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domingo, 7 de fevereiro de 2016 Análises, Diretores, Filmes | 17:59

Como a vitória de Iñárritu no DGA afeta a corrida pelo Oscar?

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Foto (divulgação)

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O cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu venceu na noite deste sábado (6) o prêmio do sindicato dos diretores pela direção do filme “O Regresso”. Ele já havia vencido ano passado pela direção de “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”.  O feito do mexicano é notável porque é a primeira vez em mais de 60 anos de existência da premiação que um cineasta vence o DGA de maneira consecutiva. Iñárritu se iguala a cineastas como Clint Eastwood, Robert Wise, David Lean, Ang Lee, Francis Ford CoppolaMilos Forman e Oliver Stone com dois triunfos. Apenas Steven Spielberg tem três.

Mas qual é o efeito prático do triunfo de Iñárritu no DGA no Oscar? A princípio, significativo. O DGA é o sindicato com melhor aproveitamento em antecipar os vencedores de melhor filme. É, também, o sindicato mais eficiente em casar seus resultados com o da categoria no Oscar. Em uma corrida como a de 2016, porém, em que os sindicatos não estão se fechando em torno de um único filme – “Spotlight” foi o preferido dos atores e “A Grande Aposta”, dos produtores – o impacto da vitória de Iñárritu precisa ser relativizado.

O DGA, historicamente é mais progressivo do que a academia. Indicou Christopher Nolan pela direção de “O Cavaleiro das Trevas”, algo que a academia não fez. E premiou Ben Affleck pela direção de “Argo”, mesmo sabendo que ele não estava no rol de nomeados ao Oscar e que o fazendo revisaria suas estatísticas de equivalência com o Oscar para baixo.

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de "O Regresso". Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de "Spotlight" e Ryan Gosling apenas ouve em cena de "A Grande Aposta" (Fotos: divulgação)

Sentido horário: Iñárritu orienta DiCaprio embaixo de neve em uma das muitas locações de “O Regresso”. Michael Keaton, Rachel McAdams e Mark Ruffalo em cena de “Spotlight” e Ryan Gosling apenas ouve em cena de “A Grande Aposta”
(Fotos: divulgação)

O trabalho de Iñárriu em “O Regresso” é vistoso. Assombroso de bom, mas apenas John Ford – um dos maiores ícones da Hollywood da era de ouro, ganhou dois Oscars de maneira consecutiva. A academia estaria pronta para repetir feito tão notável. Muito provável que não. “Birdman” era um filme esteticamente mais arrojado e criativo do que “O Regresso” e, no limiar, o mexicano não tem o melhor trabalho de direção entre os indicados. Esses são de George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”) e Adam McKay (“A Grande Aposta”).

É fatídico que o Oscar de direção fica entre esses três e a vitória de Iñárritu no DGA não é tão ruim para as chances de Miller. O australiano , pela carreira e pelo vigor empregado na confecção de “Mad Max”, pode se beneficiar da resistência de muitos membros de equiparar Iñárritu a John Ford.

Já a corrida pelo Oscar de melhor filme parece concentrada em “Spotlight”, que venceu diversos prêmios da crítica, o SAG e o Critic´s Choice Awards, “A Grande Aposta”, que venceu alguns prêmios da crítica e o PGA, e “O Regresso”, a melhor bilheteria entre os três – um blockbuster de arte -, líder na corrida e vencedor do Globo de Ouro e do DGA. Até mesmo “Mad Max”, com menos chances, está bem cotado. Mas Miller tem mais chances de vencer do que o filme.

Parece oportuno lembrar da corrida em 2007 quando “Babel” venceu o Globo de Ouro de filme dramático, “Pequena Miss Sunshine” levou os prêmios do SAG e do PGA e Martin Scorsese, por ‘Os Infiltrados”, ficou com o DGA. Deu “Os Infiltrados” no Oscar. Este ano parece ainda mais aberto do que aquele ano, mas “O Regresso” acaba de ganhar mais força rumo à glória no Oscar e no momento mais acertado possível.

 

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016 Críticas, Filmes | 12:42

Filmado de maneira artesanal, “O Regresso” promove comunhão entre corpo e natureza

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Foto: divulgação

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Depois de mesmerizar público, crítica e indústria com uma ácida leitura do jogo hollywoodiano em “Birdman ou a Inesperada Virtude da Ignorância”, também um triunfo estético, Alejandro González Iñárritu muda radicalmente de ritmo e dinâmica, mas mantém-se fiel à essência de sua filmografia com “O Regresso”; uma obra com argumento pueril – o desejo de vingança -, mas executada com a agudeza de estilo que precede o cineasta mexicano.

