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Posts com a Tag Sob a pele

sexta-feira, 16 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 23:46

“Sob a pele” é agonia erótica

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Foto (Divulgação)

Foto (Divulgação)

O terceiro filme de Jonathan Glazer é uma obra difícil. E ser difícil é um de seus muitos méritos. O ruído estético de um cineasta de forte apuro visual e interesses pouco comerciais já podiam ser notados em “Sexy beast” (2000), um drama de máfia de singularidade invejável, e “Reencarnação” (2004), uma perturbadora leitura de traumas e luto. “Sob a pele” (2013), sob muitos aspectos, é um avanço na opção de problematizar uma narrativa. Glazer se inebria na forma e exaure no conteúdo.

Scarlett Johansson faz uma alienígena que, ao que parece, alimenta alguma curiosidade pela humanidade. Vemo-la perambulando por ruas escocesas em uma van branca abordando e seduzindo homens para devorá-los. Não fica claro exatamente qual a razão desse ritual, mas ele é repetido massivamente. Existe um padrão. Ela parece interessada especialmente pelos tipos solitários.

A jornada da personagem, inominada, reverbera uma busca hermética pela humanidade, pelo que nos caracteriza como humanos. A alienígena objetiva nos punir ou compreender? Talvez um pouco dos dois. A sensorialidade impressa por Glazer sugere que mais do que uma resposta fechada, é o erotismo da pergunta que interessa. E erotismo, ainda que sombrio e agonizante, não falta a “Sob a pele”. A promessa furtiva de sexo com um símbolo sexual como Scarlett Johansson é algo que move tanto o interesse dos homens abordados, em sua maioria atores não profissionais, como da audiência.

A trilha sonora robusta, onipresente e grave de Mica Levi ajuda a aferir o clima de horror à saga dessa personagem e contribui, também, para a verve psicossexual do filme. É uma produção de ritmo lento, poucos diálogos e muitas imagens inusitadas. Glazer flerta com o surrealismo sem perder o realismo de vista. Abre o filme com homenagens a Stanley Kubrick e David Cronenberg, entregando que sua personagem não é deste planeta, e abusa de metáforas visuais que parecem saídas de clipes de rock (coisa que ele já fez para bandas como Radiohead e Blur).

Scarlett Johansson, por seu turno, merece louvores. Não tanto por sua atuação, de difícil apreciação em sua proposição obtusa, mas pela coragem de se entregar a um papel sem objetivos claros. A confiança no diretor, e não só pelas muitas cenas de nudez, inclusive frontal, precisa ser absoluta. Enfeiada, na medida do possível, estática, quase sorumbática, e ainda assim excitante, a atriz se oferece como uma tela em branco para a visão de Glazer.

“Sob a pele” dividiu a crítica quando exibido no festival de Veneza em 2013. Não é um filme desejoso de produzir sentido e isso incomoda bastante a muitos. Há uma cena em que a alienígena freia abruptamente, desliga e sai do carro. Ela adentra um forte nevoeiro, olha a esmo por alguns minutos e volta para o carro. Qual o significado desta cena aparentemente descolada do fluxo cronológico da narrativa? Estaria ela perdida? Estaríamos nós perdidos? Sabemos exatamente o que estamos fazendo aqui (na vida, no planeta)?

“Sob a pele” oferece, a quem estiver disposto a digressionar com o filme, uma leitura pessimista, por que não bizarra, do que é ser humano.

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sexta-feira, 2 de maio de 2014 Filmes, Notícias | 00:03

Cinco filmes imperdíveis em maio

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O mês de maio costuma acomodar alguns dos principais lançamentos do cinemão americano. Blockbusters recheados de efeitos especiais e cheios de ambição nas bilheterias como “X-men: dias de um futuro esquecido” e “O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro”. O Cineclube faz a peneira e destaca cinco filmes que valem o ingresso. Tem espaço para blockbuster, filme nacional, filme de arte e até filme grego.

“Godzilla”

Bryan Cranston e Aaron Taylor-Jonhson em cena do filme (Foto: divulgação)

Bryan Cranston e Aaron Taylor-Jonhson em cena do filme (Foto: divulgação)

Quando estreia? 15 de maio

O hype: O rei dos monstros está de volta. A nova produção da Warner tem como principal ambição apagar a má impressão deixada pela versão de 1998, dirigida por Roland Emmerich e estrelada pelo improvável Matthew Broderick. Além do mais, o filme chega exatas seis décadas depois da primeira aparição do monstrego no cinema.

Por que assistir? O elenco é de encher os olhos e para reunir um time que tem Ken Watanabe, Juliette Binoche e Bryan Cranston, o roteiro tem que ser bom. Além do mais, os efeitos especiais são de arrasar.

“Praia do futuro”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 15 de maio

O Hype: Novo filme do elogiado cineasta brasileiro Karim Aïnouz, diretor dos ótimos “O céu de Suely” e “O abismo prateado”. O filme integrou a seleção oficial do festival de Berlim e tem o ator Wagner Moura no que o próprio classificou como “o  papel mais difícil” de sua carreira.

Por que assistir? Donato (Moura) é salva-vidas em uma praia do Ceará. Depois de resgatar um turista alemão de um afogamento, ele se apaixona e muda para a Alemanha. A trama acompanha o irmão dele (Jesuíta Barbosa) tentando se reaproximar e entender suas escolhas. O filme se passa maiormente em Berlim, cidade em que Aïnouz escolheu para viver.

“Miss violence”

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Quando estreia? 29 de maio

O Hype: O filme grego foi recebido no último festival de Veneza, de onde saiu com quatro prêmios, como a mais aterradora interpretação da crise financeira que assolou a Grécia.

Por que assistir? Um dos filmes mais violentos e paradoxais a ter surgido no cinema moderno. Essa é avaliação do New York Times para o drama cuja ação é desencadeada pelo suicídio de uma menina de 11 anos no dia do seu aniversário.

 

“O passado”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 8 de maio

O Hype: Trata-se do novo filme de Asghar Farhadi, diretor do premiadíssimo “A separação”. Em “O passado” ele retoma o espinhoso tema das relações conjugais sob a ótica da divergência cultural.

Por que assistir? A argentina radicada na França Bérénice Bejo ganhou a Palma de Ouro de melhor atriz no último festival de Cannes. A crítica internacional saudou o filme como uma grande realização de um diretor sensível e obstinado.

“Sob a pele”

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Quando estreia? 15 de maio

O Hype: Scarlet Johannson faz uma alienígena que, entre outras coisas que faz para entender os humanos, seduz homens, faz sexo com eles e os devora. Sim, esse é o filme em que ela aparece totalmente nua.

Por que assistir? Outro filme saído de festival e com uma ambição nada comum: entender o que é que nos faz humanos.

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