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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016 Diretores | 12:07

Os cinco melhores diretores de 2016

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Foi um ano de grandes filmes. Já havia um tempo que isso não acontecia. Não à toa, os cinco diretores do ano no crivo do Cineclube defendem trabalhos polarizantes e estão longe da unanimidade, ainda que um deles tenha vencido o Oscar neste ano. O terror, de certa maneira, é um elemento presente nos cinco filmes que são, ainda, experiências estéticas do mais alto relevo.

Robert Eggers (“A Bruxa”)

Robert Eggers

Vencedor do prêmio de direção em Sundance, Eggers faz de “A Bruxa” um filme de terror diferente. Angustiante e com uma atmosfera tão sombria quanto incômoda, a produção é visualmente exuberante, apesar do orçamento apertado. Eggers aborda o medo por uma perspectiva totalmente incomum na linguagem audiovisual atual e merece a menção entre os cinco melhores trabalhos de direção do ano.

 

Alejandro Gonzales Iñarritu (“O Regresso”)

O Regresso

O virtuosismo do mexicano em “O Regresso”, filme que tem plano-sequência, fotografia em luz natural e outras particularidades que mostram que antes de qualquer coisa um filme de Iñarritu é um filme de Iñarritu, valeram ao cineasta um segundo Oscar de direção de maneira consecutiva. Seu trabalho aqui é ostensivo, o que não quer dizer que não seja nada menos do que arrebatador.

 

Nicolas Winding Refn (“Demônio de Neon”)

Nicolas Winding-Refn

Não há cineasta mais esteta no cinema atual do que o dinamarquês e não houve filme mais provocador em 2016 do que “Demônio de Neon”, um conto entre o sinistro e o bizarro sobre o império da imagem na nossa sociedade. Entre analogias faladas e cenas surrealistas, “Demônio de Neon” é um filme pincelado a unha por um Refn senhor de todas as coisas.

 

Tom Ford (“Animais Noturnos”)

Tom Ford

Corajoso, Tom Ford decidiu fazer de seu segundo filme algo totalmente diferente do primeiro – ainda que aqui e ali se possa pescar algumas convergências. Com uma narrativa fragmentada e personagens que se apresentam como versões de si, Ford demonstra absoluto controle de cena, dos atores e da narrativa. Seu filme é um estouro de sensações e sua direção, calculadamente perfeccionista.

 

Paul Verhoeven (“Elle”)

Paul Verhoeven

O cinema subversivo do holandês faz falta. Prova disso é o estupor que é “Elle”, um filme tão sobrenatural quanto sua premissa – uma mulher vítima de violência sexual que se vê sexualmente atraída por seu agressor. Verhoeven demonstra controle absurdo das arestas da trama e sabe exatamente para onde quer levar o filme – e são muitas as ramificações alcançadas. É o trabalho menos exibicionista dos cinco escolhidos, mas seguramente o mais reverberante nas demais qualidades do filme.

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sábado, 26 de novembro de 2016 Filmes, Notícias | 17:39

“É um filme que faz você refletir sobre as pessoas em sua vida”, diz Tom Ford sobre “Animais Noturnos”

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Tom Ford orienta a atriz Amy Adams no set de "Animais Noturnos"

Tom Ford orienta a atriz Amy Adams no set de “Animais Noturnos”

O novo e aguardadíssimo filme de Tom Ford, “Animais Noturnos”, será uma das últimas estreias de 2016 nos cinemas brasileiros. Previsto para o dia 29 de dezembro, o vencedor do Leão de Prata – o grande prêmio do júri – no último festival de Veneza, apresenta uma história de suspense relacionada a um casal separado há 20 anos.

Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte de Los Angeles que vive uma vida privilegiada, mas incompleta, ao lado do atual marido, Hutton Morrow (Armie Hammer). Em um final de semana em que Hutton deve partir para uma de suas frequentes viagens de negócios, ela recebe um pacote inesperado: um livro escrito pelo ex, Edward (Jake Gyllenhaal), e dedicado a ela. Uma publicação violenta e desoladora que remete Susan a um passado ao qual ela, talvez, preferisse sufocar.

