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quinta-feira, 12 de março de 2015 Análises, Atores | 19:34

Sem a magia de antes, Will Smith tateia novo caminho em Hollywood

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Will Smith é a única garantia que existe de uma boa bilheteria no fim de semana de estreia”, bradou em 2007 Akiva Goldsman, produtor de “Eu sou a lenda” (2007), “Eu, robô” (2004) e “Hancock” (2008), todos filmes estrelados pelo ator. De lá para cá, a coisa mudou bastante. Hollywood continua determinando o sucesso de um filme pela arrecadação do primeiro fim de semana de exibição, mas Will Smith já não é esse amuleto que provoca sorrisos em produtores e estúdios. A bem da verdade, “Hancock” foi o último sucesso genuíno do ator, porque “MIB 3” (2012) já foi uma tentativa, relativamente bem sucedida, de retomar a trilha das grandes bilheterias.

Will Smith entrou para o Guinness, famigerado livro dos recordes, por ter superado Tom Hanks, Harrison Ford e Tom Cruise na condição de astro a ter o maior número de filmes rompendo a barreira dos U$ 100 milhões nas bilheterias americanas. Desde “Independence day” (1996) até “Hancock”, apenas “Lendas da vida” (2000), de Robert Redford, não superou a marca.

Will Smith e Margot Robbie em cena de "Golpe duplo"

Will Smith e Margot Robbie em cena de “Golpe duplo”

“Sete vidas” (2008), reunião do astro com o diretor do bem sucedido “A procura da felicidade” (2006), que lhe rendeu indicação ao Oscar, marcou o começo do declínio da carreira do ator. Não só o filme foi malhado pela crítica como foi um fracasso retumbante de público. Smith sentiu o golpe. Conversas para retornar às franquias “MIB” e “Independence day” foram iniciadas. Analistas da indústria diagnosticaram um cansaço do público para com Will Smith. Passaram-se quatro anos e ele retornou com a segurança da franquia “MIB”, que se não foi um sucesso retumbante, não comprometeu nas bilheterias. Depois de negar o protagonismo de “Django livre” (Quentin Tarantino havia concebido o papel de Django com Smith em mente), o ator bancou o sci-fi com fundo ambientalista “Depois da terra”. A discussão de relação mais cara da história do cinema (o filme reeditava a parceria entre o ator e seu filho Jaden) foi um risível fracasso de público e crítica e ajudou a denegrir ainda mais a já combalida carreira do cineasta M. Night Shyamalan.

"Sete vidas" marcou o início do declínio da carreira do outrora filho pródigo de Hollywood

“Sete vidas” marcou o início do declínio da carreira do outrora filho pródigo de Hollywood

"Depois da terra": Smith pagou mico com o filme

“Depois da terra”: Smith pagou mico com o filme

De astro exaltado por seu toque de Midas, Smith havia virado motivo de escárnio na cidade dos anjos. O homem que negara arrependimento por ter recusado o papel de Neo em “Matrix”, que consagraria Keanu Reeves, estava em busca de projetos que lhe dessem certa margem de segurança. “Esquadrão suicida”, ambiciosa produção da Warner com vilões clássicos do universo da DC Comics, seria este filme. Trata-se de um projeto estratégico para a Warner, já que introduz o novo conceito de universo que estúdio e editora tentam levar ao cinema. Para Smith, é a chance de dividir a responsabilidade com outros nomes poderosos, como o de Jared Leto, e se beneficiar do interesse crescente pela produção. Antes, porém, o ator estrela “Golpe duplo”, estreia deste fim de semana nos cinemas brasileiros.

