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Posts com a Tag Cinema francês

quarta-feira, 4 de maio de 2016 Filmes, Notícias | 19:53

Diretor de “O Artista” vai fazer filme sobre Godard

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Godard e Anne Wiazemsky no set: ícone francês vai virar tema de filme

Godard e Anne Wiazemsky no set: ícone francês vai virar tema de filme

Jean-Luc Godard, crítico e cineasta francês que ajudou a criar a nouvelle vague, será tema do novo filme de Michel Hazanavicius, diretor do premiado “O artista”. Louis Garrel, de “Os sonhadores”, será o responsável por encarnar Godard.

O filme vai se passar durante a produção de”A chinesa” (1967), quando o diretor conhece Anne Wiazemsky, então com apenas 17 anos. Ele e Anne se casam e ficam juntos durante pelo menos dez anos, quando trabalham juntos em “Week End” e “Sympathy for the devil”.

O papel de Anne ficará a cargo de Stacy Martin, a versão jovem da Joe de “Ninfomaníaca”. A base para o roteiro é a autobiografia da atriz, “Un an après” (um ano antes, em tradução livre).

De acordo com os produtores envolvidos no projeto a ideia central é investigar o período criativo de Godard durante a relação com Wiazemsky, mas a Nouvelle Vague, naturalmente, será objeto de análise indireto da produção.

Ainda não há data para o começo das filmagens da produção que está sendo anunciada como uma comédia e oferecida a investidores sob o nome de “Redoubtable”.

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terça-feira, 10 de novembro de 2015 Atores, Filmes, Notícias | 17:30

Louis Garrel virá ao Brasil divulgar “Dois Amigos”, sua estreia como diretor

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Foto: Reprodução/Details

Foto: Reprodução/Details

O ator francês Louis Garrel virá ao Brasil para divulgar “Dois Amigos”, filme que marca sua estreia na direção de longas-metragens. O galã de 32 anos, filho do cineasta Philippe Garrel, desembarca em São Paulo para a pré-estreia do longa no dia 27 de novembro. No dia seguinte, acompanhado de sua namorada, a atriz francesa Laettia Casta, Garrel prestigiará a pré-estreia carioca do filme.

Selecionado para a semana da crítica no festival de Cannes deste ano, “Dois Amigos” narra a relação de Vincent (Vincent Macaigne) e Mona (Golshifteh Farahani), que se conhecem e se tornam amigos. Ocorre que Vincent se apaixona pela moça e passa a estranhar o fato dela sempre precisar ir para casa cedo. Ele não sabe, mas esse comportamento faz parte do cumprimento de uma pena de prisão domiciliar. Curioso para descobrir o segredo de Mona, Vincent aciona o amigo Abel (Garrel).

A estreia de Garrel na direção suscitou elogios dos principais veículos internacionais. “Em sua estreia, Garrel capta um senso de emoção que muitos diretores nunca conseguiram”, anotou a Variety.

O filme tem previsão de estreia para 3/12 nos cinemas nacionais. Confira o trailer legendado abaixo.

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terça-feira, 27 de outubro de 2015 Críticas, Filmes | 08:54

Vencedor da Palma de Ouro, “Dheepan – o refúgio” faz abordagem corajosa do problema imigratório

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É inegável que Jacques Audiard é um dos cineastas mais impactantes e interessantes do cinema francês contemporâneo. Não surpreende, portanto, que o tema de seu mais recente filme, “Dheepan – o refúgio” (FRA, 2015), seja a imigração –  assunto que polariza toda a Europa atualmente.

