Publicidade

quarta-feira, 27 de agosto de 2014 Bastidores, Notícias | 06:00

A ala pró-Israel em Hollywood acordou?

Compartilhe: Twitter

Enquanto o conflito entre Israel e Palestina vive um de seus capítulos mais nefastos, o mundo do cinema parece reagir de forma difusa, insegura e reticente. Historicamente, Hollywood tende a se posicionar de maneira favorável a Israel; o que é compreensível e justificável em face da verdade imutável de que Hollywood se ergueu sob as rédeas dos judeus e, ainda hoje, é uma engrenagem articulada sob a influência de magnatas da etnia.

Jon Voight (Foto: Getty)

Jon Voight (Foto: Getty)

À medida que o assombro causado pelo noticiário vindo da faixa de Gaza aumentava, surgiam tímidas vozes contra a opressiva ação de Israel na região. Uma dessas vozes foi do ator espanhol Javier Bardem que, no fim de julho, escreveu e divulgou uma carta em que criticava Israel pelo que classificou de “genocídio” cometido em Gaza. O ator foi respaldado por sua esposa, Penélope Cruz, que também se pronunciou contra a ação de Israel no território palestino. A carta motivou um contra-ataque de Jon Voight (“Amargo regresso”) que chamou os dois de “ignorantes” e entusiastas do antissemitismo. A atriz, para afastar a polêmica que se anunciava, baixou o tom ao declarar que não era perita no assunto, embora reconhecesse sua complexidade e que só “desejava paz entre Israel e Palestina”.

Até este incidente, apenas manifestações isoladas de celebridades via redes sociais pautavam o círculo hollywoodiano sobre as tensões atuais que emanadas do conflito em Gaza.

Ironicamente, quando uma trégua mais duradoura é acertada entre Israel e Hamas, o conflito parece incendiar o mundo do cinema.

Uma ONG pró- Israel declarou ao semanário The Hollywood Reporter ter reunido mais de 190 assinaturas de figurões de Hollywood em apoio às ações de Israel em Gaza. Segundo o veículo americano, destacam-se nesta lista os nomes de Kelsey Grammer (“Transformers: a era da extinção”), Minnie Driver (“Gênio indomável”), Sylvester Stallone (“Os mercenários 3”), Arnold Schwarzenegger ( “Os mercenários 3”), Seth Rogen (“Vizinhos”), Tony Goldwyn (“Ghost – do outro lado da avida”), William Friedkin (diretor de “O exorcista”), Jerry Weintraub (produtor de filmes como “Onze homens e um segredo”), Avi Arad (um dos chefões do estúdio Marvel), Aaron Sorkin (roteirista de “A rede social”) e os diretores Joel e Ethan Coen (“Onde os fracos não têm vez”).

A ONG, denominada “The Creative Community for Peace Organization”*, promete uma série de anúncios pagos na tv e nos principais jornais americanos a partir desta semana. A ideia é levantar a bola israelense em face da mudança de rumo da política externa obamista sinalizada nesses últimos meses.

O judeu Steven Spielberg no set de "Munique" (2005),  filme inesperadamente imparcial na retratação do longevo conflito entre Israel e Palestina

O judeu Steven Spielberg no set de “Munique” (2005), filme inesperadamente imparcial na retratação do
longevo conflito entre Israel e Palestina (Foto: divulgação)

Ainda na esfera política, o cineasta inglês Ken Loach (premiado em Cannes por “Ventos da liberdade” em 2006) manifestou indignação com o fato da Inglaterra manter-se sob orientação americana na questão palestina e defendeu um boicote generalizado a “todo acontecimento cultural apoiado pelo Estado de Israel”. Loach, em fala no festival de cinema de Sarajevo, encerrado no último sábado na Bósnia, foi além. “Israel deve se tornar um Estado pária”, defendeu comparando o que ocorre em Gaza à guerra da Bósnia que estremeceu os anos 90.

A ebulição das vozes pró- Israel deve abafar as poucas que emergiram em favor da Palestina. O ponto desestabilizador, independentemente das perspectivas a se assumir em relação ao conflito, reside justamente aí. Na eloquência do soft power** americano, materializado por seu cinema dominante, em advogar interesses que não prosperam em outras frentes.

