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terça-feira, 17 de março de 2015 Críticas, Filmes | 16:45

Cronenberg ridiculariza Hollywood com sátira delirante em “Mapas para as estrelas”

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Ao terminar de assistir “Mapas para as estrelas” (EUA/CAN/FRA/ALE  2014), o espectador certamente hesitará se está diante de uma comédia carregada em tintas de humor negro ou de uma ópera de horror nervosa. Mas terá a certeza que acabou de assistir um legítimo Cronenberg. E dos melhores!

O cineasta oferece aqui uma sátira poderosa das engrenagens de Hollywood. “Mapas para as estrelas” é um olhar cínico, profano e subversivo para o mundo do cinema e a fogueira de vaidades que o alimenta. O cinema, e Hollywood, já foram tema de muitos filmes. Dos recém-oscarizados “Argo” (2012) e “Birdman” ao clássico “Crepúsculo dos Deuses” (1950), a pegada crítica podia até estar presente nesses filmes, mas gravitava um universo de interesses difuso. David Cronenberg se desapega de todo o mais e concentra-se única e exclusivamente no aspecto sórdido, absurdo e, porque não, cronenberguiano da Meca do Cinema. Essa opção por focar no grotesco desse mundo de porcelana e aparências distingue o filme dos outros que miram em Hollywood. Com Cronenberg tudo é mais hediondo, grave, extremo e surreal.

Loucura ou lucidez? A personagem de Mia Wasikowska conclama o melhor, e o pior, dos dois conceitos (Foto: divulgação)

Loucura ou lucidez? A personagem de Mia Wasikowska conclama o melhor, e o pior, dos dois conceitos
(Foto: divulgação)

Há cenas que vão do hilário ao suspense em segundos e outras que trafegam pelo nonsense e se refugiam no drama. É um trabalho de direção tão singular quanto irrepreensível.

A sinopse não dá conta da experiência que é interiorizar “Mapas para as estrelas”. São três arcos que acompanhamos. No primeiro, uma misteriosa menina (Mia Wasikowska), com partes do corpo queimadas, chega a Los Angeles para conhecer a cidade e acaba se envolvendo com o motorista de limusine que sonha em ser ator ou roteirista vivido por Robert Pattinson. Em outro, Havana Segrand (Julianne Moore) é uma atriz em decadência que faz tudo para conseguir o papel que foi de sua mãe em um remake dirigido por um prodígio saído do festival de Sundance. Finalmente, no terceiro arco, há uma estrela teen, Benjie (Evan Bird), um misto de Macaulay Culkin com Justin Bieber, que estrela uma franquia milionária, recupera-se de um vício em drogas e tem um gênio para lá de difícil.

Cronenberg, com o préstimo do roteirista Bruce Wagner – ele mesmo um ex-motorista de limusines em Hollywood – disseca esses clichês ambulantes com agudeza e escárnio.

Os arcos se bifurcam brilhantemente e um dos expedientes mais extraordinários para esse feito é o personagem de John Cusack, um guru de autoajuda de celebridades, que tem conexão com os três personagens centrais que puxam a narrativa.

Ego, vaidade, insegurança, desejo... a fogueira hollywoodiana queima sob o olhar atento de Cronenberg (Foto: divulgação)

Ego, vaidade, insegurança, desejo… a fogueira hollywoodiana queima sob o olhar atento de Cronenberg
(Foto: divulgação)

Referências pipocam na tela. Desde o bom momento vivido pelas produções da TV americana à inevitável rivalidade em sets de filmagens. Cronenberg tem um comentário sobre tudo. Das circunstâncias a que muitos se submetem na busca por um lugar ao sol em Hollywood à insegurança que vitima atrizes, especialmente as mais velhas, em um contexto estético ditatorial. Pescar essas referências sortidas durante toda a projeção é um dos prazeres de se assistir “Mapa paras as estrelas”. Outro, é testemunhar a crescente de delírio e tensão orquestrados pelo cineasta. É uma história sobre Hollywood e ilusão, delírio e vertigem estão no pacote. Cronenberg, visionário, esfacela a realidade ao ridicularizá-la sem rodeios. Seu filme, culto à desordem, inebria e desestabiliza o espectador. Nada mais sintomático de Hollywood.

