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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015 Críticas, Filmes | 15:42

Ridley Scott coloca Moisés entre Deus e a esquizofrenia em “Êxodo: Deuses e reis”

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Não se engane. “Êxodo: Deuses e reis” não é um filme religioso no sentido clássico do termo, mas um filme político. Diferentemente do que Darren Aronofsky fez com “Noé”, Ridley Scott não reinterpreta a passagem bíblica do personagem, mas lhe afere uma conotação política exacerbada. Daí incorre ilações sobre o período retratado por “Êxodo” e paralelos com o longevo e controverso conflito entre Israel e Palestina.

Não só. Scott evita o espetáculo religioso, mas não o espetáculo visual, e se esmera na ciência, no limite do factível, para explicar desde as sete pragas que assolaram o Egito até à abertura do Mar vermelho. Nessa opção não está a negativa de Deus, mas o privilégio da fé, do que trata, afinal, a bíblia de maneira geral, e a passagem abordada em “Êxodo”, em particular. Ao situar o Moisés vivido com a habitual intensidade por Christian Bale entre a esquizofrenia e Deus, Scott favorece a interpretação de quem toma contato com seu filme. E acusa logo na cena inicial, em que uma profeta fala do desfecho de uma batalha para o faraó, que seu filme privilegiará a interpretação em detrimento da assertividade religiosa.

Essa é uma das indiscutíveis riquezas do filme. Sua recusa em assumir-se como uma fantasia hollywoodiana e se resolver como um registro histórico com DNA de trama política. Nesse contexto, Moisés pode ser percebido tanto como um terrorista que se rebela contra o império após seu exílio, como o tão aguardado guia para a libertação dos hebreus.

Um Moisés adornado pela ambiguidade do roteiro escrito pelo ateu Steven Zaillian (Foto: divulgação)

Um Moisés adornado pela ambiguidade do roteiro escrito pelo ateu Steven Zaillian
(Foto: divulgação)

Em muito por isso, Scott dedica considerável atenção ao período em que Moisés se encontra entre os egípcios. A fundamentação de suas motivações, políticas e emocionais, importam tanto para Scott como a suntuosidade dos grandes cenários apresentados em “Êxodo”.

Outro acerto é a caracterização de Deus como uma criança, aos olhos sempre questionadores de Moisés. Para quem tem a mínima afinidade com a bíblia, não se trata de uma ousadia, já que é notório na escritura sagrada que o Todo-Poderoso pode assumir a feição de uma criança. A opção reforça a qualidade da pesquisa de Scott e acusa sua sensibilidade na abordagem da história de Moisés para o público do século XXI.

Não se trata de um filme que tem como objetivo pregar para convertidos, mas de colocar presente e passado em discussão. Não à toa, já rumando para Canaã, Moisés expõe uma angústia a Josué (Aaron Paul): “Estamos unidos porque temos a fuga em comum. Mas como será quando todos se assentarem?” O Moisés de Ridley Scott externa a preocupação que hoje é um dos eixos centrais do conflito entre israelenses e palestinos. Os rótulos de terrorista e império foram recodificados.

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23 comentários | Comentar

  1. 73 Luciana 22/01/2015 11:19

    Ruim,não gostei ,Não estava de acordo com os relatos bíblicos, mas ja era de se esperar,roteiro fraco feito por um ateu que não crê na bíblia,não deve nem ter lido o êxodo,mais um filme para bilheteria.

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  2. 72 veronica 08/01/2015 8:51

    Não é um filme ruim só que pra quem é conhecedor da palavra esperava mas que 5% por cento da verdade ai acaba sendo decepcionante será que agradou a Deus destorcer a verdade,na bíblia diz que ai daquele que mudar uma virgula da bíblia…

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  3. 71 Cintia 07/01/2015 16:55