Com 12 indicações ao Oscar, incluindo filme, direção, ator e fotografia, “O Regresso” é, à primeira vista, um western. Mas o cinema de Iñarritu, desde o rompimento da parceria com Guillermo Arriaga, tem problematizado os limites do gênero cinematográfico.

Se “Birdman” começava como uma comédia de tintas surrealistas, passava por um drama existencial soturno e terminava com ares de fábula cartunesca, “O Regresso”, apesar de subscrever-se logo aos códigos do western, é também um filme de contemplação, que busca a sensorialidade a todo o momento. É tanto um filme sobre a vida, como é sobre a morte e o manancial de instintos que transitam entre uma e outra.

Ainda que seja ousado tecnicamente, “O Regresso” não ostenta a mesma engenhosidade de “Birdman”. Não representa o sobressalto estético do filme protagonizado por Michael Keaton, mas é capaz de seduzir parte do público – e afastar outra – com seu adorno artesanal. É um filme lindamente filmado. Dos movimentos de câmera inusitados à fotografia em luz natural de Emmanuel Lubezki.

Leonardo DiCaprio, que dá vida ao protagonista Hugh Grass – um homem meio índio, meio homem branco que parece pagar o preço por essa ousadia biológica -, atua conforme o absorto e solene marejar fílmico de Iñárritu demanda.  O ator sujeita seu corpo a provações desagradáveis de forma a abalizar a dramaticidade do registro. A comunhão entre corpo e natureza, entre espírito e obstinação, é algo que DiCaprio é muito bem sucedido em tangenciar. Trata-se de uma atuação escorada, sim, na fisicalidade, mas ciosa, também, daquilo que pode apenas sugerir para o público. Um trabalho que exige um grande ator e encontra em DiCaprio um homem digno para tal.

Tom Hardy, por seu turno, empresta a habitual competência à confecção de um homem mais inteligente do que aparenta e em melhor comunicação com seus instintos do que nos damos conta. John FitzGerald tem uma compreensão mais dilatada do mundo em que vive. É a interpretação que faz dele, no entanto, que alimenta a grande dicotomia do filme – e da humanidade.

Neste contexto, e dimensionado pelo trabalho desses dois grandes atores, “O Regresso” se viabiliza como um conto romântico – não na acepção amorosa do termo – sobre a prevalência dos instintos a qualquer força que ouse contê-los.

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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016 Notícias | 18:02

Para quem curte o bloco do cinema, boas atrações na TV por assinatura neste carnaval

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Estreia animada

Produzida por George Lucas, a animação musical “Magia Estranha” chega à Rede Telecine nesta quinta-feira (4), às 22h. Inspirada no clássico “Sonho de Uma Noite de Verão”, a produção é embalada por uma trilha sonora irretocável, que passeia por sucessos do pop rock como Can’t Help Falling in Love e Trouble (Elvis Presley), I Can’t Help Myself (The Temptations), I’ll Never Fall in Love Again (Dionne Warwick), I Wanna Dance With Somebody (Whitney Houston), Three Little Birds (Bob Marley), Say Hey (Michael Franti & Spearhead), entre outros, interpretados pelos atores que emprestam suas vozes ao filme.

Um reino encantado é dividido em duas partes: uma cheia de luz e cores, habitada por fadas e criaturas mágicas; e outra sombria, com criaturas asquerosas. O duende Sunny inicia uma divertida e atrapalhada busca por uma poção do amor que pode mudar a vida da fada Marianne, desacreditada do amor, e do Rei da Floresta Sombria, que tem horror a pessoas apaixonadas.

O filme estará disponível no Telecine Play a partir de sexta-feira (5).

Foto: divulgação

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O melhor de Tom Hardy

Indicado ao Oscar por “O Regresso”, estreia deste fim de semana nos cinemas, Tom Hardy tem a melhor atuação de sua carreira em “Locke”, estreia deste sábado (às 22h) da HBO. O filme, filmado quase que inteiramente dentro de um carro, mostra como o personagem de Hardy reage quando sua família é ameaçada por um sujeito que está no telefone com ele. Original e extremamente tenso, “Locke” é um dos filmes mais interessantes dos últimos tempos e merece ser descoberto.

