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Posts com a Tag Shailene Woodley

segunda-feira, 8 de junho de 2015 Críticas, Filmes | 20:01

Experiência fílmica interessante, “Pássaro branco na nevasca” perpassa gêneros com desenvoltura

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Há filmes que abraçam diversos temas e saem dos trilhos justamente por isso e há filmes que ganham relevo justamente por compilar uma variedade incomum de assuntos. “Pássaro branco na nevasca” (EUA, 2014) pertence à segunda estirpe. Dirigido por Gregg Araki que subscreve seu cinema ao interesse em repercutir as idiossincrasias da adolescência, o filme começa como uma elaborada contraposição entre os anseios de uma adolescente suburbana aos de sua mãe com vocação à depressão. Se metamorfoseia em um filme policial, flerta com o drama familiar e se resolve como uma crônica de costumes poderosa.  Por mais heterogênea que pareça a mistura, Araki usa de muita sensibilidade na condução e não permite que o ritmo do filme sofra intermitências.

Shailene Woodley, cada vez melhor e mais confiante como protagonista, é Kat, adolescente que nunca se deu lá muito bem com sua mãe, Eve, vivida por Eva Green. A mulher parece se ressentir do casamento e do rumo que sua vida tomou ao lado de Brock (Christopher Meloni). Um belo dia, ela desaparece. É quando o filme começa. Araki então passa a desbravar essa conturbada relação e elege a sexualidade, adormecida em Eve, e em ebulição em Kat, como principal delineador desse conflito tão silencioso quanto complexo entre mãe e filha.

Foto: divulgação

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Enquanto descobre quem é, Kat precisa lidar com esse repentino abandono de sua mãe e com os efeitos ainda mais inesperados deste em si e em sua agora desfalcada família. É desse desejo que Araki forja seu thriller policial. Kat acaba se envolvendo sexualmente com o detetive (Thomas Jane) responsável pela investigação do desaparecimento de sua mãe e é essa relação que detona o fluxo policial da fita.  O cineasta, entretanto, não perde a veia do filme. Isto é, não permite que aqueles temas que norteiam o seu cinema submirjam ante as novas camadas reveladas. “Pássaro branco na nevasca” não é mais um policial do que um filme sobre a rivalidade entre mãe e filha. Assim como não é mais um estudo delongado da adolescência do que é um olhar corrosivo sobre como as últimas décadas do século XX promoveram forte efervescência comportamental.

Flertando com o sobrenatural aqui e lá, sofisticado nas proposições, apesar de apostar em uma reviravolta final, “Pássaro branco na nevasca” não se incomoda de alienar parte de sua audiência com sua elaboração singular, sua estética rocambolesca e narrativa multifacetada. É, ainda assim, um filme interessantíssimo e que merece ser apreciado sem amarras e com o espírito de quem preza minuciosas descobertas.

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quarta-feira, 1 de abril de 2015 Críticas, Filmes | 18:48

“Insurgente” adota ritmo diferente de seu predecessor, mas agrada público-alvo

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Foto: divulgação

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Na segunda parte da franquia “Divergente”, encontramos uma Tris (Shailene Woodley) mais frágil, um Quatro (Theo James), mais protetor e um regime totalitarista ciente de que enfrenta os primórdios de uma revolução. “Insurgente” (EUA, 2015), dirigido pelo alemão Robert Schwentke, dos ótimos “Red – aposentados e perigosos” (2010) e “Plano de voo” (2005), tem um ritmo diferente de seu predecessor. Primeiro porque assume o fôlego de uma fita de ação. Segundo porque não se preocupa com o fato de ter uma heroína fragilizada, pelo contrário, capitaliza em cima disso. Tris precisa lidar com a raiva e a tristeza provenientes da perda de seus pais. A frustração de não ter dado um fim à traiçoeira Janine (Kate Winslet) também lhe assombra.