Vencedor da Palma de Ouro no último festival de Cannes, “Dheepan” é aquilo que se convencionou chamar de filme de diretor. Audiard controla todos os aspectos do filme com mãos de ferro e usa de uma câmera saliente para acompanhar a rotina de Dheepan (Jesuthasan Antonythasan), que fugiu da guerra no Sri Lanka junto com Yalini (Kalieaswari Srinivasan) e a pequena Illayaal (Claudine Vinasithamby), sob identidades falsas, para tentar a vida na França. Sem conhecer o idioma e precisando agir como uma família de verdade, Dheepan e sua mulher e filha postiças precisam se adequar a uma vizinhança que vai se revelando cada vez mais perigosa. Além de tolerar as demandas que cada um tem para si.

Dheepan e a desesperadora constatação de que não se pode fugir de uma guerra interna

Dheepan e a desesperadora constatação de que não se pode fugir de uma guerra interna

Não fosse pelas intervenções estilísticas do diretor, que ressalta a todo momento o estado de desconforto que move os personagens – uma solução narrativa inteligente é permitir que a audiência compartilhe da desorientação dos personagens na chegada à França -, “Dheepan –  o refúgio”  poderia muito bem ser um drama televisivo. O roteiro, extremamente previsível, repisa clichês trabalhados de maneira mais satisfatória em séries como “The Bridge”.

É mesmo a direção de Audiard que tira “Dheepan” da obviedade. A relação de Yalini com Brahim (Vincent Rotties), o chefe da gangue local e sobrinho do idoso a quem Yalini é contratada para cuidar, abarca toda a dinâmica relacional entre a Europa e a massa imigrante em suas também previsíveis variações. Mas o recorte proposto por Audiard adensa o registro.

Mesmo assim, o fato de “Dheepan – o refúgio” ser precedido por uma Palma de Ouro desarranja as perspectivas. Não se trata de um grande filme, mas de um grande tema abordado com personalidade por um diretor confiante. A palma de direção talvez fizesse mais sentido. É indefectível constatar que o prêmio máximo em Cannes veio mais por seu valor histórico, atribuído a um filme que olha para uma das grandes celeumas da humanidade na contemporaneidade, do que por seu valor artístico.

“Dheepan – o refúgio” torna-se o filme mais bem sucedido de Audiard, ainda que um de seus mais fracos. No final das contas, tal como ocorre com o personagem central, as forças das circunstâncias embaralham essa realidade.

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terça-feira, 15 de setembro de 2015 Críticas, Filmes | 19:04

Gaspar Noé tenta capturar complexidade do amor por meio do sexo em “Love”

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Love - 2

Gaspar Noé é um polemista insaciável. Mas talentoso. Para o bem e para o mal, “Love” (França, 2015) é um reflexo de seu autor. O filme que está sendo vendido como “o mais polêmico do ano”, afasta qualquer polêmica se tirarmos a nudez e o sexo explícito da equação.

A proposta de Noé é fazer um filme sobre o amor a partir da perspectiva sexual. Mostrar o sexo, portanto, passa a ser uma necessidade narrativa. Necessidade muito bem justificada pelo cineasta conforme suas ideias ganham corpo no transcorrer da obra.

Murphy (Karl Glusman) está insatisfeito com sua vida. Entre seus grandes arrependimentos está como deixou as coisas com Electra (Aomi Muyock). Murphy vive com Omi (Klara Kristin), a quem conheceu e engravidou enquanto ainda estava com Electra. Na manhã de ano novo, época em que estamos todos propensos a reavaliações de nossas vidas, Murphy recebe um telefonema da mãe de Electra, preocupada com a filha a quem não consegue contatar há dois meses. A ligação mexe com Murphy que mergulha em certa catatonia e põe-se a rememorar a relação com Electra.

“Love” então estabelece uma narrativa não linear, totalmente influenciada pela perspectiva masculina, heteronormativa e fatalista de Murphy. Noé incumbe-se de desalinhar uma história de amor repleta de clichês como em todo filme hollywoodiano, mas esses clichês são abordados com um realismo desencantado em que o sexo surge como expressão dos sentimentos dos personagens. Trata-se de um uso do sexo como ferramenta narrativa inédito no cinema.  A explicitude dos atos sexuais, muito bem filmadas por Noé, não é propositalmente erotizada. Aliás, em momento algum Noé busca o erotismo gráfico, aquele pretendido por closes de genitais e captura de gemidos histéricos em filmes pornográficos. Os corpos aqui são filmados em sua beleza trivial e trivialmente apresentados à audiência.