Um Sean Penn diferente

Já o Telecine Premium exibe pela primeira vez na televisão brasileira a fita “O Franco-Atirador”. O filme de Pierre Morel, que ajudou a inventar o lado herói de ação de Liam Neeson, traz o ex-marido de Madonna em um papel improvável: astro de ação. A companhia é ótima. Idris Elba, Ray Winstone, Javier Bardem e Mark Rylance, indicado ao Oscar 2016 por “Ponte dos Espiões”, integram o elenco deste filme de ação com estampa europeia. A exição é no sábado (6) às 22h.

Foto: divulgação

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E por falar em Oscar…

O Telecine Premium assegurou os direitos de exibição de 20 produções que concorrem ao prêmio máximo do cinema em 2016. Além de “Star Wars: O Despertar da Força” e “Ex-Machina: Instinto Artificial”, que estreia no fim de fevereiro, vão para o catálogo da rede “O Regresso”, “Perdido em Marte”, “A Garota Dinamarquesa”, “Ponte dos Espiões”, “O Quarto de Jack”, “Steve Jobs”, “Trumbo: Lista Negra”, entre outros.

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terça-feira, 26 de janeiro de 2016 Diretores, Notícias | 19:09

Cinema em São Paulo presta homenagem a Ettore Scola com exibição especial de seu último filme

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Cena do filme "Que Estranho Chamar-se Federico": fluxo de homenagens ao cinema italiano (Foto: Divulgação)

Cena do filme “Que Estranho Chamar-se Federico”: fluxo de homenagens ao cinema italiano
(Foto: Divulgação)

Ettore Scola deixa saudades. A morte do cineasta na última semana deixou um sentimento de orfandade em muitos cinéfilos que se viram cativados pelo neo-realismo italiano. Certamente um dos grandes autores que o cinema já conheceu, quis o destino que o último filme do cineasta fosse uma carta carinhosa a outro grande mestre italiano, Federico Fellini. É a vez de Scola ser homenageado e o cinema Reserva Cultural, localizado na imponente Avenida Paulista, em parceria com a distribuidora Imovision, vão exibir ao longo desta semana o filme “Que Estranho Chamar-se Federico”, sempre às 21h20.

A obra-prima do cineasta, que agora cresce em tamanho por ter sido selada como sua última, retrata vida e obra de Federico Fellini, seu amigo, colega jornalista e ícone do cinema italiano do pós-guerra. Com imagens de arquivo e uma retrospectiva desde a estreia de Fellini em 1939, como jovem designer, até seu quinto Oscar em 1993, o filme é feito de fragmentos, impressões e momentos reconstruídos através da imagem.

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Notícias | 14:09

Divulgado novo cartaz de “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”

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Cartaz da nova animação da Universal (Divulgação)

Cartaz da nova animação da Universal
(Divulgação)

A cidade de Nova York estampa o mais novo cartaz de “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, animação dirigida por Chris Renaud (de “Meu Malvado Favorito” e “Meu Malvado Favorito 2”) que estreia no Brasil em 25 de agosto. A imagem adianta o lançamento do segundo trailer do filme, marcado para a próxima quinta-feira, 28 de janeiro.

Com distribuição da Universal Pictures, a comédia mostra o dia a dia nada tedioso de Gigi, Max, Chloe e seus amigos – bichinhos de estimação que, ao contrário do que pensamos, não passam o dia todo apenas esperando os donos voltarem para casa.

Parceria com a Illumination Entertainment, a animação tem roteiro assinado por Brian Lynch, de “O Gato de Botas” e Ken Daurio, de “Meu Malvado Favorito”. A dublagem original traz as vozes dos comediantes Louis C.K., Eric Stonestreet, Kevin Hart, Ellie Kemper, Jenny Slate e Albert Brooks, além da atriz Lake Bell.

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016 Curiosidades | 15:19

Cauã Reymond e “Reza a Lenda” são destaque em programa do Telecine Pipoca

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Sophie Charlotte e Cauã Reymond são os convidados de Renata Boldrini no Preview

Sophie Charlotte e Cauã Reymond são os convidados de Renata Boldrini no Preview

Sophie Charlotte e Cauã Reymond são os convidados do Preview, programa sobre as novidades e bastidores do cinema exibido semanalmente na rede Telecine, que vai ao ar hoje, 25 de janeiro. Companheiros de cena no filme “Reza a Lenda”, os dois contaram à apresentadora Renata Boldrini detalhes sobre as aulas de moto-escola que fizeram durante o período de preparação para o filme. Cauã conseguiu a carteira, e Sophie brincou: “Eu não tirei. Porque será?”.

