Publicidade

Posts com a Tag Oscar

sábado, 16 de janeiro de 2016 Análises | 12:20

Escolhas de 2016 ratificam Oscar mais criterioso do que no passado

Compartilhe: Twitter

Em um primeiro momento, parece compulsório reconhecer que a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood acolhe seus favoritos habituais por qualquer trabalho. Estão lá “Ponte dos Espiões”, novo Spielberg – o cineasta emplacou entre os melhores filmes com suas últimas três produções – , Jennifer Lawrence, Alejandro González Iñárritu, Mark Ruffalo, John Williams, entre outros.

Mas essa seria uma constatação apressada. Não estão lá “Labirinto de Mentiras”, filme alemão sobre os ruídos do nazismo (entre outros tempos uma aposta certeira), Aaron Sorkin, Quentin Tarantino e Meryl Streep (sim, ela esteve em dois filmes neste ano).

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em "Estrada da fúria" (Foto: divulgação)

Western de vanguarda: Há muito mais do que alcançam os olhos em “Estrada da fúria”
(Foto: divulgação)

Há, ainda, a costumeira queixa de que há pouca diversidade entre os indicados. Um parâmetro enviesado. Já que as escolhas da Academia refletem o cenário do cinema americano, em particular, e internacional, como um todo. É fato que a Academia podia reforçar sua preocupação com a abertura do cinema por meio de certas nomeações em certas categorias, mas responsabilizar a instituição por não fazê-lo é não compreender o real problema e ignorar as válvulas do funcionamento da Academia.

Há de se observar, também, que o Oscar segue um movimento de internacionalização e rejuvenescimento iniciado lá atrás. Passa por esse movimento outro muito mais importante e reverberante. O Oscar está mais ousado a cada ano. Sim, em 2016 há predominância de filmes de estúdio entre os indicados a melhor filme e é muito provável que uma produção de estúdio vença o Oscar -–algo que não ocorre desde 2013 quando “Argo” triunfou. Mas são filmes de estúdio com franca pretensão artística. “O Regresso”, líder na competição com 12 indicações, teve um orçamento de US$ 120 milhões, mas teve sucessivos atrasos e diversos problemas na execução. Iñárritu fez um filme de arte com orçamento de blockbuster. Não é todo mundo que tira esse coelho da cartola. “Mad Max: Estrada da Fúria”, com 10 nomeações, levou anos para ser realizado e a Warner praticamente escondeu o filme em seu lançamento. Não cria no apelo de uma franquia que não dava as caras desde os anos 80 com o público jovem. A bilheteria do filme foi respeitável e “Estrada da Fúria” é a Warner no Oscar. Trata-se de um filme de ação incomum, caótico e com uma mensagem feminista para lá de polivalente.

O fato da Academia reconhecer, no nível que reconhece, essas duas produções, merece aplausos. Isso, no ano seguinte à consagração de filmes como “Birdman”, “Whiplash”, O Grande Hotel Budapeste” e “Boyhood” .

É um Oscar muito mais atento ao que acontece no cinema e capaz de filtrar o que de mais qualificado surge. É um Oscar mais inclusivo e reflexivo. É, afinal, um Oscar bem melhor na assunção de sua vocação do que o que se verificava há dez anos atrás.

Autor: Tags: , ,

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016 Curiosidades | 17:47

Apostas da coluna para os indicados ao Oscar 2016 nas principais categorias

Compartilhe: Twitter

Na manhã desta quinta-feira (14), a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood divulga a lista dos indicados ao Oscar 2016. Trata-se de um dos anos com a disputa mais aberta e indefinida. Mesmo assim, há filmes e artistas que podem ser dados como certos entre os contemplados pelo Oscar. Esses e os outros estão na breve lista de apostas que o Cineclube elaborou. Será que a gente emplaca a maioria?

"Carol" deve receber indicações a melhor filme, atriz e roteiro adaptado, mas seu diretor, Todd Haynes, deve ficar de fora...

“Carol” deve receber indicações a melhor filme, atriz e roteiro adaptado, mas seu diretor, Todd Haynes, deve ficar de fora…

 

 Melhor Filme

“Mad Max: Estrada da Fúria”

“Spotlight – Segredos Revelados”

“A Grande Aposta”

“Ponte dos Espiões”

“Perdido em Marte”

“Carol”

“O Regresso”

“Divertida Mente”

“O Quarto de Jack”

“Star Wars: O Despertar da Força”

Direção

Alejandro González Iñárritu (“O Regresso”)

Tom McCarthy (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Adam McKay (“A Grande Aposta”)

George Miller (“Mad Max: Estrada da Fúria”)

Steven Spielberg (“Ponte dos Espiões”)

Roteiro original

“Spotlight – Segredos Revelados”

“Divertida Mente”

“Ponte dos Espiões”

“Os Oito Odiados”

“Ex-Machina: Instinto Artificial”

Roteiro adaptado

“A Grande Aposta”

“Perdido em Marte”

“O Quarto de Jack”

“Carol”

“Steve Jobs”

Ator

Leonardo DiCaprio (“O Regresso”)

Bryan Cranston (“Trumbo: Lista Negra”)

Johnny Depp (“Aliança do Crime”)

Eddie Redmayne (“A Garota Dinamarquesa”)

Matt Damon (“Perdido em Marte”)

Atriz

Brie Larson (“O Quarto de Jack”)

Saoirse Ronan (“Brooklyn)

Cate Blanchett (“Carol”)

Charlotte Rampling (“45 Anos”)

Alicia Vikander (“A Garota Dinamarquesa”)

Ator coadjuvante

Mark Rylance (“Ponte dos Espiões”)

Sylvester Stallone (“Creed: Nascido para Lutar”)

Christian Bale (“A Grande Aposta”)

Mark Ruffalo (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Michael Keaton (“Spotlight – Segredos Revelados”)

Atriz coadjuvante

Rooney Mara (“Carol”)

