Publicidade

Posts com a Tag Steve Jobs

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:11

“Steve Jobs” não paga o risco da dobradinha Boyle e Sorkin no cinema

Compartilhe: Twitter
Cena do filme "Steve Jobs":  Filme é bom, mas se vende como algo muito melhor

Cena do filme “Steve Jobs”: Filme é bom, mas se vende como algo muito melhor

A junção de Danny Boyle e Aaron Sorkin inspirava desconfiança para com “Steve Jobs”, a biografia de pedigree que a Sony queria produzir sobre o visionário co-fundador da Apple e que acabou sob o jugo da Universal.  O risco era que o hipertireoidismo visual do diretor de “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008), combinado com o histrionismo textual de Sorkin prejudicasse a estrutura dramática do filme.

Do jeito que veio ao mundo, “Steve Jobs” é um bom filme. Impregnado pela científica disposição de problematizar Steve Jobs. De iluminar o homem que colhia inimizades e detratores no mesmo compasso em que influenciava o mundo e acumulava bilhões de dólares.

Nesse contexto, “Steve Jobs” se apresenta com certa obviedade para quem já está minimamente familiarizado com a figura de Jobs. Até o mediano filme “Jobs” (2013), de Joshua Michael Stern é mais didático e elucidativo de quem foi Jobs e dos ideais que o nortearam.

Com o documentário “Steve Jobs: the Man in The Machine” (2015), de Alex Gibney, o filme de Boyle guarda poucas semelhanças. No documentário a investigação de quem, de fato, é Jobs é muito mais perene, profunda e ressonante. Em “Steve Jobs” tudo parece uma questão de estilo. O filme parece demasiadamente preocupado com a maneira com que vai se vender para o público – emprestando uma característica de Jobs muito bem sublinhada ao longo do filme.

Michael Fassbender, por seu turno, empresta todo o seu carisma a um homem que parece refém de seu gênio. É esse o recorte que Fassbender dá a ele. É, sim, uma leitura condescendente do personagem. Afinal de contas, rótulos como “um homem a frente de seu tempo” e “gênio incompreendido” costumam ser atribuídos a Jobs. De qualquer modo, Fassbender o encarna com uma energia bruta e brutal. É impossível desviar de seu magnetismo.

O restante do elenco, com nomes como Jeff Daniels, Kate Winslet e Seth Rogen, também está muito bem alinhado. Coeso e uniforme. Mas é a parte técnica de “Steve Jobs” que salta aos olhos. Boyle aposta na forma e confia ao texto de Sorkin, que brinda o espectador com ótimos diálogos e um punhado nada desprezível de grandes cenas, a força dramática de seu filme.

Trata-se de uma escolha que limita o impacto de “Steve Jobs” enquanto cinema. Tem-se um produto muito bem embalado, com forte apelo pop, mas de pouca relevância narrativa ou dramática. Não é o pior dos mundos, mas passa longe de se configurar como um dos melhores.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 27 de julho de 2015 Bastidores, Notícias | 23:00

Steve Jobs é a personalidade de 2015 no cinema

Compartilhe: Twitter

Jobs 2Todo mundo que acompanha o noticiário de cinema já sabe que uma nova cinebiografia do criador da Apple está a caminho. “Steve Jobes”, dirigido por Danny Boyle, roteirizado por Aaron Sorkin e estrelado por Michael Fassbender, será uma das principais atrações do Festival Internacional de Cinema de Nova York. O filme será exibido no evento em 3 de outubro, seis dias antes da estreia nos cinemas americanos. No Brasil, “Steve Jobs” está agendado para 21 de janeiro de 2016.

A estreia em Nova York faz parte da estratégia da Sony de impulsionar a campanha do filme por indicações ao Oscar. O estúdio usou da mesma estratégia em 2010 com “A rede social”, filme sobre o não menos controvertido Mark Zuckerberg e as circunstâncias da criação do Facebook. A tática deu certo e “A rede social” recebeu oito indicações ao Oscar, incluindo melhor filme.

O filme de Boyle, porém, não será o único a investigar a figura controversa e brilhante de Jobs em 2015. “Steve Jobs: the man in the machine”, de Alex Gibney é um documentário que se propõe a iluminar o paradoxo até hoje fascinante que Steve Jobs representa para os entusiastas da Apple, para o mundo empresarial e para todos aqueles assombrados pelas minúcias e reviravoltas de sua rica biografia.

