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Posts com a Tag Quentin Tarantino

terça-feira, 12 de janeiro de 2016 Análises, Filmes | 17:03

“Os Oito Odiados” é um Tarantino inconformista

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Cena de "Os Oito Odiados":  um filme erguido pelo desejo de resistência

Cena de “Os Oito Odiados”: um filme erguido pelo desejo de resistência

Principal estreia deste fim de semana, “Os Oito Odiados” é, também, o oitavo filme do badalado cineasta Quentin Tarantino. Em novembro, o cineasta esteve em São Paulo para divulgar o filme e comentou sobre suas principais motivações para rodar “Os Oito Odiados”.

Vale lembrar que logo depois do vazamento do roteiro do filme, Tarantino ameaçara abandonar o projeto. Voltou atrás. “Era uma primeira versão”, disse sobre o texto vazado em uma roundtable da qual a coluna participou.

Tarantino disse, ainda, que seu desejo de contribuir para o gênero do western norteou a feitura do filme. “Dizem que com três filmes você já pode ser considerado um diretor de westerns. Me falta um”, observou o autor de “Django Livre” (2012).

“Os Oito Odiados” mostra um Tarantino mais dominante dos códigos do western, mas também um inconformista. Trata-se de um filme de resistência. Não há mocinhos em cena e o passado escravagista da América, o olho no furacão de “Django Livre”, é uma sombra poderosa na construção da mise-en-scène aqui.

“Os Oito Odiados” é, sob muitos aspectos, uma crônica pessimista sobre a humanidade – e reparem no destino do único personagem não odiável em cena. É, também, um exercício de estilo dos mais referendados do roteirista Tarantino. Pouco modesto, o próprio entende ser seu melhor roteiro. De fato, é possível identificar nas bem elaboradas cenas de ‘Os Oito Odiados” as referências aos outros filmes do cineasta. É o triunfo da palavra. Nunca se falou tanto em um filme de Tarantino e os diálogos já são tidos como a especialidade da casa.

O mais teatral dos seus filmes, talvez escancare o desejo de Tarantino de se desapegar do cinema e enveredar-se pelas outras artes, como a literatura e o teatro. “Os Oito Odiados” funciona muito bem como cinema, mas talvez seu impacto como um romance, ou como uma montagem, fosse maior; mais perene. Essa inquietação, que se transfere do autor para o público que o acompanha como um mestre em sua arte, palpita em “Os Oito Odiados” como a carta de Abraham Lincoln o faz para com os personagens do filme.

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terça-feira, 11 de novembro de 2014 Bastidores, Diretores, Notícias | 19:48

Quentin Tarantino revela desejo de se aposentar após seu décimo filme

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Foto: reprodução/Wired

Foto: reprodução/Wired

Quentin Tarantino já havia dito que não pensava em dirigir quando já estivesse na terceira idade. Aos 51 anos, o cineasta agora dá mais detalhes dessa intenção. Em um bate-papo com produtores e distribuidores em um evento nos EUA, ele disse que planeja se aposentar após o lançamento de seu décimo filme. Como “The hateful eight”, que será lançado em 2015, é o oitavo longa de sua carreira, a despedida pode estar mais próxima do que os fãs gostariam.

“Eu gosto da ideia de deixar o público querendo mais. Acho que o trabalho de direção é para jovens e me atrai a ideia de uma conexão do primeiro ao meu último filme. Não vou ridicularizar quem pensa diferente, mas quero sair enquanto ainda estou por cima. Essa posição não é irreversível, mas é este o plano. Se eu chegar ao décimo longa fazendo um bom trabalho, parece uma boa maneira de encerrar uma carreira. Mas se me deparar com um roteiro interessante, não vou deixar de dirigi-lo só porque disse que não faria mais isso”, declarou.

