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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:04

Gaspar Noé tenta capturar complexidade do amor por meio do sexo em “Love”

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Love - 2

Gaspar Noé é um polemista insaciável. Mas talentoso. Para o bem e para o mal, “Love” (França, 2015) é um reflexo de seu autor. O filme que está sendo vendido como “o mais polêmico do ano”, afasta qualquer polêmica se tirarmos a nudez e o sexo explícito da equação.

A proposta de Noé é fazer um filme sobre o amor a partir da perspectiva sexual. Mostrar o sexo, portanto, passa a ser uma necessidade narrativa. Necessidade muito bem justificada pelo cineasta conforme suas ideias ganham corpo no transcorrer da obra.

Murphy (Karl Glusman) está insatisfeito com sua vida. Entre seus grandes arrependimentos está como deixou as coisas com Electra (Aomi Muyock). Murphy vive com Omi (Klara Kristin), a quem conheceu e engravidou enquanto ainda estava com Electra. Na manhã de ano novo, época em que estamos todos propensos a reavaliações de nossas vidas, Murphy recebe um telefonema da mãe de Electra, preocupada com a filha a quem não consegue contatar há dois meses. A ligação mexe com Murphy que mergulha em certa catatonia e põe-se a rememorar a relação com Electra.

“Love” então estabelece uma narrativa não linear, totalmente influenciada pela perspectiva masculina, heteronormativa e fatalista de Murphy. Noé incumbe-se de desalinhar uma história de amor repleta de clichês como em todo filme hollywoodiano, mas esses clichês são abordados com um realismo desencantado em que o sexo surge como expressão dos sentimentos dos personagens. Trata-se de um uso do sexo como ferramenta narrativa inédito no cinema.  A explicitude dos atos sexuais, muito bem filmadas por Noé, não é propositalmente erotizada. Aliás, em momento algum Noé busca o erotismo gráfico, aquele pretendido por closes de genitais e captura de gemidos histéricos em filmes pornográficos. Os corpos aqui são filmados em sua beleza trivial e trivialmente apresentados à audiência.

O que não impede que o sexo seja filmado e ambientado de maneiras diferentes ao longo da produção, reforçando a expressividade narrativa pretendida pela realização. Quando Electra e Murphy levam a vizinha menor de idade Omi para a cama. É quando Noé se permite mais erotizar uma cena de sexo. É, também, a cena mais demorada de sexo do filme. Da música à câmera ciosa dos corpos que se contorcem em tesão incontido, Noé registra aquele momento de comunhão de um casal em plena realização de uma fantasia em comum. É a partir deste momento que a memória de Murphy passa a projetar mais linearmente a desestruturação de sua relação com Electra.

Há cenas exageradamente planejadas em "Love", mas impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto (Fotos: divulgação)

Há cenas exageradamente planejadas em “Love”, mas são impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto
(Fotos: divulgação)

Apesar da retidão temática, Noé cede a seus impulsos de vaidade. Se autoreferencia no filme em dois personagens e “explica” a razão de ser de “Love” em diálogos soltos. Em um dado momento, Murphy, que estuda cinema, diz que fará um filme regado a “sangue, esperma e lágrimas” porque “esta é a essência da vida”. Em outro momento, o mesmo Murphy, assumindo-se como alter ego do cineasta, diz que deseja fazer um filme sobre a sexualidade sentimental.

Fruto de vaidade ou insegurança, “Love” não carecia dessas elaborações interdiegéticas para se validar. A experiência estética proposta por Noé transmuta completamente o sentido do filme. Não mostrasse o sexo entre os personagens, “Love” não adentraria a derme da audiência com sua inquietação, com seu fatalismo. Talvez fosse possível psicologizar Murphy, mais reprimido sexualmente do que Electra e menos ponderado também, mas não se atingiria a verve do que “Love” pretende ser. Um olhar dolorosamente romantizado sobre como é amar. Atentando à complexidade do sentimento em todas as suas sabotagens, fases, desejos, convenções, ilações e experimentações.

Polêmico por ofertar sexo explícito e, decepcionante para alguns por não apresentar nada de novo, “Love” é um triunfo da estética a serviço de um norte narrativo. Noé fez sua versão de “Romeu e Julieta” com muito mais sapiência do que a nudez constante em seu filme permite aos apressados enxergar. É um filme que vai crescer com o tempo e, como grandes amores, adquirir novo significado.

