tom político dos discursos e prêmios da edição de 2015 são brisa da mudança no Oscar

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Há não muito tempo a coluna abordou um tema que parece interno demais à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Parece e é; mas produz resultados diretos na forma como o cinema americano se posiciona e como o Oscar, enquanto instituição, se pronuncia. Não só em comunicados oficiais, mas também por meio de seus prêmios.  O post, que pode ser lido aqui, tratava da guerra fria travada entre as alas modernizante e conservadora da academia. Esse embate já ocorre há algum tempo e a cada ano se torna mais revelador e insidioso. Em 2015, enquanto muitos chiaram pela ausência de diversidade no Oscar, outro recorte permitia observar a liderança de duas comédias incomuns e incrivelmente originais na disputa pelo prêmio. Falamos, é claro, de “O Grande hotel Budapeste” e “Birdman”, que acabaram sendo também os campeões de Oscars com quatro troféus cada. O independente “Whiplash – em busca da perfeição” surpreendeu a muitos ficando logo atrás com três estatuetas.  Ora, é preciso parar um pouco e festejar o fato de que três filmes originais e independentes na alma e na embalagem foram os grandes destaques da 87ª edição dos prêmios da academia. O fato ganha ainda mais relevo se lembrarmos que haviam produções com “cara de Oscar” na disputa. Caso dos britânicos “A teoria de tudo” e “O jogo da imitação”. Há quatro anos, “O discurso do rei”, um filme bem menos azeitado do que “O jogo da imitação”, por exemplo, derrubou filmes muito mais criativos, inteligentes e cativantes como “Cisne negro” e “A rede social”.  Tanto o filme estrelado por Benedict Cumberbatch como o estrelado por Colin Firth eram distribuídos por Harvey Weinstein, considerado o grande gênio do marketing com vistas ao Oscar. Sinais dos tempos?

O reinado do Oscar de Lego: em uma cerimônia cheia de meas culpas, o  Oscar de Lego que surgiu logo depois da esnobada ao filme "Uma aventura Lego" foi um dos destaques (Foto: reprodução/Instagram)

O reinado do Oscar de Lego: em uma cerimônia cheia de meas culpas, o Oscar de Lego, que surgiu logo depois da esnobada ao filme “Uma aventura Lego”, foi um dos destaques
(Foto: reprodução/Instagram)

O mexicano Alejandro González Iñarritu levou três troféus na noite, como roteirista, diretor e produtor. Na terceira vez que subiu ao palco fez um discurso sobre os EUA serem um país construído por imigrantes e reverenciou os compatriotas mexicanos. Trata-se da segunda vitória de um cineasta mexicano consecutivamente na categoria de direção. Um americano não vence na categoria desde o triunfo de Kathryn Bigelow em 2010 por “Guerra ao terror”. O discurso foi ensejado por uma piada de Sean Penn, amigo do diretor e com que já trabalhara em “21 gramas”, envolvendo o green card do mexicano.

A internacionalização da academia pôde ser ratificada em outros prêmios. Reese Witherspoon, indicada ao Oscar como melhor atriz por “Livre”, lembrou ainda no tapete vermelho que eram 44 mulheres indicadas ao Oscar naquela noite. Se descontarmos as dez concorrendo em categorias de atuação, ainda eram 34. Um número bastante significante. Muitas delas venceram, como Laura Poitras, pelo documentário “Citizenfour”.

Leia também: Em cerimônia de desabafos e estranhezas, Oscar consagra metalinguístico “Birdman”

Há um movimento, ainda imperceptível para os olhos do espectador ocasional, nas entranhas da academia. Um movimento progressista, frise-se. E aí entram os discursos inflamados.

O triunfo de Dana Perry e Ellen Goosenberg Kent na categoria de documentário em curta-metragem (Foto: AP)

O triunfo de Dana Perry e Ellen Goosenberg Kent na categoria de documentário em curta-metragem
(Foto: AP)

