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sexta-feira, 26 de maio de 2017 Críticas, Filmes | 18:09

Robert De Niro volta a brilhar na pele de magnata fraudulento em “O Mago das Mentiras”

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Robert De Niro tem sua melhor atuação em anos na pele do vigarista Bernard Madoff no filme original HBO

Robert De Niro em cena de O Mago das Mentiras

Robert De Niro em cena de O Mago das Mentiras

Em uma dada cena de “O Mago das Mentiras”, filme original HBO sobre o papa das finanças Bernie Madoff, que à luz da hecatombe econômica de 2008 teve revelado o seu esquema de pirâmide, o protagonista expressa seu descontentamento com uma comparação feita por um psicoanalista entre ele e o assassino serial Ted Bundy, que inspirou diversos filmes como “Psicose” e “O Silêncio dos Inocentes”. Trata-se de uma cena forte, bem urdida, e profundamente reverberante do que o filme estrelado por Robert De Niro e assinado por Barry Levinson pretende deflagrar.

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Na pele de Madoff, De Niro reencontra-se como ator depois de um período de letargia. É sua melhor atuação desde, pelo menos, “O Lado Bom da Vida” (2012). Ele aborda esse homem poderoso, truculento e extremamente egocêntrico com a couraça de um grande intérprete. Entre o minimalismo e o desarranjo dramático, De Niro é a válvula propulsora de “O Mago das Mentiras”.

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Levinson já havia dirigido para a HBO “You don´t Know Jack”, outro filme sobre uma polêmica personalidade. Com Al Pacino à frente do elenco, aquela fita investigava o médico entusiasta da eutanásia Jack Kevorkian. Lá como cá, o elenco de apoio é preciso, a montagem, enxuta e Levinson, tenaz. Cineasta e De Niro já trabalharam juntos algumas vezes. A mais gratificante de todas elas talvez seja a sátira política “Mera Coincidência” (1997). Coincidência ou não, ambos também produzem uma série para a HBO inspirada no filme.

Michelle Pheiffer também atua em O Mago das Mentiras

Michelle Pheiffer também atua em O Mago das Mentiras

Em “O Mago das Mentiras” pouco interessa a essa sagaz e colaborativa parceria desvendar os mecanismos do golpe de Madoff. Ciente de que o outrora filho pródigo de Wall Street é um dos grandes personagens do milênio, Levinson se dedica a acompanhar a ruína desse império de mentiras e fraudes. O impacto no seio familiar, o frenesi midiático e a impassibilidade de Madoff – legitimada naquela comparação que tanto incomoda.

Baseado no livro da jornalista Diana Henriques, o filme não se arrisca a tentar penetrar Madoff, uma tarefa a qual a própria jornalista não logrou êxito, mas o cerca de maneira proeminente e imaginativa. Michelle Pfeiffer faz a esposa que parece não ter alternativa a não ser se manter leal a Madoff e é exímia nos momentos que tem para brilhar.

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Alessandro Nivola e Nathan Darrow, que raramente têm chances de ostentar bons papéis na tela grande, dimensionam muito bem os dramas e conflitos dos filhos do magnata fraudulento.

“O Mago das Mentiras” é um entretenimento robusto, daqueles que Levinson especializou-se em fazer nos anos 80 e 90 e que hoje parece circunscrito à TV.

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quarta-feira, 14 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 14:43

“Um Senhor Estagiário” tem discurso feminista forte embutido em comédia sofisticada e sensível

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Nancy Meyers faz falta ao cinema. Muito já se falou de como o cinema mainstream negligencia um público mais maduro e mais recentemente muito tem se falado sobre como o público feminino é deixado de lado pelos grandes estúdios. Desde que se firmou como diretora, sua segunda incursão na direção com “Do que as mulheres gostam” em 2000 pode ser o marco zero, Nancy Meyers voltou-se para um público mais maduro dando preferência às mulheres.

Com “Um senhor estagiário” (2015), seu primeiro filme desde o bem sucedido “Simplesmente complicado” (2009), a cineasta continuar a contemplar esses desprestigiados nichos, mas o faz com mais assertividade e uma retórica incomum em seu cinema.

Aqui ela adota com mais clareza um discurso feminista e também advoga em favor da ideia de que idosos, se assim desejarem, devem sim ter espaço no mercado de trabalho. No filme, Robert De Niro é Ben, um septuagenário que após a morte da esposa decide voltar a trabalhar. Ele se inscreve no programa de estágio sênior da companhia fundada por Jules Ostin (Anne Hathaway), que viu seu blog de moda crescer exponencialmente para uma empresa de e-commerce e agora, além de lidar com todas as pressões inerentes ao negócio, precisa resistir ao assédio dos investidores para contratar um CEO. “Mark Zuckerberg pôde controlar sua própria empresa mesmo sendo um adolescente e nunca tendo trabalhado antes”, observa Jules em um dado momento do filme.

