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Posts com a Tag Pedro Almodóvar

quinta-feira, 7 de julho de 2016 Análises, Filmes, Notícias | 19:57

“Julieta” é filme de sutilezas entremeado por grandes cargas dramáticas

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Foto: divulgação

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Novidade do circuito comercial brasileiro neste fim de semana, “Julieta”, novo longa de Pedro Almodóvar, é seguramente um dos melhores filmes do ano. Para quem gosta do cineasta espanhol, seu retorno ao melodrama deve ser comemorado. “Julieta”, que originalmente se chamaria “Silêncio”, emprestando o nome de um dos contos de Alice Munro no qual o filme se baseia, pertence a mesma categoria almodovariana de produções como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Volver” e “Abraços Partidos”, alguns dos filmes mais ressonantes da última fase melodramática do espanhol.

O nome mudou porque o novo Scorsese – a ser lançado no final do ano – também se chama “Silêncio” e Almodóvar foi cortês o suficiente para ceder a primazia sobre o título ao colega americano.

Mais uma vez nos deparamos com uma personagem feminina forte, mas oprimida pelo masculino. O feminismo em Almodóvar surge mais sutil, convicto e reverberante do que tínhamos memória. O espanhol retoma alguns cânones de seu cinema e a relação entre mãe e filha é a força motriz do longa. Julieta (vivida por Emma Suárez e Adriana Ugarte em diferentes fases da vida) foi abandonada por sua filha. Sem uma justificativa sequer. A personagem, que conviveu com a culpa por boa parte de sua vida e seu viu refém de processos de luto mal elaborados, parece ter aprendido a conviver com essas fraturas da alma quando a encontramos. Mas não sabemos que fraturas são essas. E é justamente no desvelo desse drama plenamente almodovariano que “Julieta” vai ganhando intensidade e beleza. É um filme de sutilezas entremeadas por cargas dramáticas muito potentes. É um espetáculo cinematográfico que poucos cineastas no mundo são capazes de oferecer. Um deles é Almodóvar. Vale a visita ao cinema.

Leia a crítica do filme: Almodóvar retorna à grande forma ao unir luto e culpa no melodrama “Julieta”

Assista a uma cena inédita do filme em que a protagonista revela sua gravidez.

 

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quinta-feira, 16 de junho de 2016 Filmes, Notícias | 17:47

Em cena inédita de “Julieta”, protagonista desiste de se mudar para Portugal para reencontrar a filha

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Foto: divulgação

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Anos depois de perder o marido e de ser abandonada pela filha Antía (Priscilla Delgado), Julieta (Emma Suaréz) decide seguir sua vida ao lado de Lorenzo (Dario Grandinetti). Mas, prestes a se mudar para Portugal com o novo companheiro, a personagem volta a ter esperanças ao receber novas pistas do paradeiro de Antía. Esta é a cena que a Universal Pictures, que distribui o filme no Brasil, liberou nesta quinta-feira (16).

Com a maternidade como ponto de partida, o drama aborda temas densos como destino e complexo de culpa, destaca o mistério que nos leva a abandonar quem amamos e a deletar pessoas de nossas vidas como se elas não tivessem deixado alguma lembrança. Baseada em três contos da escritora canadense Alice Munro, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura em 2013, a produção conta com as atrizes Adriana Ugarte e Emma Suárez, que interpretam Julieta em duas fases da vida.

Vigésimo filme dirigido por Pedro Almodóvar, o longa ainda traz Michelle Jenner, Rossy de Palma, Inma Cuesta, Daniel Grao no elenco. A estreia nacional é em 7 de julho.

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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015 Críticas, Diretores | 16:39

Livro enfoca caráter transgressivo e sexual da obra de Pedro Almodóvar

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Livro - AlmodóvarPedro Almodóvar pertence àquele seleto grupo de cineastas que viraram adjetivos. Um filme ‘almodovariano’ é um filme banhado em paixão, transgressivo, colorido e que funde peculiaridade e potência em uma narrativa reconhecível e referendada. Para quem gosta do diretor, e não se furta a refletir sobre seu cinema, e para quem busca uma boa maneira de estabelecer um contato mais formal e analítico sobre sua filmografia, uma boa opção é o livro recém-lançado “Sexualidade e transgressão no cinema de Pedro Almodóvar”, de Antonio Carlos Egypto, publicado pela SG-Amarante.

O livro foi originalmente concebido como monografia de conclusão do curso de pós-graduação em Crítica Cinematográfica. Nele, Egypto discorre sobre toda a obra almodovariana e a examina sob a perspectiva de elaboração contra a intolerância sexual. O autor identifica o cinema de Almodóvar, especialmente em seu momento de emergência, como um reflexo exacerbado e contundente aos anos do franquismo na Espanha. Este período ditatorial perdurou entre os anos 1939 e 1976 e foi caracterizado pelo total cerceamento das liberdades de expressão, sexual, religiosa, política, entre outras.

