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segunda-feira, 28 de janeiro de 2019 Análises, Filmes | 12:16

Como fica a corrida pelo Oscar após o SAG?

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A corrida pelo Oscar ganhou mais um capítulo importante com a realização da 25ª edição do Prêmio do Sindicato dos Atores, SAG na sigla em inglês. A consagração de “Pantera Negra”, escolhido o melhor elenco do ano desbancando produções tidas como mais premiáveis como “Nasce uma Estrela” e “Infiltrado na Klan” bombam as chances do longa no Oscar –  ao qual concorre em sete categorias.

Mandatory Credit: Photo by Michael Buckner/Variety/REX/Shutterstock (10072664gq) Cast of 'Black Panther' 25th Annual Screen Actors Guild Awards, Show, Los Angeles, USA - 27 Jan 2019

Apenas 11 dos 23 vencedores prévios do SAG de melhor elenco venceram o Oscar de Melhor Filme. Ou seja, a frieza da estatística não joga a favor do filme da Marvel, mas o fato de um filme de super-herói, celebrado por sua representatividade, conseguir vencer um prêmio da indústria pelo trabalho de seu elenco, mostra que há apoio suficiente à obra e que o longa pegou na temporada de premiações.

A premiação do sindicato dos atores é considerada um termômetro confiável para as categorias de atuação no Oscar, mas nos últimos anos houve algum distanciamento entre as premiações. Em 2019, cinco dos 20 indicados ao Oscar não foram nomeados ao SAG. Emily Blunt, vencedora neste domingo como atriz coadjuvante por “Um Lugar Silencioso” não está entre as finalistas no prêmio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.

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Mas o que essas vitórias, e mais as de Rami Malek por “Bohemian Rhapsody”, Glenn Close por “A Esposa” e Mahershala Ali por “Green Book” significam?

Talvez as derrotas sejam mais eloquentes. “Nasce uma Estrela” juntou-se a “Na Natureza Selvagem” (2007), “Manchester à Beira-Mar” (2016) e “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005) como os maiores derrotados da história da premiação. Todos receberam quatro indicações e não converteram nenhuma delas em vitória.

O longa de Bradley Cooper, esnobado na categoria de direção no Oscar, parece caminhar para apenas uma vitória, em Canção Original. Uma perspectiva bem distinta do favoritismo absoluto e delirante experimentado lá em novembro.

Emily Blunt foi a maior supresa da noite Fotos: reprodução/TNT

Emily Blunt foi a maior supresa da noite
Fotos: reprodução/TNT

Em todos esses anos, apenas dois filmes que não tiveram seus elencos indicados a Melhor Elenco venceram o Oscar de Melhor Filme. “Coração Valente” em 1996 e “A Forma da Água” em 2018. “Vice”, “Roma”, “A Favorita” e “Green Book” são alguns dos principais favoritos deste ano e não foram lembrados na categoria de Elenco pelo sindicato.

Esse cenário, aliado à desidratação da candidatura de “Nasce uma Estrela”, contribui para a percepção de uma corrida totalmente aberta. “Roma” ganhou o Critic´s Choice, enquanto “Green Book” ficou com o Globo de Ouro de comédia e o PGA (sindicato dos produtores), e “Bohemian Rhapsody”, inesperadamente faturou o Globo de Ouro entre os dramas. Com a expectativa de que “A Favorita” triunfe no Bafta, a corrida fica tão aberta que o apoio dos atores, maior colegiado da Academia, a “Pantera Negra” pode ser um fator decisivo em um Oscar que promete ser o mais pulverizado dos últimos anos.

 

As certezas

Glenn Close praticamente solidificou sua vitória no Oscar por “A Esposa”. A ideia de que o prêmio a distingue também pela brilhante carreira foi comprada pela indústria e ela é, neste momento, a maior certeza entre as categorias de atuação.

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Mahershala Ali caminha com tranquilidade para conquistar seu segundo Oscar, dois anos depois do primeiro, por “Green Book”. O trabalho dele é tão superior aos demais (bons) concorrentes que parece não haver nenhum embaraço em premiar novamente um ator relativamente pouco experimentado no cinema tão rapidamente.

As dúvidas

Rami Malek triunfa no SAg por seu papel em "Bohemian Rhapsody"

Rami Malek triunfa no SAg por seu papel em “Bohemian Rhapsody”

O triunfo de Emily Blunt entre as coadjuvantes, categoria mais reconfigurada no Oscar, com as presenças de Marina de Tavira (“Roma”) e Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”) nos lugares de Blunt e Margot Robbie (“Duas Rainhas”), joga mais incertezas na categoria mais aberta de todas.

King foi premiada no Globo de Ouro e no Critic´s, mas deixada de fora nas duas premiações da indústria antes do Oscar: O SAG e o Bafta. Ela acabou indicada reforçando o poder persuasivo dessas premiações, mas terá apoio suficiente para vencer? Amy Adams já acumula largo currículo de indicações, mas em um ano em que Glenn Close já se beneficia da lógica de prêmio pela carreira, ela pode ter que esperar. Rachel Weisz, que ganhou na única vez que foi indicada, por “O Jardineiro Fiel” em 2006, também pode ganhar buzz com um eventual triunfo no Bafta. É justamente ela e sua parceria de cena, Emma Stone, que ostentam os melhores trabalhos na categoria. Em meio a tantas dúvidas e ilações, isso pode bastar.

Já entre os atores, Rami Malek que está fazendo campanha com gosto, assume a dianteira na corrida. Apenas cinco vezes em 24 anos o vencedor dessa categoria não triunfou no Oscar. É um prospecto muito bom para Malek.

Se Christian Bale (“Vice”) – o único já oscarizado na categoria – ainda não pode ser descartado, Bradley Cooper pode se beneficiar justamente por ter sido esnobado na categoria de direção. Há muita resistência a “Bohemian Rhapsody” e a aceitação da atuação problemática do ator enseja a dúvida: até que ponto o peso da personalidade retratada pode e deve influenciar nas escolhas da premiação? O SAG optou pelo iluminado Freddie Mercury em detrimento do obscuro Dick Cheney. O Oscar fará o mesmo?

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