Tiradas como essa, sempre certeiras e impactantes, pontuam o filme que devolve Meyers ao campo das comédias sofisticadas. Apesar de sua agenda, “Um senhor estagiário” nunca emoldura um discurso aborrecido e sempre encanta pela leveza e emoção.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Jules e Ben são dois personagens cativantes e muito bem adensados pelas interpretações de De Niro e Hathaway.

A jornada de Jules para se estabelecer em um mundo ainda dominado por homens e que mostra sinais de resistência a ascendência feminina mesmo em donas de casa, como Meyers tão brilhantemente sublinha em um dos núcleos do filme, é o principal fio condutor de “Um senhor estagiário”, mas Meyers tem o mérito de observar essa jornada a partir da relação improvável entre Jules e seu, a princípio renegado, estagiário. É uma solução criativa colocar em um cavalheiro que sempre tem um lenço a mão para ofertar a uma donzela em lágrimas a maior convicção feminista do filme. O feminismo, no escopo de “Um senhor estagiário”, aliás, tem tudo a ver com a recolocação de Ben no mercado. Meyers não equipara uma coisa com a outra, mas sabiamente filtra os pontos em comum e eles são muitos.

Conceber personagens femininas fortes é outro mérito de Meyers replicado aqui. A Jules defendida tão lindamente por Hathaway é uma mulher que já contabiliza algumas feridas por nadar contra a maré e vamos descobrindo isso junto com Ben. Meyers não poupa sua personagem dos clichês que vitimam a mulher moderna e opta não por desfechos hollywoodianos, mas por um viés otimista na resolução dos conflitos propostos. Tudo a ver com um septuagenário praticante de ioga. Eles não são muitos, mas são cada vez mais numerosos. Assim como as Jules deste mundo.

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quinta-feira, 24 de setembro de 2015 Curiosidades, Filmes, Sem categoria | 19:24

Diretora de “Um senhor estagiário” usou o Pinterest como ferramenta para conceber visual do filme

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Uma das imagens promocionais do filme, que no original se chama "The intern", postadas no Twitter: trabalho intenso de divulgação nas redes sociais

Uma das imagens promocionais do filme, que no original se chama “The intern”, postadas no Twitter: trabalho intenso de divulgação nas redes sociais

Nancy Meyers é, sob muitos aspectos, a mulher mais bem sucedida no ofício de dirigir filmes. Ok, ela não foi a primeira mulher a vencer o Oscar, foi Kathryn Bigelow por “Guerra ao terror” (2009). Mas Meyers goza de uma liberdade única para fazer os filmes que bem entende no sistema de estúdios, um fenômeno ainda raro em uma Hollywood predominantemente machista. Meyers, que debutou na direção após uma bem-sucedida carreira como roteirista e produtora, com “Operação cupido” (1998), rapidamente se configurou em uma cineasta do feminino assinando produções como “Do que as mulheres gostam” (2000), “Alguém tem que ceder” (2003), “O amor não tira férias” (2006) e “Simplesmente complicado” (2009).

“Um senhor estagiário” (2015), embora pareça se concentrar na figura do septuagenário personagem de Robert De Niro, que volta ao mercado de trabalho como estagiário de uma empresa de moda, na verdade, é sobre a personagem de Anne Hathaway que precisa administrar o sucesso de seu blog que deu vazão a uma bem sucedida empresa.  O filme estreia nos cinemas brasileiros neste fim de semana.

Para a concepção visual do filme, Meyers criou boards no Pinterest, rede social de compartilhamento de imagens. A diretora salpicou em seu perfil diversas referências para os figurinos dos personagens e os cenários do filme. É uma experiência interessante para o expectador observar esse processo de criação que costuma passar ao largo da análise pós-fílmica.

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segunda-feira, 13 de julho de 2015 Análises, Críticas, Filmes | 19:28

Um olhar sobre “Cassino” vinte anos depois

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Última das oito colaborações entre o cineasta Martin Scorsese e o ator Robert De Niro, essa elegante fita adaptada da obra de Nicholas Pileggi oferece um olhar sobre como a combinação de ganância desenfreada e a vertiginosa ascensão das drogas puseram fim à dinastia mafiosa nos EUA. Tema que, de alguma maneira, já havia sido trabalhado em “Os bons companheiros”, também em parceria com Pileggi, cinco anos antes.

