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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015 Análises, Bastidores | 18:15

Qual o impacto da guerra nada fria entre Amazon e Netflix para a produção de cinema?

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Desde o Globo de Ouro concedido à série “Transparent” produzida pela Amazon, a batalha razoavelmente amistosa travada entre esta e a Netflix ganhou contornos de beligerância ostensiva. A Amazon deu os primeiros tiros. Anunciou que Woody Allen escreveria e dirigiria uma série, com 12 episódios de meia hora, para a gigante da web. Mal assimilou o golpe desferido e a Netflix teve que digerir outro soco no estômago quando a empresa presidida por Jeff Bezos anunciou a produção de 12 filmes para serem lançados em 2015 nos cinemas e, após uma janela de 4 semanas, serem disponibilizados para streaming na Amazon.

A Netflix, que já estava envolvida na produção de longas-metragens, se viu na incumbência de reagir. Depois de já ter anunciado um acordo para produzir e lançar quatro filmes estrelados por Adam Sandler e distribuir a sequência de “O tigre e o dragão”, a empresa divulgou que fechou um contrato com os irmãos Jay e Mark Duplass para lançar quatro filmes por sua plataforma de streaming. Os irmãos são diretores, roteiristas e atores de prestígio na cena do cinema independente americano e acabam de lançar uma série na HBO, “Togetherness”.vs

A tacada da Netflix é genial porque acena tanto para o mercado quanto para o público a intenção de investir em uma produção diferenciada e adulta – principalmente depois de decepcionar a crítica com a série “Marco Polo”. Além de se oferecer como uma opção para produtores e distribuidores independentes à espera de alternativas para que seus filmes alcancem um público maior, mais amplo e mais diversificado. A Netflix, vale lembrar, já está presente em mais de 50 países. A Amazon, por seu turno, além dos EUA, só marca presença na Alemanha e na Inglaterra.

Na prática, enquanto os primeiros filmes não forem lançados, pouca coisa muda no cenário da produção cinematográfica. Seria precipitado prever que Netflix e Amazon sejam capazes de desarranjar o cinema como o fizeram com a televisão, mas na teoria, é um xeque-rainha, para forçar uma analogia de xadrezista. Netflix e Amazon vão financiar os filmes que os estúdios estão evitando e, se forem bem sucedidos, vão mudar as regras do jogo.

Leia também: Internet ganha força como plataforma de lançamento de filmes

Leia também: Marasmo na produção de estúdios redimensiona produção do cinema independente nos EUA e inflaciona salários de astros e estrelas 

A Sony teve um prejuízo estimado em U$ 30 milhões com a “A entrevista”, lançado em cinemas selecionados e disponibilizado para streaming. Isso com todo o interesse suscitado pelo filme com as ameaças provenientes dos hackers norte-coreanos que coagiram o estúdio a abdicar, em um primeiro momento, de comercializar a fita. Pode-se argumentar que o filme não foi pensado, e definitivamente não foi orçado, com vistas a um lançamento online, mas “A entrevista” é a referência que o mercado e a indústria do cinema dispõem para distribuição de filmes inéditos via streaming. O recorde registrado pelo filme na comercialização de streamings se empalidece mediante esse raciocínio, mas não deixa de ser um elemento positivo para um mercado que começa a olhar para a distribuição de conteúdo audiovisual na internet de uma maneira completamente diferente; com mais receptividade e curiosidade.

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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014 Curiosidades, Filmes, Notícias | 19:54

Estúdio desiste de lançar “A entrevista” nos cinemas dos EUA

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Foto: divulgação

Foto: divulgação

Um precedente perigoso contra a liberdade de expressão foi aberto nesta quarta-feira. O estúdio de cinema Sony, que tem sido vítima de cyber ataques em retaliação à produção do filme “A entrevista”, divulgou comunicado à imprensa informando que desistiu do lançamento comercial em cinemas do filme.

“A entrevista” mostra James Franco e Seth Rogen como emissários do governo americano para matar o ditador norte-coreano Kim Jong-Un.

A decisão da Sony é reflexo dos anúncios de diversas redes exibidoras americanas de que não exibiriam o filme em seus cinemas. “Em face da decisão majoritária de nossos exibidores em não mostrar o filme ‘A  entrevista’, decidimos abdicar do lançamento planejado para o dia 25 de dezembro. Respeitamos e entendemos a decisão de nossos parceiros que prezam pela segurança de seus empregados e clientes”, observa o comunicado do estúdio.

