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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015 Críticas, Filmes | 14:30

Agradável, “Pegando Fogo” não sai do lugar-comum

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Foto: divulgação

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John Wells gosta de situações dramáticas. Criador da série “E.R”, ele debutou como diretor no cinema com “A Grande Virada”, um drama estrelado por Ben Affleck e Tommy Lee Jones sobre a crise econômica que colocou a vida dos americanos de cabeça para baixo em 2008. “Álbum de família”, baseado na peça do dramaturgo Tracy Letts, sobre a lavagem de roupa suja de uma família na iminência da morte da matriarca, deu sequência à filmografia de Wells.

Agora, com “Pegando Fogo”, ele tira o pé do acelerador dramático, mas não se desvincula do gênero ou das profundas crises – sejam elas de ordem microcósmica, macrocósmica ou essencialmente pessoal.

Bradley Cooper, cada vez mais especialista em burilar tipos obsessivos, vive Adam Jones, um prestigiado chef de cozinha que sucumbiu às drogas e pôs tudo a perder. Carreira, amigos, prestígio, dignidade e a fila é tão grande quanto esse tipo de circunstância pressupõe.

Mas Jones ensaia um retorno. Em Londres, ele parte à cata dos menores resquícios de amizade que ainda lhe restam para tirar do papel sua ideia de conquistar a terceira estrela Michelin, maior honraria que pode ser concedida para um restaurante.

Com o apoio financeiro de Tony (Daniel Brühl), amigo devoto desde os tempos prósperos de Paris, Jones consegue reunir recursos para buscar seu objetivo.

Escrito por Steven Knight (de belezuras como “Senhores do Crime” e atrocidades como “O Sétimo Filho”), “Pegando Fogo” trilha o cômodo caminho da previsibilidade. O que não quer dizer que seja ruim. Não é. Apenas não avança o lugar-comum. A despeito do empenho de Bradley Cooper, como de hábito, muito bem em cena, do charme quase ostensivo de um filme ambientado no universo gastronômico e da categoria dos coadjuvantes (a sueca Alicia Vikander, o francês Omar Sy, para citar alguns), o filme não decola.

A rivalidade com um ex-amigo, papel do ainda subestimado Matthew Rhys (da série “The Americans”), e a dívida do passado com traficantes franceses pouco servem à dramaturgia do longa. A ideia de que o passado está sempre à espreita é dramaticamente melhor aproveitada em outro núcleo do filme.

Uma ou outra gordura aqui e ali, no entanto, não desmerecem “Pegando Fogo” enquanto entretenimento. É um filme agradável e como tal deve ser apreciado.

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segunda-feira, 2 de novembro de 2015 Bastidores | 10:52

Bilheterias americanas têm outubro sangrento, mas o que isso significa?

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Este último fim de semana, de Halloween, apresentou o pior desempenho de bilheteria no ano nos cinemas americanos. Três estreias com astros de peso, “Especialista em Crise”, com Sandra Bullock, “Pegando Fogo”, com Bradley Cooper, e “Truth”, com Robert Redford e Cate Blanchett, naufragaram no box office. Sandra Bullock, inclusive, teve o desprazer de registrar a pior bilheteria de estreia de sua carreira.

De maneira geral, o mês de outubro foi tenebroso para os estúdios. Repleto de lançamentos adultos, o box office americano se viu dominado por “Perdido em Marte” que fechou o mês no topo das bilheterias cinco fins de semanas depois de sua estreia. Apesar de ser bom entretenimento, o filme de Ridley Scott e distribuído pela Fox se beneficiou de projetos comerciais de outros estúdios como “A Colina Escarlate” (Universal) e “Pan” (Warner) não terem emplacado.

Sandra Bullock e Billy Bob Thorton em cena de "Especialista em Crise": Assim como "Argo", filme é produzido por George Clooney (Foto: divulgação)

Sandra Bullock e Billy Bob Thorton em cena de “Especialista em Crise”: Assim como “Argo”, filme
é produzido por George Clooney
(Foto: divulgação)

Lançamentos de cineastas prestigiados e com ambição de prêmios, como “Steve Jobs”, de Danny Boyle, e “A Travessia”, de Robert Zemeckis, também tombaram nas bilheterias acendendo a luz amarela nos estúdios.

Ninguém espera que a situação se prolongue, afinal, o novo 007 e o último “Jogos Vorazes” se avizinham, mas os estúdios podem reavaliar a política de concentrar filmes mais adultos no mês de outubro. Historicamente, produções com aspirações ao Oscar costumam ser lançados neste mês. A Warner, que já fizera isso com “Argo” em 2012, voltou à carga este ano com “Aliança do Crime”, que não fez barulho no box office. “Birdman”, vencedor do Oscar 2015, foi lançado em circuito reduzido em outubro e só teve lançamento expandido em dezembro. Analistas da indústria criticam a Universal por não ter replicado a estratégia com “Steve Jobs”.

Um analista da Rentrak ouvido pelo The Hollywood Reporter vê na alta concentração de filmes adultos uma razão para os flops no box office. “Perdido em Marte” e “Ponte dos Espiões”, o novo Spielberg, estão performando bem. Mas esse público não é tão ávido por lançamentos quanto os adolescentes, advoga, e, portanto, não garante bilheterias de estreia tão calorosas.

O outubro sangrento nas bilheterias américas não deve fazer com que os estúdios produzam menos filmes adultos. Eles já produzem bem pouco. Mas forçar uma reavaliação de estratégias de lançamento. Além de uma eventual desconcentração da janela de estreias.

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