Não se dissipou a sensação de que entre os principais indicados havia pouca diversidade. E Neil Patrick Harris acertou sua única piada logo em sua primeira fala mirando no elefante na sala. Patricia Arquette veio de caso pensado. Sabia que ia ganhar e como fizera em todas as premiações, sacou o papelzinho e vaticinou: “É nosso tempo de ter igualdade salarial e direitos iguais para as mulheres nos EUA”. Foi uma reação a percepção dominante de que a academia ainda é um clube do bolinha. Essa ala modernizante tem como característica esse desprendimento em insinuar-se. Arquette, como todo vencedor do Oscar, deve se juntar ao grupo. John Legend, Graham Moore, Iñarritu e toda a flana politizada da noite podem ser percebidos neste contexto. Assim como a própria vitória de “Birdman”, indo além no diagnóstico dessa ruptura nas hostes da academia. A julgar pelo número musical inicial, em que um histérico Jack Black esbravejou tudo que estaria errado com a Hollywood de hoje (os inúmeros filmes de super-heróis, inclusive), a homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde” e a própria celebração de “Birdman”, quando a academia dispunha de outros caminhos tão elogiosos e satisfatórios quanto à distinção ao filme de Iñarritu, pode-se dizer que há uma estafa mal resolvida, uma crise mal elaborada com os filmes de heróis. É como se a academia dissesse, precisamos pensar no que estamos fazendo. Por que não fazemos mais filmes como no passado?  “Birdman”, afinal, captura com esplendor essa crise de identidade. Hollywood precisa ser mainstream, mas há muito tempo que os estúdios não fazem filmes adultos inteligíveis que deem bilheteria. É bem verdade que neste ano tivemos dois. “O juiz” e “Garota exemplar”, ambos com presença reduzida no Oscar. A academia parece ressentir-se dessa ânsia toda por franquias milionárias e clama por novos “Scarface”, “Amadeus”, “Melhor é impossível”, etc.

Iñarritu, o grande nome do Oscar 2015 é do México: tendência de internacionalização e maior diversidade é irreversível  (Foto: AP)

Iñarritu, o grande nome do Oscar 2015 é do México: tendência de internacionalização e maior diversidade
é irreversível
(Foto: AP)

Como curiosidade, nove dos 20 atores indicados já marcaram presença ou estão vinculados a filmes de super-heróis. Vamos a eles: Edward Norton, Mark Ruffalo, Michael Keaton, Bradley Cooper, Emma Stone, J.K. Simmons, Benedict Cumberbatch, Felicity Jones e Marion Cotillard.

Este ano o Oscar voltou a perder audiência nos EUA. Os números caíram cerca de 15% em relação ao ano passado e a cerimônia foi a menos assistida desde 2009. A vitória de “Birdman”, sobre um ator que tenta desesperadamente conquistar relevância e obter reconhecimento, é uma sinalização para dentro e para fora. Representa, também, o ponto de convergência entre conservadores e modernizantes de que é preciso ir para algum lugar.

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 Análises, Críticas | 03:25

Em cerimônia de desabafos e estranhezas, Oscar consagra metalinguístico “Birdman”

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Em uma cerimônia com sérios problemas de ritmo, um host inseguro e pouco engraçado, mas com discursos emocionantes e um inesperado e acintoso tom político, a 87ª edição do Oscar reiterou algumas convicções que se enunciaram ao longo da temporada e consagrou “Birdman ou a inesperada virtude da ignorância” como a melhor produção de 2014. O filme de Alejandro González Iñárritu, que já era o favorito consumado, venceu os Oscars de filme, direção, roteiro original e fotografia. “Boyhood – da infância à juventude” acabou triunfando apenas na categoria de atriz coadjuvante com Patricia Arquette.

“O Grande Hotel Budapeste” prevaleceu nas categorias técnicas conquistando os Oscars de direção de arte, trilha sonora, maquiagem e figurino. “Whiplash” ficou com três Oscars (Montagem, mixagem de som e ator coadjuvante). Por um breve período, essas duas pequenas joias tão avessas a iconografia do Oscar dividiam a liderança em prêmios.

Foi uma noite estranha. A orquestra bem que tentou, mas não conseguiu intimidar o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o polonês Pawel Pawlikowski por “Ida”, a interromper seu emocionado discurso de agradecimento. A famosa “musiquinha do Oscar” perdeu o respeito. Lady Gaga, por seu turno, mostrou uma voz poderosa em uma homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde”. Meryl Streep foi mais bem sucedida no teleprompter do In memoriam do que em “Caminhos da floresta”; a performance da canção “Glory” verteu lágrimas insuspeitas; Benedict Cumberbtach não fez nenhuma photobomb e Neil Patrick Harris foi um host bem menos feliz do que se poderia imaginar. Além, é claro dos discursos pró-minoria. Eles vieram de todos os lados. Patricia Arquette içou a bandeira do feminismo em seu discurso de agradecimento e deu a Meryl Streep a oportunidade de ter um meme para si. Graham Moore, vencedor do Oscar de roteiro adaptado por “O jogo da imitação” lembrou-se de quando quis se suicidar aos 15 anos por ser diferente e frisou que seu sucesso, seu momento, deve servir como exemplo e cunhou a hashtag “stay weird”. John Legend falou dos negros, Iñarritu dos mexicanos e essa é apenas a ponta do iceberg dos discursos de fundo político. E nem falamos ainda do vencedor de melhor documentário, “Citizenfour”.