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sexta-feira, 7 de novembro de 2014 Diretores, Filmes, Notícias | 06:00

Tarantino fecha elenco de “The hateful eight” que ganha sinopse oficial

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O novo, e obviamente muito aguardado filme de Quentin Tarantino, teve seu elenco fechado e divulgado. Ou quase. Apesar de muita comoção na internet em torno do anúncio de que Channing Tatum (“Anjos da lei” e “Magic Mike”) integraria o elenco do novo faroeste de Tarantino, essa informação ainda não foi oficializada pelo estúdio, a Weinstein Company. Mas sites bem cotados como o Deadline cravam que o acerto já foi feito.

De qualquer forma, “The hateful eight” terá um elenco de dar água na boca. Samuel L. Jackson como Major Marquis Warren, Kurt Russell como o caçador de recompensas John “The Hangman” Ruth, Jennifer Jason Leigh como a fugitiva Daisy Domergue, Walton Goggins como o xerife Chris Mannix, Tim Roth como o carrasco Oswaldo Mobray, Michael Madsen como o vaqueiro Joe Gage, Demian Bichir como o mexicano Bob e Bruce Dern como o General Sanford Smithers.

A trama se passa alguns anos depois do fim da Guerra Civil e acompanha uma diligência que cruza as invernais paisagens do Wyoming levando John Ruth (Russell) e sua fugitiva Daisy Domergue (Leigh) para Red Rock. Aos poucos eles vão encontrando os outros personagens acima citados até que os oito do título se reúnam. Com a intensão da nevasca, os personagens logo percebem que podem não chegar a Red Rock…

O filme começará a ser rodado agora em dezembro e, a esta altura, parece improvável que Viggo Mortensen e Jennifer Lawrence, atores comentados para se juntar ao elenco, entrem para a produção que deve ser gravada no Colorado (EUA). A expectativa de Tarantino é ter o filme pronto a tempo de inseri-lo nas programações dos festivais de Toronto e Veneza, realizados no segundo semestre de todo ano. O lançamento comercial está previsto para dezembro de 2015.

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segunda-feira, 12 de maio de 2014 Filmes | 22:06

Os 20 anos de “Pulp Fiction”

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Há 20 anos, no dia 12 de maio de 1994, “Pulp Fiction: tempo de violência” era exibido pela primeira vez no festival de Cinema de Cannes, onde além de arrebatar a crítica, conquistaria a Palma de Ouro e daria início a um processo de revitalização do cinema independente americano.

Pulp - 20 anosRoteirizado e dirigido por Quentin Tarantino, o filme rapidamente se subscreveu como o exemplar definitivo da década de 90 e não seria superado, nem mesmo pelo também revolucionário – ainda que em outra frente – “Matrix”.

“Pulp Fiction” inovava a narrativa cinematográfica ao embolar a linha cronológica de um filme, ao matar o protagonista no meio e depois trazê-lo novamente à cena e por jogar luz ao universo da bandidagem com humor negro e violência irmanadas de uma maneira até então inédita.

Essa costura tão bem urdida por Tarantino rende um filme sexy, provocativo, divertido e inteligente no arranjo da ação. A forma, mais do que o conteúdo, responde pelo charme de “Pulp Fiction”. A música é assertiva, a montagem, elaboradíssima e o filme parece pensado para cativar pelas partes, não pelo todo.  Há grandes cenas.  Violentas ou verborrágicas, elas se impõe ao saldo final e ajudam a entender toda a celebração em torno do filme, cuja trama observada sem os embotamentos estéticos propostos por Tarantino rasga em banalidade.

O que mais agrada em “Pulp Fiction”, visto vinte anos depois de seu lançamento, é a qualidade dos diálogos.  Maior predicado da obra de Tarantino como um todo, seus diálogos aqui surgem incensados em um humor perverso, corrosivo e altamente explosivo. Do tipo que o cinema não só não ostentava em 1994, como parecia não estar preparado para receber.

Até hoje Tarantino incomoda com sua violência gráfica e ostensiva, mas o contexto cultural é outro.  A própria violência em “Pulp Fiction” parece recrudescida ante aquela que surge em filmes como “300” (2006) e produções televisivas como “Game of Thrones”. Neste sentido, o filme preserva sua integridade enquanto dramaturgia por refletir não só um cinismo que segue embrenhado em nossa sociedade, mas por fazê-lo sem perder a vibração de uma narrativa cheia de referências e que alcança 20 anos como referência definitiva de um cinema que não se vê todo dia.

