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sexta-feira, 8 de maio de 2015 Análises | 17:12

A Viúva negra é mesmo vadia ou estamos diante de um caso de sexismo industrial?

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Os atores Chris Evans e Jeremy Renner se viram no epicentro de uma polêmica furtiva. Em uma entrevista chamaram a personagem Viúva Negra de vadia por ela flertar com diversos personagens do grupo de super-heróis vingadores. A rejeição à piada causou algum espanto neles. Os atores se desculparam, mas Jeremy Renner voltou à carga em um talk show americano ao afirmar que “se você dormisse com quatro vingadores, também seria uma vadia”. Ao reforçar sua crença no estigma, e na piada, Renner fez mais do que passar recibo de machista – misógino para os mais sensíveis. Ele escancarou a falta de tato dos estúdios, em geral, e da Marvel, em particular, na condução de personagens femininas em “filmes de menino”.

iG On: Atores de “Vingadores” são criticados por chamar Viúva Negra de “vadia”

Há, notavelmente, resistência por parte dos grandes estúdios hollywoodianos em investir em heroínas, e-mails vazados da Sony no ano passado cutucaram este elefante na sala, mas há números que desafiam essa letargia. A franquia teen mais bem sucedida da atualidade, “Jogos vorazes” é encabeçada por uma heroína, a Katniss Everdeen vivida por Jennifer Lawrence. A segunda franquia teen mais bem sucedida da atualidade, “Divergente”, também é estrelada por uma atriz, Shailene Woodley. Entre as vinte maiores bilheterias de 2014, o único filme totalmente original, isto é, que não era refilmagem, sequência ou adaptação de outra mídia, foi “Lucy”, filme de ação, vejam vocês, estrelado pela mesma Scarlett Johansson que dá vida à Viúva Negra.

O sexismo além da piada: Cerco à Viúva Negra não é dos atores, mas da Marvel que ainda não tem um projeto para a personagem  (foto: divulgação)

O sexismo além da piada: Cerco à Viúva Negra não é dos atores, mas da Marvel que ainda não tem um
projeto para a personagem
(foto: divulgação)

Percepções de mercado à parte, a Viúva Negra é um exemplo de como as personagens femininas da Marvel funcionam no cinema, pelo menos até o momento, como tampão. A primeira aparição da personagem foi em “Homem de ferro 2”, quando surgiu para dar viço a um jogo de flertes com Tony Stark. Era uma provocação da Marvel que, àquela altura, já alinhava seu projeto Vingadores. Depois a Viúva surgiu mais próxima do Gavião Arqueiro no primeiro “Vingadores”, já que desfrutava da mortalidade deste em um grupo de seres superpoderosos. No segundo “Capitão América”, ela flerta descompromissadamente com Steve Rogers. Finalmente, em “A era de Ultron” surge interessada em Bruce Banner (Mark Ruffalo). Onde Renner viu, para desespero das feministas, margem para vadiagem, é possível enxergar a total falta de ambição da Marvel para com a personagem. A Viúva Negra está ali apenas para complementar a história dos outros. Além de dar alguns pontapés.

Não há a menor preocupação em construir a personagem. Não nos termos que os produtores da Marvel externam com Thor, Tony Stark, etc. Passa por aí o fato de um filme solo da personagem não figurar no rol de prioridades da Marvel. A Viúva Negra é hoje a única personagem feminina de destaque no Universo Marvel. Panorama que deve mudar com o filme da Capitã Marvel e as novas séries da parceria com a Netflix. De qualquer forma, esse novo cenário, ainda distante, não alterará o fato de que o machismo de Renner e Evans foi deflagrado pelo sexismo industrializado encampado pela Marvel. Um mal muito mais nefasto em seu aspecto crônico e silencioso que passou ao largo da ampla visibilidade que o caso ganhou na mídia.

