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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 Críticas, Filmes | 20:39

“50 tons de cinza” é um romance e, como tal, não decepciona

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É difícil resistir à tentação, mas uma análise séria de “50 tons de cinza” não pode observá-lo como uma obra sobre sexo. Em momento algum essa ambição existe no filme. Trata-se, portanto, de uma desonestidade intelectual. Não se trata também de uma comédia romântica como muitos tentaram incutir a respeito da produção, mas de um romance que se permite algum fetiche. Há romances ambientados no mundo corporativo, em redações de jornais, na Casa Branca e “50 tons de cinza” é um romance ambientado no universo do sadomasoquismo. É nesse contexto que o filme de Sam Taylor-Johnson deve ser avaliado.

A história desse primeiro volume é bem conhecida. Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de literatura inglesa tímida e virgem que depois de uma atrapalhada entrevista com o magnata Christian Grey (Jamie Dornan) para o jornal da faculdade, acaba entrando na mira desse homem de convicções fortes e gostos singulares.

Grey logo diz que não curte a rotina de um romance e, aos poucos, vai revelando uma libido poderosa. Ela, espantada a princípio, aceita o jogo de sedução proposto pelo bilionário e engata em uma relação cheia de restrições e novidades. Essa relação, assombrada por um contrato jamais assinado, vai revelando desafios para ambos.

É desse mundo de possibilidades entre o convencional e o desconhecido que “50 tons de cinza”, o filme, se resolve. Sam Taylor-Johnson, com o préstimo da roteirista Kelly Marcel, sofistica um texto amador e afere à obra um clima de sedução bastante envolvente. “50 tons de cinza”, porém, não é sexy. Um problema que talvez decorra do fato do estúdio objetivar um filme classificado para menores de 17 anos, mas que nem mesmo a nudez ocasional dos protagonistas é capaz de disfarçar. Os cortes no sexo dos protagonistas tão logo despidos são uma constante lembrança de que o filme se ressente em sexualizar-se. A ausência de sensualidade não compromete o bom fluxo do romance e Johnson é uma diretora perspicaz em exteriorizar os receios de Anastesia e conta com a boa atuação de Dakota Johnson para isso.

Mais sexo e menos sensualidade pautam "50 tons de cinza": ou seria o contrário?  (Foto: divulgação)

Mais sexo e menos sensualidade pautam “50 tons de cinza”: ou seria o contrário?
(Foto: divulgação)

Elegante e pomposo, a ausência de sensualidade do filme pode estar diretamente relacionada à atitude de Jamie Dornan em frente às câmeras. Sem entrar no mérito da questão da química com Dakota, bem ínfima, para registro, o ator parece confundir sisudez com charme; rigidez com apelo sexual. O trauma do personagem, submerso nesse primeiro volume, parece nortear a atuação de Dornan que promove um desencontro entre o filme e a essência de Christian Grey. Esse, talvez, seja o maior lapso narrativo de um filme erguido sobre expectativas conflitantes e que apresenta um resultado incrivelmente positivo em face de tamanha convulsão de mídia e interesses.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Bastidores, Filmes | 05:00

Filme “50 tons de cinza” será o grande marco da caretice do cinema atual?

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À medida que a estreia de “50 tons de cinza” se aproxima, a presença do filme na mídia se intensifica. Natural e compreensivelmente, essa exposição tende a focar no potencial polêmico da adaptação da obra de E.L James. Passa por aí a declaração de Sam Taylor-Johnson, diretora do filme, a Variety de que uma das cenas mais polêmicas, e eróticas, do primeiro livro não está presente na versão cinematográfica.

iG On: “50 tons de cinza” não terá cena do absorvente íntimo, diz diretora

Leia também: O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores (Foto: divulgação)

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores
(Foto: divulgação)

“Eu sinto que no cinema, no momento em que há penetração tudo está acabado”, disse Johnson na entrevista à Varitey. A diretora admitiu que o conteúdo sexual foi abrandado, mas não descaracterizado. A cineasta disse que tinha o interesse de que cada cena de sexo soasse diferente, que funcionassem como um novo personagem. “É a construção da relação entre eles (Christian Grey e Anastasia Steele) o que importa”, observou.