John Travolta e Uma Thurman na cena que entrou para a antologia do cinema ( Fotos: divulgação)

John Travolta e Uma Thurman na cena que entrou para a antologia do cinema ( Fotos: divulgação)

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terça-feira, 29 de abril de 2014 Análises, Bastidores, Diretores | 21:52

Diretores que foram do indie ao cinemão

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Marc Webb, diretor de “O espetacular Homem-aranha 2: a ameaça de Electro”, também responsável pelo primeiro filme, anunciou há pouco tempo que não dirigirá o quarto filme. Isso mesmo. O quarto filme. O segundo nem sequer foi lançado e já se fala do quarto filme. É assim mesmo em Hollywood. Mas a razão para Marc Webb pôr a carroça na frente dos bois é de que ele é um dos egressos do cinema independente a serviço do cinema mainstream, aquele bancado pelos grandes estúdios. Webb tem a esperança de que agora, com mais cacife, possa bancar projetos mais autorais, como aquele que o pôs no mapa, “500 dias com ela” (2009). Comédia romântica indie para lá de alternativa e geek que marcou época no fim da década passada. A Sony queria justamente essa pegada nerd, mas cheia de ternura para o reboot do Homem-Aranha e desde então, Marc Webb joga no “time dos vendidos” do cinema americano. Esse time é constituído por cineastas surgidos no cinema independente que logo romperam a fronteira e foram trabalhar sob as asas dos estúdios.

Marc Webb em entrevista promocional do novo "Homem-Aranha"  (Foto: reprodução/Internet)

Marc Webb em entrevista promocional do novo “Homem-Aranha” (Foto: reprodução/Internet)

O filme mais visto no último fim de semana nos Estados Unidos foi “Mulheres ao ataque” (no Brasil, previsto para 08/05), comédia estrelada por Cameron Diaz que é uma das apostas da Fox para essa temporada pipoca. Na cadeira de diretor, Nick Cassavetes. O caso de Cassavetes é ainda mais emblemático dessa mudança de paradigma. Ele é filho do ator e cineasta John Cassavetes, um dos maiores expoentes do cinema independente americano. Entre trabalhos como ator e diretor, Nick sempre flertou com o cinemão; é dele, por exemplo, o meloso “Diário de uma paixão” (2002). Mas seus melhores trabalhos foram feitos às margens dos estúdios (“Loucos de amor” e “Um ator de coragem”, para citar dois exemplos).

Outra atração em cartaz nos cinemas de todo mundo atualmente é “Divergente”, adaptação da obra de Veronica Roth. Seu diretor, Neil Burger,também se fez no cinema independente com os bem azeitados “O ilusionista” (2006) e “Gente de sorte” (2008). “Divergente” é seu segundo filme de estúdio. O primeiro foi o thriller jeitosinho “Sem limites” com Bradley Cooper e Robert De Niro.

Grife a serviço do cinemão

Quentin Tarantino continua fazendo filmes tarantinescos.  Filmes que só ele pode fazer. Mas o homem que revitalizou o cinema independente americano em 1994 com “Pulp Fiction – tempos de violência” migrou para o cinemão. Seus últimos dois longas-metragens foram financiados por poderosos estúdios. “Bastardos inglórios” (2009) foi parcialmente bancado pela Universal, enquanto que “Django livre” (2012) foi inteiramente produzido pela Sony.

Outros dois cineastas com tiques narrativos bastante reconhecíveis seguiram o mesmo caminho de Tarantino. Paul Greengrass, diretor do premiadíssimo “Domingo sangrento” (2002), era uma aposta arriscada para sequência de “A identidade Bourne” (2002), mas depois do que ele fez com “A supremacia Bourne” (2004), redefinindo a maneira de se filmar a ação no gênero que mais movimenta as bilheterias no cinema, Greengrass jamais voltou a trabalhar fora do circuito de estúdios, ainda que faça filmes sérios e adultos como “Voo United 93” (2006) e “Capitão Phillips” (2013).