* A coluna entra em férias e volta reenergizada no começo de junho

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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014 Atrizes, Fotografia, Listas | 06:16

Dez atrizes em dez fotos sensuais de 2014

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Jessica Paré em foto para a Esquire Dicas de filme: "Assunto de meninas" (2001) e "Paixão À flor da pele"

Jessica Paré em foto para a Esquire
Dicas de filme: “Assunto de meninas” (2001) e “Paixão À flor da pele”

Rashida Jones em foto para a GQ Dicas de filmes: "Celeste e Jesse para sempre" (2011) e "A rede social" (2010)

Rashida Jones em foto para a GQ
Dicas de filmes: “Celeste e Jesse para sempre” (2011) e “A rede social” (2010)

Lake Bell para a Esquire  Dicas de filmes: "Uma boa e velha orgia" (2011) e "Terror na ilha" (2012)

Lake Bell para a Esquire
Dicas de filmes: “Uma boa e velha orgia” (2011) e “Terror na ilha” (2012)

Margot Robbie para a W Dica de filme: "O lobo de Wall Street" (2013)

Margot Robbie para a W
Dica de filme: “O lobo de Wall Street” (2013)

Cameron Diaz para a Esquire Dicas de filmes: "O conselheiro do crime" (2013) e "A caixa" (2009)

Cameron Diaz para a Esquire
Dicas de filmes: “O conselheiro do crime” (2013) e “A caixa” (2009)

Kren Junqueira para a revista Status Dica de filme: "A pelada" (2013)

Karen Junqueira para a revista Status
Dica de filme: “A pelada” (2013)

Evangeline Lilly para a Esquire  Dicas de filmes: "Depois de partir" (2007) e "Gigantes de aço" (2011)

Evangeline Lilly para a Esquire
Dicas de filmes: “Depois de partir” (2007) e “Gigantes de aço” (2011)

Lizzy Caplan para a GQ Dica de filme: "Quatro amigas e um casamento"

Lizzy Caplan para a GQ
Dica de filme: “Quatro amigas e um casamento”

Sarah Gadon para a W Dica de filme: "Cosmópolis" (2012)

Sarah Gadon para a W
Dica de filme: “Cosmópolis” (2012)

Scarlett Johansson para a Esquire  Dicas de filmes: "Lucy" (2014) e "Ela" (2013)

Scarlett Johansson para a Esquire
Dicas de filmes: “Lucy” (2014) e “Ela” (2013)

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terça-feira, 23 de dezembro de 2014 Atrizes, Listas | 05:40

Retrospectiva 2014 – As melhores atuações femininas do ano

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Jennifer Lawrence (“Trapaça”)

Atrizes - J. Law

Aos 24 anos, Jennifer Lawrence é essa explosão de talento a qual não se consegue desviar os olhos. Em “Trapaça” ela entrega a melhor atuação de uma carreira que vai se desenhando com ótimos desempenhos. Na pele de uma mulher bipolar, ela exagera, transborda, caricatura e captura a verdade de uma personagem que é uma montanha russa emocional, ou como o vigarista vivido por Christian Bale tão bem classifica: “o Picasso do karatê passivo-agressivo”.

Amy Adams (“Trapaça”)

Atrizes - Amy adams

Se Lawrence é a combustão do filme de David O. Russell, Amy Adams é o coração da obra. Vulnerável, mas poderosa, a atriz responde pelos momentos mais tenros e genuínos do filme. Adams entende a busca de sua personagem e a coloca como prioridade absoluta de uma composição cheia de detalhes, gestos e uma sensualidade triste como pouco se viu no cinema.

Scarlett Jonhansson (“Sob a pele”)

Atrizes - scarlett

Como representar um alienígena em uma ficção científica que visa desconstruir nossa humanidade? Não é uma resposta fácil, mas o desempenho de Scarlett Johansson – que teve um 2014 para marcar na memória – é o mais próximo de uma resposta que poderemos tatear. Johansson alterna naturalismo e nonsense para construir uma não-personagem. Das coisas mais fascinantes que um intérprete (homem ou mulher) apresentou neste ano.

 

Marion Cotillard (“Era uma vez em Nova York”)

Atrizes - Marion

Cotillard é daquelas atrizes que se impõe em qualquer lista. Aprendeu polonês para o filme de James Gray, mas parece que já nasceu falando, tamanha a emoção expressa no idioma. O inglês, que domina com tranquilidade, sai cheio de hesitação e dor para dar viço à imigrante polonesa que passa maus bocados quando chega a Nova York fugindo da segunda guerra. Um trabalho notável em todos os aspectos possíveis e imagináveis.