No vídeo abaixo, o diretor e roteirista Tom Ford e os protagonistas Jake Gyllenhall e Amy Adams falam sobre o que julgam ser o tema do filme. “Eu gostaria que as pessoas deixassem esse filme pensando nas escolhas de vida que fizeram em relação às pessoas, pensando na importância das pessoas em suas vidas”, observa Ford.

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quarta-feira, 10 de setembro de 2014 Críticas, Filmes | 19:00

Espaço Cult: “Direito de amar” aborda superficialidade asfixiante da vida

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Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

A estreia na direção do estilista Tom Ford é das coisas mais surpreendentes dos últimos anos no cinema. “Direito de amar ( EUA 2009) é, nas palavras de seu próprio diretor, fruto de uma angústia sua. É senso comum na produção cultural que os grandes artistas criam a partir de aflições e inquietações dessa ordem.

Ford, que também escreveu o roteiro do filme, mostra sensibilidade autoral e técnica impensada para um estreante. Belos planos, a confiança na habilidade dos atores de contar a história, a boa administração da composição técnica (música, fotografia, figurinos e direção de arte) e, mais do que isso, profundo esmero narrativo. Ford soube como contar sua história de maneira minimalista e ritmada.

George Falconer (Colin Firth) é um professor universitário que não consegue se recuperar da morte do parceiro. Acompanhamos Falconer no dia em que decide tirar sua própria vida.  Através de suas lembranças, que pontuam esse dia, percebemos como ele chegou àquela profunda tristeza e o por que se sente desmotivado em divorciar-se dela.

Em “Direito de amar”, Ford não faz nenhum tipo de militância. Embora seja homossexual assumido e aborde um universo homossexual, o diretor não o faz com complexo de minoria. A história de amor, e a relação de George com Jim (Mathew Goodie), são vívidas e inspiradoras. Em uma explanação sobre um livro que George dá a uma audiência de estudantes, Ford permite-se sublinhar a incompreensão que gravita o tema e mesmo assim o faz com elegância. “Direito de amar”, por tudo que representa e evoca, é um filme sobre a superficialidade. Sobre os excessos. Do desejo à falta dele. Muitos criticaram o apuro do filme. A perfeição dos cenários, o corte impecável do terno de George, os cabelos maravilhosamente penteados, o voyeurismo de Ford em algumas cenas, entre outras coisas. A bem da verdade, Ford se excede em um ou outro momento, mas isso não pode ser tomado como algo involuntário ou inerente ao ofício de estilista. Sabe-se vestir bem, mas de que isso adianta? Pergunta Ford. Tanto Charlotte (Julianne Moore, em participação marcante), grande amiga de George, tanto quanto o próprio George e os demais personagens que dão as caras em “Direito de amar” parecem modelos, dada a perfeição da postura e o alinhamento das roupas. Mas são todos desajustados. De uma forma ou de outra.

Direito de amar (2)

A fotografia do filme, nesse sentido, é de uma sutileza extraordinária. Ford e seu fotógrafo, Eduard Grau, acinzentam a imagem sempre que George aparece em um momento de introspecção doída. As cores voltam com brilho quando ele, de alguma forma, sente-se amado. A vida não deixa de ser assim. Maquiamo-nos e enfeitamo-nos todos para disfarçar ou ocultar nossos medos. Medos que geram angústias. E como sair delas? Tom Ford fez esse belo filme sobre como tentar.

Vale destacar também a excepcional trilha sonora de Abel Korzeniowski. Que ajuda a imprimir o tom do relato. Sem essa trilha, Ford não conseguiria alcançar o coração do espectador. Mas o grande trunfo de “Direito de amar”, que assegura o sucesso do filme, é Colin Firth. O ator entrega a performance de sua vida. Uma atuação sem vaidades (em um belo exercício de paradoxo, já que seu personagem é vaidoso) e que reveste o filme de Ford de sentimento. No mundo esterilizado em que não há sentido se você não for capaz de se conectar com outro ser humano, é Firth quem se conecta com a plateia.

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