Ken Loach defende medidas agressivas contra Israel (Foto: reprodução Guardian)

Ken Loach defende medidas agressivas contra Israel (Foto: reprodução Guardian)

*Confira a lista completa de personalidades de Hollywood que já assinaram o documento pró-Israel aqui.

** Soft power, poder brando em tradução literal, é um termo usado nas relações internacionais para designar a habilidade de um corpo político para influenciar indiretamente outro corpo político por meios culturais ou ideológicos

Autor: Tags:

segunda-feira, 25 de agosto de 2014 Bastidores, Filmes | 20:52

“Guardiões da galáxia” dissipa dúvidas sobre seu reinado na temporada de blockbusters

Compartilhe: Twitter

Guar“Guardiões da galáxia” é um dos filmes mais divertidos da temporada. Ponto final? Não necessariamente. O sucesso da Marvel parece se recusar a encerrar o capítulo que está escrevendo na história do cinema em 2014 e da Marvel enquanto estúdio. No último fim de semana algo raro aconteceu nas bilheterias dos EUA. Um filme já em cartaz há um mês retornou ao topo das bilheterias. Que filme é esse? Bem, o título deste texto já diz tudo. Nada de “Sin City : a dama fatal” ou o drama teen “Se eu ficar”, quem tirou “As tartarugas ninjas” da liderança do ranking foi “Guardiões da galáxia”. Mas não só! O filme dirigido por James Gunn está a poucos dias de ultrapassar “Capitão América: o soldado invernal”, também da Marvel, como o filme mais rentável do ano nos EUA. “Guardiões da galáxia” já arrecadou U$ 251 milhões nas bilheterias americanas enquanto que o segundo  “Capitão América” ostenta a marca de U$ 259 milhões. Analistas da indústria são ainda mais otimistas e projetam que o filme estrelado por Chris Pratt supere o patamar de U$ 300 milhões.

Leia a crítica do filme: “Guardiões da galáxia” é o 7×1 da Marvel no cinemão americano 

Outro indício da consistência do filme é que de todos os sucessos de bilheteria do ano (de “A culpa é das estrelas” a “Godzilla”) é o que menos perde público de uma semana para a outra. Dado este que, não só consolida essa liderança que se avizinha na mais concorrida temporada de lançamentos do cinema americano, como demonstra que o filme se comunica com um público muito mais diverso do que muitos supunham. Indo muito além daquela molecada cheia de espinhas que filmes de heróis como “O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro” miram em cheio.

Se a Marvel já estava rindo à toa, a notícia de que “Guardiões da galáxia”, em qualquer parâmetro adotado é o filme da temporada, é um alento para a ousadia e a criatividade que devem seguir norteando as escolhas do estúdio e, também, de quem quiser lhe fazer frente nas bilheterias.

Autor: Tags: ,

quarta-feira, 20 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 06:00

Novo “Os mercenários” é pensado para acomodar elenco numeroso

Compartilhe: Twitter

Sabe quando você resolve dar aquela festa e sai convidando gente a torto e a direito e depois percebe que talvez não tenha estrutura para receber tanta gente? “Os mercenários 3” (EUA 2014) é mais ou menos assim. A franquia de ação mais improvável, e por que não divertida, do cinema atual se estabeleceu em cima do conceito da reunião de astros de ação do cinema de ontem e de hoje.

Será que cabe todo mundo no pôster?

Será que cabe todo mundo no pôster?

No terceiro filme, o inchaço do elenco não só é notável como é algo celebrado pelo marketing do filme. Mas a fita dirigida pelo semidesconhecido Patrick Hughes se esforça para esconder a verdade que o marketing deseja propalar. O filme só existe em virtude dos astros que reúnem. O argumento que dá base à trama de “Os mercenários 3 “, a exemplo do que ocorre com os outros dois filmes, é de Sylvester Stallone. No entanto, diferentemente dos outros filmes, dirigidos por Stallone e Simon West respectivamente, Hughes não consegue fazer do hype uma produção com o mínimo senso de ritmo. Desta maneira, o terceiro filme se resolve, ou pelo menos tenta, como um esforço, muitas vezes truncado, para acomodar o elenco numeroso.

