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Posts com a Tag Super-heróis

sábado, 18 de novembro de 2017 Críticas, Filmes | 15:46

Sem ambição, “Liga da Justiça” entrega diversão ligeira e bons personagens

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Reunião dos heróis da DC no cinema não decepciona, mas não é o filme que muitos esperavam. Com Joss Whedon, de “Os Vingadores” na produção, Warner se aproxima da fórmula Marvel

Os heróis em "Liga da Justiça" Fotos: divulgação

Os heróis em “Liga da Justiça”
Fotos: divulgação

A expectativa era grande e talvez “Liga da Justiça” não fique à altura, mas é inegável que ao coração do fã que sempre sonhou em ver alguns de seus heróis preferidos reunidos no cinema, a produção ecoa de uma maneira diferente, mais especial. Até porque os heróis aqui reunidos sempre fizeram parte do time A da DC Comics, diferentemente dos vingadores, que foram ganhando hype no cinema, já que antes não integravam a coroa da Marvel.

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Embora apenas Zack Snyder esteja creditado como diretor, ele se afastou da direção do longa por força de uma tragédia pessoal (o suicídio da filha) e Joss Whedon assumiu o cargo, reescrevendo muita coisa do roteiro e fazendo refilmagens (algumas para sempre infames no universo das redes sociais como o bigode de Henry Cavill apagado digitalmente de maneira bem contestável). “Liga da Justiça”, para todos os efeitos, é um filme esquizofrênico. Tem a sisudez e reverência do cinema de Snyder, além da beleza visual potente, e o escapismo bem humorado da pena de Whedon, que sempre se notabilizou por ser melhor escriba do que cineasta.

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Não é preciso ter afinidade com o cinema dos dois para constatar isso. Basta a referência dos trabalhos anteriores de ambos no universo dos heróis (Snyder dirigiu “O Homem de Aço” e “Batman VS Superman”, enquanto Whedon os dois primeiros “Vingadores”). Essa mistura rende um filme de efeitos visuais majoritariamente vistosos, mas outros um tanto comprometedores (longe do ideal para uma produção que beijou os US$ 300 milhões). Um fio narrativo por demais simplista, um vilão ruim, mas um bom desenho de personagens, uma dinâmica muitíssimo bem lubrificada entre os heróis e garantia de uma diversão ligeira em um filme de tamanho ideal – cerca de 120 minutos.

Após a morte do Superman, vista em “Batman VS Superman: A Origem da Justiça”, não só a desesperança movimenta os dias, como alienígenas começam a invadir a terra e, numa dessas, o Lobo da Estepe (Ciarán Hinds) reaparece para tentar unificar as três caixas maternas (artefatos ancestrais que acumulam imenso poder) e subjugar a Terra e todos que nela habitam. O Batman é o primeiro a perceber o perigo à espreita e ele tenta estabelecer uma aliança com outros seres extraordinários que vinha monitorando.

Zack Snyder orienta Jason Momoa no set de "Liga da Justiça"

Zack Snyder orienta Jason Momoa no set de “Liga da Justiça”

Atenção aos personagens

Se a trama é banal e seu desenvolvimento obedece a mesma lógica, “Liga da Justiça” pelo menos oferece um bom desenho de personagens. Sim, Bruce Wayne está mais piadista, mas ele não virou um piadista. Isso é meramente fruto das circunstâncias. Ele continua um homem amargurado, cheio de inseguranças e dono de um instinto suicida. Ben Affleck em mais uma demonstração de que é um ator mais consciente do que muitos se dão conta, estica na base do talento o pouco que o roteiro oferece de angustia a seu personagem.

O grande mérito do filme, no entanto, é apresentar personagens cativantes. O Barry Allen de Ezra Miller, um nerd clássico que se sente como um fã no meio dos heróis, é um dos highlights do filme. Jason Momoa dá conotação de rock star a seu Aquaman e agrada. Ray Fisher vê seu Cyborg como uma criatura angustiada que ainda não sabe se definir e começa a fazê-lo a partir do momento em que se vê inserido naquele grupo de super-humanos. Gal Gadot repete o encantamento que tanto arrebatou em “Mulher-Maravilha”.