    Sou totalmente temente a Deus. Pra quem conhece a Bíblia sabe que as informações contidas no filme são verdadeiras…estão lá. A questão é: O velho testamento é extremamente polêmico e apresenta um Deus e uma sociedade muito diferente da que vivemos hoje. É difícil acreditar em um Deus, que consideramos puro amor, praticando um genocídio, porém isto esta lá. Deus, de acordo com o antigo testamento, matou todos os primogênitos egípcios, inocentes ou não. Mesmo os que simpatizavam com a causa de Moisés. Livro do Exodo, cap. 11. Concordar com isso é concordar com a opinião que o povo de Israel tem hoje sobre os palestinos, que nós, sociedade ocidental cansamos de condenar. O Justo pagando pelo pecador! As pessoas precisam entender que a fé é antes de tudo, mistério. Deus é algo que se sente, se vive…independente da Bíblia ou de qualquer livro sagrado. A Bíblia é um livro sábio, porém polêmico, é preciso ter discernimento. Se questionar a Bíblia, que é um livro escrito por homens e com mais de 2.000 traduções, te faz duvidar do poder e bondade de Deus, desculpe, sua fé é muito frágil! É preciso entender que o caminho é Deus, sempre! A bíblia é uma lanterna, que em alguns momentos pode iluminar esse caminho. Você tem que viver Deus, ter ele 24 horas em sua vida, ações e decisões. Essa é a essência da fé.

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    • Mara 16/01/2015 22:27

      Concordo com a sua exposição quando fala que precisamos ter discernimento ao interpretar a bíblia! Gostei muito do filme é uma interpretação muita rica!

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  4. 70 Bob Cuspe 07/01/2015 7:59

    O filme deve ser uma M.. mas com tanta polêmica, terei que ver..kk

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  5. 69 Kamila Azevedo 06/01/2015 15:43

    Assisti “Êxodo: Deuses e Reis” e posso dizer que gostei muito do filme. Acho que, no geral, as pessoas precisam aprender que o cinema tem uma linguagem muito diferente da literária e que uma adaptação literal é quase impossível. A verdade é que nunca ficaremos satisfeitos, ainda mais em se tratando de uma história como essa, que trata de uma das passagens bíblicas mais emblemáticas que conhecemos.

    No mais, acho que o trabalho do Ridley Scott foi muito satisfatório. É impossível assistir a esse filme e não pensar em “Noé” e, no geral, “Êxodo” é muito superior ao filme do Darren Aronofsky, especialmente na maneira como retrata a relação de Moisés com Deus.

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  6. 68 Allyson 06/01/2015 14:41

    Não gostei do filme.

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  7. 67 David Dias 06/01/2015 9:29

    A realidade é que nos os hominidios aqui na Terra estamos ainda muito atrasados menos material mas muito espiritualmente e não temos condições para comentar coisas ligadas à Deus e seus grandes ainda mais baseados em contos e relatos completamente adulterados que nos servem de base para análises. Já se diz quem conta um conto aumenta um ponto e eu digo ainda mais quando foi instituído o Cristianismo em Roma depois da divisão do Império e se fez o Concilio adotando somente os quatro evangelhos desprezando se os demais, tudo foi manipulado como quiseram e dela para cá se manipula mais e mais, veja se os milhares de cultos existentes. Além do mais Deus é um só mas não o vemos como Ele realmente é mas sim o aprisionamos, bem como as coisas que se dizem sagradas dentro da nossa mediocridade e os vemos dentro da nossa pequinês ou seja vemos o irreal e ate mesmo o imaginário mas nunca o real.

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  8. 66 delson 06/01/2015 9:16

    mais um intelectual tentando ridicularizar a Biblia!! é uma pena!! filmizinho ruim!!

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  9. 65 Antonio Rodrigo Martins Filho 06/01/2015 8:54

    Não gostei. Perdeu-se mais uma oportunidade de prestar mais um serviço ao Senhor.

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  10. 64 Kaká 06/01/2015 8:22

    Gente, o filme Noé foi inspirado no Alcorão ou Corão e portanto, quem conhece a Bíblia diz que o filme não bate com os relatos Bíblicos e quem conhece o Alcorão entendeu o filme, já no filme ÊXODO, parece que foi baseado sobre o relato Bíblico e o diretor usou a ciência para explicar as pragas e a travessia do Mar Vermelho.

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  11. 63 beto 06/01/2015 8:21

    Texto ruim demais deste senhor.

