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quinta-feira, 26 de março de 2015 Críticas, Filmes | 18:45

Vício em sexo é tratado com misto de leveza e seriedade em “Terapia do sexo”

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Stuart Blumberg só tinha escrito três roteiros em Hollywood. Dos filmes “Tenha fé” (2000), “Show de vizinha” (2004) e “Minhas mães e meu pai” (2010). Em comum, os três têm o fato de serem comédias e de versarem – em algum nível – sobre sexualidade. Parecia natural que o debute na direção de Blumberg seguisse a mesma linha. “Terapia do sexo” (Thanks for sharing, EUA 2012) é, grosso modo, uma síntese desse interesse de Blumberg de discutir o sexo por um viés mais leve, sem deixar de falar sério.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Adam (Mark Ruffalo) é um viciado em sexo em recuperação. Frequentador de grupos de apoio, desenvolveu uma relação como a de pai e filho com seu padrinho Mike (Tim Robbins), que além de enfrentar o vício em sexo, também se recupera da dependência do álcool. Por insistência de Mike, ao atingir cinco anos de sobriedade, Adam resolve se abrir para a possibilidade de namorar. Ele engata uma relação com Phoebe (Gwyneth Paltrow) e, a partir de então, ele e ela precisam se adaptar a uma dinâmica toda especial devido às circunstâncias vividas por Adam.

Apesar de Adam e seu conflito nortearem “Terapia do sexo”, o filme tem mais camadas. Mike precisa se acertar com seu filho (Patrick Fugit), que herdou do pai o gosto pelo vício. Neil (Josh Gad), apadrinhado por Adam, também precisa lidar com a maneira como sua ansiedade reflete em uma compulsão sexual altamente nociva. A cantora Pink debuta como atriz como Dede, uma mulher que só consegue se relacionar com homens por meio de sexo. Entre os clichês e sacadas realmente sutis, “Terapia do sexo” se esforça para abraçar o mundo. Se a intenção de subscrever-se como um painel sobre como o sexo pode desencadear distúrbios sérios e reais é louvável, a execução peca por escalonar dramas e recortes a toque de caixa.

No fundo, Blumberg quer falar sobre controle. Ele expõe personagens que tateiam o controle de suas vidas da maneira que podem. O filho que busca a aceitação do pai, a mulher que se recuperou do câncer e estipulou para si uma rotina extrema e do homem que tenta ser o homem que sente ser quando não está entregue ao seu vício. Visto neste contexto, Blumberg acerta ao usar o sexo como denominador comum. De quebra, ilumina um problema pouco abordado pelo cinema e muito desconhecido do grande público. Com ar despretensioso e pegada de comédia romântica, “Terapia do sexo” se oferta como uma opção light à gravidade de “Shame” (ING 2011), mas nem por isso menos recomendável.

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