Isso posto, os fãs da franquia não devem se incomodar. “Os mercenários 3” oferece justamente o que promete. Tiros, testosterona e piadas internas para aqueles que conhecem mais da carreira dos envolvidos na franquia. Piadas como o tempo e  a razão da prisão de Wesley Snipes, a saída de Bruce Willis da série ou a latinidade afetuosa de Antonio Banderas dão o tom satírico da produção. Mel Gibson se diverte fazendo o melhor e mais verídico vilão da série. Seu personagem, Stonebanks, tem um passado com Barney Ross, o personagem de Stallone. Ambos fundaram o grupo conhecido como mercenários. Enquanto Ross acabou fazendo contratos com a CIA, Stonebanks foi traficar armas no mercado negro. O reencontro promete ser explosivo e cheio de ressentimento.

Se o fã não deve se decepcionar, o mesmo não se pode dizer do espectador ocasional. “Os mercenários 3”, apesar de contar com mais atrações e apostar na sátira, é o filme mais fraco da série e o menos empolgante visto isoladamente. São indícios comprometedores para os planos de Stallone que são, obviamente, de esticar a vida útil dos mercenários no cinema.

Com o novo filme, Stallone se impõe um dilema. Ou assume a vocação da série para a galhofa ou repensa o foco da franquia. Este terceiro filme mostrou que do jeito que está a série vai beijar a lona bem antes de Rocky Balboa, por mais divertido que seja ver todos esses ases da ação dividindo a tela do cinema.

Stallone e seu grupo encaram um pequeno exército no clímax do filme: qual será o próximo desafio? (Fotos: divulgação)

Stallone e seu grupo encaram um pequeno exército no clímax do filme: qual será o próximo desafio?
(Fotos: divulgação)

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 18 de agosto de 2014 Curiosidades | 23:12

E se Michael Bay dirigisse o filme “Up-altas aventuras”?

Compartilhe: Twitter
O diretor Michael Bay em ação... (Foto: divulgação)

O diretor Michael Bay em ação… (Foto: divulgação)

Ah, a internet! O mundo de possibilidades que ela oferece! A última brincadeira cinéfila, que já foi vista por mais de 790 mil internautas em todo o mundo desde que foi postada no YouTube na última sexta-feira (15), é imaginar como seria um dos clássicos da Pixar se fosse dirigido por um dos mais explosivos diretores da Hollywood atual. Estamos falando do fofo e sensível “Up – altas aventuras”, vencedor do Oscar de melhor animação em 2010, e de Michael Bay, que se não tem Oscar na prateleira, enumera recordes de bilheterias com a série “Transformers”.

No vídeo, muitíssimo bem produzido, testemunhamos como seria a jornada de Carl Fredricksen (o ranzinza protagonista dublado pelo saudoso Chico Anysio na versão nacional) se conduzida por Bay. Longos takes, explosões em alta definição, perigo iminente e Linkin Park na trilha sonora são algumas das pistas. Quem conhece o jeito de filmar de Michael Bay e essa delícia de filme da Pixar vai curtir as referências e piadas.

A versão de Bay:

 

O trailer dublado do filme:

Autor: Tags: , ,

domingo, 17 de agosto de 2014 Atores, Filmes, Listas | 17:00

As dez melhores atuações de Robin Williams

Compartilhe: Twitter

Ao confeccionar essa lista em homenagem a este grande talento que partiu de maneira abrupta e, para quem não seguia sua carreira de perto, surpreendente, percebe-se o quão injustiçado Robin Williams fora como ator. Alvo da fúria de Arnaldo Jabor na sua inesquecível participação na transmissão da cerimônia do Oscar em 1998, que consagrou “Titanic” com onze Oscars e Robin Williams por um papel dramático, o ator traz à lista performances dramáticas de primeira categoria, outras inclinadas ao humor e algumas que combinam apuro cômico à envergadura dramática. Para quem não conhece sua filmografia, e para quem gosta de rememorá-la, clareia-se a percepção de que se tratava de um ator muito melhor do que os rótulos que lhe atribuíam em vida eram capazes de tangenciar.