A decisão, por mais compreensível que seja, gera um precedente nefasto. A ação de um grupo anônimo interferir diretamente na liberdade de expressão de um grupo de artistas é preocupante. “A entrevista” é uma grande bobagem. Uma comédia histriônica somente possível em um país que goza de plena democracia.

Por outro lado, abre-se um precedente estimulante. A Sony sabe que tem um filme em mãos que provoca grande interesse do público. Se já havia uma audiência para o filme, ela se multiplicou com a polêmica dos dados vazados. O estúdio deve apostar em um lançamento on demand, ou seja, disponibilizar o filme por streaming na web e em combos da TV paga.

Ou seja, se o impacto da decisão executiva da Sony pode repercutir de forma negativa no âmbito da liberdade de expressão, pode precipitar uma revolução no sistema de distribuição de filmes que já se encontra em curso.

Leia também: Hackers ameaçam com terrorismo e Sony libera salas a não exibirem “A entrevista”

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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014 Análises, Bastidores | 18:27

Marasmo na produção dos estúdios redimensiona produção do cinema independente nos EUA e inflaciona salários de astros e estrelas

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“Homem-pássaro”, “O jogo da imitação”, “O abutre”, “Boyhood”, “O ano mais violento”, “Vício inerente” e “Whiplash: em busca da perfeição”. Em comum, todos esses filmes têm o fato de estarem na corrida pelo Oscar e de serem produções independentes. Para quem acompanha o Oscar, ano após ano, não é nenhuma novidade que os filmes independentes são hoje os grandes protagonistas da maior premiação da indústria do cinema. Desde a vitória de “O senhor dos anéis: o retorno do Rei” em 2004, apenas outros dois filmes de estúdio (ambos da Warner) venceram o Oscar de melhor filme: “Os infiltrados” em 2007 e “Argo” em 2013. Um sintoma claro desse domínio é o fato de Hollywood investir cada vez mais em diversão ligeira. Sequências, remakes, adaptações de games, HQs e literatura infanto-juvenil compõe 99% do que se produz hoje na Meca do cinema mundial. “Os estúdios não investem mais naquele filme para adulto”, disse Susan Downey, esposa de Robert Downey Jr.  e produtora de “O juiz”, filme bancado pela Warner em parte porque Downey Jr. estrelaria e todo mundo que produzir um filme com ele. David Fincher, que alcançou a maior bilheteria de sua carreira com “Garota exemplar” concorda.  À revista Variety, ele disse que não é fácil convencer estúdios de cinema a apostarem em filmes como “Garota exemplar” e que a produção só foi aprovada porque é baseada no best-seller homônimo de Gillian Flynn. O próprio Fincher experimentou um revés em caso semelhante. A Sony vetou a continuação da saga “Millenium – Os homens que não amavam as mulheres”, também adaptado de um best-seller, porque o filme não rendeu a bilheteria esperada, a despeito do entusiasmo com que a crítica recebeu a película.

David Fincher, à esquerda com gorro, e Daniel Craig no set de "Os homens que não amavam as mulheres": sem lucro, sem continuação

David Fincher, à esquerda com gorro, e Daniel Craig no set de “Os homens que não amavam as mulheres”: sem lucro, sem continuação

O semanário The Hollywood Reporter publicou uma reportagem nesta semana que mostra como essa postura dos estúdios está refletindo de maneira desequilibrada nas produções independentes. O sucesso no Oscar atraiu mais players e recodificou o jogo de interesses de astros e estrelas. Há mais dinheiro na seara das produções independentes. Matthew McConaughey, por exemplo, recebeu U$ 200 mil para rodar ‘Clube de Compras Dallas”, filme pelo qual recebeu o Oscar neste ano. Para “Sea of trees”, que está em produção, o ator já recebeu U$ 3, 5 milhões. Para “Free state of Jones”, um drama sobre a guerra civil americana orçado em U$ 65 milhões, o ator receberá incríveis U$ 5 milhões. “Estamos fazendo os filmes que os estúdios se negam a fazer”, disse um produtor independente que vê com apreensão essa mudança de cenário. “Mas não temos a estrutura deles”.

Leia também: Primeira imagem de Matthew McConaughey em “The sea of trees”

Leia também: Oferta pública de ações de astros de cinema é o buzz do momento em Hollywood 

O temor de produtores independentes que não dispõem de verbas tão ruidosas é justamente que esse novo perfil descaracterize a essência da produção independente. Quando se investe neste nível em um filme, o retorno financeiro passa a ser prioridade absoluta.  Este é o jogo que Hollywood com seus incontáveis e milionários blockbusters tem jogado. O cinema independente sempre foi sobre filmes, histórias e arte. Os atores faziam parte desses filmes pelo prestígio e pelo amor à arte. Quando se começa a receber quantias vultosas como as que os estúdios pagam a coisa começa a mudar de figura.