O que não impede que o sexo seja filmado e ambientado de maneiras diferentes ao longo da produção, reforçando a expressividade narrativa pretendida pela realização. Quando Electra e Murphy levam a vizinha menor de idade Omi para a cama. É quando Noé se permite mais erotizar uma cena de sexo. É, também, a cena mais demorada de sexo do filme. Da música à câmera ciosa dos corpos que se contorcem em tesão incontido, Noé registra aquele momento de comunhão de um casal em plena realização de uma fantasia em comum. É a partir deste momento que a memória de Murphy passa a projetar mais linearmente a desestruturação de sua relação com Electra.

Há cenas exageradamente planejadas em "Love", mas impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto (Fotos: divulgação)

Há cenas exageradamente planejadas em “Love”, mas são impulsos toleráveis de um realizador habituado a causar certo desconforto
(Fotos: divulgação)

Apesar da retidão temática, Noé cede a seus impulsos de vaidade. Se autoreferencia no filme em dois personagens e “explica” a razão de ser de “Love” em diálogos soltos. Em um dado momento, Murphy, que estuda cinema, diz que fará um filme regado a “sangue, esperma e lágrimas” porque “esta é a essência da vida”. Em outro momento, o mesmo Murphy, assumindo-se como alter ego do cineasta, diz que deseja fazer um filme sobre a sexualidade sentimental.

Fruto de vaidade ou insegurança, “Love” não carecia dessas elaborações interdiegéticas para se validar. A experiência estética proposta por Noé transmuta completamente o sentido do filme. Não mostrasse o sexo entre os personagens, “Love” não adentraria a derme da audiência com sua inquietação, com seu fatalismo. Talvez fosse possível psicologizar Murphy, mais reprimido sexualmente do que Electra e menos ponderado também, mas não se atingiria a verve do que “Love” pretende ser. Um olhar dolorosamente romantizado sobre como é amar. Atentando à complexidade do sentimento em todas as suas sabotagens, fases, desejos, convenções, ilações e experimentações.

Polêmico por ofertar sexo explícito e, decepcionante para alguns por não apresentar nada de novo, “Love” é um triunfo da estética a serviço de um norte narrativo. Noé fez sua versão de “Romeu e Julieta” com muito mais sapiência do que a nudez constante em seu filme permite aos apressados enxergar. É um filme que vai crescer com o tempo e, como grandes amores, adquirir novo significado.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2015 Críticas, Filmes | 17:12

Serial Killer inseguro torna “Na próxima, acerto no coração” fascinante

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Há filmes que se ressignificam mediante um personagem forte ou muitíssimo bem construído. É o caso do filme francês “Na próxima, acerto no coração” (França, 2014). Na superfície, a fita dirigida por Cédric Anger, é um thriller policial sobre um serial killer pouco convicto de sua vocação. Nas camadas insuspeitas que o bom roteiro – de autoria do mesmo Anger – desalinha, porém, o filme revela sua real aspiração: discutir o desagravo psicológico e emocional de um homem transtornado.

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um homem vislumbra duas mulheres pedalando na madrugada. Elas se apartam e ele segue a segunda. Ele a atropela e só não lhe cobre de balas da janela de seu carro porque percebe a aproximação de viaturas. Corta. Acompanhamos este homem chegando em seu apartamento e indo dormir. Poucas horas depois o vemos acordar e colocar o uniforme policial e somente quando ele entra em uma viatura descobrimos seu rosto. Essa sucessão de eventos diz muito sobre o personagem central de “Na próxima, acerto no coração”, mas mais ainda sobre os objetivos do filme. É importante saber que aquele assassino cruel é um policial e é importante sabê-lo nessa ordem. Mas o ritual de descoberta de Franck (vivido com contenção e robustez por Guillaume Canet) prossegue e aos poucos vamos processando que este homem é repleto de transtornos obsessivos e carrega uma noção religiosa deturpada que pode ou não estar relacionada a uma aparente assexualidade.