O filme apresenta um pouco mais das outras facções, apenas citadas em “Divergente”.  Franqueza e Amizade, portanto, têm seus momentos de brilho no longa. Mas Schwentke se ocupa mesmo é de preparar o terreno para a grande virada que a segunda parte da série de três livros enseja. Nesse sentido, “Insurgente”, o filme, não decepciona seu público-alvo. Reviravoltas, traições e mais demonstrações dos talentos e qualidades de Tris, bem como da devoção imaculada de Quatro por ela pipocam na tela.

“Insurgente”, porém, empalidece o aspecto de crônica distópica que a franquia professa. A consciente escolha pela ação em detrimento do aprofundamento de um comentário político sugere um caminho diferente do adotado por outra franquia teen de sucesso, “Jogos vorazes”. Essa escolha também enfraquece a metaforização da rebeldia dos jovens frente às convenções das gerações anteriores. Um dos grandes apelos do primeiro filme, essa metaforização é totalmente diluída nos propósitos assumidos pela série neste segundo filme.

De qualquer maneira, “Insurgente” é uma experiência satisfatória para seu público-alvo. A manutenção da data de lançamento em março, diferentemente do que ocorreu com a sequência de “Jogos vorazes”, deslocada para o mais concorrido mês de novembro, ratifica que este é um movimento consciente do estúdio, a Lionsgate. Goste-se ou não dos rumos perseguidos pela série a partir de “Insurgente”, eles são frutos de um criterioso target.

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domingo, 21 de dezembro de 2014 Curiosidades, Listas | 06:08

Retrospectiva 2014 – As dez personalidades do ano no mundo do cinema

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O ano de 2014 foi movimentado para muitos astros, estrelas e personalidades do cinema. Prêmios, casamentos, escândalos e filmes. Teve de tudo em 2014! O Cineclube passou o pente fino e apresenta as dez personalidades que mais se destacaram no ano que se despede.

 

10 – Amy Pascal

Amy Pascal em foto tirada antes de falar mal de Angelina Jolie Foto: Getty

Amy Pascal em foto tirada antes de falar mal de Angelina Jolie
Foto: Getty

Não é todo dia que uma chefe de estúdio, no caso a única mulher a presidir um estúdio de cinema, figura em uma lista como essa. Mas Amy Pascal, conhecida por ser uma prospectora de talentos tão sagaz quanto executiva impiedosa, se viu no epicentro do escândalo já chamado de sonygate. Nos documentos e e-mails vazados por hackers norte-coreanos como retaliação à Sony por produzir o filme “A entrevista”, Pascal fala mal de Leonardo DiCaprio, Denzel Washington, Angelina Jolie, entre outros. Além de fazer piadas de teor racista envolvendo o presidente Obama.

9 – George Clooney

Um 2014 sem filmes para Clooney e mesmo assim histórico Foto: divulgação/Nespresso

Um 2014 sem filmes para Clooney e mesmo assim histórico
Foto: divulgação/Nespresso

Ele não estrelou nenhum filme em 2014. Mas o casamento de George Clooney, até então incensado como o solteiro mais cobiçado do planeta, foi um evento ímpar. O cerimonial durou cinco dias, contou com a presença de diversas personalidades e mobilizou a imprensa mundial. Um novo comercial do Nespresso e intervenções frequentes pela paz no Sudão do Sul também estiveram entre os destaques de Clooney que encerrou as gravações de “Tomorroland” este ano e anunciou que fará um filme sobre o escândalo das escutas bancadas pelo finado tabloide News of the World.  Mas quem se importa? Afinal de contas, 2014 marcou o fim da solteirice de seu maior ícone.

 

8 – Christopher Nolan

Nolan observa o horizonte: tempos difíceis para o cineasta de mais liberdade em Hollywood se aproximam Foto: Getty

Nolan observa o horizonte: tempos difíceis para o cineasta de mais liberdade em Hollywood se aproximam
Foto: Getty

Ele talvez seja o diretor que mais provoca polarização e no ano em que lançou um de seus mais ambiciosos projetos, a ficção científica “Interestelar”, essa divisão ficou bem clara. Nolan não repetiu o sucesso de crítica ou mesmo a bilheteria que se habituou a produzir, mas continuou sendo um dos mais significativos ases do mundo do entretenimento, como bem definiu a revista Time em reportagem de capa que fez com o cineasta britânico.