10 – “Patch Adams – o amor é contagioso” (1998)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

Depois de tentar o suicídio, Hunter Adams (Williams) tem uma epifania: resolve cursar medicina para ajudar as pessoas. Mas ele não fica só na medicina. Tempera-a com humor e carinho. Seus métodos naturalmente ganham admiradores e detratores. Williams impregna seu registro de um encantamento muito natural. Sua atuação trafega entre os tons dramático e cômico com desenvoltura. Um trabalho que se fosse feito por outro ator talvez recebesse mais destaque e louros.

9 – “Insônia” (2002)

Insônia - filme

Aqui na pele do primeiro vilão de sua carreira, Williams assombra pelo comedimento e pela capacidade de projetar um lado sombrio verdadeiramente assustador. O choque é maior para quem conhece apenas sua faceta cômica. Como um assassino que entra em um jogo de gato e rato com o policial vivido por Al Pacino, Williams apresenta, pela ousadia e robustez, um dos pontos altos de sua carreira.

8 – “Morra, Smoochy, Morra” (2002)

Smoochy

O ano de 2002 definitivamente foi o ano em que Williams impôs a si mesmo a necessidade de reinventar-se. Aqui ele faz um apresentador de um programa infantil demitido depois que seu nome foi envolvido em um escândalo midiático. Seu substituto é interpretado por Edward Norton. Enquanto se sente cada vez mais miserável, Williams volta sua ira contra seu substituto e revela um comportamento cada vez mais agressivo.

Williams nunca esteve tão maníaco-depressivo como nesta perola do humor negro dirigida por Danny DeVito. O ator convence como um homem que sucumbe à própria angustia e à egolatria.

7 – “A gaiola das loucas” (1996)

gaiola das loucas

Robin Williams faz o dono de uma boate de drag queens que vive com sua estrela, interpretada por Nathan Lane. Quando seu filho avisa que vai se casar e que o pai da noiva, um senador conservador, quer conhecer a família, uma grande confusão se arma. Williams reina na comédia física em um dos marcos do cinema queer e um dos primeiros neste compasso a atingir à família em grande escala.

6 – “Retratos de uma obsessão” (2002)

Retratos de uma obsessão

Williams vive o funcionário de uma loja de revelação de fotos em uma hora. Ele começa a desenvolver uma forte obsessão por uma família que costuma revelar suas fotografias na loja em questão. Neste soturno e surpreendente filme, Williams veste a carapuça como um sujeito que vai revelando-se mais perturbado do que intuímos à medida que a trama avança.

5 – “Uma babá quase perfeita” (1993)

Babá

Talvez este seja o filme mais famoso de Williams e seu personagem mais reconhecível. Não deixa de ser uma justa condição. Williams prova sua versatilidade cômica e talento para a improvisação neste filme em que precisa atuar travestido de mulher a maior parte do tempo. No entanto, é o sentimento que tateia como o pai que quer cercar-se da presença dos filhos que prevalece na bela composição do ator.

4 – “O pescador de ilusões” (1991)

O pescador de ilusões

Neste drama sobre infelizes coincidências da vida, Robin Williams faz um homem devastado por uma violenta tragédia que cedeu à mendicância e que vislumbra em uma improvável amizade com o personagem de Jeff Bridges a cura para a aflição que toma sua alma. Uma atuação que combina sutileza e energia com rara felicidade.

3 – “Bom dia, Vietnã” (1987)

Bom dia

Por este filme, Williams recebeu sua primeira indicação ao Oscar. Como um DJ que traça como principal meta levar alegria aos soldados americanos servindo no Vietnã, Williams projeta na tela a imagem que se perpetuaria como sua. A de um homem afável, camarada, bem intencionado, atencioso e muito divertido. Uma performance cheia de predicados que foi justamente destacada pela nomeação ao Oscar.