Kate Winslet (“Steve Jobs”)

Helen Mirren (“Trumbo: Lista Negra”)

Jennifer Jason Leigh (“Os Oito Odiados”)

Alicia Vikander (“Ex-Machina”: Instinto Artificial”)

Filme estrangeiro

“Filho de Saul” (Hungria”)

“Cinco Graças” (França”)

“O Novíssimo Testamento” (Bélgica”)

“Theeb” (Jordânia”)

“Labirinto de Mentiras” (Alemanha”)

Autor: Tags: , ,

quinta-feira, 10 de setembro de 2015 Análises, Filmes | 21:22

“Que horas ela volta?” é escolha estratégica do Brasil para chegar ao Oscar

Compartilhe: Twitter

Não se espantem se virem Regina Casé seguindo os passos de Fernanda Montenegro e sendo indicada ao Oscar de melhor atriz no dia 14 de janeiro de 2016. A apresentadora e atriz, afinal, é a alma de “Que horas ela volta?”, filme brasileiro destacado pelo Ministério da Cultura para representar o Brasil no Oscar. O anúncio, feito nesta quinta-feira (10), indubitavelmente reforça as chances de Casé, uma vez que o filme já recebe atenção da mídia especializada americana e deve receber um boom promocional nos próximos meses.

Crítica: “Que horas ela volta?” congrega muitos Brasis e filmes em narrativa sutil e cheia de belezas 

A obra de Anna Muylaert é, sob muitos aspectos, o filme mais bem preparado do Brasil a concorrer a uma vaga entre as produções finalistas na categoria de filme estrangeiro em muitos anos. Cheio de sutilezas, não é mais um registro cultural do que um olhar tenro à maternidade. O roteiro é um triunfo da lapidação. Em entrevista à rádio BandNews FM nesta quinta, Muylaert destacou a burilamento pelo qual o texto passou. “Esse projeto tem 27 anos. A primeira versão dele trazia apenas a visão da empregada. Até seis meses antes, a Jéssica não vinha estudar na faculdade, mas trabalhar como cabeleireira e depois se tornava babá. Acabei mudando com os laboratórios que eu fiz”, revelou.

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá  (Foto: divulgação)

Regina Casé no Oscar? Filme e atriz têm chances sérias de chegarem lá
(Foto: divulgação)

Diferentemente de candidatos brasileiros de outros anos, “Que horas ela volta?”, reúne potencial comercial – é coproduzido pela Globo Filmes e estrelado pela popular Regina Casé, com pujança artística. Uma combinação que somente esteve presente em “Cidade de Deus” (2002). O candidato do ano passado, “Hoje eu quero voltar sozinho”, era muito bom e a exemplo do escolhido deste ano, experimentado em festivais internacionais. Com mais filmes brasileiros em festivais mundo afora, aclamação crítica nesses eventos pode ser um critério bem-vindo para substituir aquele intermitente e duvidoso jogo de adivinhação do que a academia gosta ou de que tendência seguir.

Competição

Muitos países já definiram seus representantes e tem candidatos que, assim como “Que horas ela volta?”, gozam de prestígio junto à crítica internacional. São os casos de “Son of Saul”, da Hungria, prêmio do júri em Cannes, “The assassin” (Taiwan), “Um pombo pousou no galho refletindo sobre a existência” (Suécia), “Xênia” (Grécia), “Goodnight Mommy” (Áustria), entre outros. Não há, porém, a presença de nenhum autor consagrado entre os concorrentes confirmados de momento. O que reforça as chances da produção brasileira repetir o feito de “Central do Brasil” (1998), “O que é isso companheiro?” (1997), “O quatrilho” (1994) e “O pagador de promessas” (1963) e ingressar no rol de filmes brasileiros indicados ao Oscar de melhor produção estrangeira.

Não é a primeira vez que Regina Casé estrela uma produção nacional que tenta chegar ao Oscar. “Eu, tu, eles”, de Andrucha Waddington, foi o selecionado do país em 2001. Dessa vez, porém, a atuação extraordinária de Casé, premiada no festival de Sundance, pode impulsionar o filme além da categoria de produções estrangeiras em uma época de internacionalização do colegiado que compõem a academia. Neste ano, vale lembrar, que embora a produção belga “Dois dias, uma noite” não tenha ficado entre os finalistas da categoria, a atriz Marion Cotillard foi lembrada entre as atrizes.

Autor: Tags: , , , , ,

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015 Análises, Bastidores | 06:21

Tom político dos discursos e prêmios da edição de 2015 são brisa da mudança no Oscar

Compartilhe: Twitter

Há não muito tempo a coluna abordou um tema que parece interno demais à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood. Parece e é; mas produz resultados diretos na forma como o cinema americano se posiciona e como o Oscar, enquanto instituição, se pronuncia. Não só em comunicados oficiais, mas também por meio de seus prêmios.  O post, que pode ser lido aqui, tratava da guerra fria travada entre as alas modernizante e conservadora da academia. Esse embate já ocorre há algum tempo e a cada ano se torna mais revelador e insidioso. Em 2015, enquanto muitos chiaram pela ausência de diversidade no Oscar, outro recorte permitia observar a liderança de duas comédias incomuns e incrivelmente originais na disputa pelo prêmio. Falamos, é claro, de “O Grande hotel Budapeste” e “Birdman”, que acabaram sendo também os campeões de Oscars com quatro troféus cada. O independente “Whiplash – em busca da perfeição” surpreendeu a muitos ficando logo atrás com três estatuetas.  Ora, é preciso parar um pouco e festejar o fato de que três filmes originais e independentes na alma e na embalagem foram os grandes destaques da 87ª edição dos prêmios da academia. O fato ganha ainda mais relevo se lembrarmos que haviam produções com “cara de Oscar” na disputa. Caso dos britânicos “A teoria de tudo” e “O jogo da imitação”. Há quatro anos, “O discurso do rei”, um filme bem menos azeitado do que “O jogo da imitação”, por exemplo, derrubou filmes muito mais criativos, inteligentes e cativantes como “Cisne negro” e “A rede social”.  Tanto o filme estrelado por Benedict Cumberbatch como o estrelado por Colin Firth eram distribuídos por Harvey Weinstein, considerado o grande gênio do marketing com vistas ao Oscar. Sinais dos tempos?