Franck só mata mulheres e parece fazê-lo a reboque de emoções mal elaboradas que ele tenta elaborar em uma tentativa de estabelecer contato com os investigadores do caso. Franck não chega a se beneficiar de sua posição de policial para enuviar as investigações, mas tenta. Essa inabilidade só reforça sua insipiência como matador. O assassino de “Na próxima, acerto no coração” é um homem em busca de afirmação. De sexualidade. O filme inspira-se em um caso notório da crônica policial francesa (é sugerível um Google no nome Alain Lamare), mas trata com bastante liberdade e imaginação toda a dubiedade que cerca o caso. Anger, no entanto, acerta ao focar todo o estofo narrativo do filme na desconstrução do protagonista. Seu Franck não é exatamente um misógino, mas o fundo religioso (“não importa o quê, temos que pagar”, ele diz ao irmão mais jovem em dado momento) afasta qualquer certeza sobre o personagem.

Tentar desvendar o enigma Franck é, indubitavelmente, a grande atração da fita francesa. Quem esperar um thriller convencional pode se frustrar, mas se a opção for por um incomum suspense de verve freudiana, a satisfação é garantida.

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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015 Filmes, Notícias | 20:14

Francês “Girlhood” investe na perspectiva feminina do amadurecimento

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foto: divulgação

foto: divulgação

Uma das sensações cinematográficas de 2014 foi “Boyhood: da infância à juventude”, de Richard Linklater. Filmada ao longo de 12 anos, a produção ainda deve colher frutos em 2015. Ano em que “Girlhood”, fita assinada por Céline Sciamma, diretora dos ótimos “Lírios d´água” (2007) e “Tomboy” (2011), será lançado.

Leia também: Tempo é parâmetro absoluto para epifanias de “Boyhood”

O filme de Sciamma não pretende a vanguarda como o de Linklater, mas segundo a crítica internacional que já teve contato com ele, exala o mesmo frescor. “É uma inebriante história de descoberta e formação de identidade”, assinalou o semanário The Hollywood Reporter. A fita acompanha a jornada de Marieme (Karidja Touré), que farta dos abusos familiares e da ditadura masculina na escola e no bairro, foge de casa. Ela entra para uma gangue, conhece meninas de espírito livre e estabelece uma relação complexa com um homem mais velho, entre outras tantas mudanças frenéticas na busca pela autoria da própria vida.

O filme será lançado em circuito limitado nos EUA no próximo dia 20 de janeiro e ainda não tem distribuição garantida no Brasil. O trailer, com legendas em inglês, pode ser conferido abaixo.

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domingo, 7 de dezembro de 2014 Atrizes, Listas | 16:42

As dez principais atrizes francesas da atualidade

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Na dúvida, faça como os franceses e admire dez mulheres que não só embelezam como abrilhantam a tela do cinema. O Cineclube elaborou uma lista com as principais atrizes da França na atualidade e acredite: há muito mais talento nessa lista do que beleza.

Marion Cotillard

França - Marion (Divulgação)

Foto: divulgação

Ela beira a unanimidade. Conseguiu o que Fernanda Montenegro não conquistou e que, antes dela, apenas Sofia Loren havia conseguido. Um Oscar de melhor atriz por um filme não falado em inglês.  Cotillard trafega com desenvoltura singular pela mais pretensiosa ficção científica hollywoodiana, como “A origem” (2010) e pelo filme artístico mais salutar, como o recente “Dois dias, uma noite”, nova obra dos irmãos Dardenne.