 

7 – Matthew McConaughey

Um ano alright alright alright para o ator que parece não saber mais fazer filme ruim. Ops! Alguém pensou em "Interestelar"?  Foto: Getty

Um ano alright alright alright para o ator que parece não saber mais fazer filme ruim. Ops! Alguém pensou em “Interestelar”?
Foto: Getty

Ele ganhou o Oscar e todos os outros prêmios possíveis e imagináveis por sua atuação em “Clube de compras Dallas”. Bastaria para McConaughey se credenciar a esta lista, mas o ator ainda esteve em outros dois filmes muito comentados no ano. “O lobo de Wall Street” e “Interestelar”. Não era possível ignorar.

 

6 – Scarlett Johansson

Johanson elevou o girl power a outro patamar em 2014 e isso não tem nada a ver com o fato de devorar homens em "Sob a pele" Foto: reprodução/SodaStream

Johanson elevou o girl power a outro patamar em 2014 e isso não tem nada a ver com o fato de devorar homens em “Sob a pele”
Foto: reprodução/SodaStream

Nenhuma atriz foi tão onipresente em 2014 como Scarlett Johansson. Depois de ser ver envolvida em uma inusitada intriga envolvendo Israel e uma marca de refrigerantes, a atriz apareceu em um blockbuster hollywoodiano (“Capitão América – o soldado invernal”), em uma ficção científica casca grossa (“Sob a pele”) e assumiu sua vocação de heroína em “Lucy”, o filme totalmente original mais rentável de 2014. Virou mamãe também. E se casou. Ufa! Ah, e pela primeira vez na carreira, Scarlett Johansson fez um nu frontal no cinema. Mas não foi por isso que ela entrou na lista, ok?

 

5- Richard Linklater

Richard Linklater pensando o cinema fora de sua caixinha habitual Foto: reprodução/L.A Times

Richard Linklater pensando o cinema fora de sua caixinha habitual
Foto: reprodução/L.A Times

Vanguardista por vocação, o cineasta foi além do que os entusiastas de seu cinema criam possível em 2014. Bem, na verdade, em 2014 ele apenas lançou um dos projetos mais ambiciosos da história do cinema. “Boyhood – da infância à juventude” não é apenas um dos filmes mais belos e significativos do ano, é um novo paradigma cinematográfico.

 

4- Angelina Jolie 

Angelina Jolie brilhando em todas as frentes possíveis em 2014 Foto: reprodução/The Hollywood Reporter

Angelina Jolie brilhando em todas as frentes possíveis em 2014
Foto: reprodução/The Hollywood Reporter

Angelina Jolie recebeu quase U$ 30 milhões para estrelar “Malévola”. Mas seu carisma incomparável garantiu à produção da Disney uma bilheteria de mais de U$ 800 milhões internacionalmente. Mais do que qualquer super-herói arrecadou no ano. Não obstante, Angelina ainda lança seu segundo filme como diretora no apagar das luzes de 2014. O nome do filme? “Invencível”. Mas sem trocadilhos espertos, por favor!

 

3 – Shailene Woodley

Shailene já provoca apreensão nos fãs de Jennifer Lawrence. Por que será?  Foto: reprodução/ Gloss

Shailene já provoca apreensão nos fãs de Jennifer Lawrence. Por que será?
Foto: reprodução/ Gloss

No futuro, talvez, 2014 seja lembrado como o ano em que Shailene Woodley se apoderou da cultura pop. A atriz esteve à frente do elenco de dois hits do ano. As adaptações de best-sellers infanto-juvenis “A culpa é das estrelas” e “Divergente”. Não obstante, ainda estrelou a produção independente “Pássaro branco na nevasca” e tem gente que já fala em indicação ao Oscar. Te cuida J. Law!