O reinado do Oscar de Lego: em uma cerimônia cheia de meas culpas, o  Oscar de Lego que surgiu logo depois da esnobada ao filme "Uma aventura Lego" foi um dos destaques (Foto: reprodução/Instagram)

O reinado do Oscar de Lego: em uma cerimônia cheia de meas culpas, o Oscar de Lego, que surgiu logo depois da esnobada ao filme “Uma aventura Lego”, foi um dos destaques
(Foto: reprodução/Instagram)

O mexicano Alejandro González Iñarritu levou três troféus na noite, como roteirista, diretor e produtor. Na terceira vez que subiu ao palco fez um discurso sobre os EUA serem um país construído por imigrantes e reverenciou os compatriotas mexicanos. Trata-se da segunda vitória de um cineasta mexicano consecutivamente na categoria de direção. Um americano não vence na categoria desde o triunfo de Kathryn Bigelow em 2010 por “Guerra ao terror”. O discurso foi ensejado por uma piada de Sean Penn, amigo do diretor e com que já trabalhara em “21 gramas”, envolvendo o green card do mexicano.

A internacionalização da academia pôde ser ratificada em outros prêmios. Reese Witherspoon, indicada ao Oscar como melhor atriz por “Livre”, lembrou ainda no tapete vermelho que eram 44 mulheres indicadas ao Oscar naquela noite. Se descontarmos as dez concorrendo em categorias de atuação, ainda eram 34. Um número bastante significante. Muitas delas venceram, como Laura Poitras, pelo documentário “Citizenfour”.

Leia também: Em cerimônia de desabafos e estranhezas, Oscar consagra metalinguístico “Birdman”

Há um movimento, ainda imperceptível para os olhos do espectador ocasional, nas entranhas da academia. Um movimento progressista, frise-se. E aí entram os discursos inflamados.

O triunfo de Dana Perry e Ellen Goosenberg Kent na categoria de documentário em curta-metragem (Foto: AP)

O triunfo de Dana Perry e Ellen Goosenberg Kent na categoria de documentário em curta-metragem
(Foto: AP)

Não se dissipou a sensação de que entre os principais indicados havia pouca diversidade. E Neil Patrick Harris acertou sua única piada logo em sua primeira fala mirando no elefante na sala. Patricia Arquette veio de caso pensado. Sabia que ia ganhar e como fizera em todas as premiações, sacou o papelzinho e vaticinou: “É nosso tempo de ter igualdade salarial e direitos iguais para as mulheres nos EUA”. Foi uma reação a percepção dominante de que a academia ainda é um clube do bolinha. Essa ala modernizante tem como característica esse desprendimento em insinuar-se. Arquette, como todo vencedor do Oscar, deve se juntar ao grupo. John Legend, Graham Moore, Iñarritu e toda a flana politizada da noite podem ser percebidos neste contexto. Assim como a própria vitória de “Birdman”, indo além no diagnóstico dessa ruptura nas hostes da academia. A julgar pelo número musical inicial, em que um histérico Jack Black esbravejou tudo que estaria errado com a Hollywood de hoje (os inúmeros filmes de super-heróis, inclusive), a homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde” e a própria celebração de “Birdman”, quando a academia dispunha de outros caminhos tão elogiosos e satisfatórios quanto à distinção ao filme de Iñarritu, pode-se dizer que há uma estafa mal resolvida, uma crise mal elaborada com os filmes de heróis. É como se a academia dissesse, precisamos pensar no que estamos fazendo. Por que não fazemos mais filmes como no passado?  “Birdman”, afinal, captura com esplendor essa crise de identidade. Hollywood precisa ser mainstream, mas há muito tempo que os estúdios não fazem filmes adultos inteligíveis que deem bilheteria. É bem verdade que neste ano tivemos dois. “O juiz” e “Garota exemplar”, ambos com presença reduzida no Oscar. A academia parece ressentir-se dessa ânsia toda por franquias milionárias e clama por novos “Scarface”, “Amadeus”, “Melhor é impossível”, etc.

Iñarritu, o grande nome do Oscar 2015 é do México: tendência de internacionalização e maior diversidade é irreversível  (Foto: AP)

Iñarritu, o grande nome do Oscar 2015 é do México: tendência de internacionalização e maior diversidade
é irreversível
(Foto: AP)

Como curiosidade, nove dos 20 atores indicados já marcaram presença ou estão vinculados a filmes de super-heróis. Vamos a eles: Edward Norton, Mark Ruffalo, Michael Keaton, Bradley Cooper, Emma Stone, J.K. Simmons, Benedict Cumberbatch, Felicity Jones e Marion Cotillard.

Este ano o Oscar voltou a perder audiência nos EUA. Os números caíram cerca de 15% em relação ao ano passado e a cerimônia foi a menos assistida desde 2009. A vitória de “Birdman”, sobre um ator que tenta desesperadamente conquistar relevância e obter reconhecimento, é uma sinalização para dentro e para fora. Representa, também, o ponto de convergência entre conservadores e modernizantes de que é preciso ir para algum lugar.