 

Laetitia Casta

Foto: Dolce & Gabbana

Foto: Dolce & Gabbana

Aos 36 anos, ela ainda tem poucos créditos famosos no cinema. Mas Laetitia Casta é uma estrela pronta. Hollywood já a assedia. Em seu primeiro filme americano, ela foi a amante francesa do tubarão de Wall Street vivido por Richard Gere em “A negociação” (2012). Mas antes disso tinha sido a inspiração do mulherengo Serge Gainsbourg, na cinebiografia “Gainsbourg – o homem que amava as mulheres”, na pele de ninguém menos do que a diva mor do cinema francês, Brigitte Bardot.

 

Emmanuelle Béart

Foto: Reprodução/Pure Trend

Foto: Getty Images

Ela já foi uma das maiores musas do cinema francês. Aos 51 anos, Emmanuelle Béart investe no cinema francês com a propriedade que falta a muitas de suas conterrâneas. “Nathalie X” (2003), “Oito mulheres” (2001), “Anjos da guerra” (2003), “Desejos secretos” e o recente “Anos incríveis” (2011) figuram entre seus principais trabalhos.

 

Audrey Tautou

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Musa indie ou ícone hippie? Tautou talvez seja mais reconhecida pela sua breve incursão no cinema americano, ao qual prometeu não voltar, em “O código DaVinci” (2006). Mas a alma dos cinéfilos ela conquistou dando vida à personagem título de “O fabuloso destino de Amélie Poulain” (2001). Hoje em dia ela trafega por gêneros, mas sempre no cinema francês. Entre seus últimos destaques figuram “A espuma dos dias” (2013) e “Therese D.” (2012).

 

Juliette Binoche

Foto: divulgação

Foto: divulgação

Ela é a Meryl Streep dos franceses. A carinhosa e generosa comparação atesta não só a qualidade como a prolixidade de Binoche, que já ostenta quase 60 créditos no cinema. Diferentemente de Streep, no entanto, a francesa atua em produções de diversos países. Ela ganhou o Oscar em 1997 pela atuação em “O paciente inglês” e coleciona oito indicações ao César, o Oscar do cinema francês. Entre seus últimos e referenciáveis trabalhos estão “Cosmópolis” (2012), “Elles”  (2011), “Godzilla” (2014) e “Acima das nuvens” (2014), que chega aos cinemas brasileiros em 1º de janeiro de 2015.

 

Judith Godrèche

Foto: Reprodução/Wikipedia

Foto: Reprodução/Wikipedia

Aos 42 anos, ela preserva certo anonimato mesmo na frança. Um paradoxo, já que estrelou algumas produções hollywoodianas – ainda que em papéis menores, de grande destaque e contracenou como Leonardo DiCaprio e Steve Martin. “Albergue espanhol” (2002), “Tudo por prazer” (2004) e “A arte de amar” (2011) são seus principais trabalhos na França. Ele retornou recentemente ao cinema americano no ótimo “Segredos de sangue” (2013).

 

Isabelle Huppert

Foto: Reprodução/SZ magazine

Foto: Reprodução/SZ magazine

Um verdadeiro patrimônio do cinema. O ponto é final, mas para quem não conhece essa verdadeira diva francesa é bom correr atrás do prejuízo. Huppert, que já atuou em português, presidiu júri em Cannes e ostenta um currículo com 120 filmes, chega aos 61 anos como o principal expoente de uma geração que teve Brigitte Bardot e Catherine Deneuve. Não é pouca coisa. Boas dicas de filmes para conhecer a atriz são “A professora de piano” (2001), “Depois do amor” (1992), “Madame Bovary” (1991) e “Minha mãe” (2004).

 

Eva Green

Foto: Campari

Foto: Campari

Símbolo de sensualidade atual, Eva Green já foi Bond Girl e dama fatal no cinema, mas foi o cineasta italiano Bernardo Bertolucci quem cravou a percepção que o mundo teria de Eva em “Os sonhadores” (2003), estreia da atriz no cinema. De lá para cá, tem se dedicado mais ao cinema americano e apareceu em filmes tão diferentes como “Cruzada” (2005), “Sentidos do amor” (2011) e “Sombras da noite” (2012).