Deborah Secco (“Boa sorte”)

Atrizes - Deborah

Deborah Secco, há quem diga, ainda tem que comer muito arroz e feijão para que uma comparação com Fernanda Montenegro possa ser aventada. Mas fica o registro. Deborah caminha a passos largos para ir além, como comprovam suas incursões no cinema. Em ‘Boa sorte”, a aparência franzina é o que menos impressiona. Os vestígios de uma mulher enamorada da morte, mas cheia de vida são o cartão postal de uma grande atriz em construção.

Kim Dieckens (“Garota exemplar”)

atrizes - Kim

Não é comum vermos detetives duronas no cinema atual. David Fincher e Gillian Flynn, as mentes por trás de “Garota exemplar” deram a oportunidade para que Kim Dieckens nos fizesse lamentar essa realidade. Dieckens, atriz pouco conhecida, não desperdiçou a chance. Ela entrega uma composição saborosa de uma policial honesta, focada e com o senso de humor exato para lidar com a investigação escabrosa que cruza o seu caminho.

Rosamund Pike (“Garota exemplar”)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

O papel de Amy Dunne exigia uma atriz capaz de comedimento e hipérbole. Não são todas as atrizes que conseguem conjugar isso em um mesmo registro cênico. Palmas para Pike que deve crescer e aparecer em Hollywood depois de brilhar (e muito) em “Garota exemplar”.

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domingo, 21 de dezembro de 2014 Curiosidades, Listas | 06:08

Retrospectiva 2014 – As dez personalidades do ano no mundo do cinema

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O ano de 2014 foi movimentado para muitos astros, estrelas e personalidades do cinema. Prêmios, casamentos, escândalos e filmes. Teve de tudo em 2014! O Cineclube passou o pente fino e apresenta as dez personalidades que mais se destacaram no ano que se despede.

 

10 – Amy Pascal

Amy Pascal em foto tirada antes de falar mal de Angelina Jolie Foto: Getty

Amy Pascal em foto tirada antes de falar mal de Angelina Jolie
Foto: Getty

Não é todo dia que uma chefe de estúdio, no caso a única mulher a presidir um estúdio de cinema, figura em uma lista como essa. Mas Amy Pascal, conhecida por ser uma prospectora de talentos tão sagaz quanto executiva impiedosa, se viu no epicentro do escândalo já chamado de sonygate. Nos documentos e e-mails vazados por hackers norte-coreanos como retaliação à Sony por produzir o filme “A entrevista”, Pascal fala mal de Leonardo DiCaprio, Denzel Washington, Angelina Jolie, entre outros. Além de fazer piadas de teor racista envolvendo o presidente Obama.

9 – George Clooney

Um 2014 sem filmes para Clooney e mesmo assim histórico Foto: divulgação/Nespresso

Um 2014 sem filmes para Clooney e mesmo assim histórico
Foto: divulgação/Nespresso

Ele não estrelou nenhum filme em 2014. Mas o casamento de George Clooney, até então incensado como o solteiro mais cobiçado do planeta, foi um evento ímpar. O cerimonial durou cinco dias, contou com a presença de diversas personalidades e mobilizou a imprensa mundial. Um novo comercial do Nespresso e intervenções frequentes pela paz no Sudão do Sul também estiveram entre os destaques de Clooney que encerrou as gravações de “Tomorroland” este ano e anunciou que fará um filme sobre o escândalo das escutas bancadas pelo finado tabloide News of the World.  Mas quem se importa? Afinal de contas, 2014 marcou o fim da solteirice de seu maior ícone.