O filme não começou bem sua carreira nos EUA e tudo indica que só deve se pagar no mercado internacional. Smith não recobrou aquela magia que tanto maravilhava Akiva Goldsman. Em meio a boatos de que deve estrelar a segunda sequência de “Bad Boys”, o ator precisa mostra que ainda é viável comercialmente. Neste sentido, “Golpe duplo” seria um trunfo maior do que “Esquadrão suicida”, onde os riscos são menores, mas também os dividendos. Smith, convém citar, foi a terceira opção para o filme de John Requa e Glenn Ficarra (“O golpista do ano”).  Ryan Gosling era o sonho de consumo dos diretores que tiveram Ben Affleck escalado. Ele saiu para ser o Batman e a chegada de Will Smith provocou a saída da outra protagonista, Kristen Stewart, desinteressada de trabalhar com ele.

O poder de atração de Will Smith não é mais o mesmo. Resta saber se ele fará como Tom Cruise e se refugiará nas franquias de ação sem grandes ambições ou vai tentar se reinventar como fez Matthew McCounaughey. Certo é que ele não deve mais negar projetos promissores que lhe forem oferecidos. De qualquer jeito será preciso saber dizer adeus ao Will Smith campeão de bilheteria de outrora.

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quarta-feira, 11 de março de 2015 Críticas, Filmes | 16:29

Divertido e reverente, “Kingsman- serviço secreto” já é um dos filmes do ano

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Matthew Vaughn dispensou a direção de “X-men: dias de um futuro esquecido” para rodar “Kingsman – serviço secreto” (EUA 2015). À época, ninguém entendeu muito bem a escolha e o diretor argumentou que viria uma série de sátiras de espiões nos próximos anos no cinema e que ele queria ser o primeiro. Essa primazia certamente dificulta a vida de quem vem depois, porque “Kingsman” é brilhante enquanto cinema, matador enquanto sátira, inebriante enquanto homenagem e delirante como entretenimento.

Com mais este acerto, além de se provar infalível até seu quinto filme, Vaughn apresenta algo tão original, cinéfilo e vigoroso quanto seu primeiro filme, “Nem tudo é o que parece”, fita de gângster surpreendente que revelou Daniel Craig.

“Kingsman” é irônico, cínico, violento , reúne todas os clichês que legitimam um bom filme de espião (dos gadgets a la James Bond ao vilão megalomaníaco) e Colin Firth. O ator imortalizado como o “tipo almofadinha” surge tão esnobe quanto seu Mark Darcy de “O diário de Bridget Jones”, mas tão letal e espirituoso como James Bond. É um hype e tanto que aumenta o prazer de se assistir ao filme.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Firth vive Harry Hart, um agente secreto do grupo que empresta nome ao filme.  Uma organização secular desvinculada de qualquer governo que zela pela ordem mundial.  São duas frentes que se desenvolvem no filme. A primeira diz respeito à escolha do novo membro para integrar o grupo e a escolha de Harry é Eggsy (interpretado pelo novato Taron Egerton), que começa a flertar com a delinquência juvenil. Eggsy competirá com outros jovens durante um treinamento intensivo pela única vaga aberta. De outro lado, Harry investiga um trilhardário das telecomunicações que pode estar ligado ao desaparecimento de políticos e celebridades. Valentine (Samuel L. Jackson) quer salvar o mundo. Extremamente preocupado com a causa ambiental, ele planeja dizimar grande parcela da população mundial para resolver o problema. Samuel L. Jackson cria um tipo inesquecível. Com língua presa e um guarda-roupa todo particular, Valentine não suportar ver sangue, mas está por trás de um plano para lá de violento para “salvar o mundo”. Jackson capricha na caricatura e abraça esse vilão que bebe da fonte da linguagem dos quadrinhos e acerta no mais inimaginável dos antagonistas de Bond. Não à toa, há um diálogo no filme que sublinha essa referência tão bem urdida por texto e ator.

Vaughn demonstra incrível esmero narrativo ao combinar todos os elementos de uma sátira assumida com a gramática de um filme reverente ao universo da espionagem, sem deixar de entregar um filme de espião bruto, inteligente e profundamente conectado com o espírito de seu tempo.