 

Adèle Exarchopoulos

Foto: reprodução/GQ

Foto: reprodução/GQ

Aos 21 anos e com esse nome grego que é um charme, Exarchopoulos tem a capacidade de hipnotizar em cena. O mundo a descobriu no intenso, polêmico e maravilhoso “Azul é a cor mais quente” (2013). Está no elenco do próximo filme de Sean Penn como diretor, “The last face”, que estreia em 2015 e com duas produções engatilhadas para estrear na França. Até onde Adèle pode ir?

 

Léa Seydoux

Foto: Reprodução/ W magazine

Foto: Reprodução/ W magazine

O nome ficou badalado depois de contracenar com Adèle Exarchopoulos em “Azul é a cor mais quente”, mas antes disso Léa já tinha estrelado até filme da franquia “Missão impossível”. Musa de Tarantino em “Bastardos inglórios” (2009), a eclética carreira da atriz inclui “A bela Junie” (2008), “Meia-noite em Paris” (2011) e “Adeus, minha rainha” (2012). Em tempo: Léa Seydoux acaba de adentrar à seleta galeria de Bond girls.

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quarta-feira, 30 de julho de 2014 Críticas, Filmes | 21:25

“O amor é um crime perfeito” alia inteligência e sensualidade a serviço da história

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O cinema francês é reconhecido tanto pela inteligência como pela sensualidade e “O amor é um crime perfeito”, novo filme de Jean-Marie Larrieu e Arnaud Larrieu potencializa esses elementos com sofisticação, audácia e incrível esmero.

Eles já haviam obtido resultado semelhante em “Pintar ou fazer amor” (2004), comédia dramática que opunha desejo e moralismo sob uma perspectiva sedutora e instigante. Em “O amor é um crime perfeito”, adaptado do romance “Incendies” de Phillipe Djian, a proposta é mais ambiciosa. Combinar o ritmo de thriller policial ao contexto de um drama familiar. Tudo entremeado por uma pulsão sexual inebriante.

Mathieu Amalric faz um professor de literatura que costuma levar suas alunas para a cama. Quando uma dessas alunas some ele vai sendo enredado aos poucos em uma teia de conspirações à medida que visto como suspeito, ainda que discretamente, passa a se envolver com a madrasta da menina desaparecida. Não obstante, ele ainda tem um relacionamento complexo, e marcado por forte tensão sexual, com sua irmã, que ocupa um cargo de superioridade na universidade em que ele dá aula.

O desejo é a força motriz em "O amor é um crime perfeito" (Foto: divulgação)

O desejo é a força motriz em “O amor é um crime perfeito” (Foto: divulgação)

Com cadência, os irmãos Larrieu vão revelando uma trama absolutamente distinta daquela que intuímos a princípio. Se essa opção revela apurado exercício de estilo, exibe também uma aprofundada capacidade de articulação estética e narrativa. A sensualidade que impregna a fita jamais desvia a atenção do espectador da trama central. Pelo contrário, reforça-a maliciosamente. Outro aspecto interessante da direção dos Larrieu é que a verdade que emerge no final do filme, embora já pudesse ser pressentida por um ou outro observador mais perspicaz, nunca é esmiuçada em seus detalhes sórdidos e o público precisa preencher as lacunas com certa imaginação. Esse delicioso exercício de coautoria redefine “O amor é um crime perfeito” como um filme de muito mais capilaridade do que sua narrativa, falsamente convencional, sugere.

Neste sentido, a atuação de Mathieu Amalric ganha importância. Seu personagem vai sendo revestido de complexidade à medida que “O amor é um crime perfeito” vai se revelando um filme distinto do que tínhamos em mente. Essa exacerbação da linguagem cinematográfica finalmente se cristaliza com a grande sacada da obra: amar é o pecado definitivo dos vaidosos.