A julgar pelo trailer, Gibney não evita polêmicas e se imbui de um objetivo complicado. Decifrar o enigma Jobs. Responsável por bons filmes sobre temas controvertidos, como “Enron: os mais espertos da sala” (2005), “Um táxi para a escuridão” (2007), “We steal secrets: The story of Wikileaks” (2013) e do ainda inédito documentário para a HBO “Going clear: Scientology and the prison of belief” (2015), Gibney parece mais disposto em compreender o homem do que seu legado, diferenciando seu filme da proposta aparente de Boyle. São, contudo, apenas conjecturas. Certo é que Steve Jobs se firma como a grande personalidade abordada pelo cinema em 2015.

Leia também: Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?

“Steve Jobs: the man in the machine” estreia em 4 de setembro nos cinemas Americanos e será disponibilizado simultaneamente no iTunes e on demand.

Autor: Tags: , , ,

quinta-feira, 20 de novembro de 2014 Notícias | 19:07

Sony desiste de fazer filme sobre Steve Jobs

Compartilhe: Twitter

David Fincher desistiu. Leonardo DiCaprio tirou o time de campo. Christian Bale recuou. Agora foi a vez do próprio estúdio, a Sony, desistir do projeto de adaptar a biografia de Steve Jobs, assinada por Walter Isaacson, para o cinema.

Leia também: Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?  

O estúdio não detalhou as razões que o motivaram a desistir do projeto, mas não é preciso ter bola de cristal para entender a desistência da Sony. Com dificuldade em assegurar um intérprete capaz de atrair interesse do público e com o filme estabelecendo a fama de “maldito” a Sony optou por aposentar a ideia de fazer um filme sobre Steve Jobs. O projeto, no entanto, pode ter sobrevida. Segundo o site Deadline, a Universal Pictures estaria interessada em adquirir os direitos da produção. Vale lembrar que o roteiro do filme é assinado por Aaron Sorkin (“A rede social”) e a direção está à cargo de Danny Boyle (“Quem quer ser um milionário?”). Se o projeto for recuperado pelo Universal não é certo se Boyle e Sorkin manterão suas posições. Fato é que a novela do “filme definitivo” sobre Steve Jobs ainda não tem data para acabar.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 5 de novembro de 2014 Bastidores, Curiosidades | 06:00

Quem deve interpretar Steve Jobs no cinema?

Compartilhe: Twitter

David Fincher queria Christian Bale para viver o Steve Jobs do filme que estava preparando para a Sony. Fincher não foi atendido pelo estúdio e acabou, também por outras razões, se afastando da produção, como o Cineclube já destacou aqui. Danny Boyle assumiu a cadeira de direção e Leonardo DiCaprio já estava apalavrado para ser o Jobs de Boyle. Ele recuou. Christian Bale, para surpresa de quem acompanhava o imbróglio desde o início, aceitou participar do filme e interpretar o criador da Apple. Menos de duas semanas depois da confirmação, Bale declinou do convite. Sua oficialização, a bem da verdade, ficou no anúncio do roteirista Aaron Sorkin. Nenhum contrato foi assinado. Agora o estúdio abriu negociações com outro ator de prestígio e talento reconhecíveis, o alemão de ascendência irlandesa Michael Fassbender.

O ator Michael Fassbender iniciou conversas com a Sony para viver Jobs (Foto: reprodução/The wire)

O ator Michael Fassbender iniciou conversas com a Sony para viver Jobs
(Foto: reprodução/The wire)

Há quem diga que Fassbender não seria o candidato ideal por não ostentar nenhuma semelhança física com Jobs. Semelhança não é facilitadora para uma boa interpretação, como o próprio passado de Jobs no cinema demonstra. Que o diga Ashton Kutcher! Ajuda, mas não atrapalha. A produção já sinalizou, pelos atores que a rejeitaram, estar disposta a contar com um astro no papel. Talvez fosse o caso de experimentar um ator menos tarimbado, mas é compreensível a intenção do estúdio de contar com um peso-pesado à frente do elenco e um bom chamariz no cartaz.

Mas se Michael Fassebender, novo desejo do estúdio, não vingar, quem poderia ser Steve Jobs?

Um critério dominante deve ser a qualidade do ator. Nessa faixa-etária, acima dos 40 anos, duas boas apostas são Ralph Fiennes e Stanley Tucci. Enquanto o primeiro já é bem experimentado no drama (“O jardineiro fiel”, “A lista de Schindler”, “O grande hotel Budapeste”, entre outros), o segundo é mais próximo das comédias, mas quando exigido corresponde em fitas mais dramáticas como em “Um olhar do paraíso” (2008). Outra alternativa seria resgatar Liam Neeson dos filmes de ação. O ator, é bem verdade, está escalado para o novo de Martin Scorsese (“Silence”), mas seria uma adição de reconhecida envergadura dramática para um papel que exige maiores cuidados.