Leia também: Revisitando os clássicos – “Os bons companheiros”

A diferença é que “Cassino”, que completa 20 anos de seu lançamento original em 2015 – no Brasil o filme seria lançado em março de 1996 – agrega a essa crônica da derrocada mafiosa um olhar sobre a evolução de Las Vegas, cidade erguida sob o tino empreendedor de mafiosos no meio do deserto e que não só se transformou na capital mundial dos jogos de azar como em símbolo do capitalismo do século XX.

Robert De Niro vive Sam “Ace” Rothstein, um sujeito com tato e sorte para todo tipo de aposta. Não demora para ser “apadrinhado” por mafiosos que, com o passar do tempo, lhe confiam a administração de um cassino em Las Vegas. Sam, um judeu casca grossa, estava ganhando dinheiro para fazer o que sempre gostava de fazer e que lhe dava problemas em sua cidade natal. Ao assumir a administração do cassino, Sam aumenta a margem de lucro dos chefes e tudo parecia caminhar para uma doce e longeva lua de mel. Parecia.

Joe Pesci, especialista, sob Scorsese, em personagens surtados, dá a Nicky, um gangster que cresceu junto com Sam, a perversão de um homem que desconhece qualquer limite. Ele se muda para Las Vegas a pretexto de cuidar da segurança de Sam, mas na verdade quer ver relaxadas as correntes em seu pescoço. Ele quer, na verdade, fazer de Vegas o seu quintal.

Sharon Stone em cena: faísca acesa

Sharon Stone em cena: faísca acesa

Sam conhece seu eleitorado e fareja os problemas se avizinhando. Mas isso não é tudo. Homem incapaz de se deixar seduzir pelo risco, Sam se apaixona por uma golpista – em uma dessas ironias tão bem aliciadas pelo cinema de Scorsese – com a forma e a beleza de Sharon Stone. Ginger é a “esposa troféu” que todo homem em ascendência deseja e Sam não se faz de rogado em demonstrar a Ginger o quanto a deseja.

O destempero à espreita é uma ameaça mais atroz do que o FBI e suas escutas e Scorsese, que além da direção assina o roteiro em parceria com Pileggi, rege essa ópera de desatino e violência com o rigor dos grandes maestros. “Cassino” escrutina essa Las Vegas charmosa e traiçoeira com o mesmo vigor com que despe seus protagonistas. Sam não aceita o fato de “ter perdido uma aposta” em não mudar a essência de uma golpista. Ginger, por sua vez, sucumbe às drogas e ao álcool porque ela não saberia fazer outra coisa agora que era o mimado pet de um tipão de Las Vegas e Nicky só queria mais e, de preferência, se divertindo o máximo possível.

Não é o melhor de Scorsese, mas é um filme que merecia mais atenção. Sharon Stone recebeu sua única indicação ao Oscar pelo papel de Ginger. No globo de Ouro, além de Stone, Scorsese recebeu uma indicação ao prêmio de direção. Talvez houvesse certa exaustão com os filmes de máfia e na comparação, “Cassino” era mesmo inferior a “Os bons companheiros”, tida então e agora como obra-prima do gênero e de Scorsese. Fato é que, 20 anos depois, “Cassino” envelheceu muito bem. É um olhar sofisticado da alquimia que a ganância produz.  Com os exageros de um universo que Scorsese domina tão bem, medidos por meio de muita luz, narração em off, boa música e alguma moral.

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terça-feira, 13 de janeiro de 2015 Bastidores, Curiosidades | 16:39

Cassino reúne DiCaprio, De Niro e Scorsese e coloca a cinefilia em transe

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Foto: divulgação

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Um cassino. Um dos maiores cineastas da história e dois dos maiores atores de suas gerações. Martin Scorsese, Robert De Niro e Leonardo DiCaprio pela primeira vez juntos em um mesmo projeto. É uma sacada de gênio do magnata James Packer, dono de uma rede de cassinos e resorts,  de brincar com um dos grandes desejos da cinefilia: ver esses monstros sagrados do cinema juntos.  Um  curta-metragem orçado em U$ 70 milhões será lançado na inauguração de um novo cassino nas Filipinas, marcado para o primeiro trimestre de 2015. O curta-metragem conta ainda com a presença de Brad Pitt. É especulado que cada ator recebeu um cachê na casa dos U$ 15 milhões pela empreitada. Não à toa, Brad Pitt adiou a lua de mel pelo compromisso de dois dias nas Filipinas.

Assista abaixo ao primeiro comercial deste curta-metragem com potencial de fazer cinéfilos no mundo inteiro babarem.