2 – “Gênio indomável” (1997)

gênio

Como um terapeuta que consegue dar rumo à existência de um jovem e rebelde gênio, Williams volta a brilhar intensamente. Em um papel dramático construído sobre minúcias e com um tempo totalmente diferente de suas incursões dramáticas anteriores, o ator tem momentos sublimes. Principalmente nos diálogos inspirados com Matt Damon ofertados pelo roteiro escrito por este último em parceria com Ben Affleck. Pelo trabalho, e depois de três indicações, finalmente seria agraciado com o Oscar.

1 – “Sociedade dos poetas mortos” (1989)

Sociedade dos poetas

Outro célebre personagem de uma galeria insuspeitamente repleta do seu DNA. Como um professor de literatura que não se contenta em ensinar apenas literatura, ele cativa e inspira. Em muito porque sinaliza com sua atuação devotada que acredita piamente não só no personagem, mas em suas motivações.

Autor: Tags: , , , , ,

sábado, 16 de agosto de 2014 Atrizes | 19:16

Lauren Bacall, a estrela que viveu e morreu com discrição

Compartilhe: Twitter

 

Cena do filme "Uma aventura na Martinica" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Uma aventura na Martinica” (Foto: divulgação)

Em meio a uma semana supreendentemente tumultuada, a morte de Lauren Bacall quase não foi notada. Uma injustiça com uma mulher que estreou no cinema tirando o fôlego, mas que após a morte de Humphrey Bogart, com quem foi casada entre 1945 e 1957 (ano da morte dele), acomodou-se na figura da coadjuvante.

Ser atriz não estava nos planos de Bacall. Mas ela o foi antes mesmo de pensar em sê-lo. Descoberta pelo cineasta Howard Hawks antes dos 20 anos, ela foi recrutada depois de estampar com sua hipnótica beleza uma capa da revista Harper´s Bazaar, para estrelar “Uma aventura na Martinica”, clássico do cinema noir que ajudou a definir os rumos do gênero no cinema americano pelas próximas duas décadas. Seu co-protagonista no filme em questão? Humphrey Bogart. A história de amor renderia quatro filmes. Todos excelentes. “À beira do abismo” (1946), no caso, também assinado por Hawks. Os outros dois, “Prisioneiros do passado” (1947) e “Paixões em fúria” (1948), são de Delmer Daves e John Huston respectivamente.

A morte de Humphrey Bogart se não desestabilizou a carreira de Bacall, realocou-a. Ela deixou de ser a musa do cinema noir, a leading lady, e se abrigou fora dos holofotes. Papeis de menor relevância foram seu norte por anos. Ainda que tenha brilhado em alguns deles como em “Assassinato no Expresso do Oriente” (1974) e “O espelho tem duas faces” (1997), pelo qual recebeu sua única indicação ao Oscar.

A academia lhe outorgou um Oscar honorário em 2010 reconhecendo sua importância para o cinema. Bacall, mulher lindíssima na juventude e na maturidade, mantinha-se na ativa. Atuava majoritariamente em produções televisivas. Seu último papel de destaque no cinema foi sob o comando do polêmico Lars Von Trier em “Dogville”.

A opção pela discrição, que começou como um desdobramento de sua viuvez, acabou se tornando uma característica de sua longeva carreira.  Lauren Bacall foi discreta até em sua morte, mas seu arrebatador início de carreira e sua presença sempre iluminada em filmes tão diversos serão lembrados por aqueles que gostam de cinema em sua plenitude.

Autor: Tags: ,

sexta-feira, 15 de agosto de 2014 Críticas, Filmes | 18:53

“The Rover” é a crônica da desesperança anunciada

Compartilhe: Twitter

O cinema australiano não tem tradição, mas oferta ao mundo um cineasta que se arrisca a instituí-la com ousadia, criatividade e robustez. Depois de impressionar com sua estreia, no intenso, violento e surpreendente “Reino animal”, David Michôd realiza um filme ainda mais complexo, desorientador e criativo. “The rover”, que no Brasil ganhou o péssimo subtítulo “A caçada” é um filme de ritmo espinhoso, mas intelectualmente compensador.

