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terça-feira, 11 de agosto de 2015 Críticas, Filmes | 20:38

“Quarteto fantástico” parece pior do que realmente é

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O noticiário de cinema tem sido implacável com o desnecessário reboot de “Quarteto fantástico” (EUA, 2015), assinado pelo diretor Josh Trank e abandonado pela Fox que não investiu na promoção do filme. Os relatos de conflitos nos bastidores inegavelmente são mais atraentes do que o filme, pensado única e exclusivamente para evitar que os direitos dos personagens regressassem à Marvel.

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A ideia de rejuvenescer o quarteto e abraçar a correção política na escalação do elenco acabam por tornar-se problemas menores em face de um filme com sérios problemas em desenvolver sua ideia central, com um vilão decepcionante, efeitos especiais broxantes, um clímax inexistente e um ponto de partida pouco verossímil.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

O roteiro escrito a seis mãos, além de Trank, assinam o texto Simon Kinberg e Jeremy Slater, tenta avalizar a relação entre Reed Richards (Miles Teller) e Ben Grimm (Jamie Bell), no mesmo compasso que tenta dimensionar a relação dos irmãos John (Michael B. Jordan) e Sue (Kate Mara) Storm com o pai deles (Reg  E. Cathey) e principal fiador do estudo que acaba reunindo todos os principais personagens. Ocorre que esse desenvolvimento é apenas superficial e parece ajustado apenas ao propósito de se distinguir da primeira encarnação do quarteto no cinema pela seriedade, pela gravidade.

É aí que entra a esquizofrenia narrativa do filme de Trank que, como se sabe, teve diversas cenas refilmadas e foi tesourado pelo estúdio.  O humor – inseguro por si só – parece descolado da gravidade pretendida pelo enfoque na relação de culpa e ressentimento que norteia Ben e Reed após o acidente que redefine a existência de ambos.

A falta de carisma do elenco – e há atores bem carismáticos em cena – contribui para a impaciência com que a plateia recebe o ato rebelde de um grupo de jovens gênios que culmina no nascimento do quarteto fantástico e do Dr. Destino (Toby Kebbell).

Reside na narrativa, como se percebe, os grandes problemas de “Quarteto fantástico”. Mas cenas de ação pouco convincentes e a opção por fazer do filme um prelúdio do que estar por vir, um equívoco que vai além do fato de oferecer um novo filme de origem dez anos após um filme de origem relativamente satisfatório, impregnam este novo “Quarteto fantástico” de gás carbônico. Ou seja, o filme pode até ser ruim, mas é percebido como algo bem pior do que de fato é.

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sábado, 8 de agosto de 2015 Análises, Bastidores | 00:05

Do céu ao inferno com Josh Trank

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O diretor John Trank no set de "Quarteto fantástico" (Fotos: divulgação)

O diretor John Trank no set de “Quarteto fantástico”
(Fotos: divulgação)

Dirigir um sucesso de crítica aos 28 anos de idade pode ser inebriante. Josh Trank, logo em seu filme de estreia, “Poder ser limites” (2012), gozou de inesperado clamor crítico e viu seu filme independente ser alçado ao status de “mais criativo e arrojado olhar sobre a era de super-heróis no cinema”. “Poder sem limites” se ancorava na moda do ‘found footage’, dos quais fazem parte filmes como “A bruxa de Blair” e “Atividade paranormal”, para mostrar três amigos que após ingerirem uma substância misteriosa começam a experimentar poderes estranhos. Aos poucos, o sentimento de invulnerabilidade vai transformando-os. Enquanto um fica mais irascível, outro sente ter alguma responsabilidade para com as circunstâncias e Trank forja o contexto para um filme surpreendentemente prolífico.

Apesar da ideia robusta, o desenvolvimento da narrativa é capenga. Mesmo assim, “Poder sem limites” fez um bom público e colocou Trank na lista de jovens cineastas a se observar. A Fox, em busca de reinventar seu quarteto fantástico no cinema, elegeu o diretor para a missão. A ideia de começar do zero e com mais seriedade a franquia foi recebida com um misto de hesitação e boa vontade. Apesar da chiadeira de alguns fãs com a escolha do elenco, em especial de Michael B. Jordan, para viver o tocha humana – o personagem branco passa a ser negro nesta nova versão – a expectativa em torno da visão de Trank para o material icônico da Marvel era positiva.

iG ON: Com Miles Teller, “Quarteto fantástico” repete de ano mais uma vez nos cinemas 

Os bastidores, no entanto, indicavam problemas frequentes. Relatos indicam que Trank não era comunicativo e se mostrava inseguro no set. As primeiras sessões testes foram um fiasco e o estúdio impôs que o filme tivesse cenas refilmadas. Surgiu um rumor de que o cineasta Matthew Vaughn (“X-men – primeira classe”) teria sido chamado às pressas pela Fox para dirigir as cenas que precisariam de refilmagem e montar a versão final do filme. Trank, em maio deste ano, negou esse boato em seu Twitter. “Para o bem ou para o mal, ‘Quarteto fantástico’ tem um só diretor. Eu!”

Foi nessa mesma época que Trank foi demitido de outra produção arrasa-quarteirão ao qual ele estava vinculado. A saída dele do segundo spin-off de “Star Wars” jamais teve uma justificativa oficial, mas fontes internas ouvidas pelo The Hollywood Reporter e pela Variety atestam que a Disney o demitiu em virtude de seu “comportamento errático” nos sets de “Quarteto fantástico”.

Não obstante, na esteira das péssimas críticas que “Quarteto fantástico” tem recebido, Trank foi novamente ao Twitter culpar a Fox pelo filme que chega neste fim de semana aos cinemas.

“Um ano atrás, eu tinha uma versão fantástica. E ela teria recebido ótimas críticas. Vocês provavelmente nunca verão esta versão. Esta é a realidade!” O diretor apagou o tuíte-desabafo em seguida, mas a internet nunca perdoa.

Cena de "Quarteto fantástico", saudado como o pior filme de heróis já feito

Cena de “Quarteto fantástico”, saudado como o pior filme de heróis já feito

Não é a primeira vez que estúdios e diretores entram em embate por controle criativo de filmes. O último caso envolvendo super-heróis foi Edgar Wright se retirando da direção de “Homem-formiga” por desavenças criativas. Antes dele, há cerca de quatro anos, Darren Aronofsky abandonou a direção de “Wolverine: imortal”, da mesma Fox, por não aceitar que o estúdio tivesse o corte final – como é chamada a versão do filme que vemos nos cinemas.

O caso de Josh Trank, no entanto, se parece mais com aquele jogador de futebol de várzea que, de uma hora para a outra, fecha contrato com o Real Madrid. Sobra deslumbramento, falta maturidade.  “Poder sem limites” não era um grande filme, mas certamente ventilava um talento que a indústria necessitava e Trank, talvez mal assessorado, talvez ególatra demais, pensou que poderia ser tão maleável quanto o Sr. Fantástico. Resultado? Seu filme está sendo violentamente massacrado pela crítica – talvez até com certo sadomasoquismo – e deve ser negligenciado pelo público. Mas não para por aí. Como atesta sua sumária demissão do filme derivado de Star Wars, as notícias voaram pelos corredores de Hollywood; e Trank se vê queimado no sistema de estúdios. Nada que juventude e disposição a voltar à cena independente não possam contornar. Mas para quem tem uma filmografia tão curta, dois filmes, Trank fez a mais louca e delirante das viagens hollywoodianas.

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