Autor: Tags: , , ,

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015 Análises, Críticas | 03:25

Em cerimônia de desabafos e estranhezas, Oscar consagra metalinguístico “Birdman”

Compartilhe: Twitter

Em uma cerimônia com sérios problemas de ritmo, um host inseguro e pouco engraçado, mas com discursos emocionantes e um inesperado e acintoso tom político, a 87ª edição do Oscar reiterou algumas convicções que se enunciaram ao longo da temporada e consagrou “Birdman ou a inesperada virtude da ignorância” como a melhor produção de 2014. O filme de Alejandro González Iñárritu, que já era o favorito consumado, venceu os Oscars de filme, direção, roteiro original e fotografia. “Boyhood – da infância à juventude” acabou triunfando apenas na categoria de atriz coadjuvante com Patricia Arquette.

“O Grande Hotel Budapeste” prevaleceu nas categorias técnicas conquistando os Oscars de direção de arte, trilha sonora, maquiagem e figurino. “Whiplash” ficou com três Oscars (Montagem, mixagem de som e ator coadjuvante). Por um breve período, essas duas pequenas joias tão avessas a iconografia do Oscar dividiam a liderança em prêmios.

Foi uma noite estranha. A orquestra bem que tentou, mas não conseguiu intimidar o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o polonês Pawel Pawlikowski por “Ida”, a interromper seu emocionado discurso de agradecimento. A famosa “musiquinha do Oscar” perdeu o respeito. Lady Gaga, por seu turno, mostrou uma voz poderosa em uma homenagem aos 50 anos de “A noviça rebelde”. Meryl Streep foi mais bem sucedida no teleprompter do In memoriam do que em “Caminhos da floresta”; a performance da canção “Glory” verteu lágrimas insuspeitas; Benedict Cumberbtach não fez nenhuma photobomb e Neil Patrick Harris foi um host bem menos feliz do que se poderia imaginar. Além, é claro dos discursos pró-minoria. Eles vieram de todos os lados. Patricia Arquette içou a bandeira do feminismo em seu discurso de agradecimento e deu a Meryl Streep a oportunidade de ter um meme para si. Graham Moore, vencedor do Oscar de roteiro adaptado por “O jogo da imitação” lembrou-se de quando quis se suicidar aos 15 anos por ser diferente e frisou que seu sucesso, seu momento, deve servir como exemplo e cunhou a hashtag “stay weird”. John Legend falou dos negros, Iñarritu dos mexicanos e essa é apenas a ponta do iceberg dos discursos de fundo político. E nem falamos ainda do vencedor de melhor documentário, “Citizenfour”.

Meryl vira meme...  (Foto: divulgação)

Meryl vira meme…
(Foto: reprodução/twitter)

Com tanta consternação, o cinema – principal elemento da noite e do bom número de abertura da cerimônia – parecia coadjuvar mais do que nunca na cerimônia. Apesar desta impressão, trata-se de uma das edições mais justas do Oscar nos últimos anos. Não houve nenhuma clamorosa injustiça e “Birdman”, que fez a academia agregar os prêmios de direção, filme e roteiro pela primeira vez desde 2011, era, de fato, o melhor entre os concorrentes a melhor filme. A última vez que o melhor foi eleito o melhor foi em 2008, quando os Coen triunfaram com “Onde os fracos não têm vez”.

A vitória de “Birdman”, como a coluna já aventava, reflete o status quo não só da indústria, mas da própria academia. Hollywood se sustenta com as franquias milionárias, mas se embevece com filmes relevantes como os que tenta reunir nesta noite de gala. A busca por relevância é, também, do Oscar coadunado cada vez mais com o cinema independente. “Birdman” é cinema de colhões, corajoso, como bem definiu Michael Keaton e sua vitória também deve ser celebrada neste contexto, não só pelo que ela diz sobre a academia e o momento de Hollywood.

Se a noite foi de Iñarritu, que ganhou pessoalmente três Oscars, o mesmo não se pode dizer de Richard Linklater e Wes Anderson que pessoalmente não ganharam nenhum dos troféus a que concorriam.

Vitória de "Birdman": filme de colhões  (Foto:AP)

Vitória de “Birdman”: filme de colhões
(Foto:AP)

A opção por Eddie Redmayne em detrimento de Michael Keaton reitera, não somente a força do sindicato dos atores, como a percepção de que enquanto colegiado, a academia ainda não está preparada para se desligar de certos cacoetes como o da “performance de Oscar”, padrão que também valeu o triunfo de Julianne Moore (“Para sempre Alice”) entre as atrizes.

Se a cerimônia dá bastante margem para discussão – certamente foi uma das mais decepcionantes em muitos anos, o resultado em si não pode ser muito contestado. Com poucas surpresas, a 87ª edição do Oscar cumpriu o que prometia e consagrou pelo terceiro ano em quatro, uma produção que fala sobre o show business (“O artista” em 2012 e “Argo” em 2013 foram as outras). Viva a terapia assistida!

Autor: Tags: , ,

terça-feira, 20 de janeiro de 2015 Análises, Filmes | 15:42

O que o conflito entre apoiadores de “Sniper americano” e “Selma” diz sobre a Hollywood de hoje?

Compartilhe: Twitter

Hollywood, de maneira geral, não reagiu bem ao que tem sido percebido como uma guinada conservadora nas hostes da Academia de Artes e Ciências de Hollywood, que outorga o Oscar. “O Oscar com menos diversidade em quase 20 anos” bradam as manchetes ao redor do mundo e o coro pela exclusão de “Selma” das principais categorias do Oscar ganha mais relevo à medida que “Sniper americano”, um inesperado e acachapante sucesso de bilheteria – arrecadou mais de U$ 90 milhões em seu 1º fim de semana com circuito expandido nos EUA, se vê no centro de um embate entre uma Hollywood liberal e uma Hollywood conservadora. Personalidades como Seth Rogen e Michael Moore condenaram o filme. Moore, que disse que atiradores de elite não podem ser considerados heróis, fez ressalvas à atuação de Bradley Cooper e a certos aspectos técnicos do filme. Sasha Stone, uma das principais analistas da indústria do cinema e expert em premiações, provocou seus seguidores no twitter: “Já imaginaram se ‘Sniper americano’ fosse feito por uma mulher?”, em alusão direta à esnobada a Kathryn Bigelow há dois anos pela direção de “A hora mais escura”. Clint Eastwood, no entanto, também não recebeu nomeação na categoria pelo filme. A provocação, no entanto, abrange o que muitos percebem como desprezo de uma Hollywood ainda muito machista ao trabalho de mulheres. O ressentimento aí não capitaliza apenas em “Selma”, mas também pelo quase total sumiço de “Garota exemplar”, maior bilheteria entre os filmes apontados como possíveis candidatos ao Oscar de melhor filme e o único protagonizado por uma mulher e escrito por uma mulher.