Cena de "O ano mais violento", produção já destaca em prêmios satélites do Oscar

Cena de “O ano mais violento”, produção já se destaca em prêmios satélites do Oscar

Garmin GPS, uma empresa nova no negócio de produzir cinema, está financiando “The nice guys”, um thriller ambientado nos anos 70 com Russell Crowe e Ryan Gosling. Os dois atores receberão U$ 7 milhões cada. Gosling, para efeitos de comparação, rodou “Namorados para sempre” (2010) por U$ 30 mil.

O fato de mais dinheiro estar disponível para que filmes que os estúdios resistem a investir sejam feitos não é má notícia. O que preocupa é que é apenas questão de tempo até que o cinema independente incorpore vícios e estratégias ostentados hoje pelos estúdios. Não seria a primeira vez que isso aconteceria. Depois de muito destaque em meados dos anos 70 e 80, o cinema independente americano foi sufocado pelas produções de estúdios, mas ressurgiu revigorado no meio da década de 90 com os irmãos Weinstein, a Miramax e Quentin Tarantino.

Leia também: A última cartada de M. Night Shyamalan

Leia também: Para onde vai o cinema de Christopher Nolan depois de “Interestelar”? 

Há, ainda, a questão de distribuição. Filmes independentes não dispõem da estrutura dos grandes estúdios e acabam reféns de acordos comerciais que reduzem drasticamente a participação nos lucros. O diretor M. Night Shyamalan, caído em desgraça depois de sucessivos fracassos em estúdios diferentes, rodou um filme (“The visit”) de maneira independente e fechou um acordo de distribuição com a Universal.

Ryan Gosling e Michelle Williams em "Namorados para sempre": tipo de filme que pode sair do radar da produção independente americana

Ryan Gosling e Michelle Williams em “Namorados para sempre”: tipo de filme que pode sair do radar da produção independente americana

Esse cenário em franca e veloz transformação favorece duas perspectivas bem ruins. Primeiro, porque fortalece nos estúdios a noção de que devem evitar produzir filmes que fujam à zona de conforto estabelecida; segundo, porque vai ficar cada vez mais difícil para produtores essencialmente independentes e com pouco dinheiro fazerem filmes. Imaginem as preciosidades que serão para sempre perdidas no futuro do pretérito da sétima arte.

Fotos: divulgação

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sexta-feira, 3 de outubro de 2014 Bastidores, Curiosidades | 21:22

Oferta pública de ações de astros de cinema é o buzz do momento em Hollywood

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Reportagem do semanário The Hollywood Reporter caiu como uma bomba no mundo do cinema. Uma empresa denominada Fantex, com sede em São Francisco, cidade relativamente próxima à Los Angeles que abriga Hollywood, lançou um programa em que investidores podem comprar e vender ações de pessoas. Até o momento, a Fantex tem se dedicado a atletas, uma maneira de ajudá-los a capitalizar na decolagem da carreira, mas os planos da empresa são grandes. Astronômicos para ser exato.

A Fantex planeja levar essa novidade para o mundo do entretenimento. A empresa aposta na aceitação do projeto em larga escala. Imagine se você pudesse comprar ações de Robert Downey Jr. e trocar por alguns papéis de Ben Affleck? ´”É empolgante”, provoca Buck French, CEO da Fantex em entrevista à publicação americana.

Ben Affleck, diretor de prestígio e novo Batman, teria papéis valorizados para investimento no momento

Ben Affleck, diretor de prestígio e novo Batman, teria papéis valorizados para investimento no momento

O conceito é o seguinte: o ator ou atriz abre mão de uma fatia de seus futuros ganhos com filmes, contratos publicitários e de outras naturezas em troca de um polpudo cheque. Dinheiro no ato em troca de um futuro financeiro compartilhado. A partir dessa fatia, que pode ser de 10%, 30% ou até 80%, a Fantex iria recolher esses proventos, vender ações para os investidores e pagar os juros provenientes dos investimentos.

