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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016 Análises, Críticas, Filmes | 16:06

“Rogue One” reequilibra a força de “Star Wars” no cinema com imaginação e ousadia

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Filme que expande o universo “Star Wars” no cinema é um deleite para os fãs e uma realização corajosa que engrandece a safra de blockbusters de 2016

Cena do filme Rogue One, que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros Foto: divulgação

Cena do filme Rogue One, que estreia nesta quinta-feira (15) nos cinemas brasileiros
Foto: divulgação

“Rogue One – Uma História Star Wars” é bom. Muito bom. A questão que se coloca agora é como vamos lidar com isso? Público e crítica estavam desconfiados. Até tinham razão para isso. A Disney, que comprara Pixar e Marvel e lhes concedera liberdade criativa, prometera fazer o mesmo com “Star Wars”, quando adquirira a LucasFilm. Mas aqui o buraco era mais embaixo. A franquia estava encerrada e, não somente seria retomada, como o plano consistia em expandir o universo criado por George Lucas.

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O episódio VII chegou no ano passado arrasando quarteirões. O filme de J.J Abrams, no entanto, navegava em águas calmas. Havia grande ansiedade, e consequentemente considerável cota de condescendência à espera de “O Despertar da Força”. O filme é bom, mas não carrega um traço sequer da ousadia que sobeja em “Rogue One”. Espelhando o clássico “Uma Nova Esperança”, o filme falava ao coração dos fãs saudosos no mesmo compasso que pregava para todos aqueles desejosos de conversão.

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Rogue posterCom o “Rogue One” a coisa é diferente. Pela primeira vez na série estamos mesmo em uma guerra. Gareth Edwards, que fez um filme do Godzilla todo ele a partir do ponto de vista das pessoas afetadas pela besta gigante, grava cenas de guerrilha urbana na lua de Jedha, flagra espiões em ação, conspirações em trâmite e observa as maquinações inerentes aos diferentes lados de um conflito armado. A guerra que toma conta da galáxia pode ser apalpada em um filme que busca a atmosfera de “Uma Nova Esperança”, até pela ligação umbilical que tem com o episódio IV, mas que não se faz refém dela.

Visualmente exuberante, como todo “Star Wars” deve ser, essa primeira antologia se beneficia enormemente do roteiro esperto e enxuto de Tony Gilroy (“O Advogado do Diabo”) e Chris Weitz (“American Pie”) , que cria em cima de uma história conhecida e dá espaço para personagens carismáticos – como o robô K-2SO, o excelente alívio cômico da fita – brilharem. A coragem e a imaginação, no entanto, não resumem a eficácia narrativa dessa primeira antologia do universo Star Wars. O filme de Edwards faz muitas deferências aos fãs e revisita, a sua maneira, temas frequentes como a relação entre pais e filhos. É interessante observar como Jyn (Felicity Jones) vive uma orfandade mesmo tendo dois pais. Mais interessante é perceber como isso impacta na sua visão de “não ter o luxo de ter opiniões políticas”. É “Star Wars” sendo sutil no desenho dos personagens.

Peter Crushing, ninguém menos que Grand Moff Tarkin, responsável pela Estrela da Morte no filme de 1977, morto em 1994, “ressuscita” diante de nossos olhos em um trabalho de CGI que desafia os limites da lógica e imaginação. É “Star Wars” derrubando o nosso queixo.

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Darth Vader, talvez o mais icônico entre todos os vilões da cultura pop, também surge para enriquecer o filme. Ele está aqui apenas para deixar a experiência mais potente, intensa, transcendental… É “Star Wars” olhando para o futuro sem esquecer-se de seu passado.

Darth Vader é uma das boas surpresas de Rogue One Foto: divulgação

Darth Vader é uma das boas surpresas de Rogue One
Foto: divulgação

O que torna “Rogue One” um blockbuster especial tanto no contexto de “Star Wars”, mas também na temporada de 2016, é sua maturidade narrativa, seu compromisso com a verossimilhança, mesmo que estejamos falando de uma guerra espacial. Apesar do desfecho compreensível e justificadamente trágico, o filme reequilibra a força, da série, e dos blockbusters. É “Star Wars” mostrando como se faz!

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