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quarta-feira, 29 de julho de 2015 Filmes, Notícias | 22:04

Escândalos sexuais na política movem novos filmes de Nicolas Cage e Patrick Wilson

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Cena de "Zipper" (Foto: divulgação)

Cena de “Zipper”
(Foto: divulgação)

A bifurcação entre sexo e poder já rendeu grandes tragédias, grandes histórias e grandes filmes. Escândalos sexuais no meio político são grandes catalisadores midiáticos e dois filmes prometem capitalizar sobre o tema em um futuro próximo. Em “The Runner”, um senador começa a chamar a atenção pela rigidez com que responde ao vazamento de óleo da petrolífera BP em 2010. A simpatia da opinião pública dá vez a um questionamento cada vez mais incisivo quando o político se vê no epicentro de um escândalo sexual.

Nicolas Cage vive o protagonista no drama assinado por Austin Stark, em sua estreia em longas-metragens. Trata-se de um bem-vindo retorno de Cage aos dramas e de uma tentativa de fazer as pazes com a crítica que tem sido pouco amistosa para com ele recentemente.

O elenco é completado por Connie Nielsen, Sarah Paulson e Peter Fonda. O filme, que ainda não tem título nacional nem data de estreia no país, será lançado no dia 7 de agosto nos EUA.

Já “Zipper”, produzido pelo cineasta Darren Aronofsky, foi uma das sensações do último festival de Sundance ao retratar um executivo recém-ingresso na política que tem sua obsessão por sexo descortinada nas capas dos jornais. Estrelado por Patrick Wilson (“Pecados íntimos” e “Sobrenatural”) e dirigido por Mora Stephens, o filme já foi rotulado como “o ‘Garota exemplar’ de 2015”. A produção está programada para estrear em 28 de agosto em solo americano.

A julgar pelos trailers, “Zipper” parece mais interessado em discutir a desconstrução midiática de figuras públicas, os jogos de cena da política e os efeitos destes na vida privada. De qualquer jeito, são dois filmes que aguçam a curiosidade.

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quinta-feira, 26 de março de 2015 Críticas, Filmes | 18:45

Vício em sexo é tratado com misto de leveza e seriedade em “Terapia do sexo”

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Stuart Blumberg só tinha escrito três roteiros em Hollywood. Dos filmes “Tenha fé” (2000), “Show de vizinha” (2004) e “Minhas mães e meu pai” (2010). Em comum, os três têm o fato de serem comédias e de versarem – em algum nível – sobre sexualidade. Parecia natural que o debute na direção de Blumberg seguisse a mesma linha. “Terapia do sexo” (Thanks for sharing, EUA 2012) é, grosso modo, uma síntese desse interesse de Blumberg de discutir o sexo por um viés mais leve, sem deixar de falar sério.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Adam (Mark Ruffalo) é um viciado em sexo em recuperação. Frequentador de grupos de apoio, desenvolveu uma relação como a de pai e filho com seu padrinho Mike (Tim Robbins), que além de enfrentar o vício em sexo, também se recupera da dependência do álcool. Por insistência de Mike, ao atingir cinco anos de sobriedade, Adam resolve se abrir para a possibilidade de namorar. Ele engata uma relação com Phoebe (Gwyneth Paltrow) e, a partir de então, ele e ela precisam se adaptar a uma dinâmica toda especial devido às circunstâncias vividas por Adam.

Apesar de Adam e seu conflito nortearem “Terapia do sexo”, o filme tem mais camadas. Mike precisa se acertar com seu filho (Patrick Fugit), que herdou do pai o gosto pelo vício. Neil (Josh Gad), apadrinhado por Adam, também precisa lidar com a maneira como sua ansiedade reflete em uma compulsão sexual altamente nociva. A cantora Pink debuta como atriz como Dede, uma mulher que só consegue se relacionar com homens por meio de sexo. Entre os clichês e sacadas realmente sutis, “Terapia do sexo” se esforça para abraçar o mundo. Se a intenção de subscrever-se como um painel sobre como o sexo pode desencadear distúrbios sérios e reais é louvável, a execução peca por escalonar dramas e recortes a toque de caixa.