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sábado, 2 de agosto de 2014 Curiosidades, Filmes, Listas | 07:00

Cinco filmes imperdíveis nos cinemas em agosto

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Filmes como “O mercado de notícias” e “Amantes eternos”, que estreiam na próxima quinta-feira (07) nos cinemas já foram destacados pelo Cineclube, mas agosto reserva muitos outros bons lançamentos para quem deseja curtir um filme na sala escura. Um Robert Pattinson totalmente diferente do que estamos habituados a ver, o Woody Allen de sempre e um dos últimos filmes estrelados pelo saudoso Philip Seymour Hoffman estão entre os destaques.

 

“The Rover – a caçada”

Fotos (Divulgação)

Fotos (Divulgação)

Novo filme do diretor australiano David Michôd, do intenso e violento “Reino animal” (2010). Na trama Robert Pattinson faz um homem abandonado pelo irmão para morrer e Guy Pierce, um homem que teve seu carro roubado pelo irmão do personagem de Pattinson. Em um futuro apocalíptico em que a economia global ruiu e o crime impera, esses dois homens iniciam uma caçada ao mesmo homem por razões distintas.

 

Previsão de estreia: 07 de agosto

 

“O homem mais procurado”

O homem mais procurado

Daqueles filmes de espionagem que remetem diretamente ao bom cinema americano dos anos 70. Um imigrante de origem chechena chega à Alemanha para tentar resgatar uma herança que seu pai teria lhe deixado. Mas ele entra no radar das polícias secretas alemã e americana. O que se postula no filme que trabalha com meias verdades e muitas sombras é se este homem seria apenas uma vítima ou um extremista com um plano terrorista muitíssimo  bem elaborado. Quem assina a direção deste que é um dos últimos filmes de Philip Seymour Hoffman é o holandês Anton Corbijn, do excelente “Um homem misterioso” (2010). Como se não bastasse todo esse pedigree, o filme é uma adaptação de John Le Carré.

Previsão de estreia: 14 de agosto

 

“Era uma vez em Nova Iorque”

Era uma vez em NY

Outro filme que aborda, de maneira ambígua, a imigração. Na Nova York de 1920, duas irmãs polonesas buscam uma vida melhor, mas acabam nas garras de um cafetão. Quando o primo deste, um mágico, se apaixona por uma das irmãs, um cenário de muita dor e imprevisibilidades se aproxima. O filme de James Gray (“Amantes” e “Caminho sem volta”) tem Joaquin Phoenix, Marion Cotillard e Jeremy Renner no elenco e integrou a mostra competitiva do festival de Cannes em 2013.

 

Previsão de estreia: 28 de agosto

 

“Magia ao luar”

Magia ao luar

Um falso mágico (Colin Firth) é contratado para desmascarar uma jovem e simpática médium (Emma Stone), mas aos poucos vai se encantando com ela. Estamos, é claro, na seara Woody alleniana e em um filme de Woody Allen, o simplório e o genial caminham irmanados.

 

Previsão de estreia: 28 de agosto

 

“A oeste do fim do mundo”

A oeste do fim do mundo

Leon (César Troncoso) é um homem introspectivo que vive em um velho posto de gasolina, perdido na imensidão da estrada transcontinental entre a Argentina e o Chile. Seu único amigo é Silas (Nelson Diniz), um brasileiro que volta e meia o visita para trazer peças para consertar a moto dele. Um dia, a paz de Leon é abalada com a chegada de Ana (Fernanda Moro), uma mulher que escapou da tentativa de abuso sexual de um caminhoneiro com quem tinha pegado carona.  Essa convivência se provará desestabilizadora para todos os envolvidos. O filme, uma coprodução entre Brasil e Argentina, foi destaque na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo do ano passado, mas só agora terá lançamento comercial.