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quinta-feira, 22 de maio de 2014 Críticas, Filmes | 22:11

Obrigatório, “O passado” trata da complexidade das relações amorosas

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O passado é uma presença inescapável em “O passado” (2013), novo e potente filme do premiado Asghar Farhadi (“A separação”).  Como no filme iraniano vencedor do Oscar de melhor produção estrangeira em 2012, o cineasta está interessado em debater não só as escolhas, mas suas consequências na rotina conjugal de um casal. O casal em questão está desfeito. “O passado” começa com Marie (Bérénice Bejo) à espera de Ahmad (Ali Mosaffa) no aeroporto. Depois de quatro anos, ele retorna à França para oficializar o divórcio, a pedido dela. Ele a abandonara, sem grandes justificativas, para retornar ao Irã. Logo sabemos que Marie está em uma nova relação, com Samir (Tahar Rahim), cuja esposa está em coma no hospital, e deseja se casar com ele.

Ela tem duas filhas de um primeiro casamento frustrado. A mais velha (Pauline Burlet) rejeita a nova relação e demonstra isso com todas as suas forças. Samir tem um menino. Que sofre de um jeito bastante explosivo os reflexos dessa fase de mudanças, com a mãe em coma, o pai em uma nova relação, etc.

Ahmad, meio que inadvertidamente, entra no olho desse furacão. “O passado”, como se pode observar, não é um filme que almeja discutir uma história de amor, mas sim nossa capacidade de complexar nossas relações amorosas; e os efeitos colaterais dessa inclinação.

O que mais impressiona no cinema de Farhadi é sua capacidade de evoluir a narrativa com o aprofundamento constante dos conflitos centrais. Assim como o era “A separação”, “O passado” é um filme cujas camadas vão se revelando pacientemente à medida que mais da trama se toma conhecimento.

Esse rigor narrativo, tão bem engendrado por atores atuando com segurança, por um texto bem azeitado, e por escolhas de direção assertivas, torna “O passado” um filme de muitos níveis.

Filme explora muito bem o que não é dito, mas pressentido pela audiência (Foto: divulgação)

Filme explora muito bem o que não é dito, mas pressentido pela audiência (Foto: divulgação)

Por um lado, há a análise sugestiva dessa mulher que tenta a todo custo ser feliz em uma relação amorosa, que apresenta sinais de bipolaridade, e que negligencia as filhas. Por outro, há o iraniano que retorna à França depois de ter abandonado essa mulher. Sabemos que ele partiu por estar em profunda depressão, mas mais não sabemos. Ficamos apenas com conjecturas. Sua serenidade, no entanto, convida o espectador a assumir seu ponto de vista.

Há, ainda, Samir. Homem rústico, bem intencionado, e que sutilmente estabelece uma guerra silenciosa com Ahmad. Conforme o filme avança, a consciência alcança Samir. Aí entra em cena outro grande acerto de Farhadi. Aos poucos ele vai incutindo um debate inóspito. Existe uma ética a ser preservada em uma história de amor? É correto abandonar, sem qualquer aviso prévio, alguém com quem você divide uma vida e uma família? É correto se relacionar com alguém, cuja esposa se encontra em coma? Como se entregar a um novo amor, se há outro moribundo no hospital?

Farhadi aborda a culpa sob diferentes facetas e utiliza desde a inocência da infância até aspectos políticos como a imigração para aferir cor a esse recorte.

Por tudo isso “O passado” se fia como uma das obras cinematográficas mais extraordinárias a aportar nos cinemas brasileiros em 2014.

Uma menção especial, principalmente ao talento de Farhadi na direção de atores, é o menino Elyes Aguis, que interpreta Fouad, filho de Samir. Em seu primeiro filme, Aguis assume o personagem mais complexo da trama e com mais margem de erro, afinal não é fácil exteriorizar uma crise emocional interna, ainda mais em uma criança. Aguis abisma com talento, mesura e emoção. Ele é a demonstração mais eloquente de que “O passado” é um filme obrigatório.