 

8 – Christopher Nolan

Nolan observa o horizonte: tempos difíceis para o cineasta de mais liberdade em Hollywood se aproximam Foto: Getty

Nolan observa o horizonte: tempos difíceis para o cineasta de mais liberdade em Hollywood se aproximam
Foto: Getty

Ele talvez seja o diretor que mais provoca polarização e no ano em que lançou um de seus mais ambiciosos projetos, a ficção científica “Interestelar”, essa divisão ficou bem clara. Nolan não repetiu o sucesso de crítica ou mesmo a bilheteria que se habituou a produzir, mas continuou sendo um dos mais significativos ases do mundo do entretenimento, como bem definiu a revista Time em reportagem de capa que fez com o cineasta britânico.

 

7 – Matthew McConaughey

Um ano alright alright alright para o ator que parece não saber mais fazer filme ruim. Ops! Alguém pensou em "Interestelar"?  Foto: Getty

Um ano alright alright alright para o ator que parece não saber mais fazer filme ruim. Ops! Alguém pensou em “Interestelar”?
Foto: Getty

Ele ganhou o Oscar e todos os outros prêmios possíveis e imagináveis por sua atuação em “Clube de compras Dallas”. Bastaria para McConaughey se credenciar a esta lista, mas o ator ainda esteve em outros dois filmes muito comentados no ano. “O lobo de Wall Street” e “Interestelar”. Não era possível ignorar.

 

6 – Scarlett Johansson

Johanson elevou o girl power a outro patamar em 2014 e isso não tem nada a ver com o fato de devorar homens em "Sob a pele" Foto: reprodução/SodaStream

Johanson elevou o girl power a outro patamar em 2014 e isso não tem nada a ver com o fato de devorar homens em “Sob a pele”
Foto: reprodução/SodaStream

Nenhuma atriz foi tão onipresente em 2014 como Scarlett Johansson. Depois de ser ver envolvida em uma inusitada intriga envolvendo Israel e uma marca de refrigerantes, a atriz apareceu em um blockbuster hollywoodiano (“Capitão América – o soldado invernal”), em uma ficção científica casca grossa (“Sob a pele”) e assumiu sua vocação de heroína em “Lucy”, o filme totalmente original mais rentável de 2014. Virou mamãe também. E se casou. Ufa! Ah, e pela primeira vez na carreira, Scarlett Johansson fez um nu frontal no cinema. Mas não foi por isso que ela entrou na lista, ok?

 

5- Richard Linklater

Richard Linklater pensando o cinema fora de sua caixinha habitual Foto: reprodução/L.A Times

Richard Linklater pensando o cinema fora de sua caixinha habitual
Foto: reprodução/L.A Times

Vanguardista por vocação, o cineasta foi além do que os entusiastas de seu cinema criam possível em 2014. Bem, na verdade, em 2014 ele apenas lançou um dos projetos mais ambiciosos da história do cinema. “Boyhood – da infância à juventude” não é apenas um dos filmes mais belos e significativos do ano, é um novo paradigma cinematográfico.

 

4- Angelina Jolie 

Angelina Jolie brilhando em todas as frentes possíveis em 2014 Foto: reprodução/The Hollywood Reporter

Angelina Jolie brilhando em todas as frentes possíveis em 2014
Foto: reprodução/The Hollywood Reporter

Angelina Jolie recebeu quase U$ 30 milhões para estrelar “Malévola”. Mas seu carisma incomparável garantiu à produção da Disney uma bilheteria de mais de U$ 800 milhões internacionalmente. Mais do que qualquer super-herói arrecadou no ano. Não obstante, Angelina ainda lança seu segundo filme como diretora no apagar das luzes de 2014. O nome do filme? “Invencível”. Mas sem trocadilhos espertos, por favor!

 

3 – Shailene Woodley

Shailene já provoca apreensão nos fãs de Jennifer Lawrence. Por que será?  Foto: reprodução/ Gloss

Shailene já provoca apreensão nos fãs de Jennifer Lawrence. Por que será?
Foto: reprodução/ Gloss

No futuro, talvez, 2014 seja lembrado como o ano em que Shailene Woodley se apoderou da cultura pop. A atriz esteve à frente do elenco de dois hits do ano. As adaptações de best-sellers infanto-juvenis “A culpa é das estrelas” e “Divergente”. Não obstante, ainda estrelou a produção independente “Pássaro branco na nevasca” e tem gente que já fala em indicação ao Oscar. Te cuida J. Law!

