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terça-feira, 16 de dezembro de 2014 Análises, Filmes | 05:00

Tensões raciais fervem nos EUA e podem desequilibrar corrida pelo Oscar

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Cena de "Selma", filme que rapidamente se inseriu como um forte candidato ao Oscar

Cena de “Selma”, filme que rapidamente se inseriu no rol dos fortes candidatos ao Oscar

O vencedor do Oscar 2014, “12 anos de escravidão”, não era o melhor filme entre os concorrentes. Até aí, tudo bem. Mas a fita de Steve McQueen baseou toda a sua campanha pelo Oscar em cima da necessidade de se reconhecer uma história de vida como a de Solomon Northup, homem livre raptado e feito escravo pelo período de 12 anos. Em meio a denúncias de que muitos votaram no filme sem sequer tê-lo visto, dois jurados admitiram o malfeito. A host do Oscar 2014, Ellen DeGeneres, fez piada com o elefante na sala antes mesmo da consagração do filme de Steve McQueen como o melhor do ano. “Temos duas possibilidades para o Oscar de melhor filme hoje. Número 1: ’12 anos de escravidão’ ganha. Número 2: vocês são todos racistas”.

Na corrida pelo Oscar 2015 há alguns filmes com a temática da tensão racial na disputa. São os casos de “Dear White people”, filme independente que acompanha quatro estudantes negros em uma América que se proclama pós-racial, e “Black or white”, estrelado por Kevin Costner, que mostra a batalha judicial entre os avós de uma menina negra que perdeu os pais. O avô rico, vivido por Costner tenta manter a guarda da menina pleiteada pela avó pobre, vivida pela atriz Octavia Spencer (oscarizada por “Histórias cruzadas”).

O filme que reúne mais chances na corrida, no entanto, é “Selma”. Trata-se de uma biografia de Martin Luther King Jr., ativista dos direitos civis que se tornou ícone maior do debate pelos direitos das minorias. Fita independente e dirigida por uma mulher (Ava DuVernay), o filme ganhou propulsão nas últimas semanas e se consolidou na corrida com indicações ao Globo de Ouro e ao Critic´s Choice Awards.

Kevin Costner e Octavia Spencer: tensões raciais afloram em meio à disputa pela guarda da neta

Kevin Costner e Octavia Spencer: tensões raciais afloram em meio à disputa pela guarda da neta

O pôster de "Dear White People": uma sátira sobre ser um rosto preto em um lugar branco, anuncia o slogan

O pôster de “Dear White People”: uma sátira sobre ser um rosto preto em um lugar branco, anuncia o slogan

“Selma” é o filme certo na hora certa. Recebendo críticas elogiosas, ele estreia em meio à onda de protestos contra atos de violência e racismo proferidos por diferentes polícias dos Estados Unidos. Com pessoas indo às ruas em diferentes Estados e personalidades se engajando, como o ator Samuel L. Jackson que cobrou maior participação das celebridades hollywoodianas, o filme pode crescer de tamanho na temporada.

Não é uma questão matemática, mas mais do que a correção política ensejada com a premiação de “12 anos de escravidão”, acenada pelo próprio marketing do filme, “Selma” favorece a oportunidade da Academia de Artes e Ciências de Hollywood – sempre sensível às demandas alinhadas à esquerda – participar do debate que consome boa parte dos EUA neste momento. É importante ter em mente que ainda estamos falando em termos de indicação ao prêmio.

“Selma” não é só uma opção viável artisticamente, mas uma possibilidade de ir além da correção política e trazer para a disputa pelo Oscar um tema que transborda relevância social. O peso desta (ainda hipotética) opção ainda é incerto. Mas seguramente desequilibrará todo o contexto forjado até o momento.

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segunda-feira, 15 de dezembro de 2014 Atores, Curiosidades | 20:18

Samuel L. Jackson desafia celebridades a se posicionarem contra racismo policial

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Samuel L. Jackson é um cara que fala o que pensa. É, também, um dos atores negros mais bem sucedidos da Hollywood atual. No último fim de semana, o ator postou um vídeo em seu perfil no Facebook em que desafia “todas as celebridades que jogaram um balde de água na cabeça” a entoar um cântico contra atitudes discriminatórias praticadas pelas muitas polícias dos Estados Unidos.

“I can hear my neighbor cryin’ ‘I can’t breathe’ / now I’m in the struggle and I can’t leave. Callin’ out the violence of the racist police. We ain’t gonna stop, till people are free.”

“Eu posso ouvir meu vizinho chorando eu não posso respirar/ agora eu me debato e não posso partir. Denunciando a violência da polícia racista. Não vamos parar até as pessoas serem livres”.

O vídeo já teve mais de 240 mil visualizações e uns milhares de compartilhamentos, mas ainda não produziu respostas efetivas daqueles provocados por Jackson em seu vídeo. O ator, colaborador assíduo de Quentin Tarantino, se viu no centro de polêmica de teor racista quando do lançamento de “Django livre”, filme em que interpretava um escravo racista que “se via como branco”. Seu Stephen, e aí não vai spoiler, “era o pior tipo de negro” bradava o justiceiro vivido por Jamie Foxx. O próprio filme foi envolvido em diversos protestos por fazer apologia do racismo pelo uso avantajado da palavra “nigger”. O próprio Jackson saiu em defesa de Tarantino e do filme e disse que “era preciso mostrar a verdade como ela era. Sem romanceá-la”.

Samuel L. Jackson em cena de "Django livre"

Samuel L. Jackson em cena de “Django livre”

Samuel L. Jackson estrelou outros filmes que tinham como eixo central o debate sobre racismo. Alguns exemplos são “Tempo de matar” (1996), em que vive um pai de família levado à júri popular após matar os estupradores brancos de sua filha, e “O vizinho” (2008), em que faz um policial que não aceita o fato dos novos vizinhos serem um casal formado por um homem branco e uma mulher negra.

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