É também um estrato do cinema pensante. Vale-se do universo da ficção científica, da cenografia e cânones do western e do ritmo de filme de arte para ensejar um drama que busca um tipo muito particular de reflexão. A estrutura narrativa é apenas uma das ousadias de Michôd. A desconcertante cena final, que aventa “o sentido absurdo da vida” quando a condução da narrativa encorajava o espectador a abandonar a busca por qualquer sentido mais encorpado na trama, é a cereja do bolo de um filme que merece ser descoberto e apreciado.

foto: divulgação

foto: divulgação

Estamos em um futuro pós-apocalíptico, mas ele nada se distingue do presente. O colapso econômico tenta a civilização a ruir e é no deserto australiano que Michôd encena sua crônica da desesperança. “Há dez anos segui minha mulher e vi um homem enfiando os dedos nela. Matei os dois e nada aconteceu comigo”, brada o protagonista vivido com a retidão dramática necessária por Guy Pearce. “Ninguém veio atrás de mim. Esse é o tipo de coisa que não pode passar impune”, explica ele, em dado momento do filme, a um homem que é apenas uma sombra do que outrora foi um oficial da lei.

Quando esse forte diálogo se estabelece, “The Rover” já elabora seu clímax, que não é em termos rítmicos nada distinto do que se viu até ali. A câmera pouco intrusiva de Michôd e sua narrativa contemplativa acompanham um homem (Pearce) que tem seu carro roubado por três homens. Ele parte no encalço deles, eventualmente cruza com o irmão abandonado de um deles, papel de Robert Pattinson, e acaba criando uma inesperada parceria.

Sutilmente Michôd vai dando cor a esse futuro borrado e é na divergência entre os personagens de Pearce e Pattinson, que a grandeza da obra se articula. Enquanto um parece resignado, mas persegue seu objetivo (recuperar o carro) com gana incompatível com suas circunstâncias, o outro anseia por vínculo emocional em uma época em que a humanidade parece ter renunciado a ele de maneira definitiva.

“The Rover” causa impacto. Potencializado por sua engenharia narrativa, o filme nos cerceia as convicções com astúcia e dissabor. Uma abordagem que dá esperança ao cinema australiano que Michôd com toda a certeza irá influenciar.

Autor: Tags: , , ,

quarta-feira, 13 de agosto de 2014 Filmes, Listas | 06:00

Na esteira do Ebola, cinco filmes com vírus mortais

Compartilhe: Twitter

Todo dia o noticiário está sendo invadido com algum desdobramento sobre o Ebola. O mundo assiste, de maneira mais passiva do que o desejável, a efervescência do vírus na África, onde na definição da Organização Mundial da Saúde há um “surto descontrolado”.  O medo de uma pandemia apocalíptica que habita nosso inconsciente coletivo já foi explorado em diferentes níveis, e com distintos resultados, pelo cinema. O Cineclube elaborou uma lista com cinco filmes que abordaram a ascensão de diferentes vírus e o terror nefasto acarretado por eles à humanidade.

1 – Guerra Mundial Z (EUA, 2013)

Fotos: divulgação

Fotos: divulgação

O filme de maior bilheteria da carreira de Brad Pitt combina zumbis e vírus biológico. A trama mostra o personagem do ator, um soldado a serviço das Nações Unidas, buscando pelo mundo pistas que levem à manipulação de uma vacina capaz de curar o vírus que transforma as pessoas em zumbis velozes e famintos em questão de segundos.

2 – Sangue ruim (FRA, 1986)

Sangue ruim

Nessa pequena joia do cinema francês com uma jovem Juliette Binoche, a sociedade francesa sofre as consequências da passagem do cometa Halley pelo país. Além do calor descomunal, um vírus mata todos que fazem sexo sem amor. Trata-se de uma alegoria apaixonada e apaixonante, além de espirituosa, do diretor Leos Carax sobre a emergente Aids que tanto horror provocou nos anos 80.

3- Contágio (EUA, 2011)

Contágio

Steve Soderbergh acompanha, em escala global, a rapidez com que um vírus letal, transmissível pelo ar, se espalha causando terror e derrubando algumas fachadas da civilização.  Além do vigor narrativo e do esmero técnico da trama, o filme é recomendável pelos bastidores fidedignos das ações da Organização Mundial da Saúde em casos como o da gripe suína, que, inclusive, motivou a feitura do filme.