Bradley Cooper e Clint Eastwood no set de "Sniper americano": em um dia, o filme se tornou a maior bilheteria entres os concorrentes a melhor filme (Foto: divulgação)

Bradley Cooper e Clint Eastwood no set de “Sniper americano”: em um dia, o filme se tornou a maior bilheteria entres os concorrentes a melhor filme
(Foto: divulgação)

Um outdoor do filme nos EUA surge pichado com a palavra "assassino" (Foto/ reprodução twitter)

Um outdoor do filme nos EUA surge pichado com a palavra “assassino”
(Foto/ reprodução twitter)

A comoção é tanta e tão aprofundada que a presidente da academia se viu na necessidade de intervir e reafirmar a agenda progressista de sua gestão à frente da academia. “Nos últimos dois anos, avançamos muito em relação ao passado, nos tornando uma organização mais diversa e inclusiva por meio da admissão de novos membros”, salientou Cheryl Boone.

A presidente acenou aos desgostosos acrescentando que “amaria” ver mais diversidade entre os indicados.

Em entrevista ao Daily Beast, o ator Bradley Cooper, ele mesmo alvo de muitas críticas descontentes com sua terceira nomeação seguida ao Oscar, defendeu o filme. “Trata-se de um estudo de personagem. O interesse para mim e para Clint era ver os efeitos da guerra naquele homem. Mas eu não posso controlar como as pessoas verão este filme como ferramenta”, acrescentou o ator que disse que a obra fez o vice-presidente americano, Joe Biden, chorar. “Essa é a história de Chris (o atirador retratado no filme).  Seria ótimo se as pessoas não a interpretassem como um filme da guerra do Iraque, mas sim como um exame de como conflitos como este atingem um soldado e sua família”, opinou.

Muitos articulistas de jornais como New York Times e The Guardian externaram a preocupação do “exagerado” apreço a “Sniper americano” ser uma concessão à propaganda militar. Exageros à parte, a revista New Yorker enxergou no filme “a desconstrução do mito do guerreiro americano” ao compasso que vê em “Selma” a “reafirmação pouco imaginativa de um mito já muito celebrado”, no caso Martin Luther King.

Leia também: Academia de Hollywood vive guerra entre alas conservadora e modernizante 

Spike Lee, diretor de obras reverberantes como ‘Faça a coisa certa” (1989) e “ Malcom X” (1992), filmes tonificados pelos conflitos raciais, disparou logo depois da pouca atenção dispensada a “Selma” pela academia: “Eles que se fodam”!  “Se tinha alguém que pensava que este ano seria como o ano passado esse alguém é retardado”, disse o cineasta. “Tá cheio de gente por aqui com  ‘12 anos de escravidão’, Lupita, Pharrell… é um ciclo de dez anos”, argumentou. Para Lee, “o Oscar mais branco desde 1998 não é uma surpresa, mas é irritante”.

Essa polarização inadvertida que opõe dois filmes que guardam poucas semelhanças, além do fato de serem sobre especificidades americanas, mimetiza uma Hollywood que ainda se move sob tensões das mais diferentes procedências. Se uma das funções primais do cinema é o ensejo da reflexão e ao Oscar cabe dinamizar essa vocação, pode-se dizer que as indicações ao prêmio em 2015, contestáveis ou não, preenchem o mérito.

Cena de "Selma": filme sobre conflitos raciais catalisa conflitos adormecidos em Hollywood

Cena de “Selma”: filme sobre conflitos raciais catalisa conflitos adormecidos em Hollywood

É a primeira vez nos últimos dez anos que se vê um debate tão passional acerca de dois filmes que, no limiar, pouca gente viu e apenas especula a partir de suas estampas, dos símbolos que trazem na sinopse e no material promocional.

Essa intensidade, no entanto, pode intervir diretamente nos rumos da corrida pelo Oscar e, nesse sentido, “Sniper americano” tem muito mais a perder.

Autor: Tags: , , , , ,

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015 Curiosidades, Listas | 20:43

E se os pôsteres dos filmes indicados ao Oscar fossem sinceros?

Compartilhe: Twitter

A brincadeira é anual. Todo ano, religiosamente, o site The shiznit promove uma desconstrução de algumas produções indicadas ao Oscar com muito cinismo e humor negro. O Cineclube apresenta a safra deste ano que traz “sinceridade” aos cartazes dos filmes que pleiteiam o Oscar.

"A crise do cavaleiro das trevas" na chamada de "Birdman" abre para a provocação: "você capturou o gancho do Batman"?

“A crise do cavaleiro das trevas” na chamada de “Birdman” abre para a provocação: “você capturou o gancho do Batman”?

"A teoria de tudo" seria vendido como "o desafio da deficiência motora" pois, afinal, o amor é a maior ciência de todas...

“A teoria de tudo” seria vendido como “o desafio da deficiência motora” pois, afinal, o amor é a maior ciência de todas…

"A biografia do desafio racial" renomearia o filme "Selma" porque se você não gostar do filme, você basicamente odeia os negros...