Meryl vira meme...  (Foto: divulgação)

Meryl vira meme…
(Foto: reprodução/twitter)

Com tanta consternação, o cinema – principal elemento da noite e do bom número de abertura da cerimônia – parecia coadjuvar mais do que nunca na cerimônia. Apesar desta impressão, trata-se de uma das edições mais justas do Oscar nos últimos anos. Não houve nenhuma clamorosa injustiça e “Birdman”, que fez a academia agregar os prêmios de direção, filme e roteiro pela primeira vez desde 2011, era, de fato, o melhor entre os concorrentes a melhor filme. A última vez que o melhor foi eleito o melhor foi em 2008, quando os Coen triunfaram com “Onde os fracos não têm vez”.

A vitória de “Birdman”, como a coluna já aventava, reflete o status quo não só da indústria, mas da própria academia. Hollywood se sustenta com as franquias milionárias, mas se embevece com filmes relevantes como os que tenta reunir nesta noite de gala. A busca por relevância é, também, do Oscar coadunado cada vez mais com o cinema independente. “Birdman” é cinema de colhões, corajoso, como bem definiu Michael Keaton e sua vitória também deve ser celebrada neste contexto, não só pelo que ela diz sobre a academia e o momento de Hollywood.

Se a noite foi de Iñarritu, que ganhou pessoalmente três Oscars, o mesmo não se pode dizer de Richard Linklater e Wes Anderson que pessoalmente não ganharam nenhum dos troféus a que concorriam.

Vitória de "Birdman": filme de colhões  (Foto:AP)

Vitória de “Birdman”: filme de colhões
(Foto:AP)

A opção por Eddie Redmayne em detrimento de Michael Keaton reitera, não somente a força do sindicato dos atores, como a percepção de que enquanto colegiado, a academia ainda não está preparada para se desligar de certos cacoetes como o da “performance de Oscar”, padrão que também valeu o triunfo de Julianne Moore (“Para sempre Alice”) entre as atrizes.

Se a cerimônia dá bastante margem para discussão – certamente foi uma das mais decepcionantes em muitos anos, o resultado em si não pode ser muito contestado. Com poucas surpresas, a 87ª edição do Oscar cumpriu o que prometia e consagrou pelo terceiro ano em quatro, uma produção que fala sobre o show business (“O artista” em 2012 e “Argo” em 2013 foram as outras). Viva a terapia assistida!

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terça-feira, 20 de janeiro de 2015 Análises, Filmes | 15:42

O que o conflito entre apoiadores de “Sniper americano” e “Selma” diz sobre a Hollywood de hoje?

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Hollywood, de maneira geral, não reagiu bem ao que tem sido percebido como uma guinada conservadora nas hostes da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, que outorga o Oscar. “O Oscar com menos diversidade em quase 20 anos” bradam as manchetes ao redor do mundo e o coro pela exclusão de “Selma” das principais categorias do Oscar ganha mais relevo à medida que “Sniper americano”, um inesperado e acachapante sucesso de bilheteria – arrecadou mais de U$ 90 milhões em seu 1º fim de semana com circuito expandido nos EUA, se vê no centro de um embate entre uma Hollywood liberal e uma Hollywood conservadora. Personalidades como Seth Rogen e Michael Moore condenaram o filme. Moore, que disse que atiradores de elite não podem ser considerados heróis, fez ressalvas à atuação de Bradley Cooper e a certos aspectos técnicos do filme. Sasha Stone, uma das principais analistas da indústria do cinema e expert em premiações, provocou seus seguidores no twitter: “Já imaginaram se ‘Sniper americano’ fosse feito por uma mulher?”, em alusão direta à esnobada a Kathryn Bigelow há dois anos pela direção de “A hora mais escura”. Clint Eastwood, no entanto, também não recebeu nomeação na categoria pelo filme. A provocação, no entanto, abrange o que muitos percebem como desprezo de uma Hollywood ainda muito machista ao trabalho de mulheres. O ressentimento aí não capitaliza apenas em “Selma”, mas também pelo quase total sumiço de “Garota exemplar”, maior bilheteria entre os filmes apontados como possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme e o único protagonizado por uma mulher e escrito por uma mulher.