Essa indicação da cineasta, pela proposição de estabelecer esse “jogo de preliminares” com seu público, reforça duas percepções a respeito do filme que estreia no dia 12 de fevereiro. Trata-se de um romance que dá prevalência a sua ambição de ser também um blockbuster (daí a suavização de cenas eróticas a fim de conseguir uma classificação indicativa que permita a entrada nos cinemas de menores de 17 anos). É, também, um filme menos preocupado em estabelecer uma análise das práticas sexuais e da relação entre sexo e poder. À Variety, a autora E.L James e a produtora Donna Langley deram declarações que corroboram esta percepção. “Não fizemos um filme para chocar as pessoas pelo quão explícito ele é. Queremos que a audiência se sinta convidada, não repelida”, explicou Langley. Já James observou que sua obra é uma “história de amor e que o sexo é apenas parte disso”. Portanto, o sadomasoquismo soft de Mickey Rourke e Kim Basinger no cult oitentista “9 e 1/2 semanas de amor” talvez seja mais explícito nas elaborações do desejo do que os realizadores de “50 tons de cinza” fazem crer que o aguardado filme será.

Pode ser marketing, mas pode também ser um indicativo de que ante o que a TV anda mostrando (“Girls”, “Game of thrones”, “Californication”, entre outras) e do que o cinema produzia sobre o tema no final da década de 80 e início dos anos 90 (“A insustentável leveza do ser”, “Instinto selvagem”, “Invasão de privacidade”, entre outros), o cinema mainstream encaretou em excesso. Para o bem ou para o mal, o sucesso inevitável do filme ditará como o tema será abordado pelo cinemão nos próximos anos.

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sexta-feira, 25 de julho de 2014 Análises, Filmes | 22:32

O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

É difícil fazer prognósticos em cima de um trailer, mas a liberação do primeiro de “50 tons de cinza” marcou a semana. O fenômeno, sugere a comoção demonstrada com um material de marketing de pouco mais de dois minutos, ainda tem muita força para exibir. O sucesso é certo, ainda que seja precipitado apontar em que proporção, mas de que tipo de filme estamos falando exatamente? A recíproca do livro será verdadeira? Estamos diante de um “pornô para mamães”, uma história de princesa com algum sex appeal ou a imagem diluirá os efeitos da imaginação, que a obra de E.L James parece ter apimentado?

O trailer entrega algumas pistas. O tom, como sugere a data de lançamento nos cinemas americanos (no valentine´s day em fevereiro próximo) é de romance. Não se está diante de um filme com a disposição de investigar os labirintos do desejo sexual. As cenas de sexo e sadomasoquismo, todas mostradas de lampejo no trailer, aparentam bom gosto, mas não parecem especificamente inclinadas para a ousadia.

Este primeiro trailer busca essencialmente o diálogo com o fã do material original. É a este que a produção do filme deseja tranquilizar neste momento de ansiedade. É como se dissesse: este é o filme que você imaginou. Será mesmo?

Sam Taylor-Johnson, a diretora do longa-metragem, tem apenas um crédito como diretora. “O garoto de Liverpool” (2008), sobre os anos iniciais da parceria entre John Lennon e Paul McCartney, além da complexa relação do primeiro com sua mãe.

É um filme em que Johnson explora mais os personagens do que precisaria. Demonstrou saber trabalhar bem com ambiguidades do roteiro e eficácia em redimensionar sutilezas do texto na tela. São habilidades que podem ser úteis em um filme que pretende mais do que satisfazer apenas a base consolidada de fãs.

De qualquer maneira, apesar do barulho provocado por “50 tons de cinza”, e muito ainda está por vir, vivemos tempos francamente caretas no cinema mainstream. Seja o filme surpreendente ou não, parece certo que não teremos o “Instinto selvagem” (1992) desta geração. O que para quem gosta de bom cinema e sexo, por que não, não deixa de ser um tanto broxante.

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