“A biografia do desafio racial” renomearia o filme “Selma” porque se você não gostar do filme, você basicamente odeia os negros…

Não poderia faltar, claro, a "desafiadora biografia gay", como seria rebatizado "O jogo da imitação", cujo principal predicado seria "o melhor momento de Benedict Cumberbatch como ator"

Não poderia faltar, claro, a “desafiadora biografia gay”, como seria rebatizado “O jogo da imitação”, cujo principal predicado seria “o melhor momento de Benedict Cumberbatch como ator”

 

"Steve Carell interpretando Robin Williams em 'Retrato de uma obsessão" anuncia "Mania de wrestler", como "Foxcatcher" deveria se chamar

“Steve Carell interpretando Robin Williams em ‘Retrato de uma obsessão” anuncia “Mania de wrestler”, como “Foxcatcher” deveria se chamar

"Piranhas egoístas" anuncia o cartaz para "Garota exemplar". O slogan não faz cerimônia ao cravar que "esses dois idiotas se merecem"

“Piranhas egoístas” anuncia o cartaz para “Garota exemplar”. O slogan não faz cerimônia ao cravar que “esses dois idiotas se merecem”

"Sniper americano" deveria se chamar "Vídeo de recrutamento do exército"  com a devida aprovação do partido Republicano...

“Sniper americano” deveria se chamar “Vídeo de recrutamento do exército” com a devida aprovação do partido Republicano…

E se "O abutre" realmente se chamasse "TMZ: o filme"  teria melhor bilheteria? O slogan apavora: "Scarface para paparazzi"

E se “O abutre” realmente se chamasse “TMZ: o filme” teria melhor bilheteria? O slogan apavora: “Scarface para paparazzi”

Autor: Tags: , ,

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015 Análises, Bastidores | 20:18

Academia de Hollywood vive guerra fria entre alas conservadora e modernizante

Compartilhe: Twitter

Peço licença para nadar contra a corrente. Em um tempo em que a liberdade de expressão é tema de debates inflamados, o efeito manada – expressão cunhada para descrever quando indivíduos agem todos da mesma forma sem haver uma direção planejada – é perigoso e tergiversante.

“Birdman” e “O grande hotel Budapeste” lideram indicações ao Oscar 2015

Logo após o anúncio dos indicados ao Oscar 2015 tomou a internet, as redes sociais em particular, um movimento acusando a Academia de reiterar sua falta de apreço pela diversidade. De deliberadamente excluir mulheres, e haviam candidatas bem cotadas, do grupo de indicados aos prêmios de roteiro e direção. De não incluir atores negros entre os indicados e, consequentemente, de submeter “Selma”, filme sobre a emblemática figura de Martin Luther King Jr., a um papel menor na festa com suas duas e, para os propósitos dos queixosos, insignificantes nomeações. A imprensa, de maneira geral, abarcou as queixas e as reverberou sob o mesmo prisma.

Cena do filme "Selma" (Foto: divulgação)

Cena do filme “Selma”
(Foto: divulgação)

Essas ponderações se fundamentam em uma pesquisa de 2012 do jornal Los Angeles Times sobre o perfil demográfico do corpo de votantes da academia. Esse corpo é majoritariamente branco, masculino e acima dos 50 anos. Uma senha para o conservadorismo. Mas esse mesmo estudo revela que a academia jamais foi mais internacional e nunca acolheu tantas mulheres em seu colegiado. Ela é, inclusive, presidida por uma mulher negra (Cherly Boone), que tem contribuído para a diminuição dessa lacuna histórica.

Outro aspecto precisa ser analisado. Desde 2001, ano em que Halle Berry tornou-se a primeira atriz negra a vencer o Oscar de melhor atriz principal e Denzel Washington apenas o segundo ator a fazê-lo na categoria principal de atuação masculina (isso na 73ª edição do prêmio, estamos caminhando para a 87ª), muitos atores negros concorreram e venceram o Oscar. Exemplos de vitoriosos não faltam. Jamie Foxx, por “Ray” em 2004, Forest Whitaker por “O último rei da Escócia” em 2007”, Jennifer Hudson por “Dreamgirls” em 2007, Mo´Nique por “Preciosa” em 2010 e Lupita Nyong´o por “12 anos de escravidão” no ano passado se não são demonstrações eloquentes de que a diversidade é um conquista valorosa e crescente nas hostes da academia não é possível apontar o que poderiam ser.

A academia, porém, não está imune aos sobressaltos de qualquer movimento de transformação. Está em curso uma onda de modernização, naturalmente rechaçada por alas mais conservadoras. Esse conflito já podia ser percebido em anos anteriores e é novamente visível em 2015. Se por um lado, há a presença inesperadamente forte de um filme com estampa republicana, com potencial patriótico e sobre a presença militar americana no Iraque (“Sniper americano”), há duas comédias totalmente fora da caixa na liderança da corrida pelo Oscar. Uma dirigida por um latino (“Birdman”, de Alejandro González Iñarritu) e outra por um artista cultuado por hipsters e historicamente ignorado pela academia.

O cineasta Wes Anderson, autor peculiar e frequentemente esnobado agraciado em larga escala em 2015: novos tempos?

O cineasta Wes Anderson, autor peculiar e frequentemente esnobado agraciado em larga escala em 2015: novos tempos?
(Foto: divulgação)

Há de se considerar outros dois fatores preponderantes para a pouca atenção dispensada a “Selma” no Oscar, a despeito das elogiosas críticas que o filme recebe e o momento vivido pelos EUA (tema já abordado pela coluna aqui). Primeiro, a Paramount falhou na divulgação do filme e screnners, como é chamado a cópia digital enviada para votantes, simplesmente atrasaram ou não chegaram. O que contribuiu para a ausência do filme em quase todas as premiações de sindicatos, colegiados com muitos membros integrantes da academia. Repare que Globo de Ouro e Critic´s Choice Awards contemplaram bem “Selma”, mas isso porque o acesso ao filme por críticos de cinema, que são os que compõem essas duas premiações, é feito por meio de cabines, mecanismo em que as distribuidoras convidam jornalistas e críticos para assistirem seus lançamentos antes de disponibilizá-los comercialmente nos cinemas.