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  12. 62 Marcelo 06/01/2015 8:09

    No relato bíblico Deus quer apenas libertar o povo hebreu da escravidão.
    As pragas são uma resposta a teimosia do faraó em libertar os escravos.
    O interessante é que a grande maioria das pragas não são letais apenas a décima praga é especificamente ligada a morte de pessoas.
    Qualquer um que estivesse lá e visse as 5 primeiras pragas, receonheceria um poder sobrenatural agindo, daria o braço a torcer e libertaria os escravos.
    Até mesmo a décima praga que é a morte dos primogênitos poderia ser evitada se nas nove primeiras pragas o faraó tivesse libertado o povo da escravidão.
    Mesmo com a décima praga em andamento a morte poderia ser evitada matando um cordeiro e pintando os umbrais das portas com o sangue.
    Na guerra da secessão nos Estados Unidos o norte lutou contra o sul para a abolição da escravidão, mais de 500.000 pessoas morreram no conflito e não vemos pessoas dizendo que o norte foi muito cruel na sua luta pela libertação dos escravos.

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  13. 61 Antonio 06/01/2015 7:53

    Simplesmente não gostei, esperava muito mais. Muito barulho por nada, é mais comercial mesmo, coisa que não poderia deixar de ser por se tratar de filme de animação e não de conversão ou para entendimento da Biblia. Mesmo assim pra entretenimento ficou a desejar.
    Parte interessante é quando os guardas egípcios caem do penhasco, muito legal a imagem. Agora é só esperar os erros de gravações rs

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  14. 60 Cássio 05/01/2015 22:17

    Reinaldo Glioche aprenda uma coisa… Antes de criticar uma obra, tente não querer impressionar as pessoas com seu texto cheios de palavrinhas bonitas fora do cotidiano das pessoas. Incorre, ilações, longevo, esmera, factível….tudo isso no primeiro e segundo parágrafos. Cansa a leitura e desmerece o conteúdo.

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    • Ricardo Zanoni 06/01/2015 6:31

      As pessoas são limitadas no seu vocabulário e não têm o menor interesse em aumentá-lo, alargá-lo, diversificá-lo. Preferem continuar com a estreiteza e tacanhice mental que lhes são próprios.

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  15. 59 Rosangela G. Novaes Bruno 05/01/2015 22:05

    Eu gostei do filme. Foi melhor do que Noe pois em algumas cenas do filme de Noe nao estao escritos na biblia.

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  16. 58 Leandro Vicentim 05/01/2015 21:53

    Sou Cristão e creio em Jesus como único Senhor e Salvador.
    Porém, estou opinando apenas como crítico onde o filme deixou a desejar em desenvolver e reter a atenção, faltou um enredo, conexão, ficou uma história solta.
    Agora no cunho bíblico, é distorção.

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  17. 57 julio cesar 05/01/2015 20:35

    SÓ CONSEGUE ENTENDER AS ESCRITURAS PELA PROPRIA ESCRITURA. DEUS SEMPRE FOI E SEMPRE SERA AMOROSO, SE AGIU CONTRA O POVO DO EGITO PQ TEVE RAZOES. SEU AMOR NAO O OBRIGA A TOLERAR OS QUE CONTRARIAM SUA VONTADE, AGE SEMPRE COMRAZAO. NO FIM DOS TEMPOS OS REBELDES PROVARAO DA SUA IRA, DEVEMOS OBEDECER SUA PALAVRA E ACEITAR JESUS COMO NOSSO SALVADOR. NAO HA DIFICULDADES EM ENTENDER O PQ QUE DE DEUS SE MOSTRAR SEVERO COM PESSOAS OU POVOS, QD PROCURAMOS LER AS ESCRITURAS. DEUS É AMOR E NOS AMA TANTO A PONTO DE ENVIAR SEU UNICO FILHO PARA NOS DAR A VIDA ETERNA.

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    • antonio 06/01/2015 7:46

      seu depoimento é um prato cheio para ateus….Deus na biblia da criação fantasiosa dos Judeus nunca foi amoroso….Alias , leia bem a biblia…Jesus ensinou um caminho , pois o modelo judaico biblico sempre foi rancoroso e pessoa, feito para ignorantes do periodo e que ainda estão nos tempos atuais.