4 – Epidemia (EUA, 1994)

Epidemia

Um vírus mortal surge na África e depois começa a chegar aos EUA? Já ouviu falar disso? Pois o filme “Epidemia”, lançado na esteira do surto de Ebola que chocou o mundo nos anos 90, se deflagra a partir desta situação. O vírus “Motaba”, que tem um macaquinho como hospedeiro, apresenta sintomas muito parecidos com os do Ebola. O filme tem grande elenco com nomes como Dustin Hoffman, Kevin Spacey, Morgan Freeman e Rene Russo.

5 – Vírus (EUA, 2009)

Vírus

Um vírus devastou a humanidade e acompanhamos um grupo de amigos tentando sobreviver em um território em que qualquer um e qualquer lugar pode ser inóspito. O filme protagonizado por Chris Pine (“Star trk”) foca mais na ação do que no drama, mas não deixa de prover alguns dos dramas que circunstâncias tão aterradoras quanto extraordinárias ensejam.

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 11 de agosto de 2014 Atores | 21:41

Relembre a trajetória de Robin Williams, ator com o dom de cativar

Compartilhe: Twitter
 Fotos: Getty

Fotos: Getty

O mundo não verá o ator de riso fácil e talento dramático sempre subestimado voltar a encarnar aquele que é notadamente seu personagem mais famoso, a senhora Doubtfire de “Uma babá quase perfeita”, cuja sequência estava anunciada para 2015 e já estava em pré-produção. Robin Williams foi encontrado morto nesta segunda-feira (11) em sua casa na Califórnia. A suspeita de suicídio e o alardeado vício em álcool obscurecem uma carreira pontuada por muitos altos, mas que já vivia seu crepúsculo.

Indicado quatro vezes ao Oscar, Robin Williams venceu o prêmio da academia por sua atuação como um psicólogo dedicado em “Gênio indomável” (1998). Suas outras nomeações foram por “O pescador de ilusões” (1991), “Sociedade dos poetas mortos” (1989) e “Bom dia, Vietnã” (1987).

Robin Williams viveu sua grande fase no final dos anos 80 e início dos anos 90, como atestam as indicações ao Oscar pelo ator recebidas.

Em 1992, Williams dublou o gênio da lâmpada na animação “Alladin”. No ano anterior, deu vida a um Peter Pan crescido em “Hook – a volta do capitão gancho”, de Steven Spielberg.

“Uma babá quase perfeita” (1993), “Nove meses” (1995) e “Jumanji” (1996) deram cor a uma fase em que o ator se dedicou a filmes familiares.

Após o Oscar, conquistado por um papel dramático, Williams investiu no filão. Vieram dos dramalhões “Amor além da vida” (1998), “Patch Adams – o amor é contagioso” (1998) e “O homem bicentenário” (1999).

WilliamsO novo milênio trouxe um novo Robin Williams ou, pelo menos, um ator disposto a reinventar-se. “Retratos de uma obsessão” (2002), trazia o ator como um homem solitário e que fica obcecado por uma família. Em “Morra, Smoochy, morra” (2002), o ator vive um comediante que cai em desgraça quando é substituído por outro e passa a sabotá-lo. Trata-se de um filme de humor negro dirigido Danny de Vitto. Já em “Insônia”, o segundo filme de Christopher Nolan, Williams vive o primeiro vilão de sua carreira, pelo menos nos termos convencionais.

Os anos 2000 se seguiram sem grandes destaques e filmes medianos como “Férias no trailer” (2007), “Licença para casar” (2007), “O som do coração” (2007) e “Surpresas em dobro” (2009).

O último filme em que Robin Williams apresentou uma atuação digna de nota foi “Candidato aloprado” (2006), sátira política de Barry Levinson.

Williams deixa incompleta sua participação em “Uma noite no museu 3”. “Absolutely anything” e “Merry friggin´Christmas” já estão em pós- produção e serão lançados em 2015 e no Natal deste ano, respectivamente.