 

2 – Michael Keaton

Keaton com seu look "Oscar vem ni mim": ressurgido das cinzas hollywoodianas Foto: divulgação

Keaton com seu look “Oscar vem ni mim”: ressurgido das cinzas hollywoodianas
Foto: divulgação

Esse certamente estará no Oscar de 2015. Se marcará presença na nossa lista do ano que vem, porém, é uma incógnita. Mas se julgarmos pelo 2014 de Keaton, as chances estão em seu favor. O ator retirou-se do ostracismo e colhe elogios pelo filme “Birdman”, mas já sinalizava essa ressureição com a sátira de Steve Jobs que tirou da cartola no “Robocop” assinado por José Padilha. Em “Need for Speed – o filme” salvou a fita do marasmo e mostrou que ainda tem muita lenha para queimar em Hollywood.

1 – Lars Von Trier

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Não se falava em outra coisa no início do ano que não a bendita ninfomaníaca de Lars Von Trier. Dividido em dois tomos, o corte do diretor foi exibido no Brasil em outubro na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo. “Ninfomaníaca” é tudo o que se pode esperar de Von Trier. Provocador, contraditório, hermético e anticlimático. O dinamarquês, que havia prometido jamais conceder outra entrevista após o fatídico episódio envolvendo Hitler em Cannes, disse a uma jornal dinamarquês que receia não mais fazer filmes no futuro. Von Trier está preocupado com o impacto que a sobriedade pode ter sobre sua verve criativa. O cineasta que revelou ser viciado em drogas lícitas e ilícitas filosofou: “Nenhuma expressão criativa com valor artístico foi criada por ex-adictos”. O paradoxo de Von Trier o eleva ao primeiro posto desta lista.

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quarta-feira, 7 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:33

Crítica – “Divergente”

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Em um mundo em que a literatura juvenil é explorada quase que a toque de caixa pelo cinema e que duas ficções científicas com futuros distópicos ganham os cinemas contemporaneamente, é um prazer ver que “Divergente” (2014), baseado na obra homônima de Veronica Roth apresenta reflexões que fogem ao esquematismo do gênero. Não é o caso de comparar com “Jogos vorazes”, comparação automatizada pelas similaridades entre as sagas, mas de distinguir o discurso muito mais bem fundamentado e eloquente apresentado no filme dirigido por Neil Burger.

No futuro de “Divergente”, a sociedade cedeu ao totalitarismo e se organiza em cinco facções. Erudição, audácia, abnegação, franqueza e amizade. Na adolescência, todo cidadão é submetido a um teste que deve orientá-lo a escolher em qual facção irá viver. Existe até um slogan: “facção antes do sangue”. Essa objetividade aumenta a pressão, uma vez que submetido a uma fação, não há caminho de volta. Aqueles que não se encaixam em nenhum desses recortes são chamados de divergentes.

É uma premissa interessante muito bem explorada pela dramaturgia de Roth e potencializada pelas escolhas de Burger. Nossa sociedade adorar rotular. É algo inescapável a ao convívio. O gordo, a vagabunda, o gay, o chato e por aí vai. O que “Divergente” propõe enquanto reflexão é a força que insurge do íntimo de cada ser humano contra esse rótulo externo.

Nesse sentido, se comunica com a audiência com muito mais propriedade por não se restringir à alegoria política, como o faz seu “rival” “Jogos vorazes”.

Com uma heroína cativante e um plot bem amarrado, filme agrada e convence    (Foto: divulgação)

Com uma heroína cativante e um plot bem amarrado, filme agrada e convence (Foto: divulgação)

A luta da protagonista (Beatrice Prior), vivida com indesviável carisma e dedicação pela competente Shailene Woodley, é tanto contra o sistema, como contra o rótulo que lhe foi imposto pela sociedade. É, também, contra seus próprios limites.

Existe, é claro, a necessária subtrama do romance. Mas ela é administrada com a sutileza necessária para não se impor às prioridades narrativas. Outro acerto da condução de Burger. Além do mais, Theo James, que vive o indecifrável Four, é um talento nato. Transbordando carisma e com muito domínio de seu personagem, o ator gera boa química com Shailene Woodley e garante fôlego impensável para seu papel.

Já foi anunciado que a franquia terá quatro filmes, o terceiro livro será dividido em duas produções. Se não tem uma bilheteria irrepreensível, “Divergente” tem uma história pulsante, muito bem transposta para a tela grande e, principalmente, promissora, a seu favor.

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