Podem vir outras sátiras e outras homenagens, e o ano de 2015 tem até mesmo o inimitável James Bond, mas dificilmente um filme sobre o universo da espionagem será tão esfuziante como “Kingsman”. Aquele tipo de filme tão bom, nos detalhes e no todo, que é possível se pegar salivando por mais quando os créditos sobem.

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quinta-feira, 5 de março de 2015 Bastidores, Curiosidades | 07:00

Festival de cinema premia melhores filmes com temática sexual

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"The art of spanking" (Todas as fotos são cortesia do CineKink)

“The art of spanking”
(Todas as fotos são cortesia do CineKink)

O termo “kink”, em inglês, é usado para descrever práticas sexuais incomuns. As traduções mais convencionais são “perversão” e “sacanagem”. Isso, talvez, o leitor já soubesse. O que pode ser novidade é o CineKink, festival de cinema que chegou a sua 12ª edição em 2015 e tem como principal objetivo celebrar os filmes que não têm vergonha de falar sobre sexo e de observar toda a diversidade em torno do tema.

“Tivemos poucos filmes em competição neste ano”, observou a cofundadora e diretora do evento, Lisa Vandever, à coluna. “O que não quer dizer que não houve uma competição disputada”, salientou. Ela frisa que os premiados mimetizam o que de melhor sobre sexo foi produzido pelo cinema. “Muitos desses filmes ficam restritos ao circuito de festivais e a ideia do nosso evento é dar publicidade a eles e, quem sabe, possibilitar que consigam distribuição”, observou Vandever, que também atua como curadora do festival.

“Nosso público e júri tiveram incrível dificuldade para escolher os vencedores”, contou orgulhosa. O melhor longa-metragem de ficção foi “Marriage 2.0”, escrito e dirigido por Magnus Sullivan. O filme acompanha um casal disposto a perseguir liberdade emocional e sexual, mas preservando a intimidade e honestidade da relação. “É uma corajosa percepção de um estrato dos relacionamentos modernos”, assinalou o Wall Street Journal em sua resenha do filme. O prêmio de melhor documentário ficou com “Back issues: The Hustler magazine story”, filme já comercializado em DVD e por streaming nos EUA. Ainda inédito no Brasil. A produção disseca toda a trajetória de uma das revistas masculinas mais polêmicas de todos os tempos e de seu criador, Larry Flynt, temas já visitados pela ficção no imperdível “O povo contra Larry Flynt” (1996), de Milos Forman.

O CineKink aconteceu entre os dias 24 de fevereiro e 1º de março na cidade de Nova York, nos Estados Unidos.  Vandever garante a 13ª edição em 2016 e não esconde a ambição de que o festival cresça. “Afinal, todos nós gostamos de sexo”.

 Assista aos trailers das duas produções premiadas no CineKink

Não é o Oscar: os premiados no CineKink exibem suas estatuetas

Não é o Oscar: os premiados no CineKink exibem suas estatuetas

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quarta-feira, 4 de março de 2015 Curiosidades, Filmes, Fotografia | 07:00

Mundo corporativo é satirizado em fotos promocionais de nova comédia estrelada por Vince Vaughn

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Vince Vaughn pode até sempre fazer o mesmo papel no mesmo tipo de filme, mas o material promocional de “Unfinished business”, seu mais recente filme com estreia prevista para esta sexta-feira nos EUA e para setembro no Brasil, ganha pontos pela originalidade.

A Fox, estúdio responsável pela produção, se uniu a licenciadora de imagens Getty para criar fotos que o internauta pode baixar gratuitamente e que brinca justamente com a ideia do ambiente corporativo. São imagens que ressaltam o viés gozador dos personagens do filme em fotos que costumam ilustrar reportagens sobre o mercado de trabalho e que são realmente licenciadas para uso editorial pela Getty Images.