Bradley Cooper e Clint Eastwood no set de "Sniper americano": em um dia, o filme se tornou a maior bilheteria entres os concorrentes a melhor filme (Foto: divulgação)

Bradley Cooper e Clint Eastwood no set de “Sniper americano”: em um dia, o filme se tornou a maior bilheteria entres os concorrentes a melhor filme
(Foto: divulgação)

Um outdoor do filme nos EUA surge pichado com a palavra "assassino" (Foto/ reprodução twitter)

Um outdoor do filme nos EUA surge pichado com a palavra “assassino”
(Foto/ reprodução twitter)

A comoção é tanta e tão aprofundada que a presidente da academia se viu na necessidade de intervir e reafirmar a agenda progressista de sua gestão à frente da academia. “Nos últimos dois anos, avançamos muito em relação ao passado, nos tornando uma organização mais diversa e inclusiva por meio da admissão de novos membros”, salientou Cheryl Boone.

A presidente acenou aos desgostosos acrescentando que “amaria” ver mais diversidade entre os indicados.

Em entrevista ao Daily Beast, o ator Bradley Cooper, ele mesmo alvo de muitas críticas descontentes com sua terceira nomeação seguida ao Oscar, defendeu o filme. “Trata-se de um estudo de personagem. O interesse para mim e para Clint era ver os efeitos da guerra naquele homem. Mas eu não posso controlar como as pessoas verão este filme como ferramenta”, acrescentou o ator que disse que a obra fez o vice-presidente americano, Joe Biden, chorar. “Essa é a história de Chris (o atirador retratado no filme).  Seria ótimo se as pessoas não a interpretassem como um filme da guerra do Iraque, mas sim como um exame de como conflitos como este atingem um soldado e sua família”, opinou.

Muitos articulistas de jornais como New York Times e The Guardian externaram a preocupação do “exagerado” apreço a “Sniper americano” ser uma concessão à propaganda militar. Exageros à parte, a revista New Yorker enxergou no filme “a desconstrução do mito do guerreiro americano” ao compasso que vê em “Selma” a “reafirmação pouco imaginativa de um mito já muito celebrado”, no caso Martin Luther King.

Leia também: Academia de Hollywood vive guerra entre alas conservadora e modernizante 

Spike Lee, diretor de obras reverberantes como ‘Faça a coisa certa” (1989) e “ Malcom X” (1992), filmes tonificados pelos conflitos raciais, disparou logo depois da pouca atenção dispensada a “Selma” pela academia: “Eles que se fodam”!  “Se tinha alguém que pensava que este ano seria como o ano passado esse alguém é retardado”, disse o cineasta. “Tá cheio de gente por aqui com  ‘12 anos de escravidão’, Lupita, Pharrell… é um ciclo de dez anos”, argumentou. Para Lee, “o Oscar mais branco desde 1998 não é uma surpresa, mas é irritante”.

Essa polarização inadvertida que opõe dois filmes que guardam poucas semelhanças, além do fato de serem sobre especificidades americanas, mimetiza uma Hollywood que ainda se move sob tensões das mais diferentes procedências. Se uma das funções primais do cinema é o ensejo da reflexão e ao Oscar cabe dinamizar essa vocação, pode-se dizer que as indicações ao prêmio em 2015, contestáveis ou não, preenchem o mérito.

Cena de "Selma": filme sobre conflitos raciais catalisa conflitos adormecidos em Hollywood

Cena de “Selma”: filme sobre conflitos raciais catalisa conflitos adormecidos em Hollywood

É a primeira vez nos últimos dez anos que se vê um debate tão passional acerca de dois filmes que, no limiar, pouca gente viu e apenas especula a partir de suas estampas, dos símbolos que trazem na sinopse e no material promocional.

Essa intensidade, no entanto, pode intervir diretamente nos rumos da corrida pelo Oscar e, nesse sentido, “Sniper americano” tem muito mais a perder.

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