No fundo, Blumberg quer falar sobre controle. Ele expõe personagens que tateiam o controle de suas vidas da maneira que podem. O filho que busca a aceitação do pai, a mulher que se recuperou do câncer e estipulou para si uma rotina extrema e do homem que tenta ser o homem que sente ser quando não está entregue ao seu vício. Visto neste contexto, Blumberg acerta ao usar o sexo como denominador comum. De quebra, ilumina um problema pouco abordado pelo cinema e muito desconhecido do grande público. Com ar despretensioso e pegada de comédia romântica, “Terapia do sexo” se oferta como uma opção light à gravidade de “Shame” (ING 2011), mas nem por isso menos recomendável.

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quinta-feira, 5 de março de 2015 Bastidores, Curiosidades | 07:00

Festival de cinema premia melhores filmes com temática sexual

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"The art of spanking" (Todas as fotos são cortesia do CineKink)

“The art of spanking”
(Todas as fotos são cortesia do CineKink)

O termo “kink”, em inglês, é usado para descrever práticas sexuais incomuns. As traduções mais convencionais são “perversão” e “sacanagem”. Isso, talvez, o leitor já soubesse. O que pode ser novidade é o CineKink, festival de cinema que chegou a sua 12ª edição em 2015 e tem como principal objetivo celebrar os filmes que não têm vergonha de falar sobre sexo e de observar toda a diversidade em torno do tema.

“Tivemos poucos filmes em competição neste ano”, observou a cofundadora e diretora do evento, Lisa Vandever, à coluna. “O que não quer dizer que não houve uma competição disputada”, salientou. Ela frisa que os premiados mimetizam o que de melhor sobre sexo foi produzido pelo cinema. “Muitos desses filmes ficam restritos ao circuito de festivais e a ideia do nosso evento é dar publicidade a eles e, quem sabe, possibilitar que consigam distribuição”, observou Vandever, que também atua como curadora do festival.

“Nosso público e júri tiveram incrível dificuldade para escolher os vencedores”, contou orgulhosa. O melhor longa-metragem de ficção foi “Marriage 2.0”, escrito e dirigido por Magnus Sullivan. O filme acompanha um casal disposto a perseguir liberdade emocional e sexual, mas preservando a intimidade e honestidade da relação. “É uma corajosa percepção de um estrato dos relacionamentos modernos”, assinalou o Wall Street Journal em sua resenha do filme. O prêmio de melhor documentário ficou com “Back issues: The Hustler magazine story”, filme já comercializado em DVD e por streaming nos EUA. Ainda inédito no Brasil. A produção disseca toda a trajetória de uma das revistas masculinas mais polêmicas de todos os tempos e de seu criador, Larry Flynt, temas já visitados pela ficção no imperdível “O povo contra Larry Flynt” (1996), de Milos Forman.

O CineKink aconteceu entre os dias 24 de fevereiro e 1º de março na cidade de Nova York, nos Estados Unidos.  Vandever garante a 13ª edição em 2016 e não esconde a ambição de que o festival cresça. “Afinal, todos nós gostamos de sexo”.

 Assista aos trailers das duas produções premiadas no CineKink

Não é o Oscar: os premiados no CineKink exibem suas estatuetas

Não é o Oscar: os premiados no CineKink exibem suas estatuetas

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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015 Filmes, Listas | 21:34

Cinco filmes para assistir antes de “50 tons de cinza”

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É carnaval, mas um dos assuntos mais quentes do momento é a aguardadíssima adaptação cinematográfica do best-seller de E.L James. O filme entrou em cartaz nos cinemas nesta quinta-feira, mas vale a pena aproveitar o feriado prolongado – para quem não vai pular carnaval, é claro, e (re) ver esses cinco filmes antes de entrar no mundo de Christian Grey.

“9 e ½ semanas de amor” (EUA, 1986)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Quem já viu, sabe. Essa perola cult estrelada por Mickey Rourke no auge da beleza e Kim Basinger mais linda do que qualquer outra coisa no planeta é a grande referência de “50 tons de cinza” em sua encarnação cinematográfica. Para todos os efeitos, os parâmetros com que o filme será julgado foram estabelecidos pela fita oitentista assinada por Adrian Lyne. Não importa a ordem, a sensação depois de uma sessão de “50 tons de cinza” e “9 e ½ semanas de amor”  é de que você já terá visto esse filme antes.

 

“A bela da tarde” (França, Itália, Espanha, 1967)

A bela da tarde

Catherine Deneuve faz uma jovem rica, bonita e infeliz nesta obra-prima de Luis Buñuel. Insatisfeita no casamento, ela procura um bordel para que em todas as tardes possa travar experiências sexuais distintas e realizar seus desejos eróticos. À tarde ela busca o prazer que seu marido não lhe dá e à noite retorna à burocrata rotina do matrimônio.