A Liga em formação responde ao Bat Sinal: Elenco cheio de estrelas

A Liga em formação responde ao Bat Sinal: Elenco cheio de estrelas

Quando surge, o Superman está revigorado. A mitologia do Superman é muito melhor dimensionada aqui do que nos últimos filmes solo do personagem. A exemplo do que já havia acontecido em “Batman Vs Superman”.

“Liga da Justiça” certamente é um filme menos ambicioso narrativa e esteticamente do que se poderia supor, principalmente considerando o legado da DC no cinema. É, e a participação de Joss Whedon explica isso, o filme que mais se aproxima da bem sucedida fórmula Marvel. É tão pouco memorável como a maioria dos filmes da rival, mas diverte tanto quanto. Warner e DC perseguiam isso há algum tempo. É ver o que o sacramento das bilheterias indicará para o futuro. As duas ótimas cenas pós-crédito orientam certo otimismo.

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segunda-feira, 20 de outubro de 2014 Análises | 15:58

A guerra entre Marvel e DC atinge nível inédito no cinema, mas e o espectador nessa história toda?

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A semana passada foi agitada para os fãs de quadrinhos, cinéfilos e para quem gosta de super-heróis. Primeiro foi a Marvel que anunciou que Robert Downey Jr., pelo valor de U$ 40 milhões, estará no elenco de “Capitão América 3” que introduzirá a saga “Guerra civil”, um dos grandes êxitos editoriais recentes da Marvel em seu universo cinematográfico. O plano, ambicioso e empolgante, é um passo além no conceito de universo cinematográfico, no qual a Marvel é precursora. A Warner, que detém os direitos sobre todos os personagens da rival da Marvel nos quadrinhos, a DC Comics, deu nome aos bois, ou melhor aos projetos, que pretende levar ao cinema até 2020. A coesão deste universo DC no cinema ainda não está exatamente clara, mas neste momento não é exatamente uma preocupação. O que importa é não perder a Marvel de vista. Por isso, a DC confirmou dez filmes para o período entre 2016 e 2020.

A Marvel também tem dez filmes confirmados, ainda que nem todos os projetos estejam devidamente nomeados, entre 2015 e 2019. O calendário com as estreias de ambos os estúdios pode ser conferido mais abaixo.

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Cena da sequência de “Os vingadores”, programada para 2015
(Fotos: divulgação)

Filmes programados pela Warner/DC

2016

“Batman v Superman: alvorecer da Justiça”

“Esquadrão suicida”

2017

“Mulher-Maravilha”

“Liga da Justiça”

2018

“The Flash”

“Aquaman”

2019

“Shazan”

“Liga da Justiça 2”

2020

“Ciborgue”

“Lanterna verde”

Filmes programados pela Disney/Marvel

2015

“Os Vingadores – a era de Ultron”

“Homem-Formiga”

2016

“Capitão América 3”

Filme desconhecido (provavelmente Dr. Estranho)

2017

Filme desconhecido

Filme desconhecido (provavelmente “Os guardiões da Galáxia 2”)

2018

Filme desconhecido (provavelmente Os Vingadores 3)

Filme desconhecido

2019

Filme desconhecido

Gal Gadot como a Mulher-Maravilha: a primeira super-heroína a ter um filme  para chamar de seu

Gal Gadot como a Mulher-Maravilha: a primeira super-heroína a ter um filme para chamar de seu

Se a Marvel ainda não confirmou todos os filmes que lançará até 2019, apenas que esses filmes serão lançados, a Warner já distribuiu sua janela de lançamentos e fez alguns anúncios interessantes. Um diz respeito sobre o reboot de “Lanterna verde”, justamente o último filme desta janela, programado para 2020. A ideia é fazer algo capaz de apagar a péssima impressão deixada pelo filme de 2011 protagonizado por Ryan Reynolds. Outro é de que em 2017 haverá um filme solo da Mulher-Maravilha e aí, configura-se uma vitória sobre a Marvel, que ensaia há anos um filme solo de uma heroína (um filme da Viúva negra, por exemplo, é constantemente aventado) e não avança na matéria. A personagem será introduzida no aguardado “Batman v Superman: alvorecer da Justiça”.

