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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:14

“Deadpool” presenteia público com humor sem concessões

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Foto: divulgação

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Você pode encarar “Deadpool” de duas maneiras diferentes. A primeira como um filme que utiliza o humor como um expediente para disfarçar sua pouca profundidade e a falta de uma verve autoral tão comum às mais recentes adaptações de HQs. A segunda, e mais correta, corresponde a um filme que rejeita qualquer concessão e tem no humor, sua principal ferramenta de crítica ao gênero do momento em Hollywood, o filme de super-herói.

“Deadpool” não é o grande filme do ano, mas dificilmente outro vai proporcionar tanta diversão na sala escura em 2016.

A honestidade do filme, que apresenta no cinema o Deadpool das HQs com todas as suas características – sendo a consciência de ser um produto de HQ, no caso, o personagem de um filme, a mais surreal e surpreendente delas – garante o respeito do espectador. Esse espectador pode até se surpreender com o nível das piadas, uma mais suja e sacana do que a outra; e isso é muito bom.  Primeiro porque não costumamos mais nos surpreender de fato no cinema e segundo porque “Deadpool” é um filme que foi concebido como deveria ser e, no final das contas, todo mundo vai perceber isso.

A ideia não é necessariamente descontruir os filmes de super-heróis, mas a estrutura do filme – que é também um filme de origem – acaba fazendo isso. Há piadas de toda sorte e nem mesmo a Fox, que custou a aprovar a produção do filme, é poupada.

A cena pós-créditos, para quem ainda não tinha percebido a sátira ao filme de super-heróis, escancara toda a fórmula que, a bem da verdade, já está cansando.

Wade Wilson (Ryan Reynolds) é um mercenário que após ser diagnosticado com câncer acaba aceitando fazer parte de um projeto genético que ativa genes mutantes. As coisas, naturalmente, não terminam bem para ele que se vê afastado do grande amor de sua vida, Vanessa (a brasileira Morena Baccarin) e com efeitos colaterais que o deixam visualmente horripilante.

Wilson, no entanto, mantém-se abrigado no humor. Sua principal ferramenta para viver os dias. E “Deadpool” é um filme que faz uso inteligente do humor. Outro aspecto que chama atenção no filme é a maneira desimpedida com que a sexualidade do personagem é trabalhada. A pansexualidade (atração sexual que independe do gênero) de Wade Wilson é exposta com gosto e sem frescuras. Outro atestado da coragem do filme em não se submeter a eventuais resistências do público.

Sob muitos aspectos, “Deadpool” é um acerto da perseverança. Ryan Reynolds vivia ostracismo em Hollywood, mas nunca desistiu de fazer o filme que o personagem merecia. Hoje, com a bilheteria acachapante que a produção já contabiliza, o selo de aprovação da crítica e a confirmação da sequência, Reynolds riu por último. Calhou do filme que o personagem merecia ser o mesmo que o público queria.

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