O último filme de Robin Williams lançado no Brasil apresenta uma história agridoce. Ele faz um homem que é notificado por sua médica de que tem apenas 90 minutos de vida devido a um aneurisma no cérebro. Ele então decide se retratar com todos que já magoou. O filme se chama “O que fazer?” e foi lançado diretamente no mercado de home-vídeo.

Robin Williams era um ator que despertava empatia. Essa era uma de suas principais características. Era muito fácil gostar dele e dos personagens que interpretava. Humanizá-los era o seu forte. Williams tinha o dom de comover, mesmo fazendo graça. Um talento raro e que agora, com sua partida, fica mais raro ainda.

Autor: Tags: ,

sábado, 9 de agosto de 2014 Atrizes, Bastidores | 12:41

A musa dos mercenários, Ronda Rousey

Compartilhe: Twitter
A lutadora, e agora atriz, na pesagem para sua última luta no UFC realizada no dia 6 de julho

A lutadora, e agora atriz, na pesagem para sua última luta no UFC realizada no dia 6 de julho

Ela é loira, linda, carismática, atlética, espontânea e pode te derrubar em um piscar de olhos. Estamos falando, é claro, de Ronda Rousey, a atual campeã da categoria peso galo feminino do UFC, que debuta no cinema em “Os mercenários 3”.

Antes de migrar para o MMA, Ronda foi exímia judoca – chegou a ganhar as medalhas de bronze nas olimpíadas de Pequim em 2008 e ouro no Pan-americano do Rio de Janeiro em 2007.

O cinema é uma consequência natural na carreira da já veterana atleta de 27 anos. O primeiro convite veio de Vin Diesel, que é seu fã, para participar do sétimo “Velozes e furiosos”. A morte de Paul Walker, no ano passado, fez o filme ser remanejado para 2015 e Sylvester Stallone, que já a assediava para engrossar o elenco da segunda continuação de “Os mercenários”, foi quem  se beneficiou. Não só Ronda topou o convite, como a agenda ficou livre pela necessidade da produção de “Velozes e furiosos 7” repensar os rumos do filme sem seu co-protagonista.

Ronda e sua cara de má em cena de "Os mercenários 3"

Ronda e sua cara de má em cena de “Os mercenários 3”

Exibindo todo o seu charme ao lado de Vin Diesel em cena de "Velozes e furiosos 7"

Exibindo todo o seu charme ao lado de Vin Diesel em cena de “Velozes e furiosos 7”

Mas por que Ronda? A pergunta deve rondar um ou outro leitor que ainda não conhece o repertório da moça. Ronda Rousey é o que podemos chamar de fenômeno. Ninguém se adaptou ao MMA de forma tão orgânica e vistosa como ela. Ela já é a campeã de vendas de pay-per-view do evento ao lado do também campeão dos meio-pesados Jon Jones. Em suas lutas sempre esbanja técnica e é uma figura proeminente nas redes sociais.

De uns tempos para cá sua agenda social, no entanto, inchou. Para desespero dos donos do UFC, Ronda tem dado pistas de que pode seguir carreira no cinema. Ela acaba de confirmar presença no filme “Entourage”, adaptação da famosa série da HBO. Além disso, tem aparecido em capas de revista (masculinas, femininas, esportivas…) e ido a um sem número de programas de TV. A rotina de Ronda cada vez mais se parece com a de uma celebridade e menos com a de uma lutadora.

Sua estreia no cinema, no entanto, sugere que ela vai precisar da disciplina de lutadora para evoluir na carreira. Alguém disse para Ronda fazer cara de durona e ela manda sua “fight face” o filme todo. Seu carisma, no entanto, compensa a estreia modorrenta.  No meio daquele mar de músculos e testosterona, Ronda Rousey é hipnotizante. E isso é algo que não se aprende, Ronda já traz com ela. Além do mais, ela conseguiu se impor em um filme de ação com os maiores astros do cinema do gênero. Há de se respeitar, e temer, uma mulher que consegue tal proeza.

Fotos: divulgação, reprodução Instagram e divulgação/UFC

Autor: Tags:

  1. Primeira
  2. 40
  3. 50
  4. 60
  5. 68
  6. 69
  7. 70
  8. 71
  9. 72
  10. Última