Guy Ritchie quase pôs fim a sua carreira durante o casamento com a pop star Madonna. Uma carreira que causou sensações com apenas dois filmes, “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e “Snatch – porcos e diamantes” (2000), mas reinventou-se como o homem por trás do Sherlock Holmes vivido por Robert Downey Jr. em dois filmes divertidos, mas bem aquém de seu talento.

Quentin Tarantino no set de "Django Livre": o mesmo, mas amplificado (Foto: divulgação)

Quentin Tarantino no set de “Django Livre”: o mesmo, mas amplificado (Foto: divulgação)

 

Neil Burger dirige Shailene Woodley em "Divergente": pelo prazer de fazer um filme pop (Foto: Divulgação)

Neil Burger dirige Shailene Woodley em “Divergente”: pelo prazer de fazer um filme pop (Foto: Divulgação)

 

Guy Ritchie entre Jude Law e Robert Downey Jr.: maneirismos do cinema independente a serviço de blockbusters (Foto: Divulgação)

Guy Ritchie entre Jude Law e Robert Downey Jr.: maneirismos do cinema independente a serviço de blockbusters (Foto: Divulgação)

Ser ou não ser mainstream?

“Os suspeitos” (1995) e “O aprendiz” (1998) são dois dos filmes mais inventivos da década de 90 e ambos são dirigidos por Bryan Singer, de todos dessa lista, o que “se vendeu” mais cedo. Sem Singer, esse novo “Homem-Aranha” de Webb não estaria por ser lançado. O homem fez “X-men: o filme” em 2000 e salvaguardou o posto de mídia a ser explorada pelo cinema para as HQs da Marvel, até então vítimas de uma espécie de maldição.

Em 2014, Singer lança um novo filme da franquia mutante e parece não ter saudades dos tempos de cinema independente.

Com Darren Aronofsky, que tem seu “Noé” fazendo algum barulho nos cinemas de todo mundo, o dilema parece mais profundo.

O diretor exibiu extremo talento nos filmes “Pi” (1998) e “Réquiem para um sonho” (2000). Eram filmes pesados, narrativamente densos, mas visualmente incríveis. Não demorou para um estúdio apostar nele. A Warner até tinha considerado seu nome para dirigir “Batman begins”, mas problemas pessoais o impediram de assumir o projeto. Aí surgiu um certo Christopher Nolan, outro que se fez no cinema independente…

Mas a Warner não estava disposta a desistir de Aronofsky e liberou algo em torno de U$ 50 milhões para ele fazer “A fonte da vida”, uma ficção existencialista. O filme, fracasso retumbante, não rendeu nem U$ 10 milhões e Aronofsky, por baixo, voltou ao cinema independente. Fez com recursos escassos o tocante “O lutador” (2008) e ganhou o leão de Ouro em Veneza. Pelo trabalho seguinte, “Cisne negro” (2010), foi indicado ao Oscar de diretor.  O filme protagonizado por Natalie Portman rendeu inesperados U$ 106 milhões nos EUA e Aronofsky voltou a ser sondado por estúdios. A Fox o contratou para dirigir “Wolverine: imortal” (2013), mas ele brigou com o estúdio porque queria ter a palavra final sobre o corte (montagem que vai para os cinemas) e acabou fora do projeto, que seria dirigido por James Mangold. A Paramount, no entanto, abarcou sua ideia para “Noé” e bancou a produção que consumiu cerca de U$ 130 milhões. Não foram poucas as desavenças entre estúdio e diretor durante as filmagens. Aronofsky parece disposto a atuar no cinemão, mas sem abrir mão da alma indie. Esse pode ser o pior dos mundos.

Darren Aronofsky bate um papo com Russell Crowe no set de "Noé": entre a cruz e a espada no tocante à liberdade criativa (Foto: Divulgação)

Darren Aronofsky bate um papo com Russell Crowe no set de “Noé”: entre a cruz e a espada no tocante à liberdade criativa (Foto: Divulgação)

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