No filme, Vaughn é um empresário que só tem dois funcionários (Dave Franco – irmão de James – e Tom Wilkinson) e viaja para a Europa para fechar um contrato, mas as coisas acabam saindo do controle. O trailer e as famigeradas fotos podem ser conferidos abaixo.

Fotos:  (Getty e Fox)

Fotos: (Getty e Fox)

Unfinished (2)

Unfinished (3)

Unfinished (6)

Unfinished (7)

Unfinished (8)

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terça-feira, 3 de março de 2015 Curiosidades, Filmes | 22:43

Vídeo reforça tese de que “Birdman” é uma cópia de “Cisne negro”. Será mesmo?

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Montagem sobre reprodução

Montagem sobre reprodução

O crítico Inácio Araújo foi o primeiro a aventar a semelhança entre “Birdman” e “Cisne negro”. O Cineclube, bem antes da estreia de “Birdman”, já havia notado forte parentesco entre o grande vencedor do Oscar 2015 e outro filme do cineasta Darren Aronofsky. O filme em questão, “O lutador” (2008), predecessor de “Cisne negro”, a exemplo de “Birdman” para Iñarritu, devolveu ao cineasta americano o prestígio junto à crítica e reconfigurou seu cinema.

A comparação entre “Birdman” e “Cisne negro”, no entanto, ganhou musculatura e até mesmo um vídeo imbuído do objetivo de ressaltar as semelhanças entre os filmes. Similaridades estas, que na ótica de Miguel Branco (responsável pela edição do vídeo), se bifurcam tanto na narrativa como na estética. Ele advoga que até mesmo alguns símbolos usados por Aronofsky no filme ambientado na mundo do balé são replicados por Iñárritu em “Birdman”.

É preciso reconhecer que na elaboração visual os filmes são mesmo compatíveis, mas os desfechos de um e outro, como preconizado pela coluna, remetem a “O lutador”.  Além, é claro, do mote de um renegado em busca de relevância e da metalinguagem fluída entre personagem e protagonista, verificada tanto em Michael Keaton  (“Birdman”) como em Mickey Rourke (“O lutador”).

Assista ao vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões:

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Críticas, Filmes | 20:06

Espaço Cult – “O Grande Hotel Budapeste” é um legítimo L´Air de Panache

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O cinema de Wes Anderson é uma grife e para quem ainda duvida disso, a informação de que o perfume usado pelo protagonista, um escroque de butique vivido com incrível ritmo por Ralph Fiennes, foi desenvolvido especialmente para o filme pelo perfumista Mark Buxton, seja de alguma valia.

O perfume usado pelo concierge Gustave H. (Fiennes) é das fragrâncias mais refinadas e persistentes que há, informa Zero (Tony Revolori/F. Murray Abraham), o mensageiro e fiel escudeiro de Gustave no Grande Hotel Budapeste. Pois bem, o mais recente filme de Wes Anderson é um legítimo L´Air de Panache. Anderson preserva suas idiossincrasias, mas entrega seu filme mais acessível. Uma demonstração de amadurecimento enquanto cineasta.

“O Grande hotel Budapeste” é uma deliciosa fábula sobre as agruras da guerra, mas em momento algum essa comédia solar torna-se pesada, grave ou ruidosa. Pelo contrário, Anderson oferece energia, esperança e beleza ao falar de como a guerra foi um evento catalisador de mudanças profundas no jogo social. Não obstante, formula um personagem dos mais icônicos de sua filmografia, o concierge Gustave H., defendido com afetação calculada e humor brioso por Ralph Fiennes. Responsável pelo imponente Grande Hotel Budapeste, Gustave H. é um homem de gosto refinado e interesses venais. Ele costuma se relacionar com grã-finas endinheiradas que têm por hábito paparicá-lo. De quebra, garante a boa frequência do hotel que comanda.