 

2 – Michael Keaton

Keaton com seu look "Oscar vem ni mim": ressurgido das cinzas hollywoodianas Foto: divulgação

Keaton com seu look “Oscar vem ni mim”: ressurgido das cinzas hollywoodianas
Foto: divulgação

Esse certamente estará no Oscar de 2015. Se marcará presença na nossa lista do ano que vem, porém, é uma incógnita. Mas se julgarmos pelo 2014 de Keaton, as chances estão em seu favor. O ator retirou-se do ostracismo e colhe elogios pelo filme “Birdman”, mas já sinalizava essa ressureição com a sátira de Steve Jobs que tirou da cartola no “Robocop” assinado por José Padilha. Em “Need for Speed – o filme” salvou a fita do marasmo e mostrou que ainda tem muita lenha para queimar em Hollywood.

1 – Lars Von Trier

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não se falava em outra coisa no início do ano que não a bendita ninfomaníaca de Lars Von Trier. Dividido em dois tomos, o corte do diretor foi exibido no Brasil em outubro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. “Ninfomaníaca” é tudo o que se pode esperar de Von Trier. Provocador, contraditório, hermético e anticlimático. O dinamarquês, que havia prometido jamais conceder outra entrevista após o fatídico episódio envolvendo Hitler em Cannes, disse a uma jornal dinamarquês que receia não mais fazer filmes no futuro. Von Trier está preocupado com o impacto que a sobriedade pode ter sobre sua verve criativa. O cineasta que revelou ser viciado em drogas lícitas e ilícitas filosofou: “Nenhuma expressão criativa com valor artístico foi criada por ex-adictos”. O paradoxo de Von Trier o eleva ao primeiro posto desta lista.

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sábado, 20 de setembro de 2014 Críticas, Filmes | 17:58

“Lucy” é mistureba estilosa de filmes de HQ e sci-fi

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Luc Besson é um cineasta francês, mas seus filmes são americanos no corpo e na alma. “Lucy”, por exemplo, é o único filme plenamente original, ou seja, que não é uma sequência ou uma adaptação de outra mídia, a figurar entre as 20 maiores bilheterias do ano nos cinemas americanos. É uma estatística nada desprezível. Besson está por trás de sucessos como “Busca implacável” (2008) e “Carga explosiva” (2002), que produziu, e é o responsável por clássicos instantâneos dos anos 90 como “O profissional” (1994) e “O quinto elemento” (1997).

Em “Lucy”, Scarlett Johansson vive a personagem título. Uma mulher fútil, aparentemente desprovida de maiores predicados intelectuais e com mau gosto para homens. O filme começa e Lucy se vê em uma enrascada. Trapaceada por um ficante eventual, ela acaba à mercê de uma quadrilha de traficantes internacionais que não falam inglês. Coagida a servir de mula, ela acaba ingerindo grande volume da droga sintética que transportava. Essa droga amplia a capacidade de uso do cérebro humano e, aos poucos, Lucy vai se transformando em uma espécie de super-heroína high tech. Um misto do maior sonho de grandeza de Sheldon Cooper com a viúva negra que Johansson tão bem dá vida nos filmes da Marvel. À medida que o tempo passa, Lucy não só consegue controlar a matéria como calcular o tempo exato de sua morte.

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela... (Foto: divulgação)

Scarlett Johansson é Lucy: pense duas vezes antes de mexer com ela…
(Foto: divulgação)

“Lucy” é, portanto, um amálgama de filme de origem de super-herói e de ficção científica. Em 2011, Bradley Cooper estrelou um filme com premissa muito parecida. Em “Sem limites”, ele dá vida a um escritor medíocre que depois de tomar uma droga experimental “liberta” seu cérebro e fica superinteligente. “Lucy” se difere deste filme por se apresentar como um pastiche com muito humor e referências aos filmes de Besson, especialmente os que ele produziu e já mencionados nesta crítica.