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quinta-feira, 29 de maio de 2014 Filmes | 23:07

Revisitando os clássicos: “Os bons companheiros”

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Martin Scorsese orienta Robert De Niro e seu elenco nos sets de "Os bons companheiros"  (Fotos: divulgação)

Martin Scorsese orienta Robert De Niro e seu elenco nos sets de “Os bons companheiros”
(Fotos: divulgação)

É interessante rever essa atemporal obra-prima de Martin Scorsese depois de assistir sua mais recente, “O lobo de Wall Street”. Interessante porque os filmes se comunicam estética, narrativa, estrutural e tematicamente. É perceptível para qualquer um com alguma familiaridade com a filmografia do septuagenário cineasta que seu mais recente sucesso, indicado a cinco Oscars, remete a “Os bons companheiros” tanto no desenvolvimento dos personagens, em ambos os casos boêmios com síndrome de Peter Pan, como na crítica a um universo em particular. Se em “Os bons companheiros” Scorsese discorre com propriedade ímpar sobre o mundo do gangsterismo, em “O lobo de Wall Street”, sua lupa está voltada para o mundo de excessos de Wall Street.

Essa sobreposição favorece o cinema de Scorsese que parece ainda mais azeitado com o passar do tempo.

É seguro dizer, independentemente de se ter visto “O lobo de Wall Street” ou não, que “Os bons companheiros” é o filme de gangster mais importante do cinema moderno. Não só estabeleceu os parâmetros que seriam utilizados em filmes como “Jogos, trapaças e dois canos fumegantes” (1998) e séries como “Família Soprano” (1999-2007), como desconstruiu o fascínio que o cinema entre as décadas de 30 e 70 ajudou a erguer em torno do universo gangster com belos filmes noir, como os estrelados por Humphrey Bogart. O universo eminentemente masculino é dominado por Scorsese com todo o rigor que se espera de um cineasta crítico e prolixo em sua arte.

No filme, baseado no livro “Wiseguy” de Nicholas Pileggi, Henry Hill (Ray Liotta) narra toda a sua trajetória pela vida de gângster. Vida esta que sempre cortejou. “Ser gângster era melhor do que ser presidente da República”, contextualiza logo em suas primeiras digressões para a audiência. O tom confessional se justifica próximo ao fim da fita, em mais uma agradável similaridade a “O lobo de Wall Street” e faz todo o sentido, já que é a perspectiva de Henry daquele universo tão particular que interessa à realização.

Henry é um anfitrião valoroso para o olhar da audiência. Cativante e charmoso e aparentemente menos errático do que seus amigos Jimmy (papel de Robert De Niro, em sua então quinta colaboração com Scorsese) e Tommy (Joe Pesci em performance premiada com o Oscar).

Henry é um narrador charmoso que, assim como a plateia, se espanta com o universo que adentra

Henry (Ray Liotta, no centro) é o narrador que, assim como a plateia, se espanta com o universo que adentra

O mais interessante é que a violência em sua singularidade atroz surge banalizada na concepção cotidiana de homens que se julgam os donos do mundo. Esse choque de realidade, embora vitime o protagonista em dado momento, não irá demover sua visão encantada do universo que habita, apenas lhe provocar uma nostalgia agridoce quando do momento de apartar-se dele.

É essa crueza na análise, ainda que flerte com o cinismo cá e lá, que faz desse exemplar distinto na cinematografia de Scorsese um filme tão lapidado, tão eloquente.

Visualmente, “Os bons companheiros” também é riquíssimo. Há cenas pensadas para o impacto. Seja um assassinato relativamente inesperado ou a maneira como uma manhã em particular na vida de Henry é desvelada.

A violência faz parte dessa lógica visual em rompantes brutais que tornam toda a narrativa muito mais grave.  Joe Pesci, nesse sentido, é peça chave. Seu Tommy é dinamite pura e imprevisível e Pesci grifa essa característica de seu personagem sempre que tem a oportunidade.

“Os bons companheiros” era o Scorsese mais em carne viva, mais sagaz e mais cinematográfico que se tinha até o surgimento de “O lobo de Wall Street”. Pode-se dizer até que era o seu último grande filme, no sentido de ser superlativo mesmo. As semelhanças entre ambas as produções, que não são poucas, não restringe a experiência cinematográfica, mas a expande. Rever “Os bons companheiros” é, neste contexto, redescobri-lo por completo.

Ray Liotta, Robert De Niro, Paul Sorvino, Martin Scorsese e Joe Pesci: os bons companheiros

Ray Liotta, Robert De Niro, Paul Sorvino, Martin Scorsese e Joe Pesci: os bons companheiros

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