Outro ponto a ser considerado é a campanha nociva da qual o filme foi vítima, e ele não foi o primeiro e nem será o último, por conta de eventuais inverosimilhanças no relato. “A rede social”, “Argo”, “Cisne negro”, “O lobo de Wall Street” e “12 anos de escravidão” também foram vítimas recentes de campanhas difamatórias. É uma prática nova e vigorosa estabelecida por alguns gurus do marketing que ganham muito dinheiro para bolar estratégias de desconstrução. O Oscar é uma campanha política anual. Não se enganem.

Por outro lado, há de se considerar que, mesmo assim, e beneficiado por um sistema de votação que ainda carece de ajustes, “Selma” adentra a história como uma produção indicada ao Oscar de melhor filme. Fato que poderia gerar crítica inversa, como fomentou a vitória de “12 anos de escravidão” no ano passado.  Estaria a academia cedendo ao politicamente correto, ou como tuitou um blogueiro americano: “a indicação de ‘Selma’ a melhor filme é a academia dizendo: mas eu tenho um amigo negro”?

Cena de "12 anos de escravidão", vencedor do Oscar em 2014:  o baixo apreço a "Selma" seria uma reação conservadora ao triunfo do filme de Steve McQueen? (Foto: divulgação)

Cena de “12 anos de escravidão”, vencedor do Oscar em 2014: o baixo apreço a “Selma” seria uma reação conservadora ao triunfo do filme de Steve McQueen?
(Foto: divulgação)

reprodução/twitter

reprodução/twitter

Mais: São seis filmes independentes concorrendo a melhor filme. É difícil dizer que “Invencível”, de Angelina Jolie, uma produção de estúdio, foi esnobado por sexismo. As críticas eram ruins e “Garota exemplar”, assinado pela roteirista Gillian Flynn, um filme com avaliação e bilheteria melhores acabou recebendo menos indicações. “Invencível” concorre a três prêmios e “Garota exemplar” a apenas um. E como enquadrar a pouca atenção dispensada ao excepcional “O abutre”?  São os espólios dessa guerra fria que ocorre no seio da academia entre seu flanco mais conservador, ainda em maioria, e sua cada vez maior ala jovem e modernizante.

A percepção de injustiça é um efeito colateral de toda e qualquer manifestação democrática. É realmente de se lamentar a ausência de mulheres indicadas nas categorias de direção e roteiro. É lamentável que David Oyelowo, único ator negro que tinha chances na corrida, não tenha conseguido uma vaguinha. Mas ignorar avanços, lentos, mas ainda assim avanços, parecem apenas teimosia e gosto pela contrariedade.

A diversidade deve ser perseguida. Assim como a qualidade. As distorções na lista deste ano, que atingem tanto a diversidade como a qualidade, no limite que subjetividade e objetividade se tocam, reforçam a necessidade de ajustes. A presença sólida de “Foxcatcher” nas categorias nobres e sua ausência na disputa do Oscar de melhor filme, a ausência de Clint Eastwood entre os diretores com seu filme tão amplamente contemplado e mesmo “Selma” sem indicações que consubstanciem sua distinção como concorrente a melhor filme acusam a necessidade de burilar o sistema de votação como um todo. São questões que devem ser tratadas em alinhamento, pois embora escape à manada, uma influencia frontalmente na outra.

Autor: Tags: , ,

Curiosidades, Listas | 05:00

Você sabia? Confira dados e estatísticas do Oscar 2015

Compartilhe: Twitter

“Selma” é o concorrente a melhor filme com menos indicações; apenas duas

 

Alejandro González Iñarritu, Richard Linklater e Wes Anderson concorrem aos mesmos três Oscars. Eles foram indicados à direção, roteiro original e produção do ano. Haja rivalidade!

 

Além da indicação para melhor ator, Bradley Cooper também está indicado como produtor por “Sniper americano”

 

“Birdman” é o filme com mais indicações para elenco. São três. Edward Norton e Emma Stone, como coadjuvantes, e Michael Keaton, como melhor ator

 

Duas atrizes naturalmente ruivas concorrem ao Oscar. Além de Emma Stone, Julianne Moore

 

Julianne Moore, favorita entre as atrizes: o ano das ruivas?  (foto: reprodução/Instyle)

Julianne Moore, favorita entre as atrizes: o ano das ruivas?
(foto: reprodução/Instyle)

O braço independente da Fox, a Fox Searchlight, é o estúdio com mais indicações no ano. São 20 no total. Nove de “O Grande Hotel Budapeste”, nove de “Birdman” e mais duas de “Livre”

 

26 anos tem Emma Stone, a mais jovem entre todos os atores indicados no ano

 

84 anos tem Robert Duvall, o mais velho entre todos os atores indicados em 2015

 

O diretor de fotografia Roger Deakins conquistou sua 12ª nomeação pelo trabalho realizado em “Invencível”. Ele se torna o profissional vivo de seu ofício com mais indicações ao Oscar. É, também, um dos maiores perdedores do Oscar em qualquer categoria que se analise

Roger Deakins no set de "007 - skyfall": será que este é o ano dele?  (Foto: divulgação)

Roger Deakins no set de “007 – skyfall”: será que este é o ano dele?
(Foto: divulgação)

 

Já o mexicano Emmanuel Lubezki pode ser tornar o primeiro diretor de fotografia a vencer o Oscar de maneira consecutiva desde os triunfos de John Toll em 1995, por “Lendas da paixão” e 1996, por “Coração valente”.  Ele concorre neste ano por “Birdman” e venceu em 2014 por “Gravidade”.