O ator ou atriz manteria total autonomia nas escolhas de seus projetos. Dessa forma, um investidor não poderia influenciar, por exemplo, na escolha de Tom Cruise fazer ou não um sexto filme da franquia “Missão impossível”. Ou forçar Robert Downey Jr. a renovar seu contrato com a Marvel. Essa é uma das principais diferenças em relação a um dos alicerces do livre mercado, quando o conjunto de acionistas avalia as grandes decisões do cotidiano de uma empresa com capital aberto.

A ideia, que ainda está sendo prospectada em Hollywood, já divide opiniões. Há quem acredite que se a moda pegar, o interesse pela vida íntima das celebridades irá convulsionar. Outros creem que pessoas com acesso às informações de bastidores se beneficiariam.

Os otimistas acreditam na possibilidade de se ampliar a base de fãs de certas celebridades e, também, expandir as possibilidades de novos negócios para elas.

Do ponto de vista do financiamento, há outros potenciais problemas. E se um ator resolve se aposentar? Tirar um ano sabático? Entrar na rehab? O CEO da Fantex, no entanto, diz que os riscos desses investimentos seriam da mesma proporção de comprar títulos do tesouro americano.

Jennefer a Lawrence, a it girl do cinema pop atual. Para alguém como ela, fazer um IPO seria um bom negócio?

Jennifer a Lawrence, a it girl do cinema pop atual. Para alguém como ela,
fazer um IPO seria um bom negócio?

John Travolta, se debate entre sucessos e fracassos  ao longo das décadas. Tipo de investimento de risco

John Travolta: ator se debate entre sucessos e fracassos ao longo das décadas. Tipo de investimento de risco (Fotos: divulgação e People)

Ou seja, atores que oscilam entre sucessos de bilheteria e fracassos retumbantes, como John Travolta ou Bruce Willis, devem ser evitados por investidores conservadores. Já uma atriz como Meryl Streep é uma aposta tão segura como os títulos da dívida pública dos Estados Unidos.

De qualquer maneira, Hollywood ainda vê tudo isso como uma discussão embrionária.

Buck French, porém, profetiza: “Vai acontecer! Pode não ser este ano, mas não se surpreenda quando o culto às celebridades se misturar com o mercado de capitais”.

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quinta-feira, 2 de outubro de 2014 Análises | 06:00

Internet ganha força como plataforma de lançamento de filmes

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Depois de mudar os termos na distribuição da música e ajudar a encerrar a era das videolocadoras, a internet já viabiliza uma mudança de paradigma na distribuição de filmes. Não. Os cinemas não vão fechar. Há uma certa magia no ritual sociocultural de ir ao cinema que não se pode dispensar. Dos encontros românticos ao momentos em família, passando pelo ardoroso fervor cinéfilo, o cinema goza de uma perenidade insuspeita. Mas o cinema precisará aprender a conviver com uma novíssima maneira de distribuição de filmes. Analistas da indústria e gente do cinema como Steven Spielberg e Steven Soderbergh, que em 2005 lançou “Bubble” simultaneamente no cinema, na TV e na internet, vêm preconizando isso há algum tempo.

O anúncio quase que simultâneo de que “O tigre e o dragão” ganhará uma sequência que será lançada apenas nos cinemas IMAX e na Netflix, e de que a saga “Crepúsculo” reviverá em cinco curtas-metragens feitos para a internet, praticamente marca o ponto da virada na maneira como se distribui filmes.

"Crepúsculo" vai voltar, mas de um jeito bem diferente...

“Crepúsculo” vai voltar, mas de um jeito bem diferente…

Em parceria com a escritora de “Crepúsculo”, Stephanie Meyer, a Lionsgate vai produzir um concurso para escolher cinco mulheres cineastas para serem responsáveis pelos curtas. “The storytellers: new creative voices of The Twight Saga” terá um júri composto pelas atrizes Kristen Stewart, Kate Winslet, Octavia Spencer, Julie Bowen , pela roteirista Jennifer Lee, pela diretora Catherine Hardwicke (do primeiro “Crepúsculo”) e por Cathey Schulman, presidente do instituto Women in Film, organização que promove a mulher na indústria cinematográfica.

Na outra ponta, a Weinstein Company, dos irmãos Harvey e Bob Weinstein, que estiveram a frente da revitalização do cinema independente americano nos anos 90, firmou parceria com a Netflix para lançar “O tigre e o dragão:  a lenda verde” por meio da gigante da internet. A data já está marcada: será no dia 28 de agosto de 2015. Se você não tiver acesso aos cinemas IMAX dos EUA e da China, só poderá ver a sequência, pelo menos a princípio, no catálogo da Netflix.