Egypto observa a coerência e integridade da obra de Almodóvar ao longo dos 19 filmes que compõem sua filmografia. O diretor, vale lembrar, já anunciou que “Silêncio” será seu 20º longa-metragem. Os códigos do cinema do cineasta espanhol que, na avaliação de Egypto, foi o mais feliz e agudo diretor do país a revirar o passado franquista no cinema, são pormenorizados em um livro que faz da reflexão um convite irrecusável.

Além de tratar individualmente de cada filme, o autor divide a filmografia do espanhol por décadas, de modo a tornar mais fácil e digerível a evolução estética de seu cinema e deixar mais clara as referências que Almodóvar busca em sua própria obra. Egypto não se furta a sobrepor filmes em que Almodóvar revisita temas articulando-os de maneira distinta; casos de “Fale com ela” (2002) e “Matador” (1986). Em que sexo e morte estão sob o mesmo jugo do desejo, mas toda a formulação que se dá sobre essas circunstâncias é radicalmente diferente.

Transexualidade, travestismo, incesto, doenças sexualmente transmissíveis, estupro, sexo casual, homossexualidade… está tudo lá. O cinema transgressivo de Almodóvar, como resposta aos anos castradores de Franco, é examinado com a retidão de quem pôs-se a conhecer e a admirar um cineasta original, criativo e indulgente.

O cineasta Pedro Almodóvar (Foto: Getty)

O cineasta Pedro Almodóvar
(Foto: Getty)

Egypto expõe com clareza as transformações pelas quais o cinema de Almodóvar passou. Os arquétipos dos primeiros filmes, vocacionados mais à transgressão do que a produzir efeitos dramáticos mais autocentrados, deram vez a personagens mais bem construídos em filmes pensados além do choque, mas que nem por isso abdicavam da natureza transgressiva dos primeiros anos. Essa coerência, para Egypto, é reafirmada quando Almodóvar se experimenta, como no misto de ficção científica e terror, “A pele que habito” (2011), maior testamento de maturidade do cineasta.

O autor atenta, ainda, para o fato da cinefilia de Almodóvar estar plenamente inserida em seu cinema e dele revelar para seu público muitas de suas intenções com o filme em questão apenas pelas referências ao cinema nele contidas. Trata-se, afinal, de uma sofisticação diegética notável que distingue Almodóvar da média dos cineastas atuais.

O livro se torna ainda mais interessante por prover um contexto tão rico e fluído de Almodóvar que até um filme ruim, como o é “Os amantes passageiros”, o único ruim do diretor, se torna indispensável a uma filmografia extremamente passional e inventiva como a do espanhol.

A contemporaneidade de Almodóvar, a postura militante contra a intolerância de toda sorte, especialmente a de procedência sexual, o sobejo na técnica, o apreço pela metalinguagem e a coragem com que filma e com que se reinventa – isso sem abdicar das matizes originais de seu cinema – tornam o cineasta um objeto a se analisar com entusiasmo e empenho. Algo que Egypto alcança com a mesma desenvoltura com que Almodóvar faz de uma cena de estupro, uma declaração de amor.

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quarta-feira, 24 de setembro de 2014 Curiosidades, Diretores | 19:56

65 tons de Almodóvar

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O cineasta no set de " A pele que habito" ( Foto: divulgação)

O cineasta no set de ” A pele que habito”
( Foto: divulgação)

Ele é hoje o principal cartão postal do cinema espanhol. Mas não somente. O espanhol Pedro Almodóvar Caballero é referência de uma arte que se pretende pensativa, problematizante, incorpórea e expansiva.

Multipremiado e admirado em todo mundo, na Espanha é mais popular do que cult, o espanhol completa 65 anos nesta quarta-feira, 24 de setembro e, naturalmente, o Cineclube não poderia deixar essa ocasião passar em branco.

Vencedor do Oscar pelo brilhante roteiro de “Fale com ela” (2002), Almodóvar é figurinha carimbada nos festivais mais prestigiados do cinema europeu, como Cannes – onde costuma debutar seus filmes, e premiações célebres como o Globo de Ouro e o Bafta.

Cineasta de extrema sensibilidade, Almodóvar foi por muito tempo rotulado de ser um “cineasta do feminino” ou “o maior expoente do cinema gay”. Se não são inverdades, são rótulos pobres em dimensionar a relevância e a abrangência do cinema do espanhol, muito mais eloquente, complexo e abrasador do que definições superficiais como essas podem atestar.

Mais recentemente, Almodóvar tem se permitido experimentar, algo que todo cineasta consagrado deve fazer. Retirar-se de sua zona de conforto. Os resultados têm sido contraditórios, mas se o extraordinário “A pele que habito” (2011) não encontra respaldo no equivocado “Os amantes passageiros”, Almodóvar sai revigorado de ambas as experiências por se mostrar surpreendente ao desafiar o próprio mito.

Sem nenhum projeto em vista, Almodóvar goza merecidas férias. Quem não as merece, de forma alguma, somos nós. Tocados por seu cinema humanizante, colorido, acolhedor, polêmico, latino e frequentemente arrebatador, nos ressentimos de sua ausência, ainda que temporária, de nossas delírios cinéfilos.

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