Ralph Fiennes: não menos que espetacular em cena (Foto: reprodução)

Ralph Fiennes: não menos que espetacular em cena
(Foto: reprodução)

Depois que uma dessas senhoras morre e lhe deixa um bem, Gustave H. é acusado de ser o responsável pela morte dela e precisa provar sua inocência. A guerra é um pano de fundo desestabilizador.

A estética apurada, marca registrada do cinema de Anderson, permanece como um dos grandes atrativos do filme. Os enquadramentos e a direção de arte denunciam logo no primeiro olhar, se tratar de um filme do diretor. O que mais impressiona, principalmente considerando esse ser o trabalho posterior a “Moonrise Kingdom” (2012), é a maneira cada vez mais sofisticada que o cineasta concilia seus impulsos autorais com o tema escolhido em particular. A sinergia é cada vez mais esplendorosa e irresistível.

“Começa muito parecida com uma colônia tradicional”, explicou Buxton na ocasião do lançamento do perfume, “depois de cinco ou dez minutos, fica muito amadeirado e animálico; bastante moderno”.

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Atrizes, perfil | 07:30

A desconstrução de Kristen Stewart

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Kristen Stewart com o prêmio "César" conquistado no fim de fevereiro (Foto: Getty)

Kristen Stewart com o prêmio “César” conquistado no fim de fevereiro
(Foto: Getty)

Existem atores que abraçam a celebridade e existem atores que a rejeitam com todas as suas forças. No primeiro time podemos listar Jennifer Lawrence e George Clooney, dois expoentes bem sucedidos de celebridades midiáticas à vontade com a exposição e com o status que gozam no cinemão. De outro, temos figuras como Matthew McConaughey e Bradley Cooper, que se esforçam para se distanciar tanto dos papeis percebidos como frívolos tanto como da rotina dos tabloides.

Kristen Stewart já sinalizava se interessar por esse segundo grupo, mas seus movimentos recentes sugerem que ela já está jogando neste time.

Atriz precoce, aos dez anos já atuava em filmes como “Os Flinstones em Viva Rock Vegas” (2000) e “Encontros do destino”. Seu primeiro papel de destaque foi como a filha de Jodie Foster em “O quarto do pânico” (2002), suspense estiloso de David Fincher.

Em 2007, depois de fazer parte de outras produções típicas de Hollywood com papeis cada vez mais destacados como no terror “Os mensageiros” (2007) e no infantil “Zathura – uma aventura espacial” (2005), Stewart foi a filha de outra estrela de Hollywood: Meg Ryan, no filme “Eu e as mulheres”. Na produção ela se interessava pelo mesmo rapaz que sua mãe.

“Na natureza selvagem”, de Sean Penn, revelava uma Kristen Stewart senhora de seu talento. Em um papel pequeno, a atriz,  então com 17 anos, cativava e impressionava pela gravidade do registro. Mas aí veio “Crepúsculo” (2008) e toda uma febre que propulsou insegurança e celebridade no mesmo compasso. Além, é claro, de uma relação amorosa com seu colega de cena, Robert Pattinson, devassada em todos os níveis possíveis e imagináveis por um estrato da mídia cioso de escândalos e deslizes de toda sorte.

A franquia “Crepúsculo” ainda estava na ativa e a atriz já ensaiava uma mudança de rumo com filmes como “Férias frustradas de verão”, um romance indie, “Corações perdidos”, um drama pungente estrelado pelo saudoso James Gandolfini, “The runaways – as garotas do rock” e “Na estrada”, filme de Walter Salles sobre a icônica obra de Jack Kerouac. Ocorre que essas incursões de Stewart pelo cinema independente foram problemáticas. A atriz cativante e segura de si de “Na natureza selvagem” havia desaparecido. Estava ali uma celebridade querendo provar-se digna de tanto rebuliço. Stewart se não estava ruim em todos esses filmes, dava margem para a discussão. Ela precisava se desconstruir ainda mais. Precisava submergir em papeis não necessariamente desafiadores, mas que desconstruíssem sua celebridade. Essa oportunidade apareceu na forma do filme “Acima das nuvens”, pelo qual a atriz se tornou a primeira americana a vencer o César, prêmio máximo do cinema francês. Na obra de Olivier Assayas, ela vive a assistente de uma atriz em decadência (Juliette Binoche), que não somente vive uma relação ambígua com a atriz, como vive a disparar perolas sobre fama e celebridade, mundo ao qual acompanha com frenesi. Trata-se de um exorcismo metalinguístico patrocinado por um dos cineastas franceses mais interessantes da atualidade. Em 2014, a atriz contracenou ainda com outra atriz que goza de unanimidade, Julianne Moore, no premiado “Para sempre Alice”.  Importante para essa recodificação não é só escolher os papéis certos, mas os colaboradores corretos. Nesse aspecto, Kristen Stewart, agora aos 24 anos, tem acertado com louvor.