 

“Parceiros da noite” (EUA, 1980)

Parceiros da noite

Al Pacino vive um policial que se infiltra na cena gay nova-iorquina para investigar uma série de assassinatos de homossexuais. O filme foi censurado à época de seu lançamento e teve cenas passadas em clube de sadomasoquismo cortadas. É do mesmo diretor de “O exorcista” e do ultraviolento “Killer Joe – matador de aluguel”.

 

“Secretária” (EUA, 2002)

Secretária

James Spader vive outro Grey, um advogado que contrata uma moça (Maggie Gyllenhaal) recém-saída de um manicômio para ser sua secretária. Aos poucos eles vão estabelecendo uma dinâmica de dominação e submissão que revela uma incomum história de amor. Muito mais agudo nas cenas de erotismo e sexual em sua elaborações do que “50 tons de cinza”.

 

“Clube do fetiche” (Inglaterra, 1998)

clube do fetiche

O parlamento inglês promove um cerco contra clubes de sexo e fetichismo de Londres. Um membro do parlamento envia um jovem para investigar de dentro os bastidores desses clubes e acaba por se deliciar com seus relatos picantes. O bom filme inglês é um petardo contra a hipocrisia de muitos conservadores e o embuste que se ergue quando o tema é sexo.

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2015 Bastidores, Filmes | 05:00

Filme “50 tons de cinza” será o grande marco da caretice do cinema atual?

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À medida que a estreia de “50 tons de cinza” se aproxima, a presença do filme na mídia se intensifica. Natural e compreensivelmente, essa exposição tende a focar no potencial polêmico da adaptação da obra de E.L James. Passa por aí a declaração de Sam Taylor-Johnson, diretora do filme, a Variety de que uma das cenas mais polêmicas, e eróticas, do primeiro livro não está presente na versão cinematográfica.

iG On: “50 tons de cinza” não terá cena do absorvente íntimo, diz diretora

Leia também: O que esperar do filme “50 tons de cinza”?

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores (Foto: divulgação)

Sam Taylor-Johnson orienta seus atores
(Foto: divulgação)

“Eu sinto que no cinema, no momento em que há penetração tudo está acabado”, disse Johnson na entrevista à Varitey. A diretora admitiu que o conteúdo sexual foi abrandado, mas não descaracterizado. A cineasta disse que tinha o interesse de que cada cena de sexo soasse diferente, que funcionassem como um novo personagem. “É a construção da relação entre eles (Christian Grey e Anastasia Steele) o que importa”, observou.

Essa indicação da cineasta, pela proposição de estabelecer esse “jogo de preliminares” com seu público, reforça duas percepções a respeito do filme que estreia no dia 12 de fevereiro. Trata-se de um romance que dá prevalência a sua ambição de ser também um blockbuster (daí a suavização de cenas eróticas a fim de conseguir uma classificação indicativa que permita a entrada nos cinemas de menores de 17 anos). É, também, um filme menos preocupado em estabelecer uma análise das práticas sexuais e da relação entre sexo e poder. À Variety, a autora E.L James e a produtora Donna Langley deram declarações que corroboram esta percepção. “Não fizemos um filme para chocar as pessoas pelo quão explícito ele é. Queremos que a audiência se sinta convidada, não repelida”, explicou Langley. Já James observou que sua obra é uma “história de amor e que o sexo é apenas parte disso”. Portanto, o sadomasoquismo soft de Mickey Rourke e Kim Basinger no cult oitentista “9 e 1/2 semanas de amor” talvez seja mais explícito nas elaborações do desejo do que os realizadores de “50 tons de cinza” fazem crer que o aguardado filme será.

Pode ser marketing, mas pode também ser um indicativo de que ante o que a TV anda mostrando (“Girls”, “Game of thrones”, “Californication”, entre outras) e do que o cinema produzia sobre o tema no final da década de 80 e início dos anos 90 (“A insustentável leveza do ser”, “Instinto selvagem”, “Invasão de privacidade”, entre outros), o cinema mainstream encaretou em excesso. Para o bem ou para o mal, o sucesso inevitável do filme ditará como o tema será abordado pelo cinemão nos próximos anos.

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