 

No momento em que os indicados ao Oscar foram conhecidos, a bilheteria somada dos concorrentes nos EUA é de U$ 201 milhões. É a menor desde que a categoria passou a ter mais de cinco filmes em 2010

 

A última vez que um ator foi indicado ao Oscar  na categoria de melhor ator sem ser lembrado em nenhuma premiação periférica, tal como Bradley Cooper por “Sniper americano” também foi por um filme dirigido por Clint Eastwood. Foi o próprio Eastwood por “Menina de ouro” em 2005

 

Jennifer Aniston foi esnobada pelo Oscar depois de emplacar indicações nos termômetros Globo de Ouro, SAG e Critic´s Choice Awards. A última atriz a experimentar esse gosto amargo foi Angelina Jolie (quem diria!) por “O preço da coragem” (2008). Naquele ano, a vaga também fora roubada por Marion Cottilard que venceria por “Piaf – um hino ao amor”

Angie e Jen: o destino insiste em aproximá-las (Foto: reprodução/Eonline)

Angie e Jen: o destino insiste em aproximá-las
(Foto: reprodução/Eonline)

O diretor Bennett Miller mantém acesa uma tocha no Oscar. Pelos três filmes que dirigiu, ele conseguiu indicações para as categorias de atuação principal e coadjuvante. Em 2006 para Phillip Seymour Hoffman e Catherine Keener por “Capote”; em 2012 para Brad Pitt e Jonah Hill por “O homem que mudou o jogo” e agora para Steve Carell e Mark Ruffalo por “Foxcatcher”

 

E Bennett Miller é o primeiro diretor nomeado ao Oscar que não tem seu filme indicado a melhor filme desde que a categoria passou a receber mais de cinco indicados e este título “honroso” é irreversível

 

“Virunga” tornou-se o segundo documentário produzido pela Netflix indicado ao Oscar. Em 2014 “The square” concorreu ao prêmio

 

Mark Ruffalo e Edward Norton, rivais na categoria de ator coadjuvante, se notabilizaram por terem interpretado o personagem Hulk no cinema. Norton em “O incrível Hulk” e Ruffalo em “Os vingadores” e na sequência programada para abril deste ano

 

Os festivais ditam o Oscar. “Birdman” estreou em Veneza; “O Grande hotel Budapeste” em Berlim; “Whiplash e “Boyhood” em Sundance; “O jogo da imitação” e “A teoria de tudo” em Toronto; apenas “Selma” e “Sniper americano” não estrearam em festivais de cinema

Autor: Tags: ,

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015 Bastidores, Listas | 12:50

Dez curiosidades sobre a lista dos indicados ao Oscar 2015

Compartilhe: Twitter

1 – As acusações de racismo e misoginia estão à esquina. Não há nenhum negro entre os 20 indicados nas categorias de atuação. Assim como não há nenhuma mulher indicada nas categorias de direção e roteiro. Isso em um ano em que haviam concorrentes badaladas como Angelina Jolie (“Invencível”) e Ava Duvernay (“Selma”), entre diretores, e Gillian Flynn (“Garota exemplar”) entre as roteiristas

2 – Meryl Streep ampliou o próprio recorde e chegou a sua 19ª indicação ao Oscar pelo papel de bruxa má em “Caminhos da floresta”.  É também sua sexta indicação em oito anos. Assim como Bradley Cooper, ela também concorreu ao prêmio em 2014

Meryl Streep em "Caminhos da floresta": ampliando um recorde já considerado inalcançável

Meryl Streep em “Caminhos da floresta”: ampliando um recorde já considerado inalcançável

3 – A primeira vez que Robert Duvall, de 84 anos, foi indicado ao Oscar foi em 1973 por “O poderoso chefão”, trata-se da maior distância entre a primeira e a mais recente indicação entre todos os concorrentes do ano. Além disso, se Duvall vencer pelo papel de coadjuvante em “O juiz” se sagrará o ator mais velho a ganhar um Oscar competitivo, superando Christopher Plummer que venceu na mesma categoria aos 82 anos por “Toda forma de amor”

4 – Não há nenhum filme na disputa do chamado big Five, os cinco principais prêmios (filme, direção, atriz, ator e roteiro). A produção que chegou mais perto disso foi “A teoria de tudo”, mas o diretor James Marsh não emplacou entre os diretores

5- Nove dos 20 atores indicados estão concorrendo ao Oscar pela primeira vez. A categoria com mais debutantes é a de ator, com as estreias de Steve Carell, Michael Keaton, Benedict Cumberbatch e Eddie Redmayne. Trata-se, também, da única categoria em que nenhum concorrente é vencedor prévio do Oscar.

6- Morten Tyldum, de “O jogo da imitação” é o primeiro diretor norueguês indicado ao Oscar da categoria

7 – O compositor francês Alexandre Desplat concorre duplamente ao Oscar pelas composições das trilhas originais dos filmes “O jogo da imitação” e “O grande hotel Budapeste”. É o terceiro ano consecutivo em que concorre e vai ser difícil não ganhar desta vez.  Já foram seis indicações e nenhuma vitória

8 – Quatro dos concorrentes a melhor filme são histórias originais para cinema (“Birdman”, Boyhood” , “O Grande hotel Budapeste” e “Selma”)

9 – Laura Dern (“Livre”) não era indicada ao Oscar desde 1992, quando concorreu a melhor atriz por “As noites de Rose”. No ano passado, seu pai, Bruce Dern, que também não era indicado ao Oscar por quase 30 anos, concorreu ao prêmio por “Nebraska”

Laura Dern e seu pai, Bruce: o Oscar como assunto de família  (Fotos: divulgação e Getty)

Laura Dern e seu pai, Bruce: o Oscar como assunto de família
(Fotos: divulgação e Getty)

10 – Dos 20 atores indicados, seis não são americanos: Marion Cottilard (França), Rosamund Pike (Inglaterra), Felicity Jones (Inglaterra), Keira Knightley (Inglaterra), Eddie Redmayne (Inglaerra) e Benedict Cumberbatch (Inglaterra)

Autor: Tags: , ,

  1. Primeira
  2. 1
  3. 2
  4. 3
  5. Última