Para as cenas da moto, Sophie contou com dublês e só participou de uma sequência. Já Cauã se aventurou nas gravações com a atriz  Luisa Arraes, a Laura do filme. No longa, que já está em cartaz nos cinemas brasileiros, os dois integram um grupo de justiceiros que rodam pelo sertão de moto com o objetivo de melhorar a vida do povo oprimido da região. O programa vai ao ar hoje, às 20h, no Telecine Pipoca.

Crítica: Mad Max do sertão, “Reza a Lenda” é triunfo do neófito cinema de gênero do país 

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sábado, 23 de janeiro de 2016 Análises | 20:42

Polêmica em torno de racismo no Oscar pode segmentar ainda mais indústria do cinema

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O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

O cineasta Spike Lee é um dos capitães do movimento que pede boicote ao Oscar

A semana esquentou um debate para lá de controverso que vira e mexe volta à tona em tempos de Oscar. O fato de em 2016 todos os atores e atrizes nomeados serem brancos, bem como roteiristas, diretores e demais contemplados em categorias nobres pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood gerou algum mal-estar entre a comunidade negra. De imediato surgiram protestos nas redes sociais e estes deram vez a declarações pesadas de artistas negros como Spike Lee, Ice Cube e Will Smith.

Há, sim, pouca diversidade na academia. Esse é um problema crônico e derivado da indústria do cinema como um todo, mas não implica no fato da academia ser racista. Não é.  O que a ausência de artistas negros em 2016 reflete é o gargalo de uma indústria que ainda engatinha na promoção de diversidade. Há poucas mulheres no comando de estúdios, dirigindo filmes, escrevendo-os, fotografando-os e há poucos negros como protagonistas de superproduções de estúdio. Não há, porém, em termos proporcionais, pouco reconhecimento do Oscar a esses artistas. Há, apenas, um indesejado reflexo que ganha lente de aumento com todo o barulho provocado pelo Oscar.

Apesar da virulência cada vez mais flagrante nas declarações de atores como Michael Caine, Jeffrey Wright e Jada Pinkett-Smith, o debate é bom, mas precisa ser ajustado ao contexto para produzir efeitos positivos e perenes.

A presidente da Academia, Cheryl Boone Isaacs anunciou que a Academia considera promover uma série de mudanças para aumentar o espaço das minorias entre seu quadro de votantes. Se em espírito é uma atitude bem-vinda, à reboque do mal-estar experimentado no âmago da opinião pública, é uma decisão desastrada. Isaacs, que disse que a Academia não ficará à espera da indústria na questão, quer alterar a regulamentação que dá direito aos votos, mas sem mexer nos demais benefícios de um membro da Academia, o que deve aferir mais transitoriedade e (espera-se) diversidade no corpo votante.

"12 Anos de Escravidão" foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

“12 Anos de Escravidão” foi consagrado o melhor filme no Oscar 2014, último que não teve polêmicas sobre exclusão de negros

Pode dar muito certo e pode dar muito errado – principalmente pelo fato de gerar desequilíbrio e ruídos na qualidade dos indicados. Há de se observar, ainda, que ela não garante que negros estejam entre os indicados em 2017. É, contudo, uma resposta ao clamor generalizado. Nesse sentido, como medida paliativa, muito bem-vinda.

É preciso ter atenção, no entanto, à forma de manter o debate vivo sem o Oscar como alvo. Afinal, o Oscar está sendo crucificado por um pecado que, na verdade, não é seu. Que ele apenas ilumina. De todo modo, a Academia pode sim exercer um papel pedagógico na questão. Esse caminho já estava sendo trilhado, mas de forma muito morosa. O que Isaacs sinaliza é a aceleração de um desenvolvimento que já era natural. Os efeitos disso, não na Academia, mas na indústria como um todo, podem ser ironicamente perniciosos. Hollywood já se viu dividida antes – o Macarthismo está aí para provar isso – e a maneira descontextualizada que o debate está sendo gerido na opinião pública inflige receios aos mais conscientizados.

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

Os indicados a melhor ator e atriz: brancura e culpa

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Críticas, Filmes | 16:48

“Joy: O Nome do Sucesso” se perde na ambição desmedida de seu diretor

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“Joy: O Nome do Sucesso”, novo longa-metragem de David O. Russell, é um filme mais ambicioso do que aparenta ser e muito mais remendado do que o desejável. A impressão soberana é de que trata-se de um projeto que Russell burila a todo o momento para potencializar as chances de Jennifer Lawrence brilhar.