A oscarizada Kate Winslet agrega prestígio a um concurso que ambiciona mais do que escolher cinco diretoras de curtas-metragens (Foto: divulgação)

A oscarizada Kate Winslet agrega prestígio a um concurso que ambiciona mais do que escolher
cinco diretoras de curtas-metragens
(Foto: divulgação)

A ideia dos Weinstein é mudar o jogo novamente. Combinados, os dois projetos expandem as possibilidades. Não só para produtores, indústria e distribuidores, arrendando mais players e interesses, mas para o público.

A ideia da Lionsgate, de dar sobrevida a “Crepúsculo”, é especialmente engenhosa. A web é um ambiente próspero para experimentações e a franquia “Crepúsculo”, como mostra o sucesso de “50 tons de cinza”, egresso de um fórum de fãs da obra de Stephanie Meyer, tem um potencial ainda longe do esgotamento. Além da possibilidade de revelar novos talentos, a Lionsgate inova ao extrapolar os limites convencionais de uma franquia cinematográfica. Em uma época em que todos os anos os cinemas são invadidos por sequências e remakes, podemos estar vislumbrando um redimensionamento do futuro do negócio chamado cinema.

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sexta-feira, 11 de julho de 2014 Análises, Bastidores | 22:00

Sinal amarelo aceso em Hollywood

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Angelina Jolie em "Malévola": uma das grandes sensações de uma temporada pouco vistosa

Angelina Jolie em “Malévola”: uma das grandes sensações de uma temporada pouco vistosa

Os meses que compõem o verão no hemisfério norte representam a temporada de ouro para os estúdios de cinema. Não à toa, eles programam para a janela entre maio e agosto seus principais lançamentos no ano. O congestionamento na temporada já dilatou esse concorrido calendário para os meses de abril e setembro.

Pois bem, em 2014 a arrecadação nas bilheterias americanas estão mais tímidas do que o projetado por analistas da indústria.  Já era esperada uma queda em relação a 2013, ano que registrou recorde de bilheteria, mas não se esperava uma queda na casa dos 20%, conforme alinhado pelo site Box Office Mojo, referência em matéria de bilheterias.

Até poucos dias, o filme mais visto nos EUA era uma produção lançada fora da temporada. “Uma aventura lego” com U$ 257 milhões foi ultrapassado por “Capitão América: o soldado invernal” que amealhou U$ 258 milhões. Apenas há duas semanas um filme conseguiu romper a barreira dos U$ 100 milhões no fim de semana de estreia. Este filme foi “Transformers: a era da extinção”.  Essa barreira, em outros anos, fora rompida por quatro ou cinco filmes.

Isso não é tudo. Em uma temporada de poucos fracassos retumbantes, mas sem nenhum grande hit, filmes como “Vizinhos” e “A culpa é das estrelas” chamam atenção. São os filmes mais bem sucedidos da temporada na medição que considera custo de produção e retorno financeiro. Eles ocupam, respectivamente, a sétima e a nona posições do ranking dos dez filmes mais vistos da temporada. Além de “A culpa é das estrelas”, outra produção protagonizada por uma mulher tem destaque na temporada. “Malévola” já faturou U$ 217 milhões nos EUA e pouco mais de U$ 600 milhões em todo o mundo. Trata-se de um dado curioso, já que a temporada raramente apresenta filmes com protagonistas femininas.

Cena de "Capitão América: o soldado invernal", o primeiro lançamento da temporada é o filme de maior bilheteria até o momento. Tendência verificada pelo quinto ano seguido

Cena de “Capitão América: o soldado invernal”, o primeiro lançamento da temporada é o filme de maior bilheteria
até o momento. Tendência verificada pelo quinto ano seguido

A vertiginosa queda no faturamento da temporada de blockbusters, no entanto, não deve repercutir gravemente no planejamento financeiro dos estúdios. Primeiro porque estes sabem que, nos tempos atuais, o grosso do faturamento vem de mercados internacionais como Brasil, China e Europa. Segundo porque o verão americano de 2015 promete ser um dos mais lucrativos da história. Filmes como “Star Wars: episódio VII”, “Os vingadores: a era de Ultron”, “Missão impossível 5”, um novo Exterminador do futuro e o 24º filme de 007  são superproduções que devem garantir o sono tranquilo dos executivos.

No entanto, os números de 2014 – que ainda tem filmes como “Planeta dos macacos: o confronto” e “Guardiões da galáxia” à espreita – sugerem que é preciso repensar o modelo vigente.

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