Outra nota relevante foi a escalação do ótimo ator Ezra Miller para viver o personagem Flash no cinema. Miller assumiu sua bissexualidade há dois anos e é no mínimo corajoso, em uma indústria ensimesmada com a reação do público, entregar um personagem de tamanha visibilidade a um ator que expõe sua orientação sexual sem cerimônias.

Jason Momoa, de "Game of Thrones" entra para o universo DC e será o protagonista de "Aquaman"

Jason Momoa, de “Game of Thrones” entra para o universo DC e será o protagonista de “Aquaman”

São miudezas que garantem ao duo Warner/DC uma visibilidade diferenciada na mídia especializada, ainda que não produza o mesmo grau de ansiedade que o anúncio da Marvel. Isso porque, afora a trilogia do cavaleiro das Trevas assinada por Christopher Nolan, a Warner ainda não conseguiu dar provas de que reúne condições de estabelecer um universo coeso no cinema com os personagens DC. A Marvel, por seu turno, já está bem experimentada na questão. Enquanto se prepara para lançar o que chama de “fase 3” no cinema, o estúdio ajusta um plano ainda mais ambicioso. Na “Guerra civil”, que deve repercutir por todos os filmes Marvel de 2016 até 2019, justamente esses ainda não especificados, o Tony Stark de Robert Downey Jr. aproxima-se perigosamente da carapuça de vilão e essa flexibilidade, ainda que bem digerida pelo leitor de HQ, ainda não foi experimentada pelo fã da Marvel proveniente do cinema. É uma aposta de um estúdio com um plano sólido para expandir sua influência multimidiática à medida que consolida o cinema como o eixo central desse plano.

É inegável, em certa perspectiva, que os filmes de super-heróis têm demonstrado certo esgotamento. No entanto, a guerra declarada nesta semana entre Warner/DC e Marvel deve revitalizar o filão que já se encontrava no piloto automático acionado por executivos pouco familiarizados com a mitologia desses personagens e interessados apenas nas bilheterias.

Sob essa perspectiva, mais do que a Marvel e a Warner/DC, ganham os fãs que poderão acompanhar de camarote alguns de seus sonhos de criança, e outros de marmanjo, ganhando vida na tela grande.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2014 Bastidores, Curiosidades | 21:18

Marvel divulga vídeo rememorando (e celebrando) suas fases 1 e 2 no cinema

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Robert Downey Jr. em cena doo terceiro "Homem de ferro": ação, humor e um plano muito bem definido valem o sucesso da Marvel no cinema

Robert Downey Jr. em cena doo terceiro “Homem de ferro”: ação, humor
e um plano muito bem definido valem o sucesso da Marvel no cinema

Com o lançamento de “Guardiões da Galáxia”, a Marvel se despede do que chama de fase 2 de sua incursão pelo cinema.  A próxima produção do estúdio está programada para ser lançada em 30 de abril de 2015 e é um “filminho” chamado “Os vingadores 2: a era de Ultron”.

A primeira fase foi iniciada com “Homem de ferro” em 2008. Fizeram parte desta etapa introdutória os filmes “O incrível Hulk” (2008), “Homem de ferro 2” (2010), “Thor” (2011), “Capitão América: o primeiro vingador” (2011) e “Avengers: os vingadores” (2012). A segunda fase, menor e menos empolgante, se deu com “Homem de ferro 3” (2013), “Thor: o mundo sombrio” (2013), “Capitão América: o soldado invernal” (2014) e “Guardiões da galáxia” (2014).

A sequência de “Os vingadores” dará continuidade aos planos para lá ambiciosos da Marvel. Na próxima fase, novos personagens devem ter filmes lançados, como “Homem- formiga” e o “Doutor Estranho”, o escudo do Capitão América deve mudar de mãos e séries com personagens menos conhecidos como Punhos de ferro e Luke Cage, além do Demolidor – que voltou aos domínios do estúdio, serão lançadas sob parceria com a Netflix.

Pensando bem, e o vídeo em tom épico demonstra isso, a Marvel tem muito o que comemorar mesmo.

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domingo, 15 de junho de 2014 Análises | 18:33

Os filmes de super-heróis já atingiram seu ponto de saturação?