Stanley Tucci e Ralph Fiennes já contracenaram na comédia romântica "Encontro de amor", com Jennifer Lopez (Foto: divulgação)

Stanley Tucci (à direita) e Ralph Fiennes já contracenaram na comédia romântica “Encontro de amor”, com Jennifer Lopez
(Foto: divulgação)

Day Lewis como Jobs? Por que não?  (Foto: reprodução/Time)

Day Lewis como Jobs? Por que não?
(Foto: reprodução/Time)

O libanês Keanu Reeves talvez ganhasse pontos por uma semelhança, ainda que razoavelmente distante, com Jobs. Mas a inexpressividade dramática do ator poderia lhe ser desabonadora. Se expressividade for essencial, Daniel Day Lewis é o homem para o trabalho. Duro seria convencê-lo. Spielberg, que a princípio escalaria Liam Neeson para viver Abraham Lincoln em “Lincoln”, seu premiado filme de 2012, precisou de anos para convencer Day Lewis, oscarizado pelo personagem, a participar do filme. A Sony talvez não tenha o tempo ou a disposição.

Benedict Cumberbatch, ator tão talentoso quanto camaleônico, seria uma opção para combinar ousadia e conservadorismo. Cumberbatch, afinal, já deu vida à outra personalidade polêmica do mundo digital, o australiano Julian Assange em “O quinto poder”.

Especulações à parte, a Sony tem pressa na definição do intérprete de Steve Jobs. Até porque o filme adquire status de amaldiçoado enquanto sofre para sair do papel.

Autor: Tags: , , , , ,

quinta-feira, 2 de outubro de 2014 Análises, Bastidores | 21:44

Por que está tão difícil fazer um (bom) filme sobre Steve Jobs?

Compartilhe: Twitter

Steve Jobs é o Monte Everest dos estúdios de cinema atualmente. Em 2013 houve alguma atenção para “Jobs”, filme independente dirigido por Joshua Michael Stern e estrelado por Ashton Kutcher, por este ter sido apenas o primeiro. Mas há outros quatro projetos sobre o polêmico gênio fundador da Apple em desenvolvimento. Mas trazer esses filmes à vida tem se provado muito mais complicado do que se poderia supor. Até mesmo pelo fato do primeiro filme sobre o gênio empreendedor ter sido malhado pela crítica.

Pôster feito por fãs para o filme que nunca vai existir...

Pôster feito por fãs para o filme que nunca vai existir…

Leonardo DiCaprio, que seria o Jobs do filme que Danny Boyle (“Quem quer ser um milionário?”) está desenvolvendo para a Sony, anunciou sua desistência do papel. A Sony, que de longe é o grande player dessa disputa para ver que tem a melhor cinebiografia de Jobs, havia reunido a equipe responsável pelo êxito de crítica, público e prêmios “A rede social” para produzir o filme. Aaron Sorkin é o responsável pelo roteiro e David Fincher dirigiria o filme. O cineasta, que tem filme novo na praça (“Garota exemplar”), tinha até apontado Christian Bale como sua escolha para interpretar Jobs, mas desistiu após divergências criativas com o estúdio. Boyle assumiu o projeto e Leonardo DiCaprio já estava apalavrado para assumir o protagonismo. Mas a ideia desandou.

DiCaprio desistiu do projeto para se dedicar a “The revenant”, novo filme de Alejandro González Iñárritu. Matt Damon e Ben Affleck são nomes ventilados para assumir o papel no projeto da Sony. Com a dificuldade do estúdio em articular seu filme, os outros seguem em banho-maria.

Steve Jobs é um personagem rico e complexo e um filme sobre sua vida gera buzz, mas é um exercício penoso de produção. Principalmente quando se há uma verdadeira corrida nos bastidores para enquadrar Jobs no melhor projeto possível.

Outro fator complicador para o filme que a Sony articula é o fato de que a perspectiva do filme é contrária à versão oficial do legado de Jobs. Tanto que o consultor de Aaron Sorkin na confecção do roteiro é Steve Wozniak, ex-sócio de Jobs e um dos ardorosos críticos aos métodos do empresário morto em 2011.

Autor: Tags: , ,