Misto de cinebiografia e sátira ao melodrama, “Joy: O Nome do Sucesso” recria com algum estardalhaço a história de Joy Mangano, uma mulher de classe média com uma família complicada e exigente que deu seu jeito de vencer na vida como uma empreendedora de sucesso. É compreensível o apelo da personagem para Lawrence, uma atriz cada vez mais ímpar na seara hollywoodiana com o que já conquistou em seus 25 anos de vida.

Logo de cara, Russell sublinha o extraordinário naquela mulher. Ela abriga o ex-marido no porão de sua casa. Trata-se de uma pessoa diferenciada, argumenta Russell com um dos poucos recortes sutis em um filme que vai aumentando de volume a cada novo conflito que emerge no caminho de sua protagonista.

A primeira cena do filme exibe uma novela e é uma cena mais importante do que se julga a princípio. Ali Russell começa a explicitar um de seus interesses com o filme, satirizar o sonho americano – tema corrente em seus filmes como atestam “O Vencedor” (2010) e “Trapaça” (2013) – com certo grau de sofisticação. Joy e sua família disfuncional – a avó sonhadora (Diane Ladd), o ex-marido (Edgar Ramírez), um cantor frustrado, a mãe (Vírgina Madsen) que fia sua vida às tramas de novelas, o pai (Robert De Niro), emocionalmente desajeitado e a meia-irmã (Eliabeth Rhöm), com quem trava uma ruidosa rivalidade pela atenção do pai – são apresentados com carregados tons melodramáticos.

Cena de "Joy": a personagem é boa, mas merecia um filme melhor (Foto: Divulgação)

Cena de “Joy”: a personagem é boa, mas merecia um filme melhor
(Foto: Divulgação)

A ideia é ridicularizar a gênese desse sonho americano, que a gente costuma tomar contato pela televisão. É justamente a TV, a estrela do segundo ato do filme, quando surge o guru comercial vivido por Bradley Cooper.  Russell tenta, novamente, dimensionar o sonho americano, mas acaba desviando o foco de sua protagonista e, neste inesperado ínterim, arrefecendo a força de seu filme.

Depois Joy e sua combalida jornada rumo ao topo dos negócios voltam ao eixo central da narrativa, mas a audiência já assiste tudo meio que anestesiada. Se Russell é bem sucedido ao mostrar o impacto negativo de familiares não necessariamente mal intencionados na vida de Joy – algo que já fez melhor em “O Vencedor” -, falha em esculpir a parte econômica da trama. Tudo parece distante demais para um espectador que parece forçado a intuir para onde o filme está indo. O roteiro inegavelmente é o calcanhar de Aquiles do filme. Se Russell mantém-se afiado como diretor de atores – e o elenco em geral está muito bem – suas pretensões descarrilaram no roteiro e o resultado é um filme muito abaixo do nível de sua filmografia recente.

O desejo de oferecer um palco para Jennifer Lawrence e a compreensível grandiloquência com que enxerga o próprio cinema depois de tão veementemente agraciado pelo Oscar prejudicaram Russell. “Joy” é um filme plenamente seu, em todos os poros, e há muito tempo que isso não era uma constatação tão decepcionante.

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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016 Críticas, Filmes | 13:03

“Mad Max do sertão”, “Reza a Lenda” é triunfo do neófito cinema de gênero do País

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Foto: Divulgação

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O cinema nacional se mostra cada vez mais à vontade na confecção do chamado cinema de gênero. Uma produção como “Reza a Lenda” (Brasil, 2016) é a mais cristalina constatação desta nova e bem-vinda fase de nosso cinema. O filme de Homero Olivetto agrega ação e ficção científica de uma maneira tão desamarrada que faz crer que filme de ação é algo trivial no Brasil.

Com ecos de Sergio Leone e influências diretas de “Mad Max”, “Reza a Lenda” é um filme que se distingue mais por sua originalidade e detenção aos predicados do gênero do que por ser um grande filme propriamente dito. Isso, dentro do contexto da produção nacional.  Apesar de não dispor de um orçamento hollywoodiano, o filme de Homero é divertido e objetivo na conjugação dos signos do western.

A ideia de um Nordeste maltratado pela seca e refém de uma religiosidade opressiva é boa demais e a leitura pop que Homero faz dessa realidade denota uma inteligência criativa e um senso de estética que averbam a evolução do cinema brasileiro enquanto modelo de negócio.

Cauã Reymond é Ara, o líder de um bando de motoqueiros que segue as orientações religiosas de Pai Nosso – um sujeito que se mostra um guia espiritual para órfãos em uma terra árida e inóspita.

Tal como Mad Max, Ara é um herói silencioso, pacato e assombrado por dúvidas, hesitações e arrependimentos. Reymond é hábil na construção artesanal do personagem. Com gestos, olhares, expressões e uma postura nervosa, o ator dá a seu Ara a inquietação existencial necessária para que sua trajetória não desapareça em face do inusitado hype que “Reza a Lenda” se configura para uma desacostumada audiência.

Humberto Martins faz o vilão com gosto. Seu Tenório é um homem fiel ao preceito de matar ou morrer. Preferencialmente de matar. Quando seu destino cruza com o bando de Ara, a caçada torna-se um dos grandes sabores da fita.

Há, ainda, um conflito romântico envolvendo as personagens de Sophie Charlotte, namorada de Ara, e Luisa Arraes, uma moça da cidade grande que pode, por vias tortas, significar o fim da seca na caatinga nordestina.

Diversão, violência, sensualidade e clichês nunca rimaram tão bem em uma produção de ação brasileira que poderia ser ambientada em qualquer outra parte do mundo; mas que tem justamente em sua brasilidade, os aspectos que a fazem tão peculiarmente boa.

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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016 Críticas, Filmes | 14:11

“Steve Jobs” não paga o risco da dobradinha Boyle e Sorkin no cinema

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Cena do filme "Steve Jobs":  Filme é bom, mas se vende como algo muito melhor

Cena do filme “Steve Jobs”: Filme é bom, mas se vende como algo muito melhor

A junção de Danny Boyle e Aaron Sorkin inspirava desconfiança para com “Steve Jobs”, a biografia de pedigree que a Sony queria produzir sobre o visionário co-fundador da Apple e que acabou sob o jugo da Universal.  O risco era que o hipertireoidismo visual do diretor de “Quem Quer Ser um Milionário?” (2008), combinado com o histrionismo textual de Sorkin prejudicasse a estrutura dramática do filme.

Do jeito que veio ao mundo, “Steve Jobs” é um bom filme. Impregnado pela científica disposição de problematizar Steve Jobs. De iluminar o homem que colhia inimizades e detratores no mesmo compasso em que influenciava o mundo e acumulava bilhões de dólares.

Nesse contexto, “Steve Jobs” se apresenta com certa obviedade para quem já está minimamente familiarizado com a figura de Jobs. Até o mediano filme “Jobs” (2013), de Joshua Michael Stern é mais didático e elucidativo de quem foi Jobs e dos ideais que o nortearam.

Com o documentário “Steve Jobs: the Man in The Machine” (2015), de Alex Gibney, o filme de Boyle guarda poucas semelhanças. No documentário a investigação de quem, de fato, é Jobs é muito mais perene, profunda e ressonante. Em “Steve Jobs” tudo parece uma questão de estilo. O filme parece demasiadamente preocupado com a maneira com que vai se vender para o público – emprestando uma característica de Jobs muito bem sublinhada ao longo do filme.

Michael Fassbender, por seu turno, empresta todo o seu carisma a um homem que parece refém de seu gênio. É esse o recorte que Fassbender dá a ele. É, sim, uma leitura condescendente do personagem. Afinal de contas, rótulos como “um homem a frente de seu tempo” e “gênio incompreendido” costumam ser atribuídos a Jobs. De qualquer modo, Fassbender o encarna com uma energia bruta e brutal. É impossível desviar de seu magnetismo.

O restante do elenco, com nomes como Jeff Daniels, Kate Winslet e Seth Rogen, também está muito bem alinhado. Coeso e uniforme. Mas é a parte técnica de “Steve Jobs” que salta aos olhos. Boyle aposta na forma e confia ao texto de Sorkin, que brinda o espectador com ótimos diálogos e um punhado nada desprezível de grandes cenas, a força dramática de seu filme.

Trata-se de uma escolha que limita o impacto de “Steve Jobs” enquanto cinema. Tem-se um produto muito bem embalado, com forte apelo pop, mas de pouca relevância narrativa ou dramática. Não é o pior dos mundos, mas passa longe de se configurar como um dos melhores.

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