Previsão de estreia: 28 de agosto

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domingo, 8 de junho de 2014 Análises, Atores | 09:33

A reinvenção de Robert Pattinson

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Fotos: divulgação e reprodução/ The Hollywood Reporter

Fotos: divulgação e reprodução/ The Hollywood Reporter

Robert Pattinson, de alguma maneira, é como o Lula. Há quem ame e há quem odeie. As razões são defensáveis e justificáveis de ambos os lados e a paixão costuma ser o motor das análises relacionadas ao galã acidental. Afinal de contas, antes de ser o príncipe moderno em versão vampírica na série de filmes “Crepúsculo”, Pattinson não havia causado nenhuma comoção em “Harry Potter e o cálice de fogo”, lançado em 2005.

Mas Pattinson se esforça para se desviar da pecha de galã que lhe fora atribuída. Sempre que pode dá um jeito de renegar, ainda que discretamente, a franquia que lhe concedeu o estrelato.  É avesso a badalações e a agenda midiática que outras celebridades jovens, como Jennifer Lawrence, costumam cultivar. Não obstante, Pattinson tem demonstrado disposição em orquestrar o que podemos chamar de reengenharia de carreira.

O primeiro passo, nesse sentido, foi dado ainda durante o período em que a saga “Crepúsculo” vigorava. A aproximação ao diretor canadense David Cronenberg pode muito bem fazer por Pattinson o que a parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio fez por este último.

“Cosmópolis”, lançado em 2012, não só trazia Robert Pattinson como nunca se tinha visto antes, essencialmente vampírico em uma composição minuciosa de um tubarão faminto e inseguro de Wall Street, como trazia o ator em sua primeira interpretação digna desta classificação. Pattinson deixou-se dirigir. Confiou em Cronenberg e permitiu que o ator emergisse da celebridade, que fora a primazia em seus outros trabalhos paralelos a “Crepúsculo” (“Bel Ami – o sedutor”, “Água para elefantes” e “Lembranças”).

Em 2014, o ator lança dois filmes com propostas distintas, mas que sinalizam que essa reengenharia de carreira não é uma nuvem passageira em sua trajetória profissional. “Maps to the stars” é o segundo trabalho em parceria com Cronenberg. Trata-se de uma sátira à fogueira de vaidades de Hollywood. A participação do ator é pequena; ele faz um motorista de limusines que sonha em ser roteirista, papel baseado na vida do próprio roteirista do filme (mas isso é outra história). Diz-se, no entanto, que sua atuação é impactante. Em “The rover”, outra produção que levou Pattinson ao festival de Cannes (assim como os dois trabalhos com Cronenberg), ele faz um homem abandonado pelo irmão em um futuro apocalíptico em que a economia planetária entrou em colapso. Junta-se a um terceiro homem, roubado por seu irmão, em seu encalço.

Entre os próximos trabalhos do ator figuram filmes de diretores europeus de prestígio, como “The idle´s eye”, do francês Oliver Assayas (”Depois de maio”) e “Life”, de Anton Corbjin (“Control”, sobre a vida de Ian Curtis, líder do Joy Division), sobre a amizade entre o astro James Deen e o fotógrafo da revista que batiza o filme e que fez as fotos mais icônicas de Deen em vida.

Pattinson pode até não ter esquecido Kristen Stewart, sua ex-namorada e colega de cena na franquia adaptada dos livros de Stephenie Meyer, mas os dias de “Crepúsculo” definitivamente fazem parte de seu passado.

Com Guy Pierce no elogiado "The Rover"

Com Guy Pierce no elogiado “The Rover”

Ao lado de Dane deHaan em "Life", filme de arte feito pelo diretor de "Control", que chega em 2015

Ao lado de Dane deHaan em “Life”, filme de arte feito pelo diretor de “Control”, que chega em 2015

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