Kristen, aos 12 anos, ao lado de Jodie Foster em "O quarto do pânico"  (Foto: divulgação)

Kristen, aos 12 anos, ao lado de Jodie Foster em “O quarto do pânico”
(Foto: divulgação)

A atriz contracena com James Gandolfini em "Corações perdidos", mas não consegue esconder sua celebridade (Foto: divulgação)

A atriz contracena com James Gandolfini em “Corações perdidos”, mas não consegue esconder sua celebridade
(Foto: divulgação)

Entre seus próximos trabalhos se destacam “Equals” e “Anesthesia”, ambos com lançamento para 2015. O primeiro versa sobre um mundo futurista em que as emoções foram banidas. Trata-se de uma ficção distópica com ecos de Philip K. Dick. O segundo, um filme coral de Tim Blake Nelson, trata das consequências de um ataque brutal a um professor em um campus universitário.

Não obstante, a atriz foi confirmada no elenco do novo filme da cineasta Kelly Reichardt, ainda sem nome definido. A fita consistirá em uma série de vinhetas que giram em torno da vida dos moradores de uma pequena cidade de Montana. A atriz viverá uma advogada que assume um posto de professora disposta a vencer seu bloqueio para ensinar.

São escolhas de uma atriz e não de uma celebridade. Kristen Stewart talvez nunca se desligue por completo do status conquistado com “Crepúsculo”, mas certamente pode subvertê-lo a exemplo do que fez o hoje ganhador do Oscar Matthew McConaughey e alcançar a promessa ensejada pela aquela atuação tão cândida e tocante em “Na natureza selvagem”.

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Atores, Notícias | 06:00

Novo projeto de Leonardo DiCaprio tem cheiro de Oscar

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Ilustração de Reagan Ray para a série "The Many Faces"

Ilustração de Reagan Ray para a série “The Many Faces”

Leonardo DiCaprio viverá 24 personagens em um mesmo filme. Não, DiCaprio não está tentando dar uma de Eddie Murphy, especialista nesse tipo de abordagem – basta lembrar de “O professor aloprado 2 – a família Klump” (2000). O ator está confirmado como o protagonista de “The crowded room”, cinebiografia de Billy Milligan, o primeiro réu a alegar distúrbio de personalidade em sua defesa em um tribunal.

Milligan, que morreu aos 59 anos em 2014, foi absolvido no final da década de 70 dos crimes de estupro de três mulheres no campus da Universidade de Ohio. Ele passou dez anos em sanatórios.

O projeto, segundo informações do The Hollywood Reporter, é caro a DiCaprio que vinha trabalhando para comprar os direitos do livro “The minds”, escrito por Daniel Keys e lançado em 1981. Por muito tempo, o projeto figurou na famigerada blacklist de Hollywood, listinha que compreende grandes projetos tidos como infilmáveis por razões diversas (caros demais, tecnologia atual insatisfatória, etc).