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  18. 56 ana maria de c oliveira 05/01/2015 18:41

    Saí do cinema pensando, qual a diferença daqueles tempos para o de hoje?

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  19. 55 Wagner 05/01/2015 17:58

    O filme é mais profundo que parece. Pode-se perceber que Moisés é um médium clarividente e clariaudiente, e por isso conseguia vislumbrar espaço e tempo real. A comunicação com “Deus” é a materialização de um espírito de alta envergadura moral, que o conduzia às decisões já pré-estabelecidas do êxodo, necessário deslocamento de um certo grupo de pessoas, como sempre tem acontecido de lá para cá. Nada demais.

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    • Oswald Brebe 05/01/2015 23:43

      Quantos bobagem baseada em bobagens espíritas você hein? Quer dizer que “um espírito de alta envergadura moral” “toma decisões já pré-estabelecidas” que os seres humanos tem que acatar? E aonde está o livre arbítrio que Deus deu ao homem? Somos todos fantoches? Vai ler a Bíblia antes de postar estas bobagens.

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  20. 54 francisco 05/01/2015 17:53

    O “Deus” judeu retratado no filme mata milhares, inclusive crianças por causa da teimosia do faraó. O faraó não cede aos pedidos de Moisés e o “Deus” mata, lança praga, assassina recém nascidos…….eu realmente não acredito neste “Deus” judeu. Não consigo entender porque alguns evangélicos dão tanto valor a essas e outras mentiras oriundas do torá

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    • Cida Martins 08/01/2015 9:23

      Quando olhamos Deus parcialmente, fica mesmo difícil reconhecer este Deus que mais parece uma criança birrenta como imaginou Ridley Scoot. O engraçado é que o faraó matava somente os hebreus e ninguém o julga. Quando Deus usa da justiça e permite que tanto hebreus e egípcios morram igualmente, ele é ruim. O Deus dos hebreus é Jesus encarnado. Todos os seus atos são justificáveis, necessário é conhecer a história por completo antes de fazer um julgamento baseado apenas em um olhar simplista demais.

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    • Neilson 06/01/2015 13:35

      Não seria necessário nada disso se o povo egípcio não tivesse escravizado outro povo. E controlado a natalidade ao matar inocentes. Na Bíblia esta escrito que colhemos o que plantamos. Com certeza não podemos descrever aqui o que este povo passou durante os mais de 400 anos de escravidão.

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    • Carlos Andrade 05/01/2015 23:00

      Concordo. O meu Deus não comete assassinatos.

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  21. 53 Joenilson 05/01/2015 17:45

    Foi horrível. Não destacou nenhum objetivo. Mais ou menos água morna. Antes fosse quente ou fria.

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  22. 52 LUIZ WOLF ZIMMERMANN 05/01/2015 16:10

    Meu Rabi não gostou do filme…disse que foi palhaçada

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    • jose Mane 05/01/2015 19:31

      E voce?

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  23. 51 Marcelo 05/01/2015 15:58

    “Outro acerto é a caracterização de Deus como uma criança, aos olhos sempre questionadores de Moisés. Para quem tem a mínima afinidade com a bíblia, não se trata de uma ousadia, já que é notório na escritura sagrada que o Todo-Poderoso pode assumir a feição de uma criança. ”
    Sério mesmo?
    Onde na bíblia dá a entender que é notório que Deus pode assumir a feição de uma criança?

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    • Neilson 06/01/2015 13:43

      Quando Jesus disse, todo que se tornar como este menino. Esta claro que se refere a pureza e simplicidade de uma criança. Bom hoje em dia isso já não esta fácil de encontrar.

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    • Valerio Antonio Bernardes 06/01/2015 9:49

      Concordo plenamente com seu comentário, DEUS todo poderoso é tão “grande” aos olhos humanos qué É IMPOSSÍVEL VÊ-LO, coloca-lo como uma criança,é mais uma tentativa frustrada de diminuir o tamanho e a importância de DEUS. Não Vão Conseguir.

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    • Francisco Carlos 05/01/2015 21:30

      Isaías fala muito em quebrantar os fortes e em dar poder as pequenos: Isaías 3.4 e Isaías 11.6. Um menino ser o todo poderoso Deus ridiculariza os soberbos e o exaltados.

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