O que pesa contra a fita é justamente quando Besson percebe que tem algo muito bom nas mãos e decide deixá-lo melhor. Ele acaba cedendo à ficção científica hardcore, território inóspito para um diretor que se moldou no gênero da ação barroca, e com delírios kubrickianos quase entorna o caldo no ato final do filme.

Scarlett Johansson, no entanto, mantém-se firme como uma personagem imersa na imensidão de si mesma. A atriz convence sem muito esforço e ajuda a transformar Lucy em uma das personagens mais bacanas de 2014 nos cinemas.

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sexta-feira, 30 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:56

Espaço Cult – “Ela” ressalta valor de se viver emoções

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HerTheodore (Joaquin Phoenix) escreve cartas de amor. Elas não precisam ser necessariamente de amor, mas clientes que precisam de cartas de amor compõem a clientela básica do Beautifulletters.com. Sabemos que estamos em uma ficção científica porque em um futuro próximo, bizarramente e melancolicamente parecido com o nosso presente, as pessoas escrevem cartas, mesmo que paguem alguém para escrevê-las. Theodore leva jeito com as palavras; sabe transmitir sentimentos que não sãos seus com ternura e docilidade. No entanto, Theodore não consegue organizar satisfatoriamente seus sentimentos. Do tipo solitário, sua situação é agravada pela dificuldade que ele apresenta de superar o término de um relacionamento longo e significativo. Na verdade, Theodore não sabe exatamente se sente falta de Catherine (Rooney Mara) ou de quem ele era com ela.

Theodore é daqueles que confiam à tecnologia vigente as miudezas da vida. É seu sistema operacional quem escolhe as músicas que ouve, lhe apresenta as notícias do dia, a previsão do tempo, entre outras coisas. Quando um novo sistema operacional, com a promessa de ser mais intuitivo e ajustável à personalidade do dono é lançado, Theodore, como um geek em todo o seu esplendor, logo compra a novidade. Depois de algumas perguntas, as quais Theodore pouco contribui com respostas, Samantha emerge com a voz rouca, sensual e abrasadora de Scarlett Johansson.

A partir daí se estabelece uma dinâmica que aos poucos vai evoluindo para uma relação amorosa. A maneira como Jonze tece essa história de amor nada convencional é tão imaginativa como sensível. À medida que Samantha vai dominando não só os pensamentos como o cotidiano de Theodore, ele, a princípio, se sente renovado. Com o tempo, no entanto, ele começa a divagar sobre a natureza de seu sentimento por Samantha e se há, de fato, um futuro para eles.

No mundo criado por Jonze, os relacionamentos entre humanos e sistemas operacionais estão ficando populares e há até quem se ofereça como uma espécie de cupido moderno para dar corpo a uma relação incorpórea. Quando isso acontece com Samantha e Theodore, “Ela” (2013) atinge um nível de sensibilidade em sua proposta maior que a vida.

A principal razão de ser desse belo, dolorosamente romântico e profundamente poético filme de Spike Jonze é conjecturar sobre a incrível necessidade humana de se conectar. Ela é tão forte que se pluga até mesmo ao que não for real. Não se trata de uma crítica a esse tempo de hiper-conectividade (um tipo de conexão totalmente diferente, afinal), ainda que essa crítica possa ser apreciada em um dos muitos subtextos do filme.

Amar é não racionalizar, racionaliza Jonze com uma amargura que paradoxalmente faz “Ela” soar ainda mais doce. É particularmente saboroso constatar que “Ela” é uma resposta mais complexa, mais doída e mais bem urdida a “Encontros e desencontros” (2003), de Sofia Coppola. Sofia e Jonze foram casados e as coisas não deram muito certo. Essa DR cinematografia, com Scarlett Johansson como uma espécie de hiperlink torna os dois filmes especialmente significativos para toda uma geração de cinéfilos.