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Cena de "O espetacular Homem-Aranha 2 - a ameça de Electro", filme que arrecadou menos do que o esperado pelo o estúdio

Cena de “O espetacular Homem-Aranha 2 – a ameça de Electro”, filme que arrecadou menos do que o                            esperado pelo o estúdio (Fotos: divulgação)

 

Desde que a Marvel começou sua jornada no cinema em 2008 com o lançamento de “Homem de ferro”, foram lançados nada mais, nada menos do que 30 filmes baseados em heróis de HQs, vinte um dos quais inspirados em personagens Marvel e ao menos metade disso do próprio estúdio, que no meio tempo fora adquirido pela Disney.

Ainda em 2008, o ano em que a Marvel começava a mandar no próprio jogo, Christopher Nolan radicalizava na concorrência, a DC é propriedade da Warner e, portanto, todos seus personagens estão sob o jugo do estúdio, e renovava narrativa e linguagem de um filme de herói com “Batman – o cavaleiro das trevas”, um épico com camadas filosóficas e de muita potência dramática.

De certa maneira, ali, em 2008, houve uma redefinição dos filmes adaptados de HQs e, também, do meio que habitam. “O cavaleiro das trevas” foi o primeiro a superar a marca do bilhão de dólares, estatística já superada pelo terceiro “Homem de ferro”, por “Os vingadores” e pelo último capítulo da trilogia do Batman de Christopher Nolan.

As bilheterias vão bem, mas paira sobre esse box office expressivo uma nuvem de preocupações. Até quando essa tendência vai no cinemão americano?

Os filmes estão cada vez mais parecidos, pouco inventivos e mais inexpressivos. Primeiro todos queriam copiar Nolan, agora a ideia é criar um universo coeso como o que a Marvel conseguiu erguer para si no cinema. Os X-men, que são controlados pela Fox, o Homem-aranha, controlados pela Sony, e a Warner, com os personagens da DC, rabiscam universos sem muita convicção tentando assegurar um interesse multifacetado e interligado em seus filmes. A própria Marvel, hoje um braço da Disney, negligencia diretores mais criativos para manter rédeas curtas sobre os personagens e impedir que a visão de um diretor comprometa a integridade de seu universo. Foi mais ou menos o que ocorreu com a demissão de Edgar Wright, contratado para dirigir o filme “Homem-Formiga” e dispensado por ter “diferenças criativas” com o estúdio.

Esse enclausuramento facilita o esgotamento da criatividade e conduz ao ócio criativo que os próprios estúdios se encontravam quando decidiram experimentar a fórmula das HQs no cinema.

Cena de "X-men: dias de um futuro esquecido", filme que tem o ambicioso objetivo de alinhar o universo mutante no cinema

Cena de “X-men: dias de um futuro esquecido”, filme que tem o ambicioso objetivo de alinhar o universo                      mutante no cinema

Outro aspecto crucial é o debate acerca da fidelidade. Mais do que a discussão se cânones dos quadrinhos devem ser respeitados ou não, o que ocorre é uma crescente de indiferença de parte a parte. Fãs estão menos pegajosos com suas convicções originais e produtores, menos tímidos em remodelar sagas, personagens e tramas no cinema. Esse distanciamento é outro fator revelador dessa estafa que as bilheterias ainda não mostram com clareza, mas que é sinalizado à medida que o mercado internacional passa a responder por 70% do faturamento destes filmes, a exemplo do que ocorre com os blockbusters hollywoodianos de demais procedências.

Os três filmes baseados em HQs lançados em 2014 apresentam números mais vistosos no mercado internacional do que nos EUA. Parece ser um caminho sem volta. Pelo menos nesta fórmula engessada praticada pelos estúdios atualmente. “Guardiões da galáxia”, uma comédia de ação com elenco e personagens amplamente desconhecidos pelo público, aposta de risco da Marvel” que estreia em 31 de julho, pode recuperar esse caráter transgressor e inovador das adaptações de HQs. Mais do que isso; pode consolidar a percepção de que, quinze anos depois dos mutantes provarem que cinema e quadrinhos convergem, cinema e quadrinhos precisam discutir a relação.

 Confira o trailer de “Guardiões da galáxia”

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