Farhadi, à direita, orienta Bejo e Rahim no set de "O passado"  ( Foto: divulgação)

Farhadi, à direita, orienta Bejo e Rahim no set de “O passado”
( Foto: divulgação)

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sexta-feira, 2 de maio de 2014 Filmes, Notícias | 00:03

Cinco filmes imperdíveis em maio

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O mês de maio costuma acomodar alguns dos principais lançamentos do cinemão americano. Blockbusters recheados de efeitos especiais e cheios de ambição nas bilheterias como “X-men: dias de um futuro esquecido” e “O espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electro”. O Cineclube faz a peneira e destaca cinco filmes que valem o ingresso. Tem espaço para blockbuster, filme nacional, filme de arte e até filme grego.

“Godzilla”

Bryan Cranston e Aaron Taylor-Jonhson em cena do filme (Foto: divulgação)

Bryan Cranston e Aaron Taylor-Jonhson em cena do filme (Foto: divulgação)

Quando estreia? 15 de maio

O hype: O rei dos monstros está de volta. A nova produção da Warner tem como principal ambição apagar a má impressão deixada pela versão de 1998, dirigida por Roland Emmerich e estrelada pelo improvável Matthew Broderick. Além do mais, o filme chega exatas seis décadas depois da primeira aparição do monstrego no cinema.

Por que assistir? O elenco é de encher os olhos e para reunir um time que tem Ken Watanabe, Juliette Binoche e Bryan Cranston, o roteiro tem que ser bom. Além do mais, os efeitos especiais são de arrasar.

“Praia do futuro”

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Quando estreia? 15 de maio

O Hype: Novo filme do elogiado cineasta brasileiro Karim Aïnouz, diretor dos ótimos “O céu de Suely” e “O abismo prateado”. O filme integrou a seleção oficial do festival de Berlim e tem o ator Wagner Moura no que o próprio classificou como “o  papel mais difícil” de sua carreira.

Por que assistir? Donato (Moura) é salva-vidas em uma praia do Ceará. Depois de resgatar um turista alemão de um afogamento, ele se apaixona e muda para a Alemanha. A trama acompanha o irmão dele (Jesuíta Barbosa) tentando se reaproximar e entender suas escolhas. O filme se passa maiormente em Berlim, cidade em que Aïnouz escolheu para viver.

“Miss violence”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 29 de maio

O Hype: O filme grego foi recebido no último festival de Veneza, de onde saiu com quatro prêmios, como a mais aterradora interpretação da crise financeira que assolou a Grécia.

Por que assistir? Um dos filmes mais violentos e paradoxais a ter surgido no cinema moderno. Essa é avaliação do New York Times para o drama cuja ação é desencadeada pelo suicídio de uma menina de 11 anos no dia do seu aniversário.

 

“O passado”

(Foto: divulgação)

(Foto: divulgação)

Quando estreia? 8 de maio

O Hype: Trata-se do novo filme de Asghar Farhadi, diretor do premiadíssimo “A separação”. Em “O passado” ele retoma o espinhoso tema das relações conjugais sob a ótica da divergência cultural.

Por que assistir? A argentina radicada na França Bérénice Bejo ganhou a Palma de Ouro de melhor atriz no último festival de Cannes. A crítica internacional saudou o filme como uma grande realização de um diretor sensível e obstinado.

“Sob a pele”

(Foto: divulgação)

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Quando estreia? 15 de maio

O Hype: Scarlet Johannson faz uma alienígena que, entre outras coisas que faz para entender os humanos, seduz homens, faz sexo com eles e os devora. Sim, esse é o filme em que ela aparece totalmente nua.

Por que assistir? Outro filme saído de festival e com uma ambição nada comum: entender o que é que nos faz humanos.

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