Os últimos dois filmes que DiCaprio batalhou arduamente para produzir foram “O aviador” (2004) e “O lobo de Wall Street” (2013), ambos também produzidos e dirigidos pelo seu parceiro artístico e amigo Martin Scorsese. Ainda não há nenhum diretor vinculado a “The crowded room”. Scorsese pode ser novamente o escolhido. Tanto DiCaprio quanto o diretor estão vinculados a “Sinatra”, projeto que tem esbarrado em interesses difusos para ganhar vida, o diretor está finalizando “Silence” que será lançado no final do ano. DiCaprio, por sua vez, está terminando “The Revenant”, novo filme do oscarizado Alejandro González Iñarritu, que também será lançado no fim deste ano. As agendas, sob essa perspectiva, podem bater e “The crowded room” se configurar como o sexto fruto da prolífica parceria.

As más línguas podem atentar para o fato de que DiCaprio vai apelar para um doente mental em sua saga pela conquista de um Oscar. Pura maldade. “The crowded room” é mais uma prova do faro apurado de DiCaprio para boas histórias e pode ser o atestado definitivo de sua versatilidade como intérprete.

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sábado, 28 de fevereiro de 2015 Análises, Notícias | 07:00

Sequências de “Alien” e “Blade Runner” geram boas perspectivas

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bladeHá quem acredite que não se deveria mais mexer na mitologia de “Alien”. Ridley Scott expandiu o universo que já rendera quatro filmes com “Prometheus” (2012), um filme que nunca atinge sua potencialidade, mas tampouco faz feio. Antes mesmo de “Prometheus”, que já tem sequência confirmada, já havia um zum zum zum em torno de um novo “Alien”. Ridley Scott estava cotado para dirigir caso a Fox aprovasse um novo filme. As coisas aconteceram meio por acaso. O cineasta sul-africano Neill Blomkamp (“Distrito 9” e “Elysium”) publicou em suas redes sociais artes conceituais que ele mesmo fizera para o caso de dirigir um filme da franquia. Poucas semanas depois, mais precisamente em 19 de fevereiro, a Fox anunciou que haveria uma nova sequência de “Alien” com Blomkamp na direção e Scott ocupando a produção executiva.

Corta para a noite da última quinta-feira (26). A Alcon Entertainment, que adquirira os direitos de “Blade Runner – o caçador de androides” (1982), em 2011, anunciou que faria uma sequência e que Harrison Ford reprisaria seu papel como Rick Deckard. A direção ficará a cargo do canadense Dennis Villeneuve, de “O homem duplicado”. Filme que certamente funcionou como a melhor das credenciais para Villeneuve.

Desde que comprou os direitos sobre “Blade Runner”, muito especulou-se que a Alcon estaria interessada em rodar uma prequela da trama do filme de 1982. Ridley Scott também atuará na produção executiva servindo como um consultor de luxo.

“Alien” e “Blade Runner” têm mais do que Ridley Scott em comum. São filmes revolucionários, na linguagem e na forma, e seminais na arquitetura de uma ficção científica mais independente e altiva.

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia "Alien"

Arte conceitual de Blomkamp para o novo filme da franquia “Alien”

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para "Alien"

Mais uma imagem da visão de Blomkamp para “Alien”

Harrison Ford voltará a viver Rick Deckard, mas pode se desligar em definitivo de outro icônico personagem. Há uma onda de boatos ganhando cada vez mais força em Hollywood de que Steven Spielberg trabalha para dirigir uma nova versão de “Indiana Jones” com Chris Pratt (“Guardiões da galáxia”) como Indy.

Hollywood, como diriam as más línguas, não sabe largar o osso. Mas especificamente sobre os novos “Alien” e “Blade Runner”, as perspectivas são as melhores possíveis. Blomkamp é fã confesso dos dois primeiros filmes – o segundo foi dirigido por James Cameron – e já anunciou que seu filme deve desconsiderar os eventos das terceira e quarta produções. Blomkamp é um dos últimos nomes realmente promissores a emergir na cena da ficção científica e sua devoção à essência de “Alien” e especialmente o trabalho apresentado em “Distrito 9” são razões que fundamentam o otimismo.