Theodore conhece Samantha: o rosa, os bigodes e as calças caquis dão o tom do futuro

Theodore conhece Samantha: o rosa, os bigodes e as calças caquis dão o tom do futuro

 

Scarlett Johansson com Bill Murray em Encontros e desencontros: DR cinematográfica   (Fotos: divulgação)

Scarlett Johansson com Bill Murray em Encontros e desencontros: DR cinematográfica (Fotos: divulgação)

Por falar em trunfos, Joaquin Phoenix segue desafiando convenções. O ue esse monstro da atuação não é capaz de fazer? Totalmente entregue a um personagem difícil, hermético e em um tom totalmente diferente de tudo que já fizera como ator, Phoenix é o coração de “Ela”. Sem ele, o filme talvez não se conectasse (conceito tão importante na narrativa de Jonze) com a audiência.

Morfologias à parte, “Ela” é relevante por abordar o status quo de toda uma geração de maneira tão bela e suave. Fluindo entre o humor e o drama, Jonze faz um filme solar que sabe se alimentar da tristeza. Um filme especialmente eloquente para quem quer que já tenha amado.

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sexta-feira, 16 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 23:46

“Sob a pele” é agonia erótica

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Foto (Divulgação)

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O terceiro filme de Jonathan Glazer é uma obra difícil. E ser difícil é um de seus muitos méritos. O ruído estético de um cineasta de forte apuro visual e interesses pouco comerciais já podiam ser notados em “Sexy beast” (2000), um drama de máfia de singularidade invejável, e “Reencarnação” (2004), uma perturbadora leitura de traumas e luto. “Sob a pele” (2013), sob muitos aspectos, é um avanço na opção de problematizar uma narrativa. Glazer se inebria na forma e exaure no conteúdo.

Scarlett Johansson faz uma alienígena que, ao que parece, alimenta alguma curiosidade pela humanidade. Vemo-la perambulando por ruas escocesas em uma van branca abordando e seduzindo homens para devorá-los. Não fica claro exatamente qual a razão desse ritual, mas ele é repetido massivamente. Existe um padrão. Ela parece interessada especialmente pelos tipos solitários.

A jornada da personagem, inominada, reverbera uma busca hermética pela humanidade, pelo que nos caracteriza como humanos. A alienígena objetiva nos punir ou compreender? Talvez um pouco dos dois. A sensorialidade impressa por Glazer sugere que mais do que uma resposta fechada, é o erotismo da pergunta que interessa. E erotismo, ainda que sombrio e agonizante, não falta a “Sob a pele”. A promessa furtiva de sexo com um símbolo sexual como Scarlett Johansson é algo que move tanto o interesse dos homens abordados, em sua maioria atores não profissionais, como da audiência.

A trilha sonora robusta, onipresente e grave de Mica Levi ajuda a aferir o clima de horror à saga dessa personagem e contribui, também, para a verve psicossexual do filme. É uma produção de ritmo lento, poucos diálogos e muitas imagens inusitadas. Glazer flerta com o surrealismo sem perder o realismo de vista. Abre o filme com homenagens a Stanley Kubrick e David Cronenberg, entregando que sua personagem não é deste planeta, e abusa de metáforas visuais que parecem saídas de clipes de rock (coisa que ele já fez para bandas como Radiohead e Blur).

Scarlett Johansson, por seu turno, merece louvores. Não tanto por sua atuação, de difícil apreciação em sua proposição obtusa, mas pela coragem de se entregar a um papel sem objetivos claros. A confiança no diretor, e não só pelas muitas cenas de nudez, inclusive frontal, precisa ser absoluta. Enfeiada, na medida do possível, estática, quase sorumbática, e ainda assim excitante, a atriz se oferece como uma tela em branco para a visão de Glazer.

“Sob a pele” dividiu a crítica quando exibido no festival de Veneza em 2013. Não é um filme desejoso de produzir sentido e isso incomoda bastante a muitos. Há uma cena em que a alienígena freia abruptamente, desliga e sai do carro. Ela adentra um forte nevoeiro, olha a esmo por alguns minutos e volta para o carro. Qual o significado desta cena aparentemente descolada do fluxo cronológico da narrativa? Estaria ela perdida? Estaríamos nós perdidos? Sabemos exatamente o que estamos fazendo aqui (na vida, no planeta)?

“Sob a pele” oferece, a quem estiver disposto a digressionar com o filme, uma leitura pessimista, por que não bizarra, do que é ser humano.

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