Villeneuve é um dos diretores mais inventivos e inteligentes a ter pisado em Hollywood. Depois de ir ao Oscar com o drama canadense “Incêndios”, ele debutou no mainstream americano com o tenso e intenso “Os suspeitos” (2013), estrelado por Hugh Jackman como um pai à procura de sua filha sequestrada. Seu filme seguinte, “O homem duplicado”, uma adaptação de Saramago, versava sobre identidade – tema caro ao universo de “Blade Runner”.

Esses filmes não precisariam de novos desdobramentos ou capítulos, mas já que esse é um caminho inevitável no negócio do cinema, essas relíquias cinematográficas não poderiam ter sido entregues a melhores mãos.

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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015 Críticas, Filmes | 20:39

“50 tons de cinza” é um romance e, como tal, não decepciona

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É difícil resistir à tentação, mas uma análise séria de “50 tons de cinza” não pode observá-lo como uma obra sobre sexo. Em momento algum essa ambição existe no filme. Trata-se, portanto, de uma desonestidade intelectual. Não se trata também de uma comédia romântica como muitos tentaram incutir a respeito da produção, mas de um romance que se permite algum fetiche. Há romances ambientados no mundo corporativo, em redações de jornais, na Casa Branca e “50 tons de cinza” é um romance ambientado no universo do sadomasoquismo. É nesse contexto que o filme de Sam Taylor-Johnson deve ser avaliado.

A história desse primeiro volume é bem conhecida. Anastasia Steele (Dakota Johnson) é uma estudante de literatura inglesa tímida e virgem que depois de uma atrapalhada entrevista com o magnata Christian Grey (Jamie Dornan) para o jornal da faculdade, acaba entrando na mira desse homem de convicções fortes e gostos singulares.

Grey logo diz que não curte a rotina de um romance e, aos poucos, vai revelando uma libido poderosa. Ela, espantada a princípio, aceita o jogo de sedução proposto pelo bilionário e engata em uma relação cheia de restrições e novidades. Essa relação, assombrada por um contrato jamais assinado, vai revelando desafios para ambos.

É desse mundo de possibilidades entre o convencional e o desconhecido que “50 tons de cinza”, o filme, se resolve. Sam Taylor-Johnson, com o préstimo da roteirista Kelly Marcel, sofistica um texto amador e afere à obra um clima de sedução bastante envolvente. “50 tons de cinza”, porém, não é sexy. Um problema que talvez decorra do fato do estúdio objetivar um filme classificado para menores de 17 anos, mas que nem mesmo a nudez ocasional dos protagonistas é capaz de disfarçar. Os cortes no sexo dos protagonistas tão logo despidos são uma constante lembrança de que o filme se ressente em sexualizar-se. A ausência de sensualidade não compromete o bom fluxo do romance e Johnson é uma diretora perspicaz em exteriorizar os receios de Anastesia e conta com a boa atuação de Dakota Johnson para isso.

Mais sexo e menos sensualidade pautam "50 tons de cinza": ou seria o contrário?  (Foto: divulgação)

Mais sexo e menos sensualidade pautam “50 tons de cinza”: ou seria o contrário?
(Foto: divulgação)

Elegante e pomposo, a ausência de sensualidade do filme pode estar diretamente relacionada à atitude de Jamie Dornan em frente às câmeras. Sem entrar no mérito da questão da química com Dakota, bem ínfima, para registro, o ator parece confundir sisudez com charme; rigidez com apelo sexual. O trauma do personagem, submerso nesse primeiro volume, parece nortear a atuação de Dornan que promove um desencontro entre o filme e a essência de Christian Grey. Esse, talvez, seja o maior lapso narrativo de um filme erguido sobre expectativas conflitantes e que apresenta um resultado incrivelmente